Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

domingo, 10 de julho de 2011

MEMÓRIAS DA REVOLTA TENENTISTA EM SERGIPE

  Revolta militar  da  13 de julho de 1924



*Adailton dos Santos Andrade


Em São Paulo a 5 de julho de 1924 – ocorreria um novo episódio de características semelhantes ao movimento dos 18 do Forte. Mas a revolução paulista de 1924 teria maior amplitude do que a revolta carioca, não só porque abrangia maior número de militares e unidades do exército, inclusive parte da força policial do Estado, mas ainda, pelo fato de haver mobilizado parte da população civil. O grupo mais ativo era constituindo principalmente de alguns oficiais que já haviam participado do movimento de 22 e se achavam foragidos ou em liberdade. Na madrugada de 5 de julho foram ouvidos os primeiros tiros e a cidade surpreendida caiu nas mãos dos revoltosos.
Os rebeldes derrotados bateram em retirada embrenhando-se pelo interior. Articulando-se mais tarde com os rebeldes gaúchos, remanescentes de 1923, formou-se então a Coluna Miguel Costa-Prestes, instalando-se a segunda fase deste movimento.

O movimento se alastrou com revoltas de menor vulto por diversos outros estados, o que levou o Governo Federal a decretar estado de sítio não só para a capital como para todo o Estadode São Pulo, além do Amazonas, Pará, Sergipe, Bahia, Rio de Janeiro,Paraná, Santa Catarina, Rio Grande de Sul e Mato Grosso.

Com a eclosão da Revolta de 5 de Julho de 1924 em São Paulo, iniciaram-se em Sergipe articulações de solidariedade aos insurretos que, sob o comando de Isidoro Dias Lopes, ocuparam a capital paulista. Segundo declarações posteriores de Maynard, diante da perspectiva de requisição da guarnição sergipana pelo governo federal para a repressão aos rebeldes no Sul e da impossibilidade de adesão em São Paulo, “urgia levar a efeito um levante local, cuja eficiência, além de se traduzir na ausência do próprio 28º BC ao lado das forças legais, atrairia fatalmente contra si outras, que descongestionariam o principal teatro de luta”. Liderando o movimento, Augusto Maynard, João Soarino e Eurípides Lima acertaram sua deflagração para a madrugada do dia 13 de julho. Depois de conquistarem a adesão do segundo-tenente Manuel Messias de Mendonça, intendente do 28º BC e responsável pelo depósito de munições, comunicaram o plano aos sargentos, que acordaram e armaram os soldados, assumindo então o controle do quartel. Desmembrado em três companhias comandadas pelos líderes do levante, o contingente do 28º BC tomou o palácio do governo, depondo o presidente do estado, Graco Cardoso. Em seguida, ocuparam o quartel de polícia, a cadeia pública, o telégrafo, a estação da Companhia Ferroviária Leste Brasileiro, a Companhia Telefônica e a estação de energia elétrica, consumando seu controle sobre a capital.



Quartel do 28BC localizado na Praça General Valadão, hoje no mesmo lugar esta erguido o Hotel Palace.


Os chefes revolucionários organizaram-se então em uma junta governativa militar, que imediatamente lançou uma Proclamação ao povo sergipano explicando os objetivos do levante, e tomou as providências necessárias para a defesa da cidade. Entre as medidas adotadas, a abertura de alistamento para voluntários atestou a ampla receptividade que o movimento rebelde encontrou entre a população de Aracaju e muitos municípios interioranos. Entretanto, tropas oriundas de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, comandadas pelo general Marçal Nonato de Faria, cercaram a cidade pelos flancos norte e sul, logrando romper as defesas rebeldes. Segundo o livro de José lbarê Costa Dantas, O tenentismo em Sergipe, o cerco legalista a Aracaju provocou total desorganização entre as forças rebeldes. Maynard, principal dirigente da junta governativa militar, teria recebido do general Marçal intimação para render-se, tendo em vista a superioridade numérica dos efetivos legalistas e o fracasso do levante em São Paulo, onde os revoltosos haviam sido forçados a abandonar a capital, deslocando-se para o interior. Apoiado em depoimentos de testemunhas, entre as quais o tenente João Soarino, Ibarê Costa Dantas afirma que a intimação do comandante legalista e a desproporção de forças teriam provocado a desestruturação dos efetivos rebeldes e a fuga de seus chefes. Maynard, por sua vez, em entrevista concedida em 1927 apresentou outra versão dos acontecimentos, segundo a qual o reduto revolucionário teria caído por força da traição do general Marçal de Faria, que enviou pelotões de negociação que tomaram de assalto as posições revolucionárias depois de nelas penetrarem protegidos por bandeiras brancas.

Vale transcrever, como documentos insuspeitos, as Proclamações de 14 e de 26 de julho de 1924, assinadas pelos revolucionários sergipanos, destinados a Sergipe e ao norte do Brasil, como a esperarem por ações de guerra semelhantes nos outros Estados.

“Proclamação “Ao Altivo Povo Sergipano!
“Não desconhece o valoroso povo de Sergipe a situação de desrespeito e menosprezo aos direitos alheios implantada pelos que nestes últimos seis anos vêm governando a República Brasileira; não desconhece também o digno povo sergipano as humilhações, os vexames que esses mesmos dirigentes vêm impondo à classe militar, esta classe que, numa hora feliz e majestosa, implantou em nossa cara Pátria o governo republicano, o governo da liberdade, o governo do povo, para o povo e pelo povo, princípios estes esquecidos e relegados pelos que se têm assenhorado das posições políticas e administrativas do País. Há bem dois anos, uma centena de brasileiros militares, orientada e sequiosa de bem servir à Pátria, levantou-se contra os processos anti-republicanos do governo do Sr. Epitácio Pessoa, cidadão que, apesar de Ministro do mais alto Tribunal da Nação, se mostrou o mais feroz inimigo dos direitos e da liberdade dos seus governados.

“O seu sucessor, ao contrário do que devia esperar, não quis se afastar dos moldes violentos e prejudiciais de governar daquele que o levara ao posto de Chefe do Estado. Até se excedeu no praticar dos atos de mais férrea tirania.

“Como não mais possível fosse suportar tantos ultrajes nos direitos do povo, o Exército Nacional, por intermédio de um número considerável de seus representantes, se levantou novamente, e desta vez nas plagas do Ipiranga, justamente nas terras em que se verificou o grito patriótico de Independência ou Morte.

“Ora, a guarnição militar de Sergipe não podia de forma alguma ficar indiferente e calada em momento tão sombrio e difícil para a Pátria, resolvendo então os que abaixo se assinam, acompanhar os seus camaradas que no sul se batem pela grandeza e verdadeira prática do regime Republicano.

“E tal movimento de solidariedade e de patriotismo constitui em depor as autoridades que em Sergipe se correspondem com o governo central da República, constituindo-nos, doravante, em junta governativa militar para todos os efeitos, até que com a vitória final, assuma as rédeas do poder o verdadeiro escolhido do povo. Enquanto isso não se verificar, os que compõem a referida junta saberão respeitar todos os direitos dos seus concidadãos, nada tendo a temer o glorioso povo sergipano. A nossa vitória será a vitória de Sergipe e dos seus filhos, e por conseguinte do Brasil e dos brasileiros.



“Aracaju, 14 de julho de 1924



“Capitão Eurípedes Esteves de Lima

“1º Tenente Augusto Maynard Gomes

“1º Tenente João Soarino de Melo

“2º Tenente Manuel Messias de Mendonça.”

(extraído do livro de Cracho Cardoso – Luis Antonio Barreto )



Este documento mostra a visão federalista dos militares revoltosos, desconsiderando a realidade local e vinculando, diretamente, o Estado ao Governo central do País. O que fez com que Graccho Cardoso fosse deposto e preso não foi qualquer discordância local, mas o fato dele ter relações com o presidente da República. O Ministério Público quis associar os fatos a uma conspiração local, que envolvia militares, como o general José Calasans, e civis como Luiz Freire, Manoel Xavier de Oliveira, Edison de Oliveira Ribeiro, Caetano José da Silveira, Manoel Gomes da Cunha, Antonio Garcia Sobrinho, João Batista de Andrade, Thomaz Mutti Filho, Frederico Gentil, o promotor público da capital Afonso Ferreira dos Santos, dentre muitos outros, alguns dos quais acusados não de participação direta no levante, mas de colaboração, com trabalhos requisitados ou contratados.

O país assistiu, sobre saltado e escandalizado, ao desenrolar dos acontecimentos de vinte e um e vinte e dois.


Tropas dos revolucionários cavando trincheiras na praia formosa, assumindo posições de combate

Maynard contava que, reuniões que haviam no clube militar, resultou a eleição de um tribunal para tomar conhecimento de cartas atribuídas ao então Sr. Arthur Bernardes e ofensivas as classes militares.

Tenente Augusto Maynard Gomes Capitão Eurípedes Esteves de Lima

Deste tribunal teve conhecimento o mesmo Sr. Arthur Bernardes que o aceitou, ajundando-lhe peritos e advogados seus. Das pesquisas e exames havidos, resultou verdadeiro e autentico o documento até então apócrifo.





Deste resultado tiveram conhecimento a nação e as guarnições militares dos estados, que atentamente acompanhavam o desenrolar dos acontecimentos.

Daí, a luta entre as classes armadas e os políticos do bem e da honra da nação.


Para isso, lançou-se desde logo mãos as armas ignominiosas e cujas conseqüências haviam fatalmente desastradamente, em refletir na comunhão geral de todos os brasileiros. Era a mais desprezível das inúmeras manifestações de descaso pelos interesses da nação, por parte totalidade dos políticos nacionais.

Crises militares foram uma constante na primeira fase da República, mas, a partir de 1922, elas ganhariam um novo protagonista: a oficialidade de baixa patente, de que decorreu a denominação "Tenentismo". Encarnando as aspirações da classe média urbana,esses revolucionários pugnavam pela adoção do voto livre e secreto e pela moralização dos costumes políticos.

A calma somente voltou a reinar em Aracaju a 03 de agosto. Revoltosos eram capitulados e levados ao Quartel do 28o Batalhão de caçadores, outros entregavam-se voluntariamente. O tenente Augusto Maynard, auxiliado pelo amigo Brasiliano de Jesus, conseguiu fugir ao cerco e bateu-se em São Paulo, sendo preso e conduzido à ilha da Trindade, localizada a 1.150 Km a leste do Estado do Espírito Santo, que se havia transformado em prisão militar. Mais de 500 pessoas foram


Indiciadas em processos criminais, porém os ideais de liberdade permaneceram vivos entre os sergipanos.

Com Maynard, nascia em Sergipe a liderança na luta contra a casa-grande e a cana-de-açúcar, na expressão do professor Artur Fortes.

O coroamento, porém, do movimento tenentista em Sergipe, deu-se com a Revolução de 30 e, principalmente, com a nomeação do capitão Augusto Maynard para Interventor Federal do Estado.

E, em homenagem, a praia Formosa transformava-se em "Praia 13 de Julho", pelo Ato no 11, do Intendente Municipal Camilo Calazans, publicado no Diário Oficial de 28 de novembro de 1930, em que Augusto Maynard Gomes foi reconhecido com o grande líder militar do levante de 13 de Julho de 1924.

Praia Formosa.

A Praia Formosa era conhecida como Ilha dos Bois. Cortada por rios, mangues e alagados, seus moradores utilizavam o local como área de pastagem para seus gados, advindo daí o nome da localidade. Além de Ilha dos Bois a região já foi denominada por Sítio da Nação.

Após esse clima de guerra, a região volta a sua tranqüilidade habitual, sendo povoada por alguns pescadores. Ao final da década de 1920, o local foi tomado pelos veranistas, sendo Sebrão Sobrinho um dos primeiros. Num primeiro momento as habitações eram de palhas, não obstante em 1929 já podiam ser verificadas as primeiras casas de alvenaria. Em 1935, era notório um número significativo de moradores fixos. A região permaneceu até 1937 como o maior ponto de banho e de veraneio da capital. Deixando de ser nesse período devido à abertura de avenidas e a construção da ponte sobre o Rio Poxim, que ligaram o centro à praia de Atalaia e outras oceânicas.

Atualmente, o consolidado bairro 13 de julho é um bairro da zona sul de classe média e alta. Tendo como principal característica o alto valor de seu solo urbano, considerado o metro quadrado mais caro de Aracaju. Em sua paisagem destacam-se: a crescente construção de edifícios, edificações de galerias que absolvem um comércio diversificado, supermercados e centros médicos.

Neste trabalho,apontamos as mudanças, as transformações que o bairro em uma historia de muitas lutas pelos idéias do povo brasileiro, 13 de julho de 1924, inicia o tenentismo em Sergipe, inicia-se a saga desde grande revolucionário e estadista que lutou por um Brasil melhor sobre os princípios liberais do direito. Maynard sobe cumprir sua missão cívica e revolucionaria.

Lembramos desta data, lembramos da historia deste brasileiro, sergipano Rosarense.


Dados sobre o autor.
_____________________
• Licenciado em História, pós-graduado em Ensino Superior em História, aluno especial de mestrado em Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.Membro na qualidade de pesquisador dos Grupos de Estudo e Pesquisa da UFS: Estudo do Tempo Presente / UFS. Grupo de Estudos e Pesquisas em História das Mulheres (UFS / CNPq) Grupo de Estudos e Pesquisas Processos Identitários e Poder /UFS . Professor da rede particular der ensino. Contato : adailton.andrade@bol.com.br adailton_andrade@hotmail.com





Referências Bibliográficas:

DANTAS, Ibarê . Historia de Sergipe: republica (1889- 2000) . Rio de janeiro: Tempo Brasileiro,2004

DANTAS, Ibarê . O Tenentismo em Sergipe, Gráfica J. Andrade ,Aracaju, 1999

VILAR, José Wellington Carvalho. Os espaços diferenciados da cidade de Aracaju: uma proposta

PORTO, Fernando de Figueiredo. Alguns nomes antigos do Aracaju. Aracaju: Gráfica Editora J. Andrade Ltda., 2003. p. 155-162.

BARRETO, Luiz Antonio. Pequeno Dicionário Prático de Nomes e Denominações de Aracaju. Aracaju: ITBEC/BANESE, 2002.

CABRAL, Mário. Roteiro de Aracaju. Guia sentimental da cidade. Aracaju, 1948.