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sábado, 19 de agosto de 2017

GABINETE DE LEITURA DE MARUIM: 140 ANOS DE HISTÓRIA E RESISTÊNCIA





GABINETE DE LEITURA, TEMPLO  DO SABER
 
                                                                
                                                       Adailton  Andrade


Os Gabinetes de Leitura criados no Brasil pelos portugueses, o do Rio de Janeiro foi o primeiro, mais tarde virão os do Recife (1850) e o da Bahia (1863). Sabe-se ainda da existência de outros Gabinetes fundados normalmente por estrangeiros que residiam no Brasil neste momento. Em Sergipe existiram, o Gabinete Literário Laranjeirense, o Gabinete de Leitura de Riachuelo, Gabinete de Leitura de Tobias Barreto, e o Gabinete de leitura de Maruim que esse ano esta completando 136 nos de existência  como guardiã  na história e memória  do povo sergipano. 

O Gabinete de Leitura de Maruim teve como mentor o cônsul Otto Schramm. As cartas de sua tia Adolphine revelam que em 1860, já possuía em sua residência um rico acervo, que possivelmente, todo ou parcialmente, fora transferido para a biblioteca do Gabinete. Estamos tratando de um espaço de sociabilidade, com um vasto capital cultural, não só para Maruim, mas de referência em Sergipe; tanto enquanto Província do Império, como em Estado da Federação, haja vista a importância deste espaço em ocasião dos acalorados debates liberais republicanos.

Ultimamente o historiador Denio Azevedo tem pesquisado a fundo a história do Gabinete de leitura, e nesse aniversario dos 136 anos será um dos conferencistas das comemorações, segundo o pesquisador, o alemão  Otto Schramm é o grande responsável pela criação do Gabinete de Leitura de Maruim em 1877, uma instituição privada, veiculadora dos ideais liberais, abolicionistas e republicanos.


De acordo com o catalogo  do Gabinete, no acervo da instituição em Maruim no final do século XIX, constava obras de Voltaire (1860), Rousseau (1857), Júlio Verne (1878), Michelet (1863), Balzac (1863), M. A. Thiers (1862) com a sua “História da Revolução Francesa”, Antônio Feliciano de Castilho (1863) em “Camões: estudo histórico e poético”, Frédéric Soulie (1852) com “Le Veau d’or”, I. F. da Silva e L. A. Rebello da Silva (1853) em “Poesias de Manuel Maria de Barbosa du Bocage”, Sebastião da Rocha Pitta (1880) “História da América Portugueza”, Visconde de Taunay (1896) com “Innocencia”. Obras normalmente editadas em Paris, Bruxelas e Lisboa.

Em 1889 os sócios do Gabinete de Leitura de Maruim inauguram a “Revista Literária”, que circulou durante dois anos. Lembrando que esta instituição tinha a sua própria tipografia.

 O Gabinete era um dos locais onde a nova tendência política seria apresentada, portanto, um grupo que fazia “oposição” ao principal representante político e econômico do município, o Barão de Maruim, decide fundar o Gabinete e difundir os ideais liberais, buscando o reconhecimento por parte da população de um capital simbólico necessário para moldar a sociedade em questão. 

 Os liberais republicanos queriam criar uma identidade e a maneira escolhida para tal foi a de criticar a organização política, econômica e cultural do Império A crença de que era possível construir uma imagem de progresso, levar Sergipe rumo à civilização, com os ideais liberais e republicanos que marcavam a realidade nacional neste momento da criação do Gabinete de Leitura de Maruim e participar ativamente no processo de construção desta identidade são os principais fatores que incentivaram a participação desses agentes em instituições culturais como o Gabinete de Leitura de Maruim.

A base de sustentação dos seus discursos foi os ideais liberais e republicanas, se tornando como instituições de utilidade pública, o que demonstrava a sua relação direta com o estado. Já com relação à necessidade de democratização da cultura, almejavam ampliar a ação instrutiva para os grupos economicamente menos favorecidos da sociedade, fundando escolas, franqueando ao público uma Biblioteca, promovendo conferências literárias e científicas,  colóquios, festejos no período de aniversário das instituições, e  os saraus.
Como advento da República, percebe-se uma mudança significativa nas relações do Gabinete de Leitura de Maruim com os Governantes de Sergipe, que podem ser exemplificados através do reconhecimento de Utilidade Pública através do Deputado Federal, natural de Maruim, Deodato Maia, o Gabinete de Maruim é reconhecido de Utilidade Pública Federal em 1º de outubro de 1919, através do decreto federal nº 3776 ou de concessão de subvenções. A esfera pública que inicia como particular e literária, sobrevivendo apenas das doações dos seus sócios, passa a ter um auxílio expressivo do Estado.
Na sua inauguração o Gabinete funcionava em uma casa alugada à rua do Cabula, atualmente rua Fausto Cardoso e em 17 de janeiro de 1926, com o auxílio da Prefeitura Municipal, adquiriu um prédio próprio na Praça da Matriz O Gabinete de Leitura de Maruim surge enquanto lugar da sociabilidade, uma esfera pública aonde, atrelada a outras instituições liberais e republicanas, no Brasil.
Ressaltamos que na tribuna do Gabinete passaram grandes conferencistas como, Tobias Barreto, Silvio Romero, Fausto Cardoso, Gumercindo Bessa, Felisbelo Freire, Homero de Oliveira e tantos  outros , temos nos dias atuais  como conferencista, a Prof.ª Verônica Nunes, Aglaé Fontes de Alencar,  prof.ª Lucia Marques e o Prof. Denio  Azevedo e o historiador  Adailton Andrade.
Nas comemorações de aniversário do gabinete de Leitura se mantei as tradições das grandes conferencias, de trazer para a sociedade temos importantes que vem contribuir para a preservação e memória da cultura local. isso aconteceu a 4 anos atrás em 2013 dessa data  para os dias  atuais  essas coisas não mais  aconteceram,  Denio Azevedo, a bióloga Lúcia Marques, Verônica Nunes e o professor  historiador  Adailton Andrade,  são os novos os últimos  conferencistas, suas temáticas voltada para a história e memória do Gabinete de leitura de Maruim nos seus 140 anos de tradição agora em 2017  se espera  algo  de concreto  do sentido de preservação, salvaguarda  do mesmo, abrindo sua tribuna para os grandes intelectuais da nossa História.
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fonte :  Publicações  do Historiador e sociólogo  pesquisas de Dênio  Azevedo





quinta-feira, 20 de julho de 2017

Manoel Armindo Cordeiro Guaraná



Manoel Armindo Cordeiro Guaraná
1848     1924+



Em meados do século XIX, em 4 de agosto de 1848, nasce na cidade de São Cristóvão, ainda capital da     Província de Sergipe Del Rei, um dos personagens da história sergipana, Manuel Armindo Cordeiro Guaraná filho de Teodoro Cordeiro Guaraná e Andrelina Muniz de Menezes. Cursou as primeiras letras em sua cidade natal, migrando mais tarde para outros redutos do conhecimento cientifico como o Atheneu Baiano e o Curso de Humanidades do Colégio das Artes (1865) em Pernambuco. Posteriormente, ingressou na Faculdade de Direito do Recife, importante instituição do período, consagrada por formar uma elite de intelectuais liderados por Tobias Barreto. Graduou-se em direito no ano de 1871. Dedicou-se ao jornalismo e a elaboração de diversos trabalhos que compunham jornais, revistas e outras publicações periódicas entre os anos de 1832 a 1908. Registrando assim, o primeiro dos jornais, o “Recopilador Sergipano”, editado em Estância, na Tipografia Silveira & Cia, de propriedade do monsenhor Antônio Fernandes da Silveira, enumerando publicações jornalísticas e literárias, até 1908, ano do centenário do aparecimento do primeiro dos jornais brasileiros, o Correio Brasiliense, editado em Londres, em 1808, por Hipólito da Costa. 

Em 25 de outubro de 18722, iniciou seus trabalhos como Promotor Geral da Comarca de São Cristóvão, em Sergipe, por intermédio do Juiz de Direito da referida comarca, Alexandre Pinto Lobão. Um ano depois, foi nomeado Promotor Público da capital. Em 16 de março de 18784, Armindo Guaraná foi nomeado secretário da Província do Piauí, por Carta Imperial. No mesmo ano foi habilitado ao cargo de Juiz de Direito, por ter exercido por mais de 4 anos o lugar do Promotor Público. Em 1879, foi nomeado Procurador Fiscal da Tesouraria Provincial de Sergipe, pelo presidente da Província local, Fernandes Santos, tornando-se em 1881 Promotor Público da Comarca de Estância, por intermédio do Presidente da Província, Herculano Marcos Inglez de Souza. No dia 13 de maio de 1882, Armindo Guaraná foi nomeado para secretário da Província do Ceará, por Carta Imperial, e em setembro deste mesmo ano, foi nomeado Juiz de Direito da Comarca de Oeiras, Província do Piauí, por decreto. Em 1º de dezembro de 1884, foi transferido para Itabaiana, para exercer a magistratura.




 Dentre os cargos exercidos por Armindo Guaraná, vale destacar o de Chefe de Polícia Interino da Província de Sergipe, designado por Jerônimo Sandro Pereira, em 1889. No ano de 1890, Armindo Guaraná é nomeado Juiz de Casamentos, em Aracaju, pelo presidente do Brasil, o Marechal Deodoro da Fonseca. Após doze dias, o Barão de Sobral lhe comunica essa nomeação, dando-lhe um prazo de três meses para exercer suas funções. A trajetória jurídica de Armindo Guaraná termina no dia 09 de março de 1906, quando Leopoldo de Bulhões lhe concede a aposentadoria, como Juiz Federal pela Secção do Ceará, função que exercia por mais de 20 anos. Após aposentar-se, Armindo Guaraná vai para o Rio de Janeiro. Na capital federal começa a juntar os subsídios necessários para confecção de sua maior obra, o Dicionário Biobibliográfico Sergipano. Em 1911,7 retorna a Sergipe fixando-se na cidade de Aracaju. Mais tarde tornou-se sócio fundador do IHGS, e idealizador do Dicionário Biobibliográfico Sergipano, sua principal obra, que se constitui por ser um documento que possibilita aos leitores e pesquisadores, subsídios para o desenvolvimento de seus trabalhos acerca da história de vida de sergipanos que viveram entre a segunda metade do século XIX, e a primeira metade do século XX. Em 1912, associou-se ao IHGS - instituição que auxilia a várias décadas, o desenvolvimento de produções literárias e históricas, através do seu acervo bibliográfico, documental e iconográfico – tendo participado de sua fundação. Neste instituto, Armindo elaborava diversos artigos, sobre os mais variados aspectos. Atuou como redator, entre os anos de 1912 a 1916, produzindo textos para complementar a sua revista trimensal, participou da diretoria do mesmo órgão como membro da Comissão de História e Arqueologia, sendo o vice-presidente da instituição, no período de 1912 a 1913. Consta no cadastro social do Instituto, como Sócio Fundador, tornando-se sócio honorário, em 14 de julho de 19158. Tendo em vista sua atuação e produção no IHGS, foi possível analisar os artigos, com os quais tratamos neste trabalho.
Nascido em São Cristóvão (SE), em 4 de agosto de 1848, Manoel Armindo Cordeiro Guaraná bacharelou-se no Recife (PE), em 1871, participando do ambiente cultural que Tobias Barreto enriqueceu com sua presença de gênio. Dedicou-se ao jornalismo, a política, a magistratura e a história, elaborando diversos trabalhos que enriqueceram a estante sergipana, como Jornais, Revistas e outras publicações periódicas, de 1832 a 1908, Catálogo que registra o primeiros dos jornais, o Recopilador Sergipano, editado em Estância, na Tipografia Silveira & Cia, de propriedade do monsenhor Antonio Fernandes da Silveira, enumerando em São Cristóvão, Aracaju, Laranjeiras, Propriá, Maroim, Capela, Simão Dias, Lagarto, Santo Amaro e Neópolis, as publicações jornalísticas e literárias, até 1908, ano do centenário do aparecimento do primeiro dos jornais brasileiros, o Correio Brasiliense, editado em Londres, em 1808, por Hipólito da Costa.
O Dicionário Biobliográfico Sergipano, de Armindo Guaraná é uma obra monumental, que reúne mais de 640 biografias dos mais ilustres sergipanos, detalhadas dentro e fora de Sergipe, como um testemunho para a posteridade. É, por isto mesmo, uma fonte de referências confiáveis, cotejadas com informações diversas, que chama a atenção para a fertilidade intelectual da terra, tal o número de exemplos contidos nas páginas do livro, que teve edição póstuma, graças aos esforços dos intelectuais Prado Sampaio e Epifânio Dória, que foram os Editores e a determinação do presidente Maurício Graccho Cardoso, que autorizou os gatos com a publicação.
O Catálogo da imprensa em Sergipe foi publicado no número especial da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1908. Escreveu o Glossário etmológico dos nomes da língua tupi na geografia do Estado de Sergipe (in Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, Aracaju, 1914) e auxiliou Sacramento Blake na redação do Dicionário bibliográfico brasileiro. Armindo Guaraná morreu, em Aracaju, em 10 de maio de 1924.