quarta-feira, 27 de junho de 2018

MEMÓRIAS DE UM BISPO PROFÉTICO , NO REGIME MILITAR .

 

Dom Adriano, de  São  Cristovão  para o Rio  de Janeiro 


O cristianismo é também feito de memória. Como cristãos não podemos, pois, deixar passá-la em branco, sobretudo a profética. E como parte desta memória profética como não trazer presente aquela que nos é transmitida a partir da experiência originada de momentos críticos vividos pela sociedade brasileira no tempo da ditadura militar? E, destes momentos, como não trazer o testemunho de luminosos profetas como dom Waldir Calheiros, bispo emérito da Diocese de Barra do Piraí/Volta Redonda-RJ, falecido aos 30 de novembro de 2013? Sua trajetória, enquanto pastor da Igreja diocesana de Volta Redonda, marcada pela firmeza na fé e pela resistência diante da repressão militar, é exemplo que serve de modelo para o exercício profético do cristianismo. Em 2001 foi lançado o livro: O Bispo de Volta Redonda: memórias de Dom Waldir Calheiros[1], organizado por Célia Maria Leite Costa, Dulce Chaves Pandolfi e Kenneth Serbin. Nesta obra, desenvolvida em forma de entrevista, o bispo fez declarações sobre o período crítico e obscuro da ditadura militar. Entre os fatos narrados, a prisão dos frades dominicanos e o sequestro de dom Adriano Hipólito, na época, bispo da Diocese de Nova Iguaçu-RJ. Foi um período em que a opção preferencial pelos pobres poderia ser motivo de perseguição e morte, como também ocasião de testemunho profético por parte da Igreja do Brasil. Transcrevemos, a seguir, parte da entrevista das supracitadas organizadoras do citado livro – p. 132-133; 136-137; 138-140. “Foi marcante, para o senhor, o dia em que foi decretado o AI-5, em dezembro de 1968? Lembro-me até do local onde escutei essa notícia.

Eu estava passando por Barra Mansa, seguindo de Resende para Volta Redonda, quando ouvi a notícia extraordinária pelo rádio. O discurso do Márcio Moreira Alves na Câmara foi a gota d’água que precipitou o AI-5. Os militares, que já não estavam mais conseguindo sustentar as manifestações contra a ditadura, decidiram endurecer a repressão. Logo pensei: ‘Agora o pau vai comer’. E fiquei aguardando. Depois que o ato foi publicado, muitos desapareceram do mapa, inclusive o Márcio, que teve o mandato cassado. Não houve alternativa para continuar vivo senão sair do país. […] Sabe-se que setores da Igreja foram muito atuantes nesse momento de repressão mais intensa, dando cobertura àqueles mais visados pela ditadura. A Igreja, em toda a sua história, sempre assumiu uma posição contrária às ditaduras e acolhedora a todos os perseguidos políticos, apoiando-os e garantindo-lhes proteção. Agíamos com muita verdade. Nesse episódio do AI-5, minha participação foi relativa. Fui chamado à Nunciatura. A participação empenhada do núncio apostólico, dom Sebastião Baggio, era conhecida. Foi ele quem acolheu na Nunciatura a Branca Moreira Alves, mãe do Márcio, grande mulher, mãe e esposa.

Quase simultaneamente, comunicou-me que estava preocupado com a situação de uma outra moça da Ação Católica e pediu-me que eu desse um jeito para ela sair do Brasil. Tomei um susto com o pedido. Na época, eu era apenas um auxiliar do cardeal do Rio. O mesmo ocorreu em relação a uma presa política. Eu visitava os presos e presas políticos no Rio. Essa moça montou um esquema de fuga do presídio Talavera Bruce, em Bangu, e perguntou-me se eu poderia lhe dar cobertura quando estivesse fora. Procurei alguém que se prontificou, de imediato, a ajudar: ‘Quando bater à porta, nem precisa dizer do que se trata. Basta dizer que você mandou. Não perguntarei de onde veio’. Havia, da parte de alguns bispos e padres, essa atitude de se colocar em risco, de pôr em prática aquilo em que se acreditava. E acreditávamos que estar preso só por pensar diferente não tinha razão de ser. ‘Estive preso e você esteve comigo (Mt 25,43)’ [p. 132-133] […].   “A prisão dos dominicanos (1969) Em 1969, a repressão sobre a Igreja se intensificou, atingindo-a mortalmente, com o assassinato do padre Henrique Pereira Neto, cujo corpo, cheio de marcas de torturas, foi deixado perto da Escola de Engenharia, em Recife.[2] Padre Henrique era assistente da Juventude Universitária. Foi assassinado friamente no dia 27 de maio, como uma forma de atingir dom Hélder. Ele próprio relacionou a morte à sua pessoa e chegou a desabafar, dizendo: ‘Se é a mim que procurais, deixai os outros irem” (Jo 18,8). Mais doloroso do que a própria morte, é ver a morte de outrem por nossa causa. No dia do enterro, numa belíssima manifestação, o povo percorreu as ruas de Recife, cantando Prova de amor maior não há. A polícia cercou, ameaçou intervir, mas dom Hélder permaneceu firme, liderando o povo, numa posição muito corajosa. E a repressão ao clero prosseguiu, culminando, no final do ano, com a prisão de 11 dominicanos, um jesuíta e dois padres seculares, sob a acusação de envolvimento com a Ação Libertadora Nacional, organização que propunha a luta armada contra o regime. Essas prisões vincularam-se à morte de Carlos Marighella.[3] Que informações o senhor teve desse episódio? Os dois primeiros, frei Fernando Brito e frei Ivo Lesbuapin, foram presos no Rio de Janeiro em 2 de novembro de 1969 e levados para São Paulo.







Os freis Tito Alencar, Georgio Callegari e Maurício, que estavam no Convento dos Dominicanos, em São Paulo, foram presos dia 3. No dia seguinte, 4 de novembro, prenderam frei Romano, no Rio. E somente no dia 8 frei Betto foi detido no Seminário Cristo Rei, onde estudava, em Porto Alegre. Todos foram indiciados, mas apenas quatro foram condenados: frei Ivo, frei Fernando, frei Betto e frei Tito. Poucos anos depois, em 1974, psicologicamente desmontado pelas torturas, Tito suicidou-se em Paris. Sei que, após a morte de Mariguella, a organização deu fuga aos seus militantes que buscavam sair do país. Hoje, é do conhecimento geral que a captura e a morte de Marighella foram montadas pela repressão. A morte ocorrera dias antes. O suicídio de frei Tito deve ter abalado a Igreja. Foi um fato muito doloroso. Submetido a torturas terríveis, ele perdeu a identidade. Foi banido, depois de dois anos preso, e sacrificado. É terrível levar a pessoa a tirar sua própria vida. Não foi suicídio. Foi morte induzida. Um sistema mentiroso só podia produzir mentiras. O suicídio de frei Tito foi uma mentira. Boletins e circulares internos com as informações certas foram fundamentais para o conhecimento da verdade. Era a forma de se transmitir as informações sobre o que estava ocorrendo, diante da forte censura que vigorava?
Era a nossa forma artesanal de nos comunicarmos. Outra era enviar circulares diretamente aos bispos, quando os acontecimentos na diocese eram ocultados pela mídia. Havia também um informativo produzido em São Paulo pelo padre Charles Antoine. Outra fonte eram os informes enviados do exterior – França, Itália, Bélgica… – que, com liberdade, relatavam o que acontecia no país. Certos fatos que desconhecíamos nos eram transmitidos por revistas, cadernos e informes externos antes de sua divulgação no Brasil. Se não nos comunicássemos, ficaríamos isolados e dificilmente se entenderia nosso proceder” [136-137] […].   “O sequestro de dom Adriano Hipólito (1976) Que impacto causou na Igreja o sequestro de dom Adriano Hipólito, bispo de Nova Iguaçu? Dom Adriano vivia na Baixada Fluminense, dormitório desarrumado e sem condições de vida humana, localidade sofrida, desconhecida pelos governantes, manchada pela difamação de certa imprensa e apresentada como cidade violenta. A região encontrou em dom Adriano um pastor solidário à sua gente e à sua sorte, de posição firme nas denúncias sobre o desprezo e a injustiça dirigidos contra Nova Iguaçu e sua população, que ele repetia sempre ser de gente boa, trabalhadora e sacrificada. As pequenas crônicas n’A Folha, semanário da diocese de Nova Iguaçu, relatam os problemas de sua gente sofredora. Os pobres da região tinham a quem recorrer.
Havia muita afinidade entre nós, e algumas coincidências. Éramos ambos nordestinos. Ele havia sido auxiliar em Salvador e eu no Rio. Tomou posse como bispo de Nova Iguaçu em 1966 e, dias depois, em 8 de dezembro, fui empossado em Volta Redonda. O sequestro aconteceu em 22 de setembro de 1976, aproximadamente às 19 horas, e repercutiu forte na Igreja, principalmente junto ao episcopado. Na época, dom Alfonso Trujillo, secretário do Conselho Episcopal Latino-Americano, estava de passagem pelo Rio e foi visitar dom Adriano, quando este deixou a residência de dom Eugênio, no Sumaré. O núncio apostólico, dom Carmine Rocco, também foi ao seu encontro. A imprensa noticiou sobejamente o fato. Mas não se pode desprezar a provocação dos extremistas da linha dura do Exército, que agiram para recrudescer a situação de conflito entre Igreja e governo. No final do sequestro, explodiram o fusca de dom Adriano na frente da sede da CNBB. Não aceitavam uma Igreja do lado dos pobres. Mesmo que a Igreja não quisesse fazer a opção pelos pobres, os pobres fizeram a opção pela Igreja e a obrigaram a fazer a opção por eles. Em conversa com o senhor, dom Adriano chegou a revelar detalhes das violências a que foi submetido? Adriano me confidenciou uma coisa muito interessante, que não chegou a dizer à imprensa. Quando foi preso e jogado dentro do carro, depois que libertaram a namorada do sobrinho, colocaram-lhe um capuz na cabeça e começaram a se referir ao seu trabalho com palavrões, chamando-o de subversivo, de agitador, disso e daquilo. Naquele momento, disse-me ele que pensou: ‘Ah, já sei por que estão me sequestrando.
É por causa do meu trabalho com os pobres’. E concluiu: ‘Quando percebi isso, fui invadido por uma grande tranquilidade’. Acrescentou que, depois de muito circularem, os sequestradores fizeram-no descer do carro, despiram suas roupas e pintaram todo o seu corpo com spray vermelho. Ao sentir o líquido sobre o corpo, ele pensou: ‘Estão ungindo meu corpo para depois tocar fogo’. Já aceitando o desfecho, que felizmente não ocorreu. Afinal, por volta de 21:30h, o deixaram nu, pintado de vermelho e de mãos amarradas, em um lugar ermo nas proximidades de Campo Grande. Ele sofreu algum tipo de violência física? Ele relatou que socaram muito o seu sobrinho, também sequestrado, que dirigia o carro. Adriano pediu que não fizessem aquilo. Com ele, só diziam: ‘Cale a boca comunista, subversivo. Quem trabalha com comunista também é comunista’. Contou também que, mesmo com as duas mãos amarradas, à margem da estrada, fez sinal para um carro que passou, mas foi inútil. Até que viu um homem a pé, chamou-o, e esse o atendeu.
Enquanto conversavam, um carro aproximou-se, e o motorista, ao ver aquele homem sentado, com as mãos amarradas, diminuiu a marcha e perguntou quem era. Adriano explicou o que acontecera e disse: ‘Eles tiraram a minha roupa. Preciso pelo menos de uma calça para vestir’. O motorista morava perto, levou-o à sua casa, deu-lhe uma roupa, e com ele foi até a delegacia. Em sua declaração à imprensa, dom Adriano disse que os sequestradores haviam mandado um recado: ‘O próximo será o Calheiros, de Volta Redonda’. Quando eu soube da ameaça, lembrei-me de que, antes de pegarem Adriano, por três noites consecutivas, percebi um carro desconhecido estacionado defronte à minha casa. Também à frente da casa, do outro lado da rua, havia a Casa de Saúde São José, onde havia um ponto de táxi sempre com dois ou três carros estacionados. Talvez isso tenha inibido uma ação mais ousada. E o senhor não teve medo, dom Waldyr? Naturalmente, tomam-se certas precauções de não se expor. Mas, medo, não. O medo leva à fuga, busca o pretexto de ‘prudência’ e silencia a pessoa. Não mudei o meu ritmo de atividade. Certa vez, fui ameaçado de morte, fui avisado. Tomei minhas cautelas de não me expor. De outra feita, escapei de uma tentativa de ser pego. Alertado, soube sair da situação. Não sou um corajoso afoito.Procuro ser fiel no que acredito. O senhor recebeu apoio de setores do clero?
Dom Eugênio telefonou-me, preocupado com a minha segurança. Falou-me que sabia que a polícia já estava me dando cobertura e que o Exército se dispunha a me proteger, mas que tinha receio de se oferecer pelos conflitos que tiveram comigo. Se eu permitisse, um coronel iria me procurar. Concordei. De fato, um coronel foi conversar comigo no bispado. Entrou e foi logo começando: ‘Como o senhor, dom Waldyr, sabendo da ameaça que lhe fizeram, ainda vai fazer um sermão na Catedral de Nova Iguaçu em solidariedade a dom Adriano, chamando os sequestradores de covardes?’ Na realidade, o coronel não foi lhe dar proteção, e sim repreendê-lo. E o que o senhor respondeu? Eu não tinha nada a dizer. O que ia responder a um homem que me questionava: ‘Como o senhor, ameaçado, ainda teve coragem de falar daquela maneira?’ Que segurança me transmitia? Mais tarde, fiquei sabendo que não era coronel, e sim, médico, mas se prestava a esse papel. Foi me oferecer proteção intimidando… Acabou-se” [p. 138-140].

fonte  de  pesquisa: http://www.itf.org.br/regime-militar-memoias-de-um-bispo-profetico.html



[1]. Rio de Janeiro: FGV, 2001.
[2]. O assassinato do padre Antônio Henrique Pereira Neto, ocorrido em Recife no dia 27 de maio de 1969, teve a autoria atribuída a extremistas de direita.
[3]. A morte de Carlos Marighella, dirigente nacional da ALN, ocorreu em 4 de novembro de 1969, após a prisão de cerca de 20 membros da organização.

DOM ADRIANDO HYPOLITO , o sancristovense anônimo na história sergipana



Dom Adriano Hypolito nasceu a 18-01-1918 em São Cristovão - Sergipe. Aos 14 anos entra para o Convento dos franciscanos. É ordenado padre em 18-10-1942 , em Salvador. No ano seguinte é nomeado professor do Seminário Franciscano de Ipuarana, Paraiba, permanecendo aí até julho de 1948. Neste ano parte para Europa em estudos para a história dos franciscanos no Brasil. Em abril de 1951 volta para o Seminário de Ipuarana, atuando como diretor de estudos e professor até 1961. Neste ano é transferido para o Convento Franciscano de Salvador, onde assume a função de visitador da província franciscana e presidente do Capitulo Provincial. Em novembro de 1962 é nomeado pelo Papa João XXIII, Bispo-auxiliar de Salvador. Participa do Concilio Vaticano II, em Roma entre 1963- 1965. Em 1966 é nomeado Bispo de Nova Iguaçu. Ao tomar posse propõe um trabalho pastoral que desse respostas aos problemas da Baixada.





Dez anos após assumir o pastoreio na Diocese, Dom Adriano fora seqüestrado, espancado e abandonado, despido. De 22 de setembro de 1976, quando ocorrera o seqüestro, até hoje, ninguém foi processado, embora o jornal Movimento tenha denunciado um tenente da Vila Militar.As intimidações não cessam. O semanário litúrgico A Folha, de 29-05-77, foi falsificado aos milhares e distribuído nas igrejas da Baixada e enviada para várias partes do Brasil. No dia 19 de junho do mesmo ano, por determinação do Comandante do 1° Exército, foi cancelada uma conferência sobre Direitos Humanos, para constituição de uma Comissão de Justiça e Paz, que realizar–se–ia no Centro de Formação. E no sábado dia 18, elementos do Exército e da Polícia, procuraram repetidas vezes, o Centro de Formação sob os mais diversos pretextos e no domingo dia 19, cercaram e ocuparam o Centro de Formação, com verdadeiro aparato de guerra.




Dom Adriano não se intimidou , em 12 de fevereiro de 1978, cria a Comissão de Justiça e Paz com a finalidade de “defender os Direitos Humanos à luz da fé; considerando que se faz necessária uma entidade que assuma na Baixada Fluminense de maneira estável esta missão de defender a Justiça e a Paz, ...”Em março de 1978, Dom Adriano fora seguido secretamente em suas visitas dentro da Diocese e nas visitas que fez a outros Bispos da região. Foi vigiado até mesmo de helicóptero, durante uma conferência para o clero de Volta Redonda. Em Abril do mesmo ano, Dom Adriano recebeu ameaças de novo sequestro e castigo exemplar. Da noite de 8 para 9 de Novembro de 1979 as igrejas de Santo Antônio da Prata, Catedral e Santa Rita, amanhecem pinchadas com injúrias contra Dom Adriano. A escalada do terror atinge a Catedral, a Igreja – Mãe da Diocese. No dia 20 de dezembro de 1979, uma bomba explode no altar da Catedral. Uma carta deixada na igreja acusa Dom Adriano de proteger comunistas. “quando apoiamos uma organização que não é da Igreja propriamente, mas luta por dias melhores para todos, como o Movimento Amigo de Bairro, nós estamos na linha de Jesus Cristo: nós temos compaixão do nosso Povo.” (sermão de Dom Adriano na missa após o atentado). Em 1993 Dom Adriano inaugura o Centro de Direitos Humanos, que continuou o magnífico trabalho da Comissão de Justiça e Paz. No ano seguinte, Dom Adriano aos 76 anos, deixa a direção da Diocese e assume a título pessoal a Sociedade de Defesa dos Direitos Humanos e da Cidadania (SODIHC) e eventual colaboração na Pastoral Diocesana. Dom Adriano faleceu no dia de São Lourenço, 10 de agosto de 1996.


Quando o Imperador romano Valeriano exigiu de Lourenço os tesouros da Igreja, ele encheu o palácio de pobres, dizendo: “Eis o tesouro da Igreja”. Dom Adriano viveu realmente a opção pelos pobres. Concluímos com a saudação que Dom Adriano costumava fechar as grandes celebrações: “Viva Jesus Cristo... Viva Maria nossa Mãe Santíssima... Viva o nosso Povo sofrido da Baixada ”.
 


- O texto da extraído da página da página da Diocese de Nova Iguaçu de Nova Iguaçu. Ele é fruto de um estudo do historiador Antônio Lacerda de Meneses, do Arquivo da Cúria Diocesana.


quarta-feira, 11 de abril de 2018

HISTÓRIA DE SERGIPE PARA CONCURSO III




A CONQUISTA DE SERGIPE DEL REY


Oito de Julho é a data em que se comemora a Emancipação Política de Sergipe. Em teoria é a data cívica mais importante do calendário estadual. Infelizmente, conforme relatei nesse texto de exatamente um ano atrás, o caráter comemorativo da data foi se perdendo com o tempo, num misto de desinteresse das instituições (governamentais ou não) de se valorizar e dar a conhecer os aspectos históricos e culturais de nosso estado, bem como um certo sentimento de desapego do próprio sergipano para com esses aspectos.
No contínuo esforço de se conhecer e, principalmente, dar a conhecer esses e outros aspectos de Sergipe, iniciei uma pesquisa com o intuito de resgatar a história do “descobrimento”, conquista e consequente colonização de seu território (sem obviamente esquecer o massacre das tribos de nativos), até sua emancipação da Bahia em 1820, assim como seus inúmeros personagens. Contrariando minhas expectativas, encontrei em sites e livros um rico material (ainda que com algumas lacunas sobre determinados fatos e eventos) que, uma vez organizado, levou a um texto enorme, além de ter consumido um longo período de dedicação e escrita que fatalmente impediria sua publicação a tempo de ser postado no dia 08 de Julho, conforme minha intenção. Assim, optei por dividir o material em três textos menores (mas nem tanto), os quais irei postando a medida que forem sendo concluídos.
Nesse primeiro texto veremos como se deu o início da formação do estado de Sergipe com a chegada dos portugueses às nossas praias em 1501, as primeiras tentativas de colonização culminando numa guerra que levou ao extermínio de boa parte dos seus habitantes originários, os indígenas, em 1590. O segundo texto contará sobre a colonização propriamente dita, a invasão holandesa e anexação à Capitania da Bahia abrangendo o período de tempo entre 1590 à 1763.  Finalmente no terceiro e último texto saberemos como se deu a emancipação política, a luta pela sua confirmação e uma visão breve dos governos nos primeiros anos de autonomia política até a mudança da capital de São Cristóvão para Aracaju em 1855.
Essa foi a maneira que encontrei para não apenas celebrar os 196 anos de nossa Emancipação Política, mas especialmente nossa Sergipanidade: lembrando da história hoje virtualmente esquecida pelos sergipanos.
O primeiro relato histórico referente ao território do futuro Estado de Sergipe é encontrado em carta do piloto florentino Américo Vespúcio, onde são narrados os principais fatos ocorridos na primeira expedição exploradora enviada ao Brasil pela Coroa Portuguesa, sob o comando de Gaspar de Lemos em 1501. Informa-se nessa carta, que as três naus que compunham a expedição tiveram dificuldades em desembarcar na altura do estuário do rio São Francisco, encontrando mais ao sul praias que permitiam a frota ancorar, favorecendo também o desembarque. Com base nesse relato, os historiadores atuais concluem que esse desembarque ocorreu no litoral próximo à foz do rio Vaza-Barris.
A Expedição permaneceu cinco dias naquele local. Do contato com os nativos, Vespúcio escreveu: “…assentamos de trazer deste lugar um par de homens para aprender a língua e vieram três deles por sua vontade para o Portugal.” Conforme conclui a historiadora Maria Thetis Nunes no livro “Sergipe Colonial I” – de onde esse relato foi extraído –, foram estes os primeiros sergipanos a emigrar. No local onde aportaram predominavam as tribos Tupinambás e Caetés, mas no território viviam também os Aramurus e Kiriris nas margens dos rios São Francisco e Jacaré, os Aramaris, Abacatiaras e Ramaris no interior, além dos Boimés, Karapatós e os Natus.
Vista aérea da foz do Rio Vaza-Barris atualmente
Com a divisão do Brasil pela Coroa em 15 Capitanias Hereditárias, em 1534, os Sertões do Rio Real (como a região era conhecida entre os portugueses até então) foram integrados a Capitania da Bahia de Todos os Santos, a qual foi doada a Francisco Pereira Coutinho, português que fizera fortuna nas Índias. Em 1536 chegava o donatário à Bahia, dando inicio à colonização fundando, onde hoje se encontra o Farol da Barra em Salvador, o Arraial do Pereira, mais tarde chamada de Vila Velha do Pereira. Sua presença não teve nenhum efeito sobre Sergipe, que, esquecido, favoreceu a ação de piratas franceses que contrabandeavam com a colaboração dos Tupinambás os produtos da região, dentre eles o Pau-Brasil.
Tomé de Souza durante a construção de Salvador
Em 1547, após se retirar para a vizinha Capitania de Porto Seguro devido a divergências com alguns colonos, Francisco Pereira Coutinho retornava para Salvador quando naufragou próximo à Ilha de Itaparica, sendo aprisionado e morto pelos índios tupinambás. Com sua morte a Coroa compra a Capitania dos herdeiros e a torna sede do Governo-Geral, novo sistema implantado em virtude do fracasso do sistema anterior de Capitanias Hereditárias. Tomé de Souza foi nomeado Governador Geral sendo uma de suas atribuições a exploração das terras até o rio São Francisco.
Por essa época os Sertões do Rio Real já eram conhecidos pelo nome do principal rio da região, chamado pelos indígenas de Siriípe, que significa Rio dos Siris. No falar e principalmente no escrever dos colonizadores Siriípe foi se transformando e assumindo as pronúncias e grafias de Cirizipe, Cirigype, Serigype, até assumir sua forma atual: Sergipe. Por encontrar-se em Capitania pertencente à Coroa Portuguesa, e também para diferencia-la de uma localidade baiana chamada Sergipe do Conde, as terras passaram a ser conhecidas como Sergipe Del Rey depois de sua conquista.
Apesar das ordens reais, nem Tomé de Souza e nem seus sucessores Duarte da Costa e Mem de Sá tiveram êxito em explorar as terras sergipanas. Mas onde os colonizadores falhavam, tinham sucesso os jesuítas através de suas expedições missionárias, que adentravam os sertões inexplorados pelos portugueses com o objetivo de catequizar os selvagens indígenas.
No entanto, no governo de Mem de Sá, foi realizada uma grande perseguição aos índios, com o pretexto de puni-los por terem devorado Dom Pero Fernandes Sardinha, o Primeiro Bispo do Brasil, em 1556, durante o governo de seu antecessor, Duarte da Costa. A violência foi tamanha que, com a denúncia dos jesuítas dos crimes à corte, essa decidiu que a guerra era injusta, ordenando que os índios capturados fossem postos em liberdade. Devido a essa perseguição os indígenas do território sergipano passaram a odiar e temer os portugueses, intensificando sua aliança com os franceses.
Essa perseguição não impediu que, em 1575, o Padre Gaspar Lourenço e o Padre João Salônio, em expedição missionária da qual faziam parte alguns colonos e um grupo de soldados da Bahia, atravessem o Rio Real e ergam uma capela jesuítica nas proximidades do rio Piauí e uma escola, chamada de São Sebastião, tendo o Padre João Salônio o seu professor. Ali acabou sendo fundado pouco depois o povoado de São Tomé por Garcia D’Ávila a quem o Governador de Salvador Luís de Brito delegara o início da colonização de Sergipe e que muito provavelmente comandava a expedição. Mais tarde a vila seria rebatizada de Vila de Santa Luzia do Piaguy (como era grafado o nome do rio Piauí) e posteriormente Vila de Santa Luzia de Itanhy, a qual deu origem a cidade atual com mesmo nome. Os padres ainda construiriam mais adiante na margem direita do rio Vaza-Barris a igreja de Santo Inácio, próximo da atual cidade de Itaporanga D’Ajuda, e a igreja de São Paulo no litoral em alguma localidade próximo de onde séculos mais tarde se ergueria a atual capital, Aracaju. A empreitada dos padres contou com a colaboração e apoio de três líderes locais, que entrariam para a história de Sergipe: os Caciques Aperipê (líder as terras do rio Real até próximo ao rio Vaza-Barris), Surubi (líder da região do rio Vaza-Barris) e aquele que viria a ser seu principal líder, o Cacique Serigy (no litoral).
Atual Igreja de Santa Luzia do Itanhy
Infelizmente a colaboração com os jesuítas terminaria de forma trágica. Insatisfeito com a atuação dos padres, o Governador Luís de Brito não aprovou a fundação do povoado de São Tomé, e, sob determinação do governo português, ainda em 1575, atravessou o rio Real com um exército de soldados e moradores da Bahia. Os padres mandaram avisos de que os índios não desejavam confrontos e estavam dispostos a tornarem-se cristãos, mas o governador não lhes deu ouvidos. Na realidade, o interesse do governo luso não era o de catequizar os índios, mas sim que fossem pacificados pelos padres, facilitando assim sua captura e a conquista de suas terras.
Receando o avanço das tropas os índios fugiram das Missões, levando Luis de Brito a usar essa fuga como pretexto para caçar os fugitivos alegando “uma quebra da paz” dando inicio a um ataque violento e mortal sobre as aldeias. Na luta que se travou os indígenas, pegos de surpresa, tiveram suas aldeias destruídas, morrendo Surubi com um tiro de mosquete ao defender o Povoado de Santo Inácio, o qual também foi destruído. Aperipê foi seguido por homens do governador por cerca de cinquenta léguas, mas conseguiu escapar. Os índios sobreviventes escaparam da captura fugindo para o interior juntamente com Aperipê. Durante os combates foram capturados mais de mil e duzentos índios. Esses foram transportados para Salvador onde, em pouco mais de um ano de cativeiro a varíola e o sarampo matou metade deles.
Cidade de Itaporanga D’Ajuda: Foi nessa região que Surubi foi morto ao tentar defender seu povo do ataque ao Povoado de Santo Inácio
Para vingar a morte de Surubi, Serigy se uniu aos seus irmãos Siriri e Pacatuba (líderes das terras dos atuais rios Sergipe ao Siriri e entre os rios Poxim do Norte e São Francisco, respectivamente). Aos irmãos se uniriam ainda os Caciques Japaratuba e também Aperipê. Juntos formulam um plano de vingança. Solicitam o envio de nova missão jesuítica sob uma suposta alegação de paz. Apesar dos reforços enviados com os jesuítas, foram todos mortos, dando início à, assim chamada pela Coroa Portuguesa, “guerra justa” contra os indígenas.
Com o apoio dos quatro chefes indígenas Serigy estruturou uma forte milícia dentre os jovens guerreiros de sua tribo, reforçada pelos guerreiros das demais aldeias. Acredita-se que em torno de 20.000 índios fizessem parte dessa formação, com 1.800 deles mobilizados e prontos para o combate defendendo as terras sergipanas do invasor português, com um segundo agrupamento em constante treinamento de aproximadamente 1.000 guerreiros, cuja função era substituir prontamente os mortos na linha de frente. O próprio Serigy, auxiliado por seus comandados, escolhia os mais fortes e ágeis no manejo das flechas, zarabatanas e armas de fogo. Essas últimas eram conseguidas através de relações de troca com os franceses.
Estátua representando o Cacique Serigy, localizada no Palácio Serigy no Centro histórico de Aracaju
Sob o comando de Serigy, os índios sergipanos resistiram aos ataques portugueses até o ano de 1590. Devido a sua localização privilegiada entre a capital da Colônia e a próspera Capitania de Pernambuco, os portugueses precisavam criar caminhos seguros através do território sergipano. Mas todas essas tentativas foram rechaçadas pelos homens dos cinco caciques defensores das terras sergipanas.
O destino dos guerreiros de Serigy viria a mudar quando, cansado das constantes derrotas, o governo colonial deu ao então governador de Salvador, o Capitão-Mor Cristóvão de Barros, o comando de uma esquadra de guerra e a chefia de uma milícia a soldo ao quais se juntaram aventureiros e colonos baianos. Nas palavras de Luis Antônio Barreto, destacado historiador e jornalista sergipano, Cristóvão de Barros era um “veterano em dizimar índios”, tendo atuado junto a Mem de Sá em 1566, quando socorreram os moradores do Rio de Janeiro expulsando e massacrando os índios tamoios que ali viviam.
Nos últimos meses de 1589 a esquadra chega ao litoral sergipano na região controlada por Serigy. Travam-se intensas batalhas e, segundo alguns relatos não confirmados, o próprio Cristóvão de Barros teria tentado negociar um acordo com Serigy para fundar uma cidade nas margens do rio Sergipe, pois desejava evitar mais confrontos sangrentos. O líder indígena, no entanto rejeitou o acordo, pois sabia que essa seria o início da colonização e do extermínio de seu povo.
Seguiu-se uma intensa batalha e, após quase um mês de lutas, “na noite de ano novo de 1590, quando os arcos e flechas dos guerreiros de Baepeba (como também era conhecido Serigy) e seus aliados sucumbem aos arcabuzes das tropas portuguesas, o que se declara é que já não é possível deter o avanço dos conquistadores,” conforme relatado por Beatriz Góis Dantas, professora de Antropologia da UFS. As fontes históricas sobre o que aconteceu após a batalha falam pouco sobre o destino dos cinco caciques que resistiram até o fim. Acredita-se que, uma vez que não foi relatada a captura de nenhum deles, tenham morrido na batalha Aperipê, Siriri, Pacatuba e Japaratuba. Serigy teria sido o único capturado e enviado à prisão na Bahia onde morreu devido a uma greve de fome contra a escravidão que lhe fora imposta. Seria esse o último ato de rebeldia do guerreiro, ao qual se somou uma maldição lançada com seus últimos suspiros sobre as terras conquistadas: “Nada que se fizer por aqueles prados dará certo!” Infelizmente o colonizador não tinha interesse em documentar com detalhes nada que dissesse respeito aos nativos, por isso esses fatos não podem ser confirmados, embora seu caráter lendário ajude a enriquecer o contexto cultural sergipano.
Mural de Jenner Augusto, representando os povos indígenas de Sergipe
Com a conquista, Cristóvão de Barros funda a cidade de São Cristóvão – próximo às praias onde 265 anos depois seria construída a cidade de Aracaju -, a quarta mais antiga do Brasil, e a torna sede do governo da Capitania a qual oficializou o nome de Sergipe Del Rey. Em 1763 Sergipe seria incorporada, juntamente com as capitanias de Ilhéus e Porto Seguro à Capitania da Bahia a qual só terminaria em 08 de julho de 1820, quando da Emancipação Política promulgada por Dom João VI.
O saldo da “guerra justa” contou com mais de 4.000 índios escravizados e cerca de 2.400 mortos. No entanto, o etnocídio e o genocídio das tribos indígenas de Sergipe não parou aí, estendendo-se por todo o século XVII e XVIII com o avanço para o interior e às margens do São Francisco onde se refugiaram os poucos sobreviventes da Guerra de Conquista de Sergipe. Resistindo ao desaparecimento, sobrou apenas a comunidade indígena Xokó, na antiga Missão de São Pedro em Porto da Folha, município do sertão sergipano às margens do rio São Francisco.
Brasão da capitania de Sergipe Del Rey

HISTÓRIA DE SERGIPE PARA CONCURSO II





HISTÓRIA DE SERGIPE
 PROF. ADAILTON ANDRADE

PRÉ-HISTÓRIA
AS CULTURAS PRÉ-HISTÓRICAS:
 
dentre as suas comunidades pré-históricas:
• Cultura Canindé ou Xingó: − Com datações a partir de 5.000 a.C. − Os sítios arqueológicos encontram-se localizados em áreas do Baixo São Francisco, no canyon, no município de Nova Canindé − Sítios: São José e Justino. − Material lítico: lascas, facas, raspadores, machados polidos. − Material ósseo: esqueletos e adornos. − Material cerâmico: associado a ritos funerários, potes, tigelas, panelas. − Arte rupestre: gravuras (figuras geométricas) e pinturas (desenhos individualizados) · localizadas em abrigos dos paredões do canyon. − Fogueiras. − Restos faunísticos: moluscos, anfíbios, répteis, aves, peixes e mamíferos. − Os primeiros habitantes: grupos caçadores-coletores chegaram na região por volta de 5.000 a.C. e ocuparam áreas que hoje são identificadas como terraços e ilhas, atraídos pela presença abundante de água (rio)  seriam oriundos provavelmente do planalto goiano, das cabeceiras do Alto São Francisco e pela ampla rede de afluentes do SO da Bahia que deságuam nesse rio (essa hipótese é justificada pelas ocupações muito antigas encontradas nessa área)  atividades: caça, coleta e a pesca/catação de mariscos.  Sepultamentos: enterramentos primários efetuados diretamente no solo e acompanhado de mobiliário funerário (adornos, instrumentos, cerâmica, fogueiras, alimentos).  Tradição Aratu: Presente em grande parte dos sítios arqueológicos sergipanos. Datação: séculos V ao XVII d.C  Localização: toda a faixa litorânea, norte de
Pacatuba e Sul de Cristinapólis. Sítio: Fortuna, no município de Divina Pastora Aldeamentos próximos a riachos afluentes e em área de floresta. Atividades: caça e coleta.  Sepultamentos secundários (urnas funerárias) e acompanhado de mobiliário funeral (artefatos pessoais: machados polidos, adornos, tigelas).  Tradição Tupi-guarani:
 Datação: a partir do século XIX  recente.
Ocuparam áreas litorâneas próximas aos rios e
florestas: bacia do São Francisco, Japaratuba, Sergipe, Vaza-Barris, Piauí e Real. Belicosidade e uso de canoas. Artefatos: cerâmicos (cachimbos) e líticos (polidores, afiadores, machados polidos).
Atividades: caça, pesca, mandioca. Sepultamentos: secundário e com mobiliário de sepultamento.

OS ÍNDIOS EM SERGIPE
1. TRIBOS:
• Línguas: Tupi e Macro-Jê. Tribos: xocós, aramurus, carapotós, kaxagó, natu (nas margens do rio São Francisco), tupinambás, caetés e boimés (região litorânea), aramaris, abacatiaras e ramaris (no interior, próximo da região da serra de Itabaiana), kiriris ou cariris (região centro-sul, entre os rios Reale Itamirim).  Resistência: lutaram para defender suas terras diante dos invasores portugueses ® líderes: Baopeba (apelidado de Serigy), Aperipê, Surubi, Siriri, Japaratuba. Atuais Remanescentes: Xocós ® localizados na ilha de São Pedro no município de Porto da Folha, `as margens do rio São Francisco: Caiçara.  Parte de suas terras foi tomada pelos grandes donos de terras. Continuam lutando para sobreviver e conservar a terra que sobrou para eles.

PERÍODO PRÉ-COLONIAL
PRIMEIROS CONTATOS COM OS BRANCOS EUROPEUS:

O litoral do atual território de Sergipe, localizado entre o rio São Francisco e o rio Real, foi visitado inicialmente pelos portugueses que integravam a expedição guarda costeira de Gaspar de Lemos em 1501. Estabeleceram contatos com os índios em terra firme. − Os franceses iniciam o escambo com os índios: paubrasil, pimenta e algodão.

PERÍODO COLONIAL
O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO PORTUGUESA NO BRASIL:
Em 1531, Martim Afonso de Souza também visitou o litoral sergipano e entrou em contato com os índios. − Os franceses continuavam interessados nas riquezas desse território e mantinham um bom relacionamento com os índios. − Em 1534, o atual território sergipano passou a fazer parte da Capitania da Bahia, doada pelo rei D. João III a Francisco Pereira Coutinho. − A partir de 1549, com a instalação do Governo Geral em Salvador, a Capitania da Bahia foi comprada do herdeiro de Francisco Pereira Coutinho e transformada em Capitania Real.

A CATEQUESE DOS ÍNDIOS
OS JESUÍTAS:
A catequese iniciou-se a partir de 1575 com os
padres jesuítas Gaspar Lourenço e João Salônio. Fundaram as aldeias (igrejas) de São Tomé (rio
Piauí), Santo Inácio (Vasa-Barris) e de São Paulo (rio Real). − Os jesuítas, no início, conseguiram atrair os índios para a catequese. • Fracasso da Catequese: − Os soldados que vieram proteger os padres começaram a praticar violência nas aldeias dos índios, roubando produtos das roças e raptando as mulheres. − Os índios, revoltados, expulsaram os padres e os soldados de suas aldeias.

A CONQUISTA DE SERGIPE
MOTIVOS:
O interesse em tomar posse das terras dos índios eescravizá-los. Ligar por terra a Capitania da Bahia à de Pernambuco: importantes centros coloniais produtores de açúcar.  Criar gado e plantar cana-de-açúcar.  Expulsar os franceses que praticavam o escambo com os índios. Explorar minérios no Sertão: prata, ferro, salitre, nitrato de potássio. A conquista de Sergipe atendia aos interesses do
Governo português e dos fazendeiros de gado e
senhores de engenho da Bahia.

A PRIMEIRA TENTATIVA DE CONQUISTA
 (1575):
Comandada pelo governador Luis de Brito. Pretexto da Invasão: a justificativa era punir os índios por terem abandonado a catequese e expulsado os padres jesuítas.  Características:  Invasão militar e violenta: destruição e mortes.  Nas lutas, morreu o cacique Surubi.  Aprisionamento de índios: foram levados para a Bahia ® a maioria morreu devido as maus tratos e doenças. Fracasso: Apesar da destruição e do massacre, a invasão foi um fracasso, pois não deixou aqui um marco (sinal) de conquista, ou seja, não deu inicio a colonização.  O número de índios escravizados foi pequeno.

3. A CONQUISTA DE SERGIPE (1590):
 Comandada por Cristóvão de Barros. Foi estabelecida uma guerra de extermínio contra os índios.  As aldeias foram massacradas e, finalmente, o território conquistado. Fundação da cidade de São Cristóvão (01.01.1590)
na Barra do rio Sergipe, no atual território de Aracaju: marco da integração de Sergipe a colonização portuguesa.  Foram edificados uma Igreja, um Presídio e um Arsenal de armas.
Iniciava-se a colonização de Sergipe: Tomé da Rocha foi escolhido para ser o capitão-mor da nova capitania.

4. A ORIGEM DO NOME SERGIPE:
• Hipóteses: No início esse território era chamado de “Os Sertões do Rio Real”. Teria derivado das modificações (corruptela) do nome Siriípe (“rio dos Siris”): sirigi  sirigipe  seregipe  Sergipe. Seria para distinguir de uma localidade baiana chamada de Sergipe do Conde: daí o nome Sergipe Del Rey (pelo fato de que a conquista de Sergipe foi efetuada por ordem régia e à custa da Coroa).  Cacique Serigy ou Serigipy  o seu nome foi transformado em Sergipe.

5.AS TRANSFERÊNCIAS DE LUGAR DA CIDADE DE
SÃO CRISTÓVÃO:
 Motivos: Ficar longe dos ataques dos franceses.
Proximidade das primeiras fazendas e engenhos.
 Transferências: 1596: para uma colina próxima ao Rio Poxim. 1610: para o local atual: nas margens do rio Paramopama (afluente do rio Vasa-Barris), distante 24 Km do litoral.

A COLONIZAÇÃO DE SERGIPE
1. DIFICULDADES:
 Ataques franceses: só a partir de 1601, os franceses foram definitivamente expulsos de Sergipe. Ataques de índios: que resistiam a ocupação de suas terras.

2. DOAÇÃO DE SESMARIAS:
A ocupação do litoral do território ocorreu do Sul para o Norte. − Outras vilas foram fundadas na região do rio Real e do rio Piauí, no sul da capitania, e nas terras banhadas pelos rios Vaza-Barris, Cotinguiba e Sergipe, no norte da capitania.

3. ATIVIDADES ECONÔMICAS:
 Criação de Gado: Principal atividade econômica da capitania. Ocupação do interior. Latifundiária: é marcante a presença dos Garcia D’Ávila Conde da Torre. Tinha como finalidade abastecer a Bahia. Cana-de-açúcar: Introduzida a partir de 1602. − Sistema de ”plantation”.Surgimento de alguns engenhos. Minas: metais preciosos Foram realizadas explorações à procura de minas
no território da capitania, realizadas por Belchior Dias Moreya, Rubélio Dias, Gabriel Soares e Marcos Ferreira: rio das Pedras e Serra de Itabaiana. Nunca se constatou a existência de metais preciosos.

OS HOLANDESES EM SERGIPE
MOTIVOS:
Garantia de alimentos (carne e farinha) e de montarias (cavalos). Controle das jazidas de salitre no sertão. Servir como zona de proteção ao avanço dos portugueses e espanhóis vindos da
Bahia para expulsá-los de Pernambuco.

2. OBJETIVOS:

 Recolher os rebanhos sergipanos. Construir fortes no território.  Controlar a cidade de São Cristóvão. Atacar Salvador.

3. A INVASÃO:
Em 1637, as tropas da Companhia das Índias
Ocidentais, sediadas no forte de Maurício (atual
Penedo) e comandadas por Sesgimundo Van Schoppke, cruzaram o rio São Francisco e iniciaram a invasão. A Retirada de Bagnuolo: o comandante das tropas portuguesas, o conde Bagnuolo, mandou incendiar os poucos engenhos,
canaviais e própria cidade de São Cristóvão, além de matar milhares de cabeças de gado: política da “terra arrasada” (não deixar nada que pudesse favorecer o invasor) e ordenou a fuga da população para trás do rio Real. Os holandeses terminaram a destruição do que restou: saques e incêndios.

4. SITUAÇÃO DE SERGIPE DURANTE A INVASÃO:
O enfrentamento entre a defesa portuguesa e o
avanço holandês em direção à Bahia se dará no
território sergipano.  Situação de abandono: as ligações com a Bahia foram cortadas.
Sergipe tornou-se um campo de batalha: não houve efetiva colonização por parte dos holandeses.

5. A RETOMADA DA CAPITANIA:
Retomada pelos portugueses em 1640, caiu nas mãos do inimigo um ano depois. a retomada definitiva iniciou-se em 1645, quando os portugueses conquistaram o forte holandês do rio Real e São Cristóvão foi sitiada, os holandeses se renderam. Foi tomado também o forte de Maurício.A expulsão definitiva ocorreu em 1646 na batalha do Urubu (atual Própria).  Estava concluída a retomada do território pela
colonização portuguesa e a reinstalação do governo.
6. CONSEQUÊNCIAS:
 Retrocesso no processo de colonização portuguesa em Sergipe.  Reforço do poder local e desenvolvimento de um sentimento de autonomia.
 influência cultural holandesa: sobrenome: van der ley (Wanderley) e Rollemberg. Marcas no fenótipo: os “galegos” de Porto da Folha. Fabricação de requeijão. Brasão de armas: reiterava a vitória flamenga sobre os habitantes de Sergipe.

A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE SERGIPE
1. PERÍODO PÓS-INVASÃO HOLANDESA:
− O período do domínio holandês pode ter levado ao reforço do poder local e criado um sentimento de autonomia.  Período caracterizado pelas lutas entre os poderes locais e o governo que representava os interesses da Bahia. Domínio da Bahia: Exigências: Contribuição em homens e em produtos (tabaco, gado). Conflitos de Jurisdição no Campo Político:  os capitães-mores começam a assumir funções que eram da competência da Câmara Municipal: Cobrança de impostos sobre o gado. Os curraleiros são obrigados a prestarem serviço militar. Novos impostos sobre o gado.  Reflexos: Conflitos com a Câmara. Deposições.  Revoltas. Dificuldade no relacionamento do governo da Bahia com a Capitania de Sergipe: os moradores de Sergipe opunham-se ao governo baiano devido às intervenções constantes da Bahia na vida sergipana.

2. COMARCA:
 Em 1696, Sergipe se tornou Comarca: Autonomia judiciária: Ouvidor. Continuava política e economicamente subordinado à Bahia: os conflitos entre as autoridades de Sergipe e as da Bahia persistiam.

3. ECONOMIA:
A economia foi se recompondo depois da devastação provocada pela guerra com os flamengos. O gado torna-se a principal riqueza durante o século XVII. No século XVIII e primeiras décadas do século XIX, a economia açucareira consolida-se: aumentam as exportações do açúcar sergipano pelo portos baianos e cresce o número de engenhos. Sergipe adquire importância econômica: açúcar, gado, algodão, fumo, arroz, mandioca.
4. OS GRUPOS SOCIAIS:
* O desejo de autonomia gerou conflitos internos:
+ Senhores de engenho ligados aos comerciantes de Salvador e portugueses estabelecidos em Salvador desejavam que o território continuasse sob domínio baiano. Os habitantes das cidades, pequenos comerciantes, funcionários públicos e senhores de terras criadores de gado.

5. A INDEPENDÊNCIA DE SERGIPE:
Decreto Real: Em 08 de julho de 1820, D. João VI assinou o decreto isentando Sergipe da sujeição da Bahia. Em 25 de julho de 1820 uma Carta Régia nomeou o brigadeiro Carlos César Burlamárqui para governar Sergipe. Os serviços prestados por Sergipe à causa real durante a Revolução Pernambucana de 1817.  A grande prosperidade da capitania de Sergipe no setor açucareiro. Reforma político-administrativa que o governo efetuou em várias capitanias. A Reincorporação à Bahia:
 Em 1820, a Bahia aderiu à Revolução Constitucionalista do Porto e a Junta Governativa que assumiu o poder determinou a reincorporação da Comarca de Sergipe à Bahia. O capitão-mor Luiz Antonio da Fonseca Machado não acatou as ordens da Bahia e deu posse a Carlos César Burlamárqui. A Bahia envia tropas para São Cristóvão e estas depõem o primeiro governador de Sergipe: Sergipe volta a situação de dependência em relação a Bahia. A Passagem de Labatut por Sergipe:  Independência do Brasil:  As questões da autonomia de Sergipe e a independência do Brasil confundem-se num mesmo processo. A Bahia, através do brigadeiro português Madeira de Melo, não aceitou a separação do Brasil de Portugal nem a autoridade de D. Pedro I e iniciou um movimento armado contra a Independência do Brasil. O capitão-mor de Sergipe, brigadeiro Pedro Vieira, era partidário do sistema português dominante na Bahia. D. Pedro I contrata os mercenários Pedro Labatut e Rodrigo de Lamare para impor a nova ordem política na província da Bahia. As tropas de Labatut desembarcam em Maceió e
seguem, por terra e atravessando o rio São Francisco, sobre o território de Sergipe em direção a Bahia. • Objetivos:  Cessar as hostilidades e a adesão de Sergipe ao Príncipe Regente: apoio a D. Pedro.  Atacar a Bahia. • Adesões: Vila Nova (Neópolis).  Laranjeiras. São Cristóvão: os adeptos de Madeira de Melo fugiram. Estância. Motivos do Êxito da Missão de Labatut: o sentimento anti-lusitano da população de Sergipe.  a participação das tropas comandadas por João Dantas, capitão-mor das ordenanças da vila de Itapicuru (Cachoeira), que entrou em Sergipe através de Campos (Tobias Barreto) e avançou vitorioso sobre Santa Luzia e Lagarto. As negociações de Labatut garantiram um acordo entre os grupos emancipacionistas e recolonizador, cujos representantes dividiram entre si a tarefa de
formação de um governo local autônomo.
A Integração de Sergipe ao Estado Nacional: a autonomia de Sergipe foi reconhecida por D. Pedro I, em Carta Imperial de 05.12.1822. em 03.03.1823, realizou-se missa festiva onde foi aclamado D. Pedro I como Imperador do Brasil: a partir desta data Sergipe foi efetivamente integrado ao Brasil Independente.

SERGIPE DURANTE O IMPÉRIO
SITUAÇÃO POLÍTICA DURANTE O 1º REINADO:
 Partidos Políticos: Liberal: defendendo o controle local do poder e representado socialmente pelos senhores de terra e gado e camadas médias urbanas. Corcunda: defendendo o controle externo e representante dos interesses dos financiadores da agroindústria açucareira em Sergipe e representado socialmente pelos grandes senhores de açúcar e pelos seus aliados, os portugueses residentes em Sergipe. a política sergipana será marcada pelo embate entre as duas forças que representavam os senhores de terra.  os senhores de terra dominavam uma sociedade basicamente rural e isolada em termos de comunicação dos centros mais adiantados da região. as camadas populares não tinham participação, mas demonstravam resistência através de fugas, invasões de cidades, rebeliões, crimes, protestos • Eleições: Momentos violentos em que o partido que ocupava o poder manipulava a seu favor os resultados.  Eram disputas entre facções da classe dominante, cada uma imbuída do desejo de controlar o poder e de demonstrar força sobre sua clientela. • Reflexos da Confederação do Equador (PE-1824): o presidente da província de Sergipe foi deposto acusado de simpatizar com os republicanos pernambucanos: esse episódio contou com o apoio dos Corcundas.  Conflitos: Revolta dos índios de Pacatuba (1827).  Sublevação de escravos dos engenhos da Cotinguiba (1827).  Reflexos da Abdicação de D. Pedro I (1831): As autoridades ligadas aos corcundas relutaram em aclamar o sucessor Pedro II e reprimiram as festas populares. Animosidade contra os portugueses. Uma representação “popular”, apoiada pela tropa, exigiu a demissão do Presidente da Província e de todos os portugueses que exercessem cargos
públicos.  O Presidente renunciou, foram nomeadas novas autoridades e todas as Câmaras Municipais aclamaram o novo Imperador.

2. CONTEXTO HISTÓRICO DURANTE O PERÍODO   REGENCIAL:
 Eleição para a primeira Assembléia Provincial
(1825).  O Partido Corcunda passou a denominar-s de Partido Legal. : A Revolta de Santo Amaro (1836):  Motivo:  A derrota dos corcundas nas eleições.  A falsificação das atas da eleição de Lagarto: provocou a alteração do resultado e contou com o apoio do Presidente da Província (Barão da Cotinguiba). Protestos do Partido Legal (Liberal).  O Conflito: O chefe Corcunda, Sebastião Boto, cercou a vila de Santo Amaro, um dos redutos de resistência dos liberais, fazendo fugir a população que abandonou a vila: 15.11.1836.  foram arrombadas e saqueadas as casas e mortos os habitantes ainda ali encontrados.
 as perseguições aos liberais estendeu-se a outras
vilas, provocando fugas para a Bahia e Alagoas.
 Conseqüências: O Partido Liberal passou a ser chamado“Camundongo” e o Partido Corcunda (Conservador) de “Rapina”.A eleição foi anulada.
 O Presidente foi demitido.  Os participantes do movimento foram anistiados em
1837.

3. SERGIPE DURANTE O 2º REINADO:
 Rapinas e camundongos revezaram-se quase
anualmente no controle do poder provincial: seguindo a política de revezamento de partidos iniciada por D. Pedro II.  Bagaceira (1847): dissidência do Partido Camundongo liderada pelo Barão de Maruim e pelo Barão de Própria.

• A MUDANÇA DA CAPITAL (1855):
Governo de Inácio Joaquim Barbosa: o projeto modernizador de Inácio Joaquim Barbosa, em torno do qual congregaram-se camondongos e rapinas, é um reflexo da Conciliação que estava ocorrendo em nível nacional. Procurou racionalizar o comércio do açúcar e livrá-lo da tutela da Bahia. Promoveu a mudança da capital da Província. Motivos:  Proximidade da região economicamente mais importante, a zona da Cotinguiba: novo centro produtor de açúcar. A decadência do vale do Vasa-Barris: onde se situa São Cristóvão.a nova capital seria uma cidade portuária, o que facilitava o escoamento do açúcar. Aracaju: Cidade Planejada. o plano urbanístico da cidade foi elaborado por Sebastião Pirro e consistia na construção de uma cidade traçada em forma de xadrez.  Em 17 de março de 1855, Dr. Inácio Barbosa sancionou a Resolução nº 413 que ficava elevado a categoria de cidade o Povoado Santo Antonio do Aracaju, com a denominação de cidade de Aracaju. Manifestações Contrárias:  Manifestações por parte da população de São Cristóvão no intuito de impedir a saída das repartições públicas e críticas quanto às condições de habitação, higiene e saúde da população que deveria ali se estabelecer.  João Bebe Água.  A Origem do Nome Aracaju: Hipóteses: corruptela. (corrupção)  Derivada das palavras da língua tupi: ará (papagaio) e acayu (fruto do cajueiro) ® “cajueiro dos papagaios”. − Aracaju significaria “lugar dos cajueiros” ® cajueiral. − Derivada de ara (tempo, época, estação) e caju (fruto do cajueiro). Derivada do termo tupi areaiu. • Partidos Políticos:  o Partido Rapina deixou de existir.  O Partido Camundongo dividiu-se:
− Partido Saquarema (Conservador): criado pelo Barão de Maruim. − Partido Liberal.  Terminavam as antigas denominações locais.

4. SERGIPE E A CRISE DO IMPÉRIO: Abolicionismo e Republicanismo. − o movimento abolicionista tomou força em Sergipe a partir de 1880, principalmente na cidade de Laranjeiras (importante centro exportador de açúcar e maior centro urbano de Sergipe).  O enforcamento em praça pública do líder negro João Mulungu, no século XIX, responsável pela construção de um quilombo nas matas de Sergipe, demonstra que a organização dos quilombos foi a principal forma de rebelião de escravos no Brasil.
O Jornal Horizonte era o veículo divulgador de idéias sobre educação popular e implantação do trabalho livre. − Surgiam reuniões, conferencias e clubes para discutir as novas idéias: profissionais liberais oriundos das camadas médias urbanas.
 O Jornal O Laranjeirense: órgão abolicionista e
Republica no. Fundação do Clube Republicano Federal Laranjeirense: Silvio Romero, Felisbelo Freire, Baltazar de Góis, Josino Meneses. Tanto conservadores quanto liberais aderiram ao regime e ao Partido Republicano a partir de 15 de novembro de 1889.  A Proclamação da República transferiu para Aracaju o centro do movimento republicano.  Os republicanos, inexperientes no exercício do poder, serão sufocados na luta com os velhos políticos e com o poder militar.  Felisbelo Freire foi escolhido como primeiro presidente (governador) do Estado.

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A CULTURA NO SÉCULO XIX:
A população em geral era iletrada, poucos
privilegiados sabiam ler e escrever. Os filhos da elite continuavam a estudar fora da Província.
1832: aparecimento do primeiro jornal  Recompilador Sergipano. Em 1835, surge o Noticiador Sergipense: que publica atos do Governo.  A primeira biblioteca foi fundada em 1848 em São Cristóvão, depois transferida para Aracaju. A Ponte do Imperador foi construída no século XIX, para servir de plataforma de desembarque as margens do rio Sergipe, quando da visita de D. Pedro II. Em 1870 foi criado o Atheneu Sergipense. As primeiras manifestações literárias na Província surgem a partir de 1830.
os primeiro literatos sergipanos são poetas e só a
partir da década de 50 é que a prosa começa a se
desenvolver. A produção literária sergipana gira em torno das tradições culturais de seu povo: a história, lendas e costumes.  A partir da década de 60, o drama, o romance e a poesia crescem. Os intelectuais que se projetaram foram os que saíram da Província. Os livros nada falam sobre as culturas de negros e índios. • Tobias Barreto (1839-1889): Famoso mestre sergipano da Faculdade de Direito do Recife. Criou uma espécie de escola filosófica denominada “Escola do Recife”: introdução no Brasil das mais modernas correntes filosóficas, jurídicas e sociológicas do mundo naqueles tempos. Sólida influência nos meios universitários da Bahia. Introdutor do germanismo na cultura brasileira. Jurista, jornalista, poeta, crítico musical e literário.  Livro de Poesia: Dias e Noites. Demais obras:Estudos Alemães; Monografias em Alemão; Crítica Literária; Crítica da Religião; Menores e loucos; Questões vigentes; Estudos de Direito; entre outras. • Silvio Romero (1851-1914): Jornalista combativo, parlamentar e critico literário: discípulo de Tobias Barreto, fundador da Academia Brasileira de Letras e primeiro historiador da Literatura brasileira. As primeiras manifestações do Folclore sergipano foram assinaladas por Silvio Romero: Cantos e Contos Populares de Sergipe ® congada e folias de reis Obras: História da Literatura Brasileira; Etnologia Selvagem; Ensaios de Sociologia; Interpretação filosófica da crítica; entre outras.

PERÍODO REPUBLICANO
A OLIGARQUIA OLIMPISTA (1900-10):
 No inicio do século XX, a política sergipana registra dois partidos majoritários: Partido Republicano de Sergipe: cabaús.  Partido Republicano Sergipense: pebas.  Olimpio Campos:
tendo conseguido impor-se sobre os velhos políticos como líder dos cabaús, o Monsenhor Olímpio Campos foi presidente do Estado, indicou os seus sucessores no governo, influiu poderosamente na eleição de deputados elegeu-se senador. Nos municípios também eram eleitas sempre pessoas ligadas ao Monsenhor e os empregos públicos eram distribuídos entre os seus correligionários.Manteve controladas as classes subalternas através do esquema de poder e repressão, apoiado pelos coronéis.Procurou contentar as classes dominantes, principalmente aos senhores de engenho, com um plano de recuperação da economia açucareira.  Revolta de Fausto Cardoso (1906):  Definição: Golpe para derrubar o governo olimpista. Motivos: A longa permanência dos olimpistas no poder. A formação de um grupo mais radical da oposição.
A criação do Partido Progressista: oposição radical ao olimpismo.  causa imediata: a visita, pela primeira vez depois de eleito, do deputado federal Fausto Cardoso. O Movimento: No dia 10.08.1906, um contingente da Polícia Militar tomava o Palácio do Governo e depunha o presidente Guilherme Campos.  Formou-se um novo governo com membros (camadas médias urbanas) do Partido Progressista.  O movimento começou em Aracaju, mas espalhou-se por Maruim, Itabaiana, N. S. das Dores, Laranjeiras, Rosário, Itaporanga, Propriá, Divina Pastora, Capela, Riachuelo e Japaratuba.
A Intervenção Federal:  Em 28.08.1906, o governo federal enviou uma força interventora para Sergipe, que depôs os progressistas, retomou todas as sedes municipais e repôs o olimpista Guilherme Campos na presidência do Estado. Fausto Cardoso foi assassinado durante os embates militares da intervenção. Dois meses depois, os filhos de Fausto Cardoso assassinaram Olimpio Campos no Rio de Janeiro.

2. O GOVERNO GRACCHO CARDOSO (1922-26):
Fazia parte do grupo político que dominou Sergipe
de 1910 a 1930: o PRC (Partido Republicano
Conservador).  procurou modernizar a capital e atingiu em certa medida o interior do Estado:
Saneamento. Abastecimento de água.Urbanização e embelezamento. Construção de estradas, pontes e escolas no interior. Revolta de 13 de Julho (1924): Movimento tenentista em Sergipe que promoveu a
deposição de Graccho Cardoso aderindo à revolta
movida em São Paulo para depor o presidente da
república Artur Bernardes. Motivos: A crise política vivida pelo Brasil em âmbito nacional. a presença no 28º BC de oficiais implicados na revolta do Forte de Copacabana (RJ): foco de propaganda do antibernardismo ® oposição ao Governo Federal. causa imediata: a participação de tropas do 28ºBC na deposição do governo baiano J. J. Seabra, indignou os oficiais sergipanos, que se sentiram instrumentos da política vingativa e arbitrária do Presidente da República. O Movimento: os militares depuseram Graccho Cardoso e tomaram as cidades de Aracaju, Carmópolis, Rosário, Japaratuba, Itaporanga e São Cristóvão. Repressão Federal: Os militares foram violentamente derrotados pelas forças militares e pelas tropas formadas pelos “coronéis” sergipanos.  Conseqüências: a violenta repressão gerou grande descontentamento e dividiu a sociedade sergipana em vencidos e vencedores.  Desgastou o governo de Graccho Cardoso e o tornou cada vez mais submisso ao Governo Federal e aos “coronéis”. • Revolta de Augusto Maynard (19.01.1926): Motivos: A repressão aos movimentos tenentistas. A passagem da Coluna Prestes pelo Nordeste.O Movimento: Fugindo da prisão, o tenente Augusto Maynard Gomes, comandou uma operação que a partir do controle do 28ºBC, tentou tomar o Quartel de Polícia e depor o governo. A Repressão:  Graccho Cardoso mobilizou as forças legais ao governo: Augusto Maynard foi ferido e os tenentes
pediram rendição.

3. A REVOLUÇÃO DE 30 EM SERGIPE:
Sergipe não se incorporou dessa vez desde os
primeiros momentos à revolução. em 16.10.1930, o manifesto de Juarez Távora e as tropas revolucionárias foram recebidas festivamente na cidade. Augusto Maynard foi indicado como Interventor  Federal de Sergipe.

4. O GOVERNO DE SEIXAS DÓREA (1962-1964):
Incorporou-se à luta pelas reformas de base do
presidente João Goulart. Participou do comício do 13 de maio no Rio, no qual anunciou a realização da reforma agrária para Sergipe. Essas atitudes provocaram inquietação nos grupos
conservadores.  O golpe militar de 31 de março de 1964, que derrubou João Goulart, também depôs Seixas Dórea.

Resumo da história de Sergipe para Concursos e vestibulares
  Adailton Andrade -pós-graduado em Ensino Superior em História. Pós Graduando em Sociedade e Cultura Sergipana, aluno especial de mestrado em Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe. Membro do IHGSE.
adailton.andrade@bol.com.br