segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

ARACAJU 171 ANOS: O RIO QUE DEU VIDA AO TABULEIRO DE XADREZ

 

 

ARACAJU 171 ANOS: O RIO QUE DEU VIDA AO TABULEIRO

 DE XADREZ

 

 

 Por Adailton Andrade -Historiador  

    

Em 17 de março de 2026, Aracaju celebra seus 171 anos consolidada como um dos principais polos tecnológicos e industriais do Nordeste. No entanto, para compreender a metrópole de hoje, é preciso mergulhar nas águas turvas do Rio Sergipe em meados do século XIX. A transferência da capital, de São Cristóvão para o "pântano planejado" da Barra dos Coqueiros, é frequentemente lida como um triunfo da engenharia civil, mas novos olhares historiográficos revelam que a cidade teria naufragado antes mesmo de nascer sem o suporte técnico da Marinha do Brasil.

 


Enquanto Inácio Joaquim Barbosa [1] desenhava o futuro político da província, a Capitania dos Portos de Sergipe (CPSE) preparava o terreno ou melhor, as águas. Reativada estrategicamente em outubro de 1854, exatos cinco meses antes da fundação oficial da capital, a Capitania funcionou como o "pilar invisível" do projeto. Sob o comando do Capitão de Mar e Guerra José Moreira Guerra [2], a instituição assumiu a missão crítica de domar as barras dos rios sergipanos, conhecidas por bancos de areia móveis que faziam de cada atracagem um risco de morte e prejuízo comercial.

 

Diferente de cidades que cresceram organicamente ao redor de igrejas, Aracaju nasceu olhando para o rio. O plano em "tabuleiro de xadrez" de Sebastião Pirro [3] só se tornou viável porque a Marinha garantiu o fluxo constante de materiais, alimentos e, principalmente, de uma nova classe social de funcionários e militares que formariam a elite urbana da capital nascente. O porto não era apenas um ponto de chegada; era o coração econômico que conectava o açúcar sergipano ao mundo.



Hoje, ao observarmos o Distrito Industrial e os centros de inovação tecnológica que definem a Aracaju de 2026, percebemos que a "cidade do futuro" de 1855 cumpriu seu papel. O esforço de Moreira Guerra no século XIX pavimentou as estradas líquidas que permitiram a transição de Sergipe para a modernidade. A história de Aracaju, portanto, não está escrita apenas no asfalto de suas ruas retas, mas profundamente gravada no leito do Rio Sergipe.



 
 





A Capitania dos Portos de Sergipe (CPSE) desempenhou um papel fundamental e estratégico na consolidação de Aracaju como a nova capital do estado em 1855. Enquanto a transferência da sede do governo de São Cristóvão para o litoral foi uma decisão administrativa e política, a viabilidade prática da nova cidade dependeu diretamente da organização do tráfego marítimo e fluvial coordenada pela Capitania.


Estes documentos narram a trajetória histórica da Capitania dos Portos de Sergipe, destacando seu papel vital na fundação e consolidação de Aracaju como capital provincial no século XIX. O texto detalha a atuação do primeiro comandante, José Moreira Guerra, cujos esforços técnicos na navegação e segurança das barras fluviais permitiram a sobrevivência econômica da nova cidade. A narrativa abrange a evolução de marcos icônicos, como o Farol de Aracaju e a Ponte do Imperador, além de registrar visitas reais e a participação da Marinha em conflitos políticos e ações sanitárias. Também são exploradas biografias de personalidades ligadas à instituição, como o almirante Amintas Jorge e o artista Artur Bispo do Rosário. Por fim, as fontes celebram o legado da autoridade marítima até a atualidade, mencionando parcerias com a SOAMAR e a modernização da infraestrutura portuária na região.





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Notas de Rodapé

[1] Inácio Joaquim Barbosa: Presidente da Província de Sergipe (1853-1855). Foi o mentor político da transferência da capital, enfrentando forte oposição da elite agrária de São Cristóvão.

[2] José Moreira Guerra: Oficial da Marinha que liderou os trabalhos de balizamento e sondagem da barra do Rio Sergipe, garantindo a segurança necessária para que o porto de Aracaju se tornasse o principal entreposto comercial da região.

[3] Tabuleiro de Xadrez (Quadrado de Pirro): Modelo urbanístico aplicado pelo engenheiro Sebastião Basílio Pirro, caracterizado por ruas que se cruzam em ângulos retos. Foi uma das primeiras experiências de planejamento urbano sistemático no Brasil imperial.