terça-feira, 27 de setembro de 2011



ORLANDO CALAZANS RIBEIRO
UM MEDICO ESQUECIDO NA HISTÓRIA SERGIPANA
De Estância- Se para o mundo


Adailton Andrade
Dr. Marcelo Campelo Ribeiro Brunetti




Dr. Orlando Calazans Ribeiro, nasceu no início do século XX, em 1.901 no município de Estância, Estado nordestino de Sergipe, onde passou sua juventude e adolescência, entre o mundo político à época, as tradicionais fazendas imponentes como a afamada fazenda do “ Castelo ” de sua família e as festas da elite local, pois era fruto da união de duas das mais tradicionais e abastadas famílias nordestinas: Calazans & Ribeiro. Filho do Coronel Leonardo Costa Ribeiro (imigrante e industrial português) e de Dulce Calazans Ribeiro, casou-se na década de vinte em Traíras ( hoje município de Santana de Pirapama MG. ) com a Sra. Arminda Campelo Ribeiro, filha de Luiz Campelo ( Lulu ) & Luísa Gomes de Oliveira Campelo, tendo nove filhos : Ivone, Sônia, Dulce, Diana, Maria Luiza, Aída, Otávio, Renato e Orlando.





Teve ainda uma filha de nome zulinah de Calazans nascimento (nome de casada) Zulinah de Calazans Ribeiro (nome de solteira), fruto de um namoro com Adalgisa Dalva Ribeiro, (ocorrido antes de conhecer e casar-se com a Sra. Arminda) ela nasceu na capital Salvador BA. , em 27 de agosto de 1925 e casou-se com Francisco do Nascimento, teve 9 filhos : Ana Maria, Maria Lucia , Celia Maria , Jose Raimundo e Raimundo Jose (gêmeos), Luiz Carlos, Emanuel Francisco, Lilia Beatriz e Sergio .(Dados de família repassados pela neta historiadora e Professora Lilia “Calazans” -acervo particular)

Foi  criado por seu pai , familiares e em Colégio Interno, uma vez que sua amada genitora Dulce Calazans faleceu em decorrência da gripe espanhola que assolava o mundo na virada do século XIX para XX, perdeu sua mãe quando ainda era uma criança, fica claro o amor inesquecível e incondicional de filho , quando anos e anos mais tarde ao publicar sua Tese de Doutoramento em sua formatura como médico ,  escreve  :

“ ... A sagrada memória de minha Mãe , não quis o destino me fosse concedida a ventura suprema de ter-vos ao meu lado no momento em que me vejo investido das funções de sacerdote da religião de Hipócrates; mas, lá da mansão de Deus onde estais, mandai através dos espaços um ósculo cheio de unção que me sirva de conforto em toda minha vida ...”( Physio-Psychologia das Emoções, Tese de Doutoramento Aprovada com Distinção, fls. 02,  Dr. Orlando Ribeiro, Bahia 1.924 ).


JUVENTUDE, ADOLESCÊNCIA

Pouco ou quase nada sabe sobre a infância, juventude e adolescência de Orlando Calazans, existe um boato de que quando jovem havia sido noivo da filha do Governador de Sergipe, não dando certo o noivado e por razões desconhecidas até hoje, abandonou literalmente tudo e todos e fixou residência no Estado de Minas Gerais, ... outro acontecido é que sua personalidade  forte e boêmia, fez com que fechasse as portas de uma famosa zona de meretrício da capital Sergipana, fato escandaloso para a época , sabe-se que era bonito, culto, inteligente e de personalidade muito forte.

Quando Jovem, paralelo às atividades de médico, foi Diretor da Empresa Industrial Estanciana – Fábrica Senhor do Bonfim – Ribeiro, Schofield  &  Cia. Tecelagem e Fiação – End. Telegr. Alegrete -  Estância Sergipe , da qual seu pai Cel. Leonardo Costa Ribeiro era um dos sócios-proprietários ( a fábrica ainda existe ).

Em 1.924, torna-se Médico, ao colar grau com Tese de Doutoramento aprovado com distinção pela Faculdade de Medicina da Bahia, com apenas 23 anos de idade, nesta época deixou lastreada fortes amizades na Tradicional Universidade Nordestina, seus primos Elmano e Adelaido, os médicos Dr. Nelson Almeida, Dr. Bráulio, Dr. Murilo dos Santos, Dr. João Gonçalves e Dr. Antônio Costa, amigos fraternos como: Anita Lessa, Elisa Saldanha, Durval Carvalho, colegas do Internato Hospital São João de Deus, mas sem dúvida alguma o mais importante de todos o Dr. Aristides Novais seu mestre e mentor na Publicação acadêmica que outorgou o título profissional de Médico. (Tese de Doutoramento“ Physio-Psychologia das Emoções” aprovada com distinção – Bahia 1.924 - Orlando Ribeiro. )




A imprensa nordestina à época deu destaque aos jovens médicos recém-formados, Orlando e Adelaido Ribeiro duas competências em matéria de radiologia e radioscopia, inaugurando consultório luxuoso na Rua Chile, n.5, 1º andar, Salvador BA., dotado o consultório de moderna aparelhagem da companhia Victor dos EUA, lembrando quando Dr. Orlando Ribeiro trabalhou no Gabinete de Radiologia da Santa Casa do RJ., chefiada por nada mais nada menos que  Dr. Roberto Duque.  

            Em 1.928, médico formado e atuante, segue para França e Europa, no navio “ Orania ”, juntamente com outros colegas de profissão, para pós graduação em “ Radiologia ”, este fato foi noticiado amplamente pela Imprensa Nordestina e Francesa. Países como Bélgica, Espanha, Portugal e França foram visitados pelo Jovem médico na condição de secretário da Delegação de 28 Médicos, mas sem dúvida seus olhares estavam atentos para as cidades de Bordeaux, Toulouse, Paris (Santuário de Lourdes ).

            Conforme consta, Dr. Orlando Ribeiro cerrou fileiras no Exército Brasileiro, tendo a Patente de Tenente-Oficial-Médico, segundo consta lutou contra o Bando de Lampião em uma investida bélica , no Estado de Alagoas , tratando de um ferimento a bala um policial militar , que em agradecimento o presenteou com uma espada do próprio Lampião,  este presente foi doado por Dr. Orlando Calazans ao Museu que abriga os pertences de Lampião. Hoje memorial da UNIT.

            Como Médico, Dr. Orlando atuou brilhantemente nas cidades de Estância, Aracaju  Salvador , Rio de Janeiro, Barão de  Cocais, Sete Lagoas e Belo Horizonte. Foi Médico do Corpo Clínico do Hospital da Beneficência Portuguesa de Salvador- BA. Médico do Gabinete de Radiologia da Santa Casa do Rio de Janeiro, Médico Sanitarista e orador da  Turma de formandos Médico chefe de posto de higiene, Chefe do Centro de Saúde de Sete Lagoas MG, Professor de Ciências Biológicas  e  Membro da Associação Médica Brasileira e Associação Médica Mineira.  Pelo que consta, foi um profissional correto, certo, direito, digno, honesto e honrado, fiel ao seu juramento, alheio ao dinheiro, médico dos pobres e humildes, sempre esteve a um  passo a frente de seu tempo.

2. DEPUTADO ESTADUAL CONSTITUINTE POR SERGIPE, VICE-PRESIDENTE DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA

Filho de duas tradicionais famílias nordestinas, Dr. Orlando Calazans não poderia se furtar ao chamamento dos encantos da política, até porque havia um continuísmo muito grande à época em Sergipe e forças organizadas fecharam o cerco e concretizaram a vitória da oposição sob o comando do Amigo fraterno e Governador eleito  Dr. Eronildes Ferreira de Carvalho, dai sagrou se vitorioso nas urnas e elegeu-se Deputado Estadual pelo Partido Republicano em 1.935, ano da Constituinte Estadual, da qual  foi o primeiro  dos signatários, chegou por intermédio do amigo Governador Eronildes, através de manobras políticas, a ocupar a Vice-Presidência da Assembleia de Sergipe.

     No Impresso " SERGIPE UNIDO " de 02 de abril de 1.93, vê se claro a alegria contagiante dos oposicionistas, através de matérias escritas de punho, todos correligionários tais como:  Cel. Francisco Porto, Dr. Clovis Cardoso, Dr. Augusto Leite, Dr. Leandro Maciel, Maria Rita, Dr. Barreto Filho, U lises Campos, Zózimo Lima, Dr. Adroaldo Campos,  Carvalho Barroso, Ministro João Cabral, Dr. Armando Fontes, Capitão Nelson Sampaio, Dr. Godofredo Diniz, Jornalista Júlio Barreto, Dona Quintina Diniz de Oliveira Ribeiro, Dr. Heribaldo Vieira, Dr. José Ribeiro do Bomfim, Padre Mario de M. Vilas Boas,  Dr. Eronildes Ferreira de Carvalho e o próprio Deputado eleito Dr. Orlando Calazans Ribeiro (SERGIPE - UNIDO , edição de 1.935).

Em outro Impresso Original, esta corroborado o apoio das Classes que comandavam o Estado Sergipano, ( jornal "MERCÚRIO - homenagem aos altos representantes das classes conservadoras de Sergipe - segue anexo constituição estadual de1.935) . Figuras ímpares e amigos de Dr. Orlando Ribeiro fizeram presença neste Jornal , através de matérias exaltando a política oposicionista da época tais como : Dr. Júlio Cesar Leite,  Dr. Exupero Monteiro, Dr. Heribaldo Dantas Vieira, Prof. Arthur Fortes, Dr. Juarez de Figueiredo, Dr. Josué Baptista de Jesus, Dr. Togo de Albuquerque, Cel. Lourival Sobral, Cel. Guilhermino Rezende, Cel. Torquato Fontes, Dr. Octavio Acccyoli, Dr. Costa Filho, Dr. Hugo Bozzi, Dr. Francisco de Lacerda Filho, Dr. Manoel de Carvalho Nobre, Dr. Maurício Graccho Cardoso, Dr. Alfredo Gomes, Cel. José Menino de Oliveira, Major Antônio Maynard Gomes, Dr. Carlos Cruz, Dr. Hercílio Porfírio de Britto, Cel. José Peixoto, Dr. José Gonçalves, Prefeito Godofredo Diniz Gonçalves e os Jornalistas Júlio & Armando Barreto e redator-chefe Jefferson Silva.

Conta-se que uma vez, no sertão Sergipano, no auge do período eleitoral o então jovem candidato Dr. Orlando antes de subir no palanque para seu ferrenho discurso contra o Governo, foi alertado sobre possível “ atentado contra sua vida “, momento em que um de seus eleitores ( ou jagunço ?) entrou por trás e transpôs suas duas mãos com dois revolveres em cada e as colocou entre os dois braços do  orador, dizendo-lhe : “Agora pode subir e falar o que quiser Doutor ... “

Dr. Orlando Calazans Ribeiro, foi deputado Estadual em Sergipe pelo PR., amigo do Governador Eronildes Ferreira de Carvalho, do Deputado pela UDN Tenório Cavalcante, do Presidente Arthur Bernardes ( onde mantém até hoje Um cartão de punho pessoal do Presidente, reforçando a amizade de ambos ), de todos os Deputados Constituintes de 1.935 por Sergipe, sempre foi correto no trato, direito nos acordos, honrado na Tribuna ... Posteriormente já em Minas Gerais, antes de sua partida final, conviveu com Laços de amizade com Presidente Juscelino K. de Oliveira (visitava-o sempre em sua residência), Deputado Emílio de Vasconcelos Costa, Deputado Vasconcelos Costa, Deputado Renato Azeredo, Deputado Wilson Tanure, dentre vários  outros, retilíneo em sua vida particular,  digno com seus correligionários, honesto com o dinheiro público, Fiel ao Partido Republicano e as amizades forjadas nos corredores da Assembleia Legislativa e Palácio do Governo de SE.

Corre discretamente que o Amigo Gov. Eronildes, em uma transação política quando do Golpe de Getúlio Vargas, chegou a oferecer 1 Cartório para o amigo, este de pronto e fiel recusou  temendo manchar seu nome. Foi cassado como todos em 1.937 por Getúlio Vargas, nunca mais retornou ao Legislativo de seu Estado, mas deixou assinada a Constituição Estadual de Sergipe e ocupou com galhardia a Tribuna e Vice-Presidência da Casa Legislativa que tanto amou. (Constituição Estadual de Sergipe 1.935)

3. A SÓLIDA AMIZADE COM PRESIDENTE ARTHUR BERNARDES E INTERVENTOR   ERONIDES DE CARVALHO


Dr. Orlando Ribeiro, na condição de filho abastado e único herdeiro dos Calazans & Ribeiro, bem como Médico com Pós Graduação na França e como  Político foi Deputado Estadual pelo PR, gozou de inúmeras “amizades “, conheceu autoridades, políticos de renome, frequentou o Palácio do Governo, gozou do convívio de vultos e personalidades de todos os meios da sociedade, mas  dar-se-á ênfase a duas amizades e convivência histórica que ele teve , a saber:



Dr. Eronildes Ferreira de Carvalho - Governador de Sergipe, teve uma amizade sólida e fraterna com Dr. Orlando, dizem que foi levado a política Sergipana por suas mãos, a imprensa da época exaustivamente proclamava a união dos dois políticos, um Governador de Sergipe , outro deputado estadual ( o comentário é que era líder o Governo na Assembleia ) era comum o livre transito do Deputado nos corredores do Palácio de Governo do Sergipe, conta se mais, que o amigo Governador quis presentear Dr. Orlando com um Cartório, o que nunca foi aceito, pois não era dado a este tipo de ofertas.( Sergipe-unido 1935 , mercúrio 1935, o estado de Sergipe 1934 , o batalhador  1930 .)

Presidente da República Dr. Arthur Bernardes , sabe se que Dr. Orlando era fiel aos princípios democráticos, conservadores e republicanos, os mesmos que norteavam a carreira do Dr. Arthur Bernardes, tiveram encontros e solidificaram um respeitosa amizade política, comprovado em um cartão original escrito de punho pelo Presidente , o qual esta conservado e faz parte do acervo pessoal de Dr. Orlando Ribeiro :
“Ao amigo Dr. Orlando Ribeiro, Arthur Bernardes cumprimenta o e agradece  a  remessa de crônicas que o “ amigo “ publicou no Diário de Notícias , agradecido lhe outrossim o interesse que vem tomando pelo PRM. –
Arthur Bernardes.     Rua Valparaiso, 40. .”

Vê-se a importância e grandiosidade desta figura ímpar, quando do alto de seus apenas 28 anos de idade, em pleno início de século XX, já despontava como Médico Radiologista pós graduado na Europa, Diretor de Fábrica de Tecidos, articulista na Imprensa de seu Estado, Tenente-Oficial-Médico do Exército Brasileiro,  Político e Deputado Constituinte. Sabe-se muito bem que Dr. Orlando Ribeiro era um excelente articulista, ótimo escritor, homem das Letras e amante dos livros, possuía em sua residência uma boa biblioteca, dizem que de fazer inveja a muitas escolas da época, não media esforços para aquisição de livros ou enciclopédias para abastecer sua fome de conhecimento, muitos dos exemplares ainda existem e fazem parte de seu acervo, destaque para dois exemplares vol. I e II de Historia Natural capa de madeira e ilustração pintada edição do século XIX, dois exemplares do Dicionário Brasileiro edição da Bahia 1.912, Coleção de  “ Eça de Queiroz “ com assinatura do autor 6ª Edição início do século XX, e outras dezenas de títulos e Coleções completas datadas de 1.930, 1.940, 1.950 e as mais recentes de 1.960.
No meio cientifico, escreveu vários artigos em jornais em Minas gerais, Sergipe e Bahia. Entre seus artigos citamos os mais importantes: Questões Estaduais - Doença de Chaga - Curandeiros e Charlatões - Poluídas as Águas do Manancial da Serra, Kardec ismo e Caridade - A Magia das Montanhas - Medicina Preventiva e Higiene - Santuário da Natureza - Semana da Comunidade - O Pronto Socorro -Realidade Brasileira - Atividades do Centro de Saúde Ano de 1.964.


REFERÊNCIAS CONSULTADAS:
Consultas :

Dr. Marcelo Campelo Ribeiro Brunetti - Advogado, Prof. Universitário (Neto de Dr. Orlando Calazans Ribeiro )

1.Acervo da Família – Acy Ferreira França – Impressão Gráfica CEUB Brasília DF. 1987.
2.These de doutoramento “ Physio-Psychologia das emoções” aprovada com distinção – Bahia 1.924 - Orlando Ribeiro.
3.Impressões da moderna ciência  europeia , o que nos disse o ilustre radiologista Orando Ribeiro  -   a caravana medica brasileira na França – união republicana de Sergipe – original 1.928.
4.Constituição do estado  de   Sergipe – 16 de julho de 1.935
5.Discursso de posse-unidade de saúde de sete lagoas mg.
6.Discurso na formatura da turma de sanitaristas da escola de saúde publica da secretaria estadual de saúde de Minas Gerais
7.Jornal o centro de minas.
8.Sergipe-unido , única edição - março de 1.935.
9. O estado de Sergipe – órgão oficial da união republicana de Sergipe – 1.936.
10.Sergipe-unido 1935 , mercúrio 1935, o estado de Sergipe 1934. o batalhador  1930 ,todos originais.
11.Mercúrio - homenagem aos altos representantes das classes conservadoras de Sergipe original -1.935.
12.Sergipe ,100 anos de história constitucional Assembléia legislativa do estado de Sergipe – 1.992.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

OS 99 ANOS DA CASA DE SERGIPE - IHGSE

No princípio eram 22. Reuniram-se numa sala do Tribunal de Relação, em 06.08.1912, e criaram o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.


Texto: Ibarê Dantas (Historiador)





No princípio eram 22. Reuniram-se numa sala do Tribunal de Relação, em 06.08.1912, e criaram o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Era o resultado do sonho do inquieto jovem sociólogo Florentino Menezes, que convidou magistrados, advogados, médicos, empresários e outros profissionais da elite sergipana para fundar uma instituição cultural.


Presidente Samuel e o vice. Ibarê Dantas

Sergipe já tardava em fundar sua casa. Depois de criado o Instituto Brasileiro na Corte, Pernambuco teve a iniciativa em 1862 no Nordeste, depois seguiram-se Alagoas (1869) e Ceará (1887). Na fase republicana, em 1895 surgiu o da Bahia, o do Rio Grande do Norte em 1902 e o da Paraíba em 1905, até que foi criado o de Sergipe em (1912), antes do Piauí (1918) e do Maranhão (1925).



A finalidade era formar uma associação civil sem fins lucrativos, no sentido de coletar documentos, preservá-los, cultivar a memória da sociedade sergipana, discutir problemas culturais e produzir saber com a publicação de sua Revista própria.


Desde suas origens, o IHGSE recebeu dos associados, de instituições e de vários amigos da casa livros, revistas, jornais e documentos de natureza diversa. A frequência das doações foi de tal ordem que o IHGSE, no terceiro ano de funcionamento, deixou o prédio do Tribunal de Relação porque o espaço que lhe era reservado manifestou-se exíguo.


Com a inauguração de sua imponente sede (1939), a “Casa de Sergipe” aumentou sua importância, o acervo cresceu de forma que nos anos cinquenta sofreu a ampliação do salão da biblioteca para abrigar livros e periódicos de origens diversas. Em meio à variedade do material de procedência externa, formou-se a sessão sergipana composta de livros, revistas, jornais, documentos manuscritos, fotografias, moedas, quadros, móveis de valor histórico, compondo biblioteca, arquivo, hemeroteca, pinacoteca e museu, formando uma memória que honra as tradições do seu povo e a construção de sua identidade.


Ao longo de sua existência, os dirigentes do IHGSE empenharam-se em realizar os objetivos da instituição com maior ou menor determinação, assim como encontraram variadas manifestações de apoio e de esquecimento, levando a Casa de Sergipe a viver momentos de animação e de dificuldades.





A partir de 2004, desencadeou-se no IHGSE um movimento de revitalização que contou com apoio de intelectuais, profissionais de origens diversas, governantes e parlamentares de diferentes tendências políticas, resgatando a importância da instituição dentro da vida cultural sergipana.Lembrarmos os 99 anos significa que temos a esperança de participarmos, no próximo ano, da celebração do seu centenário com a dignidade que as circunstâncias requerem. O atual presidente Samuel Albuquerque vem liderando os trabalhos de planejamento da programação, confiante na colaboração da sociedade e dos poderes públicos com a ambição de superar as comemorações do seu cinquentenário em 1962, quando a Casa de Sergipe viveu uma semana de atividades com a presença de populares, intelectuais, autoridades e representantes de outros Estados participando de eventos marcantes da cultura sergipana.

Completar cem anos vai ser uma oportunidade para fazermos um balanço de sua existência. Como conseguiu sobreviver dispondo de tão poucos recursos e de que forma construiu um acervo cultural dos mais significativos do Estado? Qual o significado de sua contribuição no contexto cultural sergipano? Qual o seu papel na sociedade do século XXI? Para tanto, não pode ser esquecida sua Revista, a mais longeva do Estado, cujo primeiro número saiu em 1913, divulgando contribuições humanistas representativas do pensamento dos intelectuais patrícios.


Que, na ocasião do seu centenário, o legado do IHGSE seja melhor conhecido para que saibamos valorizá-lo.



domingo, 7 de agosto de 2011

História de Nossa Senhora do Socorro - Sergipe

JÁ FOI TOMAR DA COTINGUIBA !!!! HOJE NOSSA SENHORA DO SOCORRO


Adailton Andrade


O município tem uma das igrejas mais antigas e já foi o mais populoso e de maior produção de sal de Sergipe




Quando os portugueses aqui chegaram para explorar Sergipe, já por volta de 1575, encontraram na região que hoje forma a sede do município de Nossa Senhora do Socorro, índios da tribo Tupinambá. A força do cacique Serigy era sentida pelo devastador europeu, que com a violência das armas e da fé conseguiu se estabelecer. Por ordem do arcebispo da Bahia, Dom Sebastião Monteiro da Vide, em 25 de setembro de 1718, uma pequena aldeia, que tinha a capelinha dedicada a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, é transformada em freguesia com o nome de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Tomar da Cotinguiba.

Segundo historiadores, as notícias mais antigas daquela freguesia são de 1757. O vigário da capela, padre José de Souza, escreve ao arcebispo da Bahia relatando a área territorial da povoação e sobre a presença de aldeias indígenas. Naquele ano, segundo o vigário, a povoação já tinha cerca de 4.200 pessoas. Encantado, o padre e historiador Marco Antônio de Souza também escreveu sobre o progresso constante da Freguesia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Tomar da Cotinguiba, no ano de 1802. Os manuscritos do padre estão no Museu Britânico. Ele também fazia referência a Santo Amaro das Brotas, que já era vila, mas ressaltava que Socorro era muito populoso.




Marco Antônio escreveu que a freguesia chegou a ter 7 mil pessoas e que, além de fazer grande importação de produtos manufaturados da Bahia, trabalhavam nos engenhos e na produção de açúcar. Os manuscritos desse padre foram encontrados no Museu de Londres.

LARANJEIRAS E ARACAJU

Mas os socorrenses que lutavam para transformar a freguesia numa vila independente de Santo Amaro sofreram um grande golpe. Em 1832 é criada a Vila de Laranjeiras e a Freguesia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Tomar da Cotinguiba acabou sendo anexada àquela nova vila. Vários moradores de Socorro fizeram protesto, atos e até representações junto ao Conselho da Província. Mas de nada adiantou. A Câmara de Laranjeiras, por sua vez, também reagia às pretensões dos socorrenses. Entre as alegações, diziam os laranjeirenses que Socorro estava apenas a uma légua da nova vila, que toda semana os socorrenses iam às feiras em Laranjeiras e entre as ponderações afirmavam que na freguesia não existia “20 cidadãos que satisfizessem os requisitos da lei, para servirem nos cargos de governança”.



Mas os moradores da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Tomar da Cotinguiba não desistiram. Em 19 de fevereiro de 1835 a freguesia é transformada em vila independente, mas a festança dos socorrenses pela liberdade e crescente progresso demorou um pouco. Um novo golpe reduziu a vila a um modesto povoado sem qualquer expressão. Isso aconteceu a partir de 17 de março de 1855, quando a Lei 413 criou o município e a cidade de Aracaju, para onde se transferia a capital da Província e incorporava às suas terras todo o território de Socorro. Isso mesmo. O município de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Tomar da Cotinguiba deixou de existir oficialmente.



MUDANÇA DE NOME

Resistentes como sempre, os moradores de Socorro reiniciaram sua luta para devolver o status àquelas terras. Nove anos depois, em 7 de julho de 1864, é criado o distrito. Dessa vez com o nome de Nossa Senhora do Socorro da Cotinguiba, ainda pertencente a Aracaju, mas isso levou os socorrenses a recuperarem seu antigo prestígio. Era um passo importante em busca do retorno ao município. Quatro anos mais tarde os habitantes daquelas terras conquistaram de uma vez por todas o título esperado.



Em 14 de março de 1868 o distrito é transformado em município independente. O curioso é que a Lei Provincial 792 diz que ele passa a se chamar apenas Socorro. Mas a legislação federal atingiu Socorro e o Governo do Estado teve que mudar seu nome em 1943, que passa a ser apenas Cotinguiba.

Mas esse novo nome do município não chegou às ruas. Era apenas usado em documentos oficiais. Para o povo, o nome era Socorro. O Cotinguiba ainda sobreviveu por quase dez anos. Em 6 de fevereiro de 1954, o Governo faz retornar o seu primeiro nome, retirando porém “Tomar da Cotinguiba”, porque o nome ficava muito grande. Assim, o município passou a ser definitivamente chamado de Nossa Senhora do Socorro. “Existia um cruzeiro que ficava na Rua São Benedito; foi mudado para a frente da matriz, depois desapareceu... No meio da praça tinha uma pedra enorme, depois desapareceu... Tinha a chegança aqui e também na Taiçoca... A transformação da cidade começou quando seu Manuel Prado Vasconcelos colocou luz elétrica em postes de madeira, com calçamento nas ruas... A linha de trem chegou em 1920”, Memória de Velho, de Ecléa Bosi.



Vale ainda registrar na história de Socorro a existência da Cidade de Menores Getúlio Vargas, onde funcionava um pequeno hospital com 34 leitos, para tratamento exclusivo de menores abandonados e ‘delinqüentes’; a Colônia Lourenço Magalhães (Serviço Nacional de Lepra) um hospital para os antigos leprosos; Horto Florestal de Ibura, que realizava farta distribuição de mudas de grandes e variadas espécies de árvores. Em janeiro de 1955 o prefeito do município era Fausto Góes Leite.

A bela igreja matriz

A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é uma das mais antigas de Sergipe. Ela não tem nenhuma documentação sobre sua construção, mas na soleira da sacristia, à direita, há uma inscrição com a data de 1714. A

igreja foi tombada como monumento histórico nacional pela Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 20 de março de 1943. A imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é uma escultura em madeira policromada, do século XVIII. O interessante é que essa imagem original ficou pequena no altar e por isso os jesuítas providenciaram uma imagem maior. Hoje as duas estão na igreja. Uma curiosidade que ainda hoje leva muita gente para a igreja é a existência de um túnel que os jesuítas fizeram dentro da igreja para fugir das perseguições dos holandeses. O túnel começava na igreja de Socorro e levava os jesuítas até Laranjeiras. Há pouco meses a porta do túnel foi fechada.

Do forro original resta o do altar-mor, cuja pintura tem a temática dos quatro continentes (na realidade são cinco continentes): apresenta a imagem de Nossa Senhora do Socorro, ao centro, ladeada pelas figuras de uma mulher branca simbolizando a Europa; um homem negro, representando o continente africano; um oriental representando a Ásia e um índio representando a América. Outro detalhe interessante é que à esquerda de quem entra pela nave central da igreja, há uma área com três túmulos. Um da família Daltro Nabuco, que é de 1877; um do poeta e jurista José Freire da Costa Pinto. E o outro e mais recente é do frei Inocêncio Schleirmacher, um dos vigários mais importantes na história de Socorro. Há também no piso da nave a lápide do túmulo do cônego Eliziário Vieira Muniz Telles, Conselheiro da Ordem de Cristo e vigário da freguesia de Socorro em 1904.

Os moradores mais velhos dizem que os jesuítas encontraram a imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro numa ilha existente lá e depois levaram a imagem para a capela. Uma outra igreja muito antiga no município é a de Nossa Senhora do Amparo, que tem sua festa em 15 de agosto. A festa da padroeira é realizada em 2 de fevereiro.

Do sal ao distrito industrial

O município de Socorro, em termos mineral, é um dos mais ricos de Sergipe. Existe muito próximo à sede uma usina de salgema. Mas é o sal marinho que tem uma fantástica história. O município já chegou a ter mais de 380 salinas, sendo o maior produtor do Estado. Não é à toa que o nome do rio que separa Aracaju de Socorro é conhecido como Rio do Sal. O rio e as linhas de trem eram muito usados pelos produtores de sal. Hoje, apenas quatro salinas ainda resistem.

A partir da década de 80, o município começou a passar por transformações urbanísticas. A sede da cidade não sofreu grandes alterações, entretanto seus povoados foram alvos de empreendimentos imobiliários que provocaram uma considerável mutação em áreas antes ocupadas por mangues e pouco povoadas.

Essas mutações foram conseqüências da administração pública estadual ao criar, em 1979, o projeto Grande Aracaju. Quando o Distrito Industrial de Aracaju ficou esgotado, o Governo do Estado implantou o Distrito Industrial de Socorro. Algumas indústrias foram para lá e também vários conjuntos habitacionais foram construídos, como o conjunto das Domésticas, Jardim, João Alves Filho, Fernando Collor, Marcos Freire, Taiçoca e Albano Franco. O inchaço populacional trouxe mais problemas do que benefícios em Socorro.

Alguns filhos ilustres

• Marechal Antônio Enéas Gustavo Galvão - É o Barão do Rio Apa. Nasceu em 19 de outubro de 1832. Militar que lutou na Guerra do Paraguai.

• Manoel dos Passos de Oliveira Teles - Bacharel, nasceu a 29 de agosto de 1859. Versado nas línguas grega, latina, inglesa e francesa. Escreveu, entre outras, as seguintes obras: “Chystofaneida”, “Ensaios sobre a Música Popular em Sergipe”, “A Geografia Cretácea e Terciária do Brasil”, “De Itapoã a São Francisco”.

• José Augusto Barreto - Médico, nascido a 16 de junho de 1928. Tem importantes trabalhos publicados que são considerados de grande valor científico, como “Infantilismo Esplênico” e “Uma Família de Esplenomegálicos”.


Nossa Senhora do Socorro é um município brasileiro do estado de Sergipe, localizado na Região Metropolitana de Aracaju. Em razão de sua proximidade com a capital sergipana, o município tornou-se verdadeira cidade-dormitório, possuindo diversos conjuntos habitacionais; entre os maiores: Marcos Freire I, II e III, João Alves, Fernando Collor, Conjunto Jardim, Parque dos Faróis e Taiçoca, segundo a revista VEJA e o Jornal Nacional é uma das cidades que mais crescem no Nordeste Brasileiro e no Brasil.


REVISANDO O ASSUNTO:
Nossa Senhora do Socorro fica no município do estado de Sergipe, vizinho à cidade de Aracaju, estando a uma altitude de 36 metros. Sua população é de, aproximadamente, 180 mil habitantes. A economia da cidade é concentrada na pecuária bovina, suína, eqüina e de frangos; na piscicultura (carimãs, pescados, xeréus, bagres, robalos, traíras, arraias, carapebas e milongos), com destaque para os viveiros de camarão; na agricultura (banana, côco, manga, batata doce, cana, mandioca e feijão). A cidade, de dez anos para cá, também atraiu muitas indústrias devido aos incentivos fiscais. Hoje, tem instalada indústrias alimentícias, malharias, artefatos de cimento, renovadoras de pneus, fábricas de velas, de leite de coco, gesso, entre outros. Há alguns eventos importantes, principalmente na época das festas juninas, que, muitas vezes, atraem turistas à cidade. O mais famoso evento é chamado Forró do Siri. O primeiro Forró do Siri ocorreu em 1993, no começo era uma festa tímida. A festa foi tomando dimensão, e foi se consagrando e hoje é considerado o maior São Pedro do Estado de Sergipe. O evento ocorre todo ano no final de junho, reunindo cerca de 100 mil pessoas por noite.



Outras atrações turísticas da cidade é: a Sede da Igreja de Nossa Senhora do Amparo, que data de 1714, com estilo barroco; o evento de Nossa Senhora do Socorro; Prainha do Porto Grande; os Grupo de Capoeira e o Samba de Coco.



Em beleza natural, a vegetação na parte litorânea tem predominância de coqueiros, vegetação rasteira e matas de restinga; com destaque para os manguezais às margens dos rios do Sal, Cotinguiba e Sergipe). O município é banhado pelos rios do Sal, Cotinguiba e Sergipe.

Nossa senhora do Socorro hoje :

  •  Região - Grande Aracaju

  •  Distância de Aracaju - 15 km

  • População: de Nossa Senhora do Socorro 158.470

  • Atividade econômica - Indústria

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Texto: Cristian Góes
Fotos e reproduções: Diógenes Di e Edson Araújo
Fonte: ‘Nossa Senhora do Socorro: Trajetória’, por Verônica Nunes, Ana Rodrigues Santos e Wilembergue Rodrigues Oliveira; e Enciclopédia dos Municípios Brasileiros

domingo, 10 de julho de 2011

MEMÓRIAS DA REVOLTA TENENTISTA EM SERGIPE

  Revolta militar  da  13 de julho de 1924



*Adailton dos Santos Andrade


Em São Paulo a 5 de julho de 1924 – ocorreria um novo episódio de características semelhantes ao movimento dos 18 do Forte. Mas a revolução paulista de 1924 teria maior amplitude do que a revolta carioca, não só porque abrangia maior número de militares e unidades do exército, inclusive parte da força policial do Estado, mas ainda, pelo fato de haver mobilizado parte da população civil. O grupo mais ativo era constituindo principalmente de alguns oficiais que já haviam participado do movimento de 22 e se achavam foragidos ou em liberdade. Na madrugada de 5 de julho foram ouvidos os primeiros tiros e a cidade surpreendida caiu nas mãos dos revoltosos.
Os rebeldes derrotados bateram em retirada embrenhando-se pelo interior. Articulando-se mais tarde com os rebeldes gaúchos, remanescentes de 1923, formou-se então a Coluna Miguel Costa-Prestes, instalando-se a segunda fase deste movimento.

O movimento se alastrou com revoltas de menor vulto por diversos outros estados, o que levou o Governo Federal a decretar estado de sítio não só para a capital como para todo o Estadode São Pulo, além do Amazonas, Pará, Sergipe, Bahia, Rio de Janeiro,Paraná, Santa Catarina, Rio Grande de Sul e Mato Grosso.

Com a eclosão da Revolta de 5 de Julho de 1924 em São Paulo, iniciaram-se em Sergipe articulações de solidariedade aos insurretos que, sob o comando de Isidoro Dias Lopes, ocuparam a capital paulista. Segundo declarações posteriores de Maynard, diante da perspectiva de requisição da guarnição sergipana pelo governo federal para a repressão aos rebeldes no Sul e da impossibilidade de adesão em São Paulo, “urgia levar a efeito um levante local, cuja eficiência, além de se traduzir na ausência do próprio 28º BC ao lado das forças legais, atrairia fatalmente contra si outras, que descongestionariam o principal teatro de luta”. Liderando o movimento, Augusto Maynard, João Soarino e Eurípides Lima acertaram sua deflagração para a madrugada do dia 13 de julho. Depois de conquistarem a adesão do segundo-tenente Manuel Messias de Mendonça, intendente do 28º BC e responsável pelo depósito de munições, comunicaram o plano aos sargentos, que acordaram e armaram os soldados, assumindo então o controle do quartel. Desmembrado em três companhias comandadas pelos líderes do levante, o contingente do 28º BC tomou o palácio do governo, depondo o presidente do estado, Graco Cardoso. Em seguida, ocuparam o quartel de polícia, a cadeia pública, o telégrafo, a estação da Companhia Ferroviária Leste Brasileiro, a Companhia Telefônica e a estação de energia elétrica, consumando seu controle sobre a capital.



Quartel do 28BC localizado na Praça General Valadão, hoje no mesmo lugar esta erguido o Hotel Palace.


Os chefes revolucionários organizaram-se então em uma junta governativa militar, que imediatamente lançou uma Proclamação ao povo sergipano explicando os objetivos do levante, e tomou as providências necessárias para a defesa da cidade. Entre as medidas adotadas, a abertura de alistamento para voluntários atestou a ampla receptividade que o movimento rebelde encontrou entre a população de Aracaju e muitos municípios interioranos. Entretanto, tropas oriundas de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, comandadas pelo general Marçal Nonato de Faria, cercaram a cidade pelos flancos norte e sul, logrando romper as defesas rebeldes. Segundo o livro de José lbarê Costa Dantas, O tenentismo em Sergipe, o cerco legalista a Aracaju provocou total desorganização entre as forças rebeldes. Maynard, principal dirigente da junta governativa militar, teria recebido do general Marçal intimação para render-se, tendo em vista a superioridade numérica dos efetivos legalistas e o fracasso do levante em São Paulo, onde os revoltosos haviam sido forçados a abandonar a capital, deslocando-se para o interior. Apoiado em depoimentos de testemunhas, entre as quais o tenente João Soarino, Ibarê Costa Dantas afirma que a intimação do comandante legalista e a desproporção de forças teriam provocado a desestruturação dos efetivos rebeldes e a fuga de seus chefes. Maynard, por sua vez, em entrevista concedida em 1927 apresentou outra versão dos acontecimentos, segundo a qual o reduto revolucionário teria caído por força da traição do general Marçal de Faria, que enviou pelotões de negociação que tomaram de assalto as posições revolucionárias depois de nelas penetrarem protegidos por bandeiras brancas.

Vale transcrever, como documentos insuspeitos, as Proclamações de 14 e de 26 de julho de 1924, assinadas pelos revolucionários sergipanos, destinados a Sergipe e ao norte do Brasil, como a esperarem por ações de guerra semelhantes nos outros Estados.

“Proclamação “Ao Altivo Povo Sergipano!
“Não desconhece o valoroso povo de Sergipe a situação de desrespeito e menosprezo aos direitos alheios implantada pelos que nestes últimos seis anos vêm governando a República Brasileira; não desconhece também o digno povo sergipano as humilhações, os vexames que esses mesmos dirigentes vêm impondo à classe militar, esta classe que, numa hora feliz e majestosa, implantou em nossa cara Pátria o governo republicano, o governo da liberdade, o governo do povo, para o povo e pelo povo, princípios estes esquecidos e relegados pelos que se têm assenhorado das posições políticas e administrativas do País. Há bem dois anos, uma centena de brasileiros militares, orientada e sequiosa de bem servir à Pátria, levantou-se contra os processos anti-republicanos do governo do Sr. Epitácio Pessoa, cidadão que, apesar de Ministro do mais alto Tribunal da Nação, se mostrou o mais feroz inimigo dos direitos e da liberdade dos seus governados.

“O seu sucessor, ao contrário do que devia esperar, não quis se afastar dos moldes violentos e prejudiciais de governar daquele que o levara ao posto de Chefe do Estado. Até se excedeu no praticar dos atos de mais férrea tirania.

“Como não mais possível fosse suportar tantos ultrajes nos direitos do povo, o Exército Nacional, por intermédio de um número considerável de seus representantes, se levantou novamente, e desta vez nas plagas do Ipiranga, justamente nas terras em que se verificou o grito patriótico de Independência ou Morte.

“Ora, a guarnição militar de Sergipe não podia de forma alguma ficar indiferente e calada em momento tão sombrio e difícil para a Pátria, resolvendo então os que abaixo se assinam, acompanhar os seus camaradas que no sul se batem pela grandeza e verdadeira prática do regime Republicano.

“E tal movimento de solidariedade e de patriotismo constitui em depor as autoridades que em Sergipe se correspondem com o governo central da República, constituindo-nos, doravante, em junta governativa militar para todos os efeitos, até que com a vitória final, assuma as rédeas do poder o verdadeiro escolhido do povo. Enquanto isso não se verificar, os que compõem a referida junta saberão respeitar todos os direitos dos seus concidadãos, nada tendo a temer o glorioso povo sergipano. A nossa vitória será a vitória de Sergipe e dos seus filhos, e por conseguinte do Brasil e dos brasileiros.



“Aracaju, 14 de julho de 1924



“Capitão Eurípedes Esteves de Lima

“1º Tenente Augusto Maynard Gomes

“1º Tenente João Soarino de Melo

“2º Tenente Manuel Messias de Mendonça.”

(extraído do livro de Cracho Cardoso – Luis Antonio Barreto )



Este documento mostra a visão federalista dos militares revoltosos, desconsiderando a realidade local e vinculando, diretamente, o Estado ao Governo central do País. O que fez com que Graccho Cardoso fosse deposto e preso não foi qualquer discordância local, mas o fato dele ter relações com o presidente da República. O Ministério Público quis associar os fatos a uma conspiração local, que envolvia militares, como o general José Calasans, e civis como Luiz Freire, Manoel Xavier de Oliveira, Edison de Oliveira Ribeiro, Caetano José da Silveira, Manoel Gomes da Cunha, Antonio Garcia Sobrinho, João Batista de Andrade, Thomaz Mutti Filho, Frederico Gentil, o promotor público da capital Afonso Ferreira dos Santos, dentre muitos outros, alguns dos quais acusados não de participação direta no levante, mas de colaboração, com trabalhos requisitados ou contratados.

O país assistiu, sobre saltado e escandalizado, ao desenrolar dos acontecimentos de vinte e um e vinte e dois.


Tropas dos revolucionários cavando trincheiras na praia formosa, assumindo posições de combate

Maynard contava que, reuniões que haviam no clube militar, resultou a eleição de um tribunal para tomar conhecimento de cartas atribuídas ao então Sr. Arthur Bernardes e ofensivas as classes militares.

Tenente Augusto Maynard Gomes Capitão Eurípedes Esteves de Lima

Deste tribunal teve conhecimento o mesmo Sr. Arthur Bernardes que o aceitou, ajundando-lhe peritos e advogados seus. Das pesquisas e exames havidos, resultou verdadeiro e autentico o documento até então apócrifo.





Deste resultado tiveram conhecimento a nação e as guarnições militares dos estados, que atentamente acompanhavam o desenrolar dos acontecimentos.

Daí, a luta entre as classes armadas e os políticos do bem e da honra da nação.


Para isso, lançou-se desde logo mãos as armas ignominiosas e cujas conseqüências haviam fatalmente desastradamente, em refletir na comunhão geral de todos os brasileiros. Era a mais desprezível das inúmeras manifestações de descaso pelos interesses da nação, por parte totalidade dos políticos nacionais.

Crises militares foram uma constante na primeira fase da República, mas, a partir de 1922, elas ganhariam um novo protagonista: a oficialidade de baixa patente, de que decorreu a denominação "Tenentismo". Encarnando as aspirações da classe média urbana,esses revolucionários pugnavam pela adoção do voto livre e secreto e pela moralização dos costumes políticos.

A calma somente voltou a reinar em Aracaju a 03 de agosto. Revoltosos eram capitulados e levados ao Quartel do 28o Batalhão de caçadores, outros entregavam-se voluntariamente. O tenente Augusto Maynard, auxiliado pelo amigo Brasiliano de Jesus, conseguiu fugir ao cerco e bateu-se em São Paulo, sendo preso e conduzido à ilha da Trindade, localizada a 1.150 Km a leste do Estado do Espírito Santo, que se havia transformado em prisão militar. Mais de 500 pessoas foram


Indiciadas em processos criminais, porém os ideais de liberdade permaneceram vivos entre os sergipanos.

Com Maynard, nascia em Sergipe a liderança na luta contra a casa-grande e a cana-de-açúcar, na expressão do professor Artur Fortes.

O coroamento, porém, do movimento tenentista em Sergipe, deu-se com a Revolução de 30 e, principalmente, com a nomeação do capitão Augusto Maynard para Interventor Federal do Estado.

E, em homenagem, a praia Formosa transformava-se em "Praia 13 de Julho", pelo Ato no 11, do Intendente Municipal Camilo Calazans, publicado no Diário Oficial de 28 de novembro de 1930, em que Augusto Maynard Gomes foi reconhecido com o grande líder militar do levante de 13 de Julho de 1924.

Praia Formosa.

A Praia Formosa era conhecida como Ilha dos Bois. Cortada por rios, mangues e alagados, seus moradores utilizavam o local como área de pastagem para seus gados, advindo daí o nome da localidade. Além de Ilha dos Bois a região já foi denominada por Sítio da Nação.

Após esse clima de guerra, a região volta a sua tranqüilidade habitual, sendo povoada por alguns pescadores. Ao final da década de 1920, o local foi tomado pelos veranistas, sendo Sebrão Sobrinho um dos primeiros. Num primeiro momento as habitações eram de palhas, não obstante em 1929 já podiam ser verificadas as primeiras casas de alvenaria. Em 1935, era notório um número significativo de moradores fixos. A região permaneceu até 1937 como o maior ponto de banho e de veraneio da capital. Deixando de ser nesse período devido à abertura de avenidas e a construção da ponte sobre o Rio Poxim, que ligaram o centro à praia de Atalaia e outras oceânicas.

Atualmente, o consolidado bairro 13 de julho é um bairro da zona sul de classe média e alta. Tendo como principal característica o alto valor de seu solo urbano, considerado o metro quadrado mais caro de Aracaju. Em sua paisagem destacam-se: a crescente construção de edifícios, edificações de galerias que absolvem um comércio diversificado, supermercados e centros médicos.

Neste trabalho,apontamos as mudanças, as transformações que o bairro em uma historia de muitas lutas pelos idéias do povo brasileiro, 13 de julho de 1924, inicia o tenentismo em Sergipe, inicia-se a saga desde grande revolucionário e estadista que lutou por um Brasil melhor sobre os princípios liberais do direito. Maynard sobe cumprir sua missão cívica e revolucionaria.

Lembramos desta data, lembramos da historia deste brasileiro, sergipano Rosarense.


Dados sobre o autor.
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• Licenciado em História, pós-graduado em Ensino Superior em História, aluno especial de mestrado em Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.Membro na qualidade de pesquisador dos Grupos de Estudo e Pesquisa da UFS: Estudo do Tempo Presente / UFS. Grupo de Estudos e Pesquisas em História das Mulheres (UFS / CNPq) Grupo de Estudos e Pesquisas Processos Identitários e Poder /UFS . Professor da rede particular der ensino. Contato : adailton.andrade@bol.com.br adailton_andrade@hotmail.com





Referências Bibliográficas:

DANTAS, Ibarê . Historia de Sergipe: republica (1889- 2000) . Rio de janeiro: Tempo Brasileiro,2004

DANTAS, Ibarê . O Tenentismo em Sergipe, Gráfica J. Andrade ,Aracaju, 1999

VILAR, José Wellington Carvalho. Os espaços diferenciados da cidade de Aracaju: uma proposta

PORTO, Fernando de Figueiredo. Alguns nomes antigos do Aracaju. Aracaju: Gráfica Editora J. Andrade Ltda., 2003. p. 155-162.

BARRETO, Luiz Antonio. Pequeno Dicionário Prático de Nomes e Denominações de Aracaju. Aracaju: ITBEC/BANESE, 2002.

CABRAL, Mário. Roteiro de Aracaju. Guia sentimental da cidade. Aracaju, 1948.

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domingo, 12 de junho de 2011

PROVAS E QUESTÕES SOBRE A HISTÓRIA DE DIVINA PASTORA

 AGORA !
 2ª PARTE DA HISTÓRIA DE DIVINA PASTORA COMO TAMBÉM 20 QUESTÕES  COM GABARITO SOBRE A HISTÓRIA DE DIVINA PASTORA. 10/06/2011


AS QUESTÕES ESTÃO NO "LEIA MAIS", EM ANEXO. CONFIRA....
Veja o texto Completo

segunda-feira, 6 de junho de 2011

DIVINA PASTORA SERGIPE

Conhecimentos regionais:
 História, evolução econômica e política e aspectos

Divina Pastora: dos engenhos à peregrinação. Município nasceu de um curral de gado, cresceu com os engenhos e vive hoje praticamente da mão-de-obra da prefeitura.

* ver Referências.




Acredita-se que o município de Divina Pastora, distante 39 quilômetros de Aracaju, nasceu de um dos 400 currais de gado existentes em Sergipe na época da invasão holandesa. A plantação de cana-de-açúcar, que mantinha a pecuária e prevalecia na povoação, tempos depois deu lugar à cultura da cana-de-açúcar. Mas aos poucos os engenhos, que alavancaram a economia local e asseguravam emprego para os moradores, foram se fechando e deixando a população em situação difícil.

Não há registro do tempo exato em que a povoação Ladeira, nome dado inicialmente ao município de Divina Pastora, começou a se formar, mas há um fato que pode indicar uma data aproximada. Quando o vigário Manoel Carneiro de Sá tomou posse da paróquia de Siriri, em 18 de fevereiro de 1700, a freguesia de Ladeira já existia.


Em 31 de maio de 1833, através de uma lei provincial, a povoação passou à categoria de distrito administrativo. Três anos depois, no dia 12 de março, foi desmembrada de Maruim, passando a se chamar Vila de Divina Pastora. O distrito levou muito tempo para progredir. Só em 15 de dezembro de 1938, passou à categoria de cidade, sendo emancipada politicamente de Maruim.

população religiosa

Na cidade predomina a religião católica. A peregrinação realizada anualmente no 3º domingo de outubro comprova a força do catolicismo entre a comunidade. Prova disso é que os divina-pastorenses possuem dois padroeiros: Nossa Senhora de Divina Pastora, comemorada no 2º domingo de novembro - paróquia existe desde 1700; e São Benedito, que teve a sua festa realizada no último dia 11 de fevereiro.
A peregrinação destaca-se como turismo religioso da cidade, considerada um santuário de pagamento de promessas e agradecimentos de graças alcançadas desde a década de 70. A já tradicional romaria, criada no dia 17 de outubro de 1971 por dom Luciano Cabral Duarte - então arcebispo de Aracaju -, tomou amplitude com o padre Raimundo Cruz, pároco da cidade durante cerca de 12 anos. Atualmente ela atrai milhares de pessoas que saem em caravanas de todo o Estado de Sergipe, de Alagoas, Bahia e de vários pontos do país. Calcula-se que aproximadamente 60 mil pessoas visitam a cidade nesse dia.
A Betânia do São Francisco de Assis também é um grande reforço para o turismo religioso. Fundada pelo Irmão Walter, é um local escolhido pelos grupos religiosos para retiros espirituais. Ela fica localizada num local elevado, e oferece aos visitantes uma paisagem belíssima.
Na cidade, várias artesãs bordam o rendendê, ponto cruz e a renda irlandesa. Esta última, originada na Europa nos tempos medievais e trazida para Sergipe pelas missionárias européias, tem dona Alzira como uma das responsáveis pela resistência dessa tradição. Recentemente houve uma exposição no Museu do Folclore, no Rio de Janeiro, onde a renda irlandesa sergipana esteve presente.
No artesanato, destaca-se também ‘seu Neca’, entalhador de peças em madeira, com detalhes surpreendentes. Sua peças variam entre brinquedos infantis e objetos decorativos.

Política conturbada


O fato mais marcante na política de Divina Pastora foi o afastamento por improbidade administrativa da prefeita Acácia Maria Costa (PPS). Ela foi cassada pela Justiça no dia 28 de setembro de 1999, acusada de corrupção e vários desmandos administrativos. Acácia, que é filha do ex-prefeito José Marçal Costa, chegou a atrasar seis meses de salários dos servidores do município. Em conseqüência disso o comércio da cidade faliu, causando grandes dificuldades para o seu substituto, Antônio Carlos Santos (PMDB).
O ex-vereador Jeová de Oliveira Santos (seu Vavá), 71 anos, que nasceu e se criou em Divina Pastora, lembra que o político que arrumou a cidade foi José do Prado Barreto, prefeito durante três gestões. “Aqui era tudo mato. Foi ele quem tirou a cidade da lama, e botou água e luz. Ele também fez um parque de diversão que era cobiçado. Vinha gente até da capital trazer os filhos para brincar”, diz.
Seu Vavá lembra uma história interessante ocorrida na cidade quando os candidatos a prefeito não tinham concorrente. “Seu Jason Santos foi o último candidato único a prefeito da cidade e conseguiu perder para os votos brancos”, lembra ele.


Fausto de Aguiar Cardoso

A 22 de dezembro de 1864 nascia Fausto de Aguiar Cardoso no engenho São Félix, em Divina Pastora. Filho do Tenente-Coronel Félix Zeferino Cardoso e D. Maria do Patrocínio de Aguiar Cardoso. Passa sua infância desfrutando da condição de menino de engenho, que era, aproveitando os prazeres da vida campestre.


Fausto teve seu primeiro contato com os estudos ainda em sua terra natal, na escola do Padre Antônio. Destacando-se como irrequieto e inteligente, continua seus estudos em Maruim, Capela e no Ateneu Sergipense em Aracaju. Termina o curso secundário (Ensino Médio) no respeitado estabelecimento, Colégio Sete de Setembro, em Salvador.



Saindo da capital baiana presta exames na Faculdade de Direito do Recife, onde de 1880 a 1884 se destaca na vida acadêmica e se torna discípulo de Tobias Barreto. Recebe o apelido de “cidadão irrequieto das repúblicas estudantis”. Concluído o curso de Direito exerce diversos cargos em Sergipe, promotoria em Capela, Gararu, Riachuelo e Laranjeiras. Nesta última cidade colaborou com o jornal, “O Republicano”, e foi orador oficial do Clube Democrático de Laranjeiras, demonstrando sua vocação para a política. Em maio de 1890, Fausto transfere-se para o Rio de Janeiro, então capital federal. Lá desenvolve suas qualidades intelectuais, como advogado, professor, sociólogo, jornalista, poeta e político.




O aposentado do DER e ex-funcionário da Usina Vassouras, José Bispo dos Santos, 75 anos, nasceu em Riachuelo, mas chegou a Divina Pastora com 8 anos. Ele afirmou que em 1950 Orlando Dantas, dono da Usina Vassouras, transferiu tudo para a sua terra natal, Capela, por vingança, por ter perdido uma eleição.
Orlando Dantas, jornalista combativo, deputado estadual e federal por Sergipe, editorialista memorável, escritor que buscava analisar a economia e a história da sua terra sergipana, concorreu ao título de Sergipano do Século, promovido pela TV Sergipe recentemente, oportunidade em que Zé Bispo também se vingou dele.
“Ele era um patrão muito bom. Pagava todos os direitos dos funcionários, sempre em dia, e dava gratificação, casa, assistência médica e até 13º salário, quando ainda nem existia. Mas, como ele perdeu a política, levou a Usina Vassouras para Capela. Além de tirar meu emprego, ele arrasou a cidade - por isso eu não votei nele”, diz.
Seu Vavá rebate a afirmativa de que Orlando Dantas levou a Usina Vassouras para Capela porque perdeu a eleição, e concorda que ele foi o melhor empregador que já conheceu. “Os políticos tinham raiva dele porque ele defendia os pobres. Ele foi embora daqui porque não tinha mais campo para plantar cana”, explica.
Além da Vassouras, que era a mais importante usina da povoação - acompanhada pela São Félix, de Fausto Cardoso -, no auge da produção açucareira chegaram a funcionar seis usinas ao mesmo tempo no município. Em menor escala estavam a Salobro, de um senhor chamado Miguel; Limeira, de Pascoal da Limeira; Mato Grosso, de Gonçalo Rolemberg; e Fortuna, de Flávio Prado. Zé Bispo lamenta que o município era muito rico e hoje só resta praticamente a prefeitura para empregar a população. Aos poucos as usinas foram se fechando, uma a uma. A partir daí, os moradores voltaram a plantar capim para criar gado.

Filhos ilustres do município:

Fausto Cardoso, bacharel em Direito. Foi promotor público, poeta, filósofo e jornalista. Colaborou para jornais do Rio de Janeiro, como ‘O Dia’ e ‘A Imprensa’. Foi assassinado numa revolta acontecida na capital, em 28 de agosto de 1906, na praça que tem o seu nome.

Alexandre de Oliveira
, médico e deputado estadual em 1896.

Antônio Leonardo da Silveira Dantas, padre, político de grande influência e orador sacro de dotes excepcionais.


Agenor Costa
, filólogo, autor de um dicionário de sinônimos e locuções da língua portuguesa editado em 1950.


Marcelo Vilas Boas 

 

médico ortopedista reconhecido como um dos melhores do Brasil. Formou-se na Bahia e fez residência na Alemanha.

Carlos Alberto Mendonça
, especialista renomado em cabeça e pescoço, presidente da Unimed.
Divina Pastora hoje:
Região - Oeste (semi-árido)
Distância de Aracaju - 39 km
População - 4. 326 mil   EM 2010   
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000-2010.

Atividades econômicas -

Petróleo, pecuária, cana-de-açúcar, argila, artesanato (renda irlandesa, brinquedos e objetos decorativos em madeira). Cerca de 70% da população sobrevive com salário da prefeitura.


 *   REFERÊNCIAS
CINFORM MUNICÍPIOS (História dos Municípios), Aracaju/SE, Junho de 2002, com texto de autoria de Edivânia Freire

HISTÓRIA DE DIVINA PASTORA E NOSSA SENHORA DO SOCORRO


AINDA ESTA SEMANA AQUI NESTE SITE,  ASPECTOS SOCIAIS ECONÔMICOS E CULTURAIS DESTAS DUAS CIDADES:

SOCORRO
DIVINA PASTORA