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sábado, 22 de novembro de 2014

PRÉ - HISTÓRIA SERGIPANA





PRÉ-HISTÓRIA

1. AS CULTURAS PRÉ-HISTÓRICAS:

− Podemos identificar, em Sergipe, três culturas dentre as suas comunidades pré-históricas:
Cultura Canindé ou Xingó: Com datações a partir de 5.000 a.C. Os sítios arqueológicos encontram-se localizados em áreas do Baixo São Francisco, no canyon, no município de Nova Canindé. Sítios: São José e Justino. Material lítico: lascas, facas, raspadores, machados polidos. Material ósseo: esqueletos e adornos. Material cerâmico: associado a ritos funerários, potes, tigelas, panelas. Arte rupestre: gravuras (figuras geométricas) e pinturas (desenhos individualizados) • localizadas em abrigos dos paredões do canyon. Fogueiras. Restos faunísticos: moluscos, anfíbios, répteis, aves, peixes e mamíferos.Os primeiros habitantes: grupos caçadores-coletores chegaram na região por volta de 5.000 a.C. e ocuparam áreas que hoje são identificadas como terraços e ilhas, atraídos pela presença abundante de água (rio)  seriam oriundos provavelmente do planalto goiano, das cabeceiras do Alto São Francisco e pela ampla rede de afluentes do rio da Bahia que deságuam nesse rio (essa hipótese é justificada pelas ocupações muito antigas encontradas nessa área) atividades: caça, coleta e a pesca/catação de mariscos.Sepultamentos: enterramentos primários efetuados diretamente no solo e acompanhado de mobiliário funerário (adornos, instrumentos, cerâmica, fogueiras, alimentos).

• Tradição Aratu:

− Presente em grande parte dos sítios arqueológicos sergipanos. Datação: séculos V ao XVII d.C.

− Localização: toda a faixa litorânea, norte de Pacatuba e Sul de Cristinapólis. Sítio: Fortuna, no município de Divina Pastora. Aldeamentos próximos a riachos afluentes e em área de floresta. Atividades: caça e coleta. Sepultamentos secundários (urnas funerárias) e acompanhado de mobiliário funeral (artefato pessoais: machados polidos, adornos, tigelas). • Tradição Tupi-guarani: Datação: a partir do século XIX  recente. Ocuparam áreas litorâneas próximas aos rios e florestas: bacia do São Francisco, Japaratuba, Sergipe, Vaza-Barris, Piauí e Real. Belicosidade e uso de canoas. Artefatos: cerâmicos (cachimbos) e líticos (polidores, afiadores, machados polidos). Atividades: caça, pesca, mandioca. Sepultamentos: secundário e com mobiliário de sepultamento.




OS ÍNDIOS EM SERGIPE


1. TRIBOS:• Línguas: Tupi e Macro-Jê. • Tribos: xocós, aramurus, carapotós, kaxagó, natu (nas margens do rio São Francisco), tupinambás, caetés e boimés (região litorânea), aramaris, abacatiaras e ramaris (no interior, próximo da região da serra de Itabaiana), kiriris ou cariris (região centro-sul, entre os rios Reale Itamirim).

• Resistência: lutaram para defender suas terras diante dos invasores portugueses  líderes: Baopeba (apelidado de Serigy), Aperipê, Surubi, Siriri, Japaratuba.

Pretexto da Invasão:
a justificativa era punir os índios por terem abandonado a catequese e expulsado os padres

Jesuítas.

Características:

− Invasão militar e violenta: destruição e mortes.

− Nas lutas, morreu o cacique Surubi.

− Aprisionamento de índios: foram levados para a Bahia  a maioria morreu devido as maus tratos e doenças. Fracasso: Apesar da destruição e do massacre, a invasão Foi um fracasso, pois não deixou aqui um marco (sinal) de conquista, ou seja, não deu inicio a colonização. O número de índios escravizados foi pequeno.

3. A CONQUISTA DE SERGIPE (1590):
• Comandada por Cristóvão de Barros. Foi estabelecida uma guerra de extermínio contra os índios. As aldeias foram massacradas e, finalmente, o território conquistado. Fundação da cidade de São Cristóvão (01.01.1590) na Barra do rio Sergipe, no atual território de Aracaju: marco da integração de Sergipe a colonização portuguesa. Foram edificados uma Igreja, um Presídio e um Arsenal de armas. Iniciava-se a colonização de Sergipe: Tomé da Rocha foi escolhido para ser o capitão-mor da nova capitania.

4. A ORIGEM DO NOME SERGIPE:

• Hipóteses:

− No início esse território era chamado de “Os Sertões

do Rio Real”. − Teria derivado das modificações (corruptela) do nome Siriípe (“rio dos Siris”): sirigi sirigipe seregipe Sergipe. − Seria para distinguir de uma localidade baiana chamada de Sergipe do Conde: daí o nome Sergipe Del Rey (pelo fato de que a conquista de Sergipe foi efetuada por ordem régia e à custa da Coroa). Cacique Serigy ou Serigipy o seu nome foi transformado em Sergipe.


5.AS TRANSFERÊNCIAS DE LUGAR DA CIDADE DE SÃO CRISTÓVÃO:

• Motivos:

− Ficar longe dos ataques dos franceses.

− Proximidade das primeiras fazendas e engenhos.

• Transferências:

− 1596: para uma colina próxima ao Rio Poxim.

− 1610: para o local atual: nas margens do rio Paramopama (afluente do rio Vasa-Barris), distante 24 Km do litoral.

A COLONIZAÇÃO DE SERGIPE

1. DIFICULDADES:

− Ataques franceses: só a partir de 1601, os franceses foram definitivamente expulsos de Sergipe.

− Ataques de índios: que resistiam a ocupação de suas terras.

2. DOAÇÃO DE SESMARIAS:

− A ocupação do litoral do território ocorreu do Sul para o Norte.

− Outras vilas foram fundadas na região do rio Real e do rio Piauí, no sul da capitania, e nas terras banhadas
pelos rios Vaza-Barris, Cotinguiba e Sergipe, no norte da capitania.

3. ATIVIDADES ECONÔMICAS:

+ Criação de Gado:

− Principal atividade econômica da capitania. mãos do inimigo um ano depois.

− a retomada definitiva iniciou-se em 1645, quando os portugueses conquistaram o forte holandês do rio Real e São Cristóvão foi sitiada, os holandeses se renderam.

− Foi tomado também o forte de Maurício.

− A expulsão definitiva ocorreu em 1646 na batalha do Urubu (atual Própria).

− Estava concluída a retomada do território pela colonização portuguesa e a reinstalação do governo.

6. CONSEQUÊNCIAS:

− Retrocesso no processo de colonização portuguesa em Sergipe.

− Reforço do poder local e desenvolvimento de um sentimento de autonomia.

+ influência cultural holandesa:

− sobrenome: van der ley (Wanderley) e Rollemberg.

− Marcas no fenótipo: os “galegos” de Porto da Folha.

− Fabricação de requeijão.

− Brasão de armas: reiterava a vitória flamenga sobre

os habitantes de Sergipe.

A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE SERGIPE

1. PERÍODO PÓS-INVASÃO HOLANDESA:

− O período do domínio holandês pode ter levado ao reforço do poder local e criado um sentimento de autonomia.

− Período caracterizado pelas lutas entre os poderes locais e o governo que representava os interesses da Bahia.

Domínio da Bahia:

* Exigências:

− Contribuição em homens e em produtos (tabaco, gado).

* Conflitos de Jurisdição no Campo Político:

+ os capitães-mores começam a assumir funções que eram da competência da Câmara Municipal:
− Cobrança de impostos sobre o gado.
− Os curraleiros são obrigados a prestarem serviço militar.
− Novos impostos sobre o gado.
+ Reflexos:
− Conflitos com a Câmara.
− Deposições.
− Revoltas.
− Dificuldade no relacionamento do governo da Bahia com a Capitania de Sergipe: os moradores de Sergipe opunham-se ao governo baiano devido às intervenções constantes da Bahia na vida sergipana.

2. COMARCA:

+ Em 1696, Sergipe se tornou Comarca:

− Autonomia judiciária: Ouvidor.

− Continuava política e economicamente subordinado à Bahia: os conflitos entre as autoridades de Sergipe e as da Bahia persistiam.

3. ECONOMIA:

− A economia foi se recompondo depois da devastação provocada pela guerra com os flamengos.

− O gado torna-se a principal riqueza durante o século

 No século XVIII e primeiras décadas do século XIX, a

economia açucareira consolida-se: aumentam as exportações do açúcar sergipano pelo portos baianos e cresce o número de engenhos.

− Sergipe adquire importância econômica: açúcar,

• Motivos do Êxito da Missão de Labatut:
− o sentimento anti-lusitano da população de Sergipe.
− a participação das tropas comandadas por João Dantas, capitão-mor das ordenanças da vila de Itapicuru (Cachoeira), que entrou em Sergipe através de Campos (Tobias Barreto) e avançou vitorioso sobre Santa Luzia e Lagarto.

− As negociações de Labatut garantiram um acordo entre os grupos emancipacionistas e recolonizador,

cujos representantes dividiram entre si a tarefa de formação de um governo local autônomo.

• A Integração de Sergipe ao Estado Nacional:

− a autonomia de Sergipe foi reconhecida por D. Pedro

I, em Carta Imperial de 05.12.1822.

− em 03.03.1823, realizou-se missa festiva onde foi aclamado D. Pedro I como Imperador do Brasil: a partir desta data Sergipe foi efetivamente integrado ao Brasil Independente.

SERGIPE DURANTE O IMPÉRIO


1. SITUAÇÃO POLÍTICA DURANTE O 1º REINADO:

• Partidos Políticos:

+ Liberal: defendendo o controle local do poder e

representado socialmente pelos senhores de terra e gado e camadas médias urbanas.

+Corcunda: defendendo o controle externo e representante dos interesses dos financiadores da agroindústria açucareira em Sergipe e representado socialmente pelos grandes senhores de açúcar e pelos seus aliados, os portugueses residentes em Sergipe.

− a política sergipana será marcada pelo embate entre as duas forças que representavam os senhores de terra.

− os senhores de terra dominavam uma sociedade basicamente rural e isolada em termos de comunicação
dos centros mais adiantados da região.

− as camadas populares não tinham participação, mas demonstravam resistência através de fugas, invasões
de cidades, rebeliões, crimes, protestos

• Eleições:

− Momentos violentos em que o partido que ocupava o poder manipulava a seu favor os resultados.

− Eram disputas entre facções da classe dominante, cada uma imbuída do desejo de controlar o poder e de
demonstrar força sobre sua clientela.

• Reflexos da Confederação do Equador (PE-1824):

− o presidente da província de Sergipe foi deposto acusado de simpatizar com os republicanos pernambucanos: esse episódio contou com o apoio dos Corcundas.

• Conflitos:

− Revolta dos índios de Pacatuba (1827).

− Sublevação de escravos dos engenhos da Cotinguiba (1827).

• Reflexos da Abdicação de D. Pedro I (1831):

− As autoridades ligadas aos corcundas relutaram em aclamar o sucessor Pedro II e reprimiram as festas
populares.

− Animosidade contra os portugueses.

− Uma representação “popular”, apoiada pela tropa, exigiu a demissão do Presidente da Província e de todos os portugueses que exercessem cargos

públicos.

− O Presidente renunciou, foram nomeadas novas autoridades e todas as Câmaras Municipais aclamaram o novo Imperador.

2. CONTEXTO HISTÓRICO DURANTE O PERÍODO


REGENCIAL:

− Eleição para a primeira Assembléia Provincial

(1825).

− O Partido Corcunda passou a denominar-s de Partido Legal.

A Revolta de Santo Amaro (1836):

+ Motivo:

− A derrota dos corcundas nas eleições.

− A falsificação das atas da eleição de Lagarto: provocou a alteração do resultado e contou com o apoio do Presidente da Província (Barão da Cotinguiba).

− Protestos do Partido Legal (Liberal).

+ O Conflito:

− O chefe Corcunda, Sebastião Boto, cercou a vila de Santo Amaro, um dos redutos de resistência dos liberais, fazendo fugir a população que abandonou a vila: 15.11.1836.

− foram arrombadas e saqueadas as casas e mortos os habitantes ainda ali encontrados.

− as perseguições aos liberais estendeu-se a outras vilas, provocando fugas para a Bahia e Alagoas.

+ Conseqüências:

− O Partido Liberal passou a ser chamado

“Camundongo” e o Partido Corcunda (Conservador)

de “Rapina”.

− A eleição foi anulada.

− O Presidente foi demitido.

− Os participantes do movimento foram anistiados em

1837.

3. SERGIPE DURANTE O 2º REINADO:

− Rapinas e camundongos revezaram-se quase anualmente no controle do poder provincial: seguindo a política de revezamento de partidos iniciada por D. Pedro II.

− Bagaceira (1847): dissidência do Partido Camundongo liderada pelo Barão de Maruim e pelo Barão de Própria.

• A MUDANÇA DA CAPITAL (1855):

* Governo de Inácio Joaquim Barbosa:

− o projeto modernizador de Inácio Joaquim Barbosa, em torno do qual congregaram-se camondongos e rapinas, é um reflexo da Conciliação que estava ocorrendo em nível nacional.

− Procurou racionalizar o comércio do açúcar e livrá-lo da tutela da Bahia.

− Promoveu a mudança da capital da Província.

+ Motivos:

− Proximidade da região economicamente mais importante, a zona da Cotinguiba: novo centro produtor de açúcar.

− A decadência do vale do Vasa-Barris: onde se situa São Cristóvão.

− a nova capital seria uma cidade portuária, o que facilitava o escoamento do açúcar.

+ Aracaju: Cidade Planejada.

− o plano urbanístico da cidade foi elaborado por Sebastião Pirro e consistia na construção de uma cidade traçada em forma de xadrez.

− Em 17 de março de 1855, Dr. Inácio Barbosa sancionou a Resolução nº 413 que ficava elevado a categoria de cidade o Povoado Santo Antonio do Aracaju, com a denominação de cidade de Aracaju.

+ Manifestações Contrárias: − Manifestações por parte da população de São Cristóvão no intuito de impedir a saída das repartições públicas e críticas quanto às condições de habitação, higiene e saúde da população que deveria ali se estabelecer.− João Bebe Água. A Origem do Nome Aracaju:
Hipóteses:
corruptela. (corrupção) − Derivada das palavras da língua tupi: ará (papagaio) e acayu (fruto do cajueiro) ® “cajueiro dos papagaios”. − Aracaju significaria “lugar dos cajueiros” ® cajueiral. − Derivada de ara (tempo, época, estação) e caju (fruto do cajueiro). − Derivada do termo tupi areaiu. • Partidos Políticos: + o Partido Rapina deixou de existir. + o Partido Camundongo dividiu-se: − Partido Saquarema (Conservador): criado pelo Barão de Maruim. − Partido Liberal.Terminavam as antigas denominações locais.

4. SERGIPE E A CRISE DO IMPÉRIO:  Abolicionismo e Republicanismo.
o movimento abolicionista tomou força em Sergipe a partir de 1880, principalmente na cidade de Laranjeiras (importante centro exportador de açúcar e maior centro urbano de Sergipe). − O enforcamento em praça pública do líder negro João Mulungu, no século XIX, responsável pela construção de um quilombo nas matas de Sergipe, demonstra que a organização dos quilombos foi a principal forma de rebelião de escravos no Brasil.

− O Jornal Horizonte era o veículo divulgador de idéias sobre educação popular e implantação do trabalho livre.

− Surgiam reuniões, conferencias e clubes para discutir as novas idéias: profissionais liberais oriundos

das camadas médias urbanas. − O Jornal O Laranjeirense: órgão abolicionista e republicano. − Fundação do Clube Republicano Federal Laranjeirense: Silvio Romero, Felisbelo Freire, Baltazar de Góis, Josino Meneses. − Tanto conservadores quanto liberais aderiram ao regime e ao Partido Republicano a partir de 15 de novembro de 1889. − A Proclamação da República transferiu para Aracaju o centro do movimento republicano.

− Os republicanos, inexperientes no exercício do poder, serão sufocados na luta com os velhos políticos
e com o poder militar. − Felisbelo Freire foi escolhido como primeiro presidente (governador) do Estado.
5. A CULTURA NO SÉCULO XIX:

− A população em geral era iletrada, poucos privilegiados sabiam ler e escrever.

− Os filhos da elite continuavam a estudar fora da Província. − 1832: aparecimento do primeiro jornal ®
Recompilador Sergipano. − Em 1835, surge o Noticiador Sergipense: que publica atos do Governo.

− A primeira biblioteca foi fundada em 1848 em São Cristóvão, depois transferida para Aracaju.

− A Ponte do Imperador foi construída no século XIX, para servir de plataforma de desembarque as margens do rio Sergipe, quando da visita de D. Pedro

II. − Em 1870 foi criado o Atheneu Sergipense.

− As primeiras manifestações literárias na Província

− A formação de um grupo mais radical da oposição.


− A criação do Partido Progressista: oposição radical ao olimpismo. − causa imediata: a visita, pela primeira vez depois de eleito, do deputado federal Fausto Cardoso. + O Movimento:

− No dia 10.08.1906, um contingente da Polícia Militar tomava o Palácio do Governo e depunha o presidente Guilherme Campos.

− Formou-se um novo governo com membros (camadas médias urbanas) do Partido Progressista.

− O movimento começou em Aracaju, mas espalhou-se por Maruim, Itabaiana, N. S. das Dores, Laranjeiras, Rosário, Itaporanga, Propriá, Divina Pastora, Capela, Riachuelo e Japaratuba.

+ A Intervenção Federal:

− Em 28.08.1906, o governo federal enviou uma força interventora para Sergipe, que depôs os progressistas, retomou todas as sedes municipais e repôs o olimpista Guilherme Campos na presidência do Estado.

− Fausto Cardoso foi assassinado durante os embates militares da intervenção. Dois meses depois, os filhos de Fausto Cardoso assassinaram Olimpio Campos no Rio de Janeiro.

2. O GOVERNO GRACCHO CARDOSO (1922-26):

− Fazia parte do grupo político que dominou Sergipe de 1910 a 1930: o PRC (Partido Republicano Conservador).

+ procurou modernizar a capital e atingiu em certa medida o interior do Estado:

− Saneamento.

− Abastecimento de água.

− Urbanização e embelezamento.

− Construção de estradas, pontes e escolas no interior.

• Revolta de 13 de Julho (1924):

− Movimento tenentista em Sergipe que promoveu a deposição de Graccho Cardoso aderindo à revolta movida em São Paulo para depor o presidente da república Artur Bernardes.

+ Motivos:

− A crise política vivida pelo Brasil em âmbito nacional.

− a presença no 28º BC de oficiais implicados na revolta do Forte de Copacabana (RJ): foco de propaganda do antibernardismo oposição ao Governo Federal.

− causa imediata: a participação de tropas do 28ºBC na deposição do governo baiano J. J. Seabra, indignou os oficiais sergipanos, que se sentiram instrumentos da política vingativa e arbitrária do Presidente da República.

+ O Movimento:

− os militares depuseram Graccho Cardoso e tomaram as cidades de Aracaju, Carmópolis, Rosário, Japaratuba, Itaporanga e São Cristóvão.

+ Repressão Federal:

− Os militares foram violentamente derrotados pelas forças militares e pelas tropas formadas pelos “coronéis” sergipanos.

+ Conseqüências:

− a violenta repressão gerou grande descontentamento e dividiu a sociedade sergipana em vencidos e vencedores.

• Atuais Remanescentes: Xocós localizados na ilha  de São Pedro no município de Porto da Folha, `as margens do rio São Francisco: Caiçara. − Parte de suas terras foi tomada pelos grandes donos de terras. Continuam lutando para sobreviver e conservar a terra que sobrou para eles.

PERÍODO PRÉ-COLONIAL


1. PRIMEIROS CONTATOS COM OS BRANCOS


EUROPEUS:

− O litoral do atual território de Sergipe, localizado entre o rio São Francisco e o rio Real, foi visitado inicialmente pelos portugueses que integravam a expedição guardacosteira de Gaspar de Lemos em 1501. Estabeleceram contatos com os índios em terra firme. Os franceses iniciam o escambo com os índios: pau Brasil, pimenta e algodão.


PERÍODO COLONIAL


1. O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO PORTUGUESA NO


BRASIL:

− Em 1531, Martim Afonso de Souza também visitou o litoral sergipano e entrou em contato com os índios.

− Os franceses continuavam interessados nas riquezas desse território e mantinham um bom relacionamento

com os índios.

− Em 1534, o atual território sergipano passou a fazer parte da Capitania da Bahia, doada pelo rei D. João III a Francisco Pereira Coutinho.

− A partir de 1549, com a instalação do Governo Geral em Salvador, a Capitania da Bahia foi comprada do
herdeiro de Francisco Pereira Coutinho e transformada em Capitania Real.

A CATEQUESE DOS ÍNDIOS


1. OS JESUÍTAS:

− a catequese iniciou-se a partir de 1575 com os padres jesuítas Gaspar Lourenço e João Salônio.

− Fundaram as aldeias (igrejas) de São Tomé (rio Piauí), Santo Inácio (Vasa-Barris) e de São Paulo (rio

Real).
− Os jesuítas, no início, conseguiram atrair os índios para a catequese.

• Fracasso da Catequese:

− Os soldados que vieram proteger os padres começaram a praticar violência nas aldeias dos índios, roubando produtos das roças e raptando as mulheres.

− Os índios, revoltados, expulsaram os padres e os soldados de suas aldeias.

A CONQUISTA DE SERGIPE

1. MOTIVOS:− O interesse em tomar posse das terras dos índios e escravizá-los.

− Ligar por terra a Capitania da Bahia à de Pernambuco: importantes centros coloniais produtores de açúcar.

− Criar gado e plantar cana-de-açúcar.

− Expulsar os franceses que praticavam o escambo com os índios.

− Explorar minérios no Sertão: prata, ferro, salitre, nitrato de potássio. A conquista de Sergipe atendia aos interesses do Governo português e dos fazendeiros de gado e senhores de engenho da Bahia.

2. A PRIMEIRA TENTATIVA DE CONQUISTA (1575):

• Comandada pelo governador Luis de Brito.gado, algodão, fumo, arroz, mandioca.


4. OS GRUPOS SOCIAIS:

* O desejo de autonomia gerou conflitos internos:

+ Senhores de engenho ligados aos comerciantes de Salvador e portugueses estabelecidos em Salvador desejavam que o território continuasse sob domínio baiano.

+ Os habitantes das cidades, pequenos comerciantes, funcionários públicos e senhores de terras criadores
de gado.

5. A INDEPENDÊNCIA DE SERGIPE:

Decreto Real:

− Em 08 de julho de 1820, D. João VI assinou o decreto isentando Sergipe da sujeição da Bahia.

− Em 25 de julho de 1820 uma Carta Régia nomeou o brigadeiro Carlos César Burlamárqui para governar
Sergipe.

− Os serviços prestados por Sergipe à causa real durante a Revolução Pernambucana de 1817.

− A grande prosperidade da capitania de Sergipe no setor açucareiro.

− Reforma político-administrativa que o governo fetuou em várias capitanias.
 A Reincorporação à Bahia:

− Em 1820, a Bahia aderiu à Revolução Constitucionalista do Porto e a Junta Governativa que assumiu o poder determinou a reincorporação da Comarca de Sergipe à Bahia.

− O capitão-mor Luiz Antonio da Fonseca Machado não acatou as ordens da Bahia e deu posse a Carlos César Burlamárqui.

− A Bahia envia tropas para São Cristóvão e estas depõem o primeiro governador de Sergipe: Sergipe
volta a situação de dependência em relação a Bahia.

• A Passagem de Labatut por Sergipe:

* Independência do Brasil:

− As questões da autonomia de Sergipe e a independência do Brasil confundem-se num mesmo processo.

− A Bahia, através do brigadeiro português Madeira de Melo, não aceitou a separação do Brasil de Portugalnem a autoridade de D. Pedro I e iniciou um movimento armado contra a Independência do Brasil.

− O capitão-mor de Sergipe, brigadeiro Pedro Vieira, era partidário do sistema português dominante na
Bahia.

− D. Pedro I contrata os mercenários Pedro Labatut e Rodrigo de Lamare para impor a nova ordem política na província da Bahia.

− As tropas de Labatut desembarcam em Maceió e seguem, por terra e atravessando o rio São Francisco, sobre o território de Sergipe em direção a Bahia.

Objetivos:

− Cessar as hostilidades e a adesão de Sergipe ao Príncipe Regente: apoio a D. Pedro.

− Atacar a Bahia.

• Adesões:

Vila Nova (Neópolis).

− Laranjeiras.

− São Cristóvão: os adeptos de Madeira de Melo

fugiram.

− Estância.


− O Presidente renunciou, foram nomeadas novas  autoridades e todas as Câmaras Municipais aclamaram o novo Imperador.

2. CONTEXTO HISTÓRICO DURANTE O PERÍODO


REGENCIAL:

− Eleição para a primeira Assembléia Provincial (1825).

− O Partido Corcunda passou a denominar-s de Partido Legal.

• A Revolta de Santo Amaro (1836):

+ Motivo:

− A derrota dos corcundas nas eleições.

− A falsificação das atas da eleição de Lagarto: provocou a alteração do resultado e contou com o apoio do Presidente da Província (Barão da Cotinguiba).

− Protestos do Partido Legal (Liberal).

+ O Conflito:

− O chefe Corcunda, Sebastião Boto, cercou a vila de Santo Amaro, um dos redutos de resistência dos liberais, fazendo fugir a população que abandonou a vila: 15.11.1836.

− foram arrombadas e saqueadas as casas e mortos os habitantes ainda ali encontrados.

− as perseguições aos liberais estendeu-se a outras vilas, provocando fugas para a Bahia e Alagoas.

+ Conseqüências:

− O Partido Liberal passou a ser chamado

“Camundongo” e o Partido Corcunda (Conservador)

de “Rapina”.

− A eleição foi anulada.

− O Presidente foi demitido.

− Os participantes do movimento foram anistiados em

1837.

3. SERGIPE DURANTE O 2º REINADO:

− Rapinas e camundongos revezaram-se quase anualmente no controle do poder provincial: seguindo a política de revezamento de partidos iniciada por D. Pedro II.

− Bagaceira (1847): dissidência do Partido Camundongo liderada pelo Barão de Maruim e pelo Barão de Própria.

• A MUDANÇA DA CAPITAL (1855):

* Governo de Inácio Joaquim Barbosa:

− o projeto modernizador de Inácio Joaquim Barbosa, em torno do qual congregaram-se camondongos e rapinas, é um reflexo da Conciliação que estava ocorrendo em nível nacional.

− Procurou racionalizar o comércio do açúcar e livrá-lo da tutela da Bahia.

− Promoveu a mudança da capital da Província.

+ Motivos:

− Proximidade da região economicamente mais importante, a zona da Cotinguiba: novo centro produtor

de açúcar.

− A decadência do vale do Vasa-Barris: onde se situa São Cristóvão.

− a nova capital seria uma cidade portuária, o que facilitava o escoamento do açúcar.

+ Aracaju: Cidade Planejada.

− o plano urbanístico da cidade foi elaborado por Sebastião Pirro e consistia na construção de uma surgem a partir de 1830.

− os primeiro literatos sergipanos são poetas e só a partir da década de 50 é que a prosa começa a se desenvolver.

− A produção literária sergipana gira em torno das tradições culturais de seu povo: a história, lendas e costumes.

− A partir da década de 60, o drama, o romance e a poesia crescem.

− Os intelectuais que se projetaram foram os que saíram da Província.

− Os livros nada falam sobre as culturas de negros e índios.

• Tobias Barreto (1839-1889):

− Famoso mestre sergipano da Faculdade de Direito do Recife.

− Criou uma espécie de escola filosófica denominada “Escola do Recife”: introdução no Brasil das mais modernas correntes filosóficas, jurídicas e sociológicas do mundo naqueles tempos.

− Sólida influência nos meios universitários da Bahia.

- Introdutor do germanismo na cultura brasileira.

− Jurista, jornalista, poeta, crítico musical e literário.

− Livro de Poesia: Dias e Noites. Demais obras:

Estudos Alemães; Monografias em Alemão; Crítica Literária; Crítica da Religião; Menores e loucos; Questões vigentes; Estudos de Direito; entre outras.

Silvio Romero (1851-1914):

− Jornalista combativo, parlamentar e critico literário: discípulo de Tobias Barreto, fundador da Academia
Brasileira de Letras e primeiro historiador da Literatura brasileira.

− As primeiras manifestações do Folclore sergipano foram assinaladas por Silvio Romero: Cantos e Contos
Populares de Sergipe congada e folias de reis.

− Obras: História da Literatura Brasileira; Etnologia Selvagem; Ensaios de Sociologia; Interpretação filosófica da crítica; entre outras.

PERÍODO REPUBLICANO


1. A OLIGARQUIA OLIMPISTA (1900-10):

− No inicio do século XX, a política sergipana registra dois partidos majoritários:

+ Partido Republicano de Sergipe: cabaús.

+ Partido Republicano Sergipense: pebas.

• Olimpio Campos:

− tendo conseguido impor-se sobre os velhos políticos como líder dos cabaús, o Monsenhor Olímpio Campos foi presidente do Estado, indicou os seus sucessores no governo, influiu poderosamente na eleição de deputados elegeu-se senador.

− Nos municípios também eram eleitas sempre pessoas ligadas ao Monsenhor e os empregos públicos eram
distribuídos entre os seus correligionários.

− Manteve controladas as classes subalternas através do esquema de poder e repressão, apoiado pelos
coronéis.

− Procurou contentar as classes dominantes, principalmente aos senhores de engenho, com um plano de recuperação da economia açucareira.

• Revolta de Fausto Cardoso (1906):
+ Definição: − Golpe para derrubar o governo olimpista.

+ Motivos: − A longa permanência dos olimpistas no poder.

− Desgastou o governo de Graccho Cardoso e o  tornou cada vez mais submisso ao Governo Federal e aos “coronéis”.

Revolta de Augusto Maynard (19.01.1926):

+ Motivos:

− A repressão aos movimentos tenentistas.

− A passagem da Coluna Prestes pelo Nordeste.

+ O Movimento:

− Fugindo da prisão, o tenente Augusto Maynard Gomes, comandou uma operação que a partir do controle do 28ºBC, tentou tomar o Quartel de Polícia e depor o governo.

+ A Repressão:

− Graccho Cardoso mobilizou as forças legais ao governo: Augusto Maynard foi ferido e os tenentes pediram rendição.

3. A REVOLUÇÃO DE 30 EM SERGIPE:

− Sergipe não se incorporou dessa vez desde os rimeiros momentos à revolução.

− em 16.10.1930, o manifesto de Juarez Távora e as tropas revolucionárias foram recebidas festivamente na

cidade.

− Augusto Maynard foi indicado como Interventor Federal de Sergipe.

4. O GOVERNO DE SEIXAS DÓREA (1962-1964):

− Incorporou-se à luta pelas reformas de base do presidente João Goulart.

− Participou do comício do 13 de maio no Rio, no qual anunciou a realização da reforma agrária para Sergipe. Essas atitudes provocaram inquietação nos grupos conservadores. O golpe militar de 31 de março de 1964, que derrubou João Goulart, também depôs Seixas Dórea.
_______________________
7. BIBLIOGRAFIA:

O presente texto é composto por transcrições textuais de:

1.AGUIAR, Fernando. Pré-História de Sergipe. Apostila.

2.Apostila Cultura Sergipana para Concursos. Ed. Aspas.

3.Textos e fotos extraídos do site UFS-PAX-MAX.

4.Textos extraídos do site Infonet-Cidades de Sergipe.

5.Jornal da Cidade, Aracaju, 7-8 nov. 1999. Caderno Cidades, p.4.

6.DINIZ, Diana M. F. Leal (coordenadora). Textos para a História de Sergipe. UFS. 1991.

7.Informe UFS, São Cristóvão, n.242, p.4-5,21 out. 1999, Francisco José Alves. Aracaju (SE)
Postado por ADAILTON DOS SANTOS ANDRADE às Sexta-feira, Janeiro 14, 2011
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1 comentários:
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Murilo Benevides disse...
Caro Adailson, meu nome é Murilo Benevides de Oliveira, moro em Ibicaraí a 38 Km da cidade de Itabuna Bahia, estou cursando o 2° semestre do curso de história e resolvi fazer uma pesquisa sobre a minha cidade, com o intuito de fazer um resgate à nossa história. Ainda estou no começo, mas percebi que que muitos personagem são oriundos de Sergipe e que em aproximadamente fins do século XIX para o início do século XX migraram para nossa região, e foi justamente pesquisando sobre o motivo desta migração, que eu encontrei o seu blog, então adc o endereço de seu email, para se possível, conseguir através dos seus conhecimentos, as informações que levaram a migração dos sergipanos, desde já um muito obrigado!!
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