ESCOLA DE APRENDIZES-MARINHEIROS: INSTRUÇÃO PÚBLICA E FORMAÇÃO PROFISSIONAL MARÍTIMA PARA JOVENS MENOS FAVORECIDOS EM SERGIPE
Por Adailton Andrade
No século XIX, a Marinha do Brasil em Sergipe não era apenas uma força de defesa, mas uma das principais instituições de assistência e instrução pública da província. A Companhia de Aprendizes-Marinheiros funcionava como um braço do Estado para acolher, educar e profissionalizar jovens que viviam à margem da sociedade, transformando os chamados "desvalidos" em marinheiros prontos para o serviço da Nação.
Acervo da Biblioteca Nacional :
Entre o rigor militar e o acolhimento social, a Marinha Brasileira em Sergipe tornou-se o destino de órfãos e desvalidos em busca de um ofício e de cidadania no século XIX.
Acervo: Adailton Andrade
Em uma província onde as oportunidades de instrução eram escassas para as camadas populares, a Marinha do Brasil ergueu uma estrutura que misturava disciplina férrea e assistência social. A Companhia de Aprendizes-Marinheiros de Sergipe não era apenas uma escola de guerra; era, para muitos jovens em situação de vulnerabilidade, a única porta de entrada para a alfabetização e uma carreira profissional. Aracaju, 1878.
O recrutamento para a Companhia revelava a face assistencialista do Império. Conforme os Artigos 10º e 11º do regulamento de 1855, as vagas eram preenchidas por um mosaico da sociedade sergipana da época,
No Império do Brasil, as Escolas de
Aprendizes-Marinheiros (EAM)
inicialmente chamadas de Companhias de Aprendizes-Marinheiros, surgiram
como uma solução estratégica para dois grandes problemas da época: a falta de
pessoal qualificado para a Marinha e a necessidade de "dar um
destino" aos jovens pobres e órfãos das áreas urbanas.
De acordo com os Relatórios dos
Presidentes de Província, esta Instituição foi pleiteada por alguns Presidentes
desde o início da década de 1860, sob a justificativa de que promoveria o
atendimento às crianças e jovens órfãos existentes em Sergipe (RELATÓRIO,
1960). Em 20 de junho de 1864, assumia a presidência da Província Cincinato
Pinto da Silva, que permaneceu no cargo até 1865.
Assim como o presidente que o
antecedeu, Dr. Thomaz Alves Júnior, Cincinato Pinto da Silva também solicitou
ao Ministro da Marinha a criação de uma Companhia de Aprendizes Marinheiros
para Sergipe. Segundo ele, existia uma quantidade imensa de crianças que, por
falta dos pais e de meios de subsistência, vagavam ociosas pelas praias e
povoados, deixando de frequentar as escolas e a igreja. Por isso, era
necessário educá-las e moralizá-las e, em sua opinião, nenhuma instituição
seria mais proveitosa que a de Aprendizes Marinheiros.
Portanto, criada em 29 de fevereiro
de 1868, pelo Decreto Imperial nº 4.112, a Companhia de Aprendizes Marinheiros
de Sergipe visava o atendimento de crianças abandonadas e carentes. Além da
promoção de mão-de-obra especializada, diminuindo os índices de criminalidade
favorecendo uma formação básica nas primeiras letras e nos fazeres de
marinheiros.
Seu funcionamento era regulado
pelas disposições do Decreto nº 1.517 de 04 de janeiro de 1855, que definia o
seu público-alvo, condições de acesso, educação oferecida, permanência, dentre
outros elementos. Nos Artigos 15, 16 e 17, estão definidas as propostas para a
formação dos aprendizes na associação entre instrução e formação para o
trabalho. De acordo com o Presidente da Província, em 1875, a Companhia de
Aprendizes Marinheiros de Sergipe oferecia instrução militar, técnica e
primária às crianças e jovens desamparados, mas, em 1876 foi que se verificou
uma maior aceitação da população, nesse período a Companhia Sergipana contava
com a matrícula de 81 alunos. Fato que levou a Vice-Presidente da Província a
afirmar que a repugnância que ao princípio manifestou o povo em admitir os seus
filhos menores na Companhia de Aprendizes vai desaparecendo, tem alcançado que
os meninos são bem-tratados, educados com desvelo e adquirem conhecimentos de
um meio de vida decente para os futuros dias.
A Companhia de Aprendizes
Marinheiros de Sergipe funcionou até 1885 e seu fechamento aconteceu em
decorrência do elevado gasto que onerava aos cofres públicos em função do seu
quadro efetivo estar sempre aquém do número desejado. Foi através do Decreto nº
9.371 de 14 de fevereiro de 1885 que as Companhias foram reduzidas,
reorganizadas e administradas por um novo regulamento, passando a denominar-se
Escolas de Aprendizes Marinheiros, com o fim de educar e preparar marinheiros
para os diversos serviços da marinha, sendo reduzidas nacionalmente, de 18 para
12 Escolas.
Decorridos vinte anos do seu
fechamento, a instituição volta a funcionar em 1905 com o nome de Escola de
Aprendizes Marinheiros, obedecendo à nova organização estabelecida pelo Decreto
nº 9. 371 de 14 de fevereiro de 18853 e conforme o Decreto nº 5532 de 05 de maio
de 1905. Nesse momento, sua proposta educacional sofreu algumas alterações,
dentre elas: a idade do menor foi modificada para 13 a 16 anos, o ensino foi
dividido em elementar e profissional e incentivou-se a entrada de aprendizes já
alfabetizados.
A criação dessas Companhias (que
posteriormente receberam o nome de escolas) foi uma tentativa que a Marinha
Brasileira encontrou para oferecer marinheiros qualificados para servir a
nação. Porém para formar esse marinheiro eram necessários a disciplinarização e
manipulação do corpo, bem como o treinamento desses aprendizes. Sobre esse
assunto versará o próximo e último tópico.
A Reforma de 1907 impinge novo
regulamento às Escolas de Aprendizes Marinheiros por meio do Decreto N. 6582 de
1 de agosto de 1907 e a disciplina é reforçada através do sistema de
recompensas. Nesse sentido, os aprendizes poderiam passar o mês de férias na
casa dos pais ou tutores, sendo necessário que os responsáveis solicitassem
isso por escrito ao comandante e que não houvesse nenhuma inconveniência
registrada por parte dos menores (Art. 79).
Pode-se
verificar que ao longo dos regulamentos citados a questão da disciplina nas
instituições de aprendizes marinheiros esteve presente, a maneira de exercê-la,
porém, muda com o passar dos anos. A disciplina que pune também gratifica, e as
recompensas deveriam ser estimuladas em vez do castigo. Muda-se a estratégia,
mas a coerção sob os aprendizes em nome da disciplina militar perdurará por
toda a existência dessa instituição
Em 1923 Aracaju parou para ver os
hidroaviões pousarem nas águas do Rio Sergipe. Naquela época, a aviação era uma
fronteira quase mágica, e ver a Marinha do Brasil dominando os céus e os mares
era motivo de imenso orgulho cívico. A recepção não foi apenas uma festa, mas
um ato de hierarquia militar e civil. O Governador Graccho Cardoso, conhecido
por seu espírito progressista, liderou as homenagens, reforçando os laços entre
o Governo Estadual e a União (representada pela Marinha)
A Escola de Aprendizes-Marinheiros representou uma das primeiras tentativas sistemáticas de oferecer instrução pública e profissionalizante em Sergipe. Ao focar em jovens menos favorecidos, a Marinha não apenas garantia seu quadro efetivo, mas oferecia uma trajetória de dignidade através do trabalho e da instrução, deixando um legado profundo na história da educação marítima brasileira.
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Fonte de pesquisas :
COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS DE SERGIPE: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE CORPO E GÊNERO - Solyane Silveira Lima
Curvello de Mendonça, um republicano da anarquia rural
Esse nome significa a de um grande intelectual que votou toda a sua
vida ao estudo, especializando-se nos assuntos econômicos em que se faz
mestre dos mais notáveis. Manoel Curvello de Mendonça (1870-1914),
defensor erudito e interessado nos problemas que dizem respeito ao
Brasil, apagando-se da vida esse grande espírito, não podemos deixar de
tributar a devida homenagem ao eminente publicista sergipano, que abriu
enorme vácuo na legião dos abnegados defensores dos interesses
nacionais.
Jornalista vigoroso duma ilustração criteriosa e assentada na
solidez de profundo estudos, tendo acima de tudo uma finíssima arte de
observação e análise. É extraordinário o seu amor e interesse por todos
os assuntos nacionais, pelos quais mais se devota a sua incansável
atividade de publicista. Trabalhador honesto que nunca descansou na
missão de que se achava encarregado.
O Republicano
O Republicano foi um importante veículo de propaganda durante o
período do movimento republicano em Sergipe, no final do século XIX e
início do XX, atuando junto ao Clube Republicano local para agitar a
ideia da República e influenciar a elite intelectual e política da
região: Ano I, nº 1, Laranjeiras, 11 de novembro de 1888 – órgão do
Partido Republicano, distribuição gratuita. Quatro páginas numeradas e
três colunas. Impresso na Tipografia do Laranjeirense. Trazia o seguinte
aviso na página principal:
Encetamos hoje a publicação do órgão republicano. Até
dezembro próximo a distribuição será gratuita, passando de janeiro em
diante a fazer-se as assinaturas, quando o jornal aumentará o formato.
Prevenimos, pois, aos ilustres cidadãos que aceitarem os números deste
jornal até essa data, serão considerados assinantes.
A partir da edição de 1º de janeiro de 1889, aparece na primeira página do jornal o corpo redacional:
Silvio Romero, João Ribeiro, Lima Junior, Martins Junior, José
Leandro, Virgílio de Lemos, Moreira Guimarães, Leonidio Porto, Evaristo
de Moraes, Josino Menezes, Dr. O. Dantas, Nolasco, Coriolano, Tupy e
Ratcliff. Redator Chefe, Felisbello Freire. Proprietário e Diretor:
Joaquim Anastácio de Menezes. Da Corte colaboravam vários republicanos,
jornalistas e políticos: Lopes Trovão, Silva Jardim, José Bonifácio,
Evaristo de Moraes, Virgílio de Lemos, [1]Alberto Sales e outros.
Colaboração de Manoel Curvello de Mendonça, no jornal A República: A República em Sergipe, Ano I, nº3 – 21 de novembro de 1888 (pseudônimo, Luckner); Pela República. Ano I, – 6 de janeiro de 1889. (pseudônimo Luckner); A conferência do dr. Homero Dantas. Ano I, nº 10, 13 de janeiro de 1889 (pseudônimo Luckner); Depois da Abolição a Escravidão. Ano I, nº 13,3 de fevereiro de 1889. (pseudônimo Luckner); Horácio Hora. nº 151, 1º de junho de 1890. (M. C. de Mendonça); Correspondência de Pernambuco. nº 88, 28 de abril de 1891. (M. C. de Mendonça).
Manoel Curvello de Mendonça, Filho de Antônio Curvello de Mendonça (1850-1914), agricultor [2]
e D. Bárbara,
nasceu a 29 de julho de 1870 no engenho Quintas de propriedade da
família, no povoado de Riachuelo, Sergipe. [3]
O casal teve vários filhos, alguns como: Cecília, Anna, Amélia, Débora,
Antonina, Abigail e Geonísio (Curvello de Mendonça n. 1877). Criado e
educado na próspera cidade de Laranjeiras, distante aproximadamente duas
léguas de Riachuelo, fez seus estudos complementares, inclusive os
exames preparatórios no Atheneu Sergipense que teve início a partir de 5
de novembro de 1889, nas disciplinas História, Retórica e Filosofia,
informa A Reforma, nº159, 7 de novembro de 1889.
Vejamos o que diz sobre o aluno Curvello de Mendonça, o republicano
Baltazar de Araújo Goes (1853-1913), diretor do Liceu Laranjeirense:
É de ótima índole ne inteligência bem clara e bem aplica ao cultivo das letras.
Estudou a maior parte de seus preparatórios na cidade de
Laranjeiras, no Colégio Liceu Laranjeirense, começando em 1883. Seu
grande aproveitamento, provado por seus exames, foi resultado da boa
aplicação de sua inteligência. [4]
O Liceu Laranjeirense fundado em 1882, instituição particular
dirigido pelo professor Balthazar de Araújo Goes, figura de destaque no
movimento republicano provincial, sendo um dos integrantes da Junta
Provisória que assumiu o governo de Sergipe quando da Proclamação da
República. Eficiente no ensino secundário, o Liceu Laranjeirense,
conseguiu um corpo de excelentes professores, sendo alguns deste,
mestres consagrados do Atheneu Sergipense. Sua criação veio suprir a
deficiência da Região, para atender aos reclames dos senhores de engenho
ou usineiros, desejosos por uma educação primorosa para seus filhos.
Portanto, o Liceu era considerado o mais importante centro
educacional da província, de onde saíram jovens alunos, que se
destacaram na vida pública, ingressando em seguida às melhores
Faculdades e Academias de Letras, ciências e militares do país. Muitos
desses alunos como Laudelino Freire, Arthur Moreira, João Barroso,
Antônio Dantas, Samuel de Oliveira e o próprio Manoel Curvello de
Mendonça.
Fundada em 1605, Laranjeiras é a segunda cidade mais antiga de
Sergipe. Em 6 de fevereiro de 1835, elevada a freguesia, ficou
desmembrada de N. S. do Socorro da Cotiguiba. Laranjeiras no século XIX
fazia parte de uma região com grande poder econômico. Era grande
produtora de mandioca e coco, mas tinha na indústria açucareira sua
principal fonte de renda. Só não se tornou a capital de Sergipe por
conta de manobras políticas, dos partidos liberal e conservador.
É uma das poucas cidades onde se pode ver a força da
arquitetura colonial: ruas, casarios, igrejas, tudo respira a mais pura
história. Berço da cultura e da propaganda republicana, educação,
política e da economia sergipana, a cidade era denominada como a “Atenas
Sergipana”
No artigo “Uma fase histórica de Laranjeiras”, escrito por Curvello
de Mendonça, publicado no Almanack Sergipano para o ano de 1899, diz o
seguinte:
Era uma cidade afamada. Os médicos buscavam-na para
centro de sua clínica, os advogados encontravam nela o foro mais ativo e
rendoso da Província; finalmente, as classes industriais ai viam o
melhor mercado para os seus produtos, nessa feira laranjeirense dos dias
de sábado, notabilíssima pela abundância e variedades de gêneros, pela
convivência de pessoas e atividade comercial que desenvolviam.
O jovem Curvello de Mendonça segue para Pernambuco e se matricula na
Faculdade de Direito do Recife, onde recebe o grau de bacharel em
ciências jurídicas e sociais, em dezembro de 1892. No ano seguinte,
registra O Republicano de 2 de fevereiro, nº 58, chegada ao porto de
Aracaju:
Na companhia do digno cidadão Manoel Curvello de
Mendonça, sra. Ana Curvello Freire, vistosa consorte do governador deste
Estado, seus inocentes filhinhos, sua irmã, a exma. Sra. D. Estaquia
Curvello e a menina Maria Curvello, filha deste.
Curvello permanece alguns dias em Aracaju com seus
familiares e retorna à Recife no vapor Jacuípe, chegando a esta cidade
em 13 de março de 1890. Curvello cursa o primeiro ano na Faculdade de
Direito, plenamente. Neste mesmo ano, informa A Província, do Recife de
15 de outubro, que o Círculo dos Estudantes Católicos de Pernambuco,
efetuou a eleição de sua diretoria, sendo escolhido como 1º Orador, o
acadêmico Manoel Curvello de Mendonça. Em 16 de dezembro do corrente,
registra O Republicano nº 310, a chegada em Aracaju, do paquete
Jaboatão, procedente do Recife, tendo saído a 10 de dezembro:
No Jaboatão chegou a esta capital o talentoso moço
sergipano Manoel Curvello de Mendonça, filho de nosso prezado amigo
Antônio Curvello de Mendonça.
Estimando-o pelo que mostra de sisudez e revela de inteligência, abraçamo-lo afetuosamente.
Registra O Republicano de Laranjeiras que:
Publicamos hoje a primeira correspondência do
Recife. Traçou-o o acadêmico Manoel Curvello de Mendonça. Nosso
particular amigo, e conterrâneo, que naquela capital vai fazendo com
vantagem os seus primeiros ensaios jornalísticos nas colunas da Era
Nova, de cuja redação faz parte. [5]
O Acadêmico de Direito
A Faculdade de Direito do Recife, foi criada em 11 de agosto de 1817
por decreto de D. Pedro I, originalmente instalada no Mosteiro de São
Bento, em Olinda, antes de se transferir para a capital pernambucana em
1854. É uma das instituições de ensino superior mais antiga do Brasil,
fundamental para o Direito e berço da “Escola do Recife”.
Entre 1890 e 1892, período em que Manoel Curvello de Mendonça conclui
o curso, a Faculdade de Direito do Recife foi um caldeirão de
efervescência política logo após a Proclamação da República, marcado por
intenso debate intelectual e conflitos ideológicos. Estudantes e
professores participaram de agitações ligadas à construção do novo
regime, enfrentando tensões entre correntes positivistas, liberais e
federalistas, além de participar de debates sobre as lutas operárias na
região. Vejamos:
Os estudantes de Direito, reunidos em uma das salas da
Faculdade, aprovaram a modificação feita no telegrama expedido ao
Presidente da República publicado ontem pelo Jornal do Recife.
O telegrama expedido é conhecido nos seguintes termos:
Depois trataram da agressão brutal feita a um colega pelo subdelegado
e comissário de polícia de Boavista, resolveram esperar dois dias pelo
cumprimento das promessas dos cidadãos Governador e Chefe de Polícia,
cônscios de que esses representantes do poder público procederão com
justiça. [6]
O grave incidente, foi bastante divulgado na impressa, não somente
local, alcançou outros estados do nordeste. A Província, publicou o
manifesto assinado por 141 alunos da Faculdade de Direito, protestando
contra a prisão e demissão do Dr. J. J. Seabra, lente da mesma
Faculdade. [7]
A famosa relação dos Ex-alunos notáveis (1832-2007), aqueles que
desempenharam papeis fundamentais na história política, intelectual e
artística do Brasil, o nome de Manoel Curvello de Mendonça foi excluído.
Sinal de que a própria instituição, desconhece totalmente a
participação desse arguto republicano socialista que pensava o Brasil em
suas grandes dimensões.
Novos Informes da Imprensa
Reuniram-se ontem, em uma das salas da Faculdade, muitos
alunos dos respectivos cursos com o fim de deliberar sobre uma
representação em que se pedisse ao Governo Federal a permanência ao Dr.
J. J. Seabra no cargo de diretor da Faculdade.
Chegando, porém, ao conhecimento dos manifestantes que os
jornais da manhã haviam noticiado constar que o Governador manteria os
atuais diretores das faculdades jurídicas, foi então nomeada uma
comissão, composta dos Srs. Junqueira, Américo Velozo, Cunha Valle,
Câncio e Argollo, para inteirar o Dr. Seabra dos intuitos da reunião e
felicita-lo pela nova resolução de governo.
Constando também, por essa ocasião achar-se enfermo, em
Caxangá, o lente aposentado Dr. Francisco Pinto Pessoa, resolveram os
Srs. Acadêmicos designar os seus colegas Tourinho, Chaves e Santiago
para irem visitar o seu antigo mestre e presentear-lhe protestos de
consideração por parte do corpo acadêmico. [8]
Em 20 abril de 1891 com outros quinze companheiros, Curvello de
Mendonça assina em Caxangá o manifesto “Ao País”, que expunha a sua
insatisfação ao governo do marechal Deodoro da Fonseca, que governou
como presidente provisório e, após eleição indireta, constitucional até
23 de novembro de 1891, quando renunciou. [9]
O sonho Republicano na Corte
Em 1892 Mendonça encontra-se no 5º ano cursando as seguintes
disciplinas na Faculdade de Direito de Pernambuco: Economia,
Administrativo, Processo e Prática. No ano seguinte, Curvello fixa
residência no Rio de Janeiro onde abraça a carreira do magistério e da
imprensa. Muito moço foi nomeado chefe de seção da Intendência Municipal
do Distrito Federal, em seguida é contemplado com uma nomeação em 1894,
lente de direito mercantil e economia política, além de assumir a
direção do Instituto Comercial. [10]
Criado como parte da reforma educacional do início da República o
Pedagogium, importante Museu Pedagógico Nacional fundado no Rio de
Janeiro em 1890/1919, durante a República Velha, atuando como um centro
de modernização educacional que expunha materiais inovadores, métodos de
ensino e até o primeiro laboratório de psicologia experimental do
Brasil. Boa parte do quadro docente do Museu também atuava no Instituto
Comercial do Rio de Janeiro, era o caso dos professores Manoel Curvello
de Mendonça, professor de Economia política no Pedagoguim e diretor e
professor do Instituto Comercial; Sebastião Edmundo Marinho e Silva,
professor de História Natural; Luiz Carlos Zamith, professor de
Matemática; Antônio Tavares da Costa, professor de Escrituração
mercantil; Francolino Cameu, professor de Estenografia; Luiz Pedro
Drago, professor de Matemática e Jasper Lafayett, professor de inglês
(Almanaque Laemmert, 1895).
O Republicano
O Republicano foi um importante veículo de propaganda durante o
período do movimento republicano em Sergipe, no final do século XIX e
início do XX, atuando junto ao Clube Republicano local para agitar a
ideia da República e influenciar a elite intelectual e política da
região: Ano I, nº 1, Laranjeiras, 11 de novembro de 1888 – órgão do
Partido Republicano, distribuição gratuita. Quatro páginas numeradas e
três colunas. Impresso na Tipografia do Laranjeirense. Trazia o seguinte
aviso na página principal:
Encetamos hoje a publicação do órgão republicano. Até
dezembro próximo a distribuição será gratuita, passando de janeiro em
diante a fazer-se as assinaturas, quando o jornal aumentará o formato.
Prevenimos, pois, aos ilustres cidadãos que aceitarem os números deste
jornal até essa data, serão considerados assinantes.
A partir da edição de 1º de janeiro de 1889, aparece na primeira página do jornal o corpo redacional:
Silvio Romero, João Ribeiro, Lima Junior, Martins Junior, José
Leandro, Virgílio de Lemos, Moreira Guimarães, Leonidio Porto, Evaristo
de Moraes, Josino Menezes, Dr. O. Dantas, Nolasco, Coriolano, Tupy e
Ratcliff. Redator Chefe, Felisbello Freire. Proprietário e Diretor:
Joaquim Anastácio de Menezes. Da Corte colaboravam vários republicanos,
jornalistas e políticos: Lopes Trovão, Silva Jardim, José Bonifácio,
Evaristo de Moraes, Virgílio de Lemos, [1]Alberto Sales e outros.
Colaboração de Manoel Curvello de Mendonça, no jornal A República: A República em Sergipe, Ano I, nº3 – 21 de novembro de 1888 (pseudônimo, Luckner); Pela República. Ano I, – 6 de janeiro de 1889. (pseudônimo Luckner); A conferência do dr. Homero Dantas. Ano I, nº 10, 13 de janeiro de 1889 (pseudônimo Luckner); Depois da Abolição a Escravidão. Ano I, nº 13,3 de fevereiro de 1889. (pseudônimo Luckner); Horácio Hora. nº 151, 1º de junho de 1890. (M. C. de Mendonça); Correspondência de Pernambuco. nº 88, 28 de abril de 1891. (M. C. de Mendonça).
Breve trajetória
Manoel Curvello de Mendonça, Filho de Antônio Curvello de Mendonça (1850-1914), agricultor [2]
e D. Bárbara,
nasceu a 29 de julho de 1870 no engenho Quintas de propriedade da
família, no povoado de Riachuelo, Sergipe. [3]
O casal teve vários filhos, alguns como: Cecília, Anna, Amélia, Débora,
Antonina, Abigail e Geonísio (Curvello de Mendonça n. 1877). Criado e
educado na próspera cidade de Laranjeiras, distante aproximadamente duas
léguas de Riachuelo, fez seus estudos complementares, inclusive os
exames preparatórios no Atheneu Sergipense que teve início a partir de 5
de novembro de 1889, nas disciplinas História, Retórica e Filosofia,
informa A Reforma, nº159, 7 de novembro de 1889.
Vejamos o que diz sobre o aluno Curvello de Mendonça, o republicano
Baltazar de Araújo Goes (1853-1913), diretor do Liceu Laranjeirense:
É de ótima índole ne inteligência bem clara e bem aplica ao cultivo das letras.
Estudou a maior parte de seus preparatórios na cidade de
Laranjeiras, no Colégio Liceu Laranjeirense, começando em 1883. Seu
grande aproveitamento, provado por seus exames, foi resultado da boa
aplicação de sua inteligência. [4]
O Liceu Laranjeirense fundado em 1882, instituição
particular dirigido pelo professor Balthazar de Araújo Goes, figura de
destaque no movimento republicano provincial, sendo um dos integrantes
da Junta Provisória que assumiu o governo de Sergipe quando da
Proclamação da República. Eficiente no ensino secundário, o Liceu
Laranjeirense, conseguiu um corpo de excelentes professores, sendo
alguns deste, mestres consagrados do Atheneu Sergipense. Sua criação
veio suprir a deficiência da Região, para atender aos reclames dos
senhores de engenho ou usineiros, desejosos por uma educação primorosa
para seus filhos.
Portanto, o Liceu era considerado o mais importante centro
educacional da província, de onde saíram jovens alunos, que se
destacaram na vida pública, ingressando em seguida às melhores
Faculdades e Academias de Letras, ciências e militares do país. Muitos
desses alunos como Laudelino Freire, Arthur Moreira, João Barroso,
Antônio Dantas, Samuel de Oliveira e o próprio Manoel Curvello de
Mendonça.
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Fundada em 1605, Laranjeiras é a segunda cidade mais antiga de
Sergipe. Em 6 de fevereiro de 1835, elevada a freguesia, ficou
desmembrada de N. S. do Socorro da Cotiguiba. Laranjeiras no século XIX
fazia parte de uma região com grande poder econômico. Era grande
produtora de mandioca e coco, mas tinha na indústria açucareira sua
principal fonte de renda. Só não se tornou a capital de Sergipe por
conta de manobras políticas, dos partidos liberal e conservador.
É uma das poucas cidades onde se pode ver a força da
arquitetura colonial: ruas, casarios, igrejas, tudo respira a mais pura
história. Berço da cultura e da propaganda republicana, educação,
política e da economia sergipana, a cidade era denominada como a “Atenas
Sergipana”
No artigo “Uma fase histórica de Laranjeiras”, escrito por Curvello
de Mendonça, publicado no Almanack Sergipano para o ano de 1899, diz o
seguinte:
Era uma cidade afamada. Os médicos buscavam-na para
centro de sua clínica, os advogados encontravam nela o foro mais ativo e
rendoso da Província; finalmente, as classes industriais ai viam o
melhor mercado para os seus produtos, nessa feira laranjeirense dos dias
de sábado, notabilíssima pela abundância e variedades de gêneros, pela
convivência de pessoas e atividade comercial que desenvolviam.
O jovem Curvello de Mendonça segue para Pernambuco e se matricula na
Faculdade de Direito do Recife, onde recebe o grau de bacharel em
ciências jurídicas e sociais, em dezembro de 1892. No ano seguinte,
registra O Republicano de 2 de fevereiro, nº 58, chegada ao porto de
Aracaju:
Na companhia do digno cidadão Manoel Curvello de
Mendonça, sra. Ana Curvello Freire, vistosa consorte do governador deste
Estado, seus inocentes filhinhos, sua irmã, a exma. Sra. D. Estaquia
Curvello e a menina Maria Curvello, filha deste.
Curvello permanece alguns dias em Aracaju com seus
familiares e retorna à Recife no vapor Jacuípe, chegando a esta cidade
em 13 de março de 1890. Curvello cursa o primeiro ano na Faculdade de
Direito, plenamente. Neste mesmo ano, informa A Província, do Recife de
15 de outubro, que o Círculo dos Estudantes Católicos de Pernambuco,
efetuou a eleição de sua diretoria, sendo escolhido como 1º Orador, o
acadêmico Manoel Curvello de Mendonça. Em 16 de dezembro do corrente,
registra O Republicano nº 310, a chegada em Aracaju, do paquete
Jaboatão, procedente do Recife, tendo saído a 10 de dezembro:
No Jaboatão chegou a esta capital o talentoso moço
sergipano Manoel Curvello de Mendonça, filho de nosso prezado amigo
Antônio Curvello de Mendonça.
Estimando-o pelo que mostra de sisudez e revela de inteligência, abraçamo-lo afetuosamente.
Registra O Republicano de Laranjeiras que:
Publicamos hoje a primeira correspondência do
Recife. Traçou-o o acadêmico Manoel Curvello de Mendonça. Nosso
particular amigo, e conterrâneo, que naquela capital vai fazendo com
vantagem os seus primeiros ensaios jornalísticos nas colunas da Era
Nova, de cuja redação faz parte. [5]
O Acadêmico de Direito
A Faculdade de Direito do Recife, foi criada em 11 de agosto de 1817
por decreto de D. Pedro I, originalmente instalada no Mosteiro de São
Bento, em Olinda, antes de se transferir para a capital pernambucana em
1854. É uma das instituições de ensino superior mais antiga do Brasil,
fundamental para o Direito e berço da “Escola do Recife”.
Entre 1890 e 1892, período em que Manoel Curvello de Mendonça conclui
o curso, a Faculdade de Direito do Recife foi um caldeirão de
efervescência política logo após a Proclamação da República, marcado por
intenso debate intelectual e conflitos ideológicos. Estudantes e
professores participaram de agitações ligadas à construção do novo
regime, enfrentando tensões entre correntes positivistas, liberais e
federalistas, além de participar de debates sobre as lutas operárias na
região. Vejamos:
Os estudantes de Direito, reunidos em uma das salas da
Faculdade, aprovaram a modificação feita no telegrama expedido ao
Presidente da República publicado ontem pelo Jornal do Recife.
O telegrama expedido é conhecido nos seguintes termos:
Depois trataram da agressão brutal feita a um colega pelo subdelegado
e comissário de polícia de Boavista, resolveram esperar dois dias pelo
cumprimento das promessas dos cidadãos Governador e Chefe de Polícia,
cônscios de que esses representantes do poder público procederão com
justiça. [6]
O grave incidente, foi bastante divulgado na impressa, não somente
local, alcançou outros estados do nordeste. A Província, publicou o
manifesto assinado por 141 alunos da Faculdade de Direito, protestando
contra a prisão e demissão do Dr. J. J. Seabra, lente da mesma
Faculdade. [7]
A famosa relação dos Ex-alunos notáveis (1832-2007), aqueles que
desempenharam papeis fundamentais na história política, intelectual e
artística do Brasil, o nome de Manoel Curvello de Mendonça foi excluído.
Sinal de que a própria instituição, desconhece totalmente a
participação desse arguto republicano socialista que pensava o Brasil em
suas grandes dimensões.
Novos Informes da Imprensa
Reuniram-se ontem, em uma das salas da Faculdade, muitos
alunos dos respectivos cursos com o fim de deliberar sobre uma
representação em que se pedisse ao Governo Federal a permanência ao Dr.
J. J. Seabra no cargo de diretor da Faculdade.
Chegando, porém, ao conhecimento dos manifestantes que os
jornais da manhã haviam noticiado constar que o Governador manteria os
atuais diretores das faculdades jurídicas, foi então nomeada uma
comissão, composta dos Srs. Junqueira, Américo Velozo, Cunha Valle,
Câncio e Argollo, para inteirar o Dr. Seabra dos intuitos da reunião e
felicita-lo pela nova resolução de governo.
Constando também, por essa ocasião achar-se enfermo, em
Caxangá, o lente aposentado Dr. Francisco Pinto Pessoa, resolveram os
Srs. Acadêmicos designar os seus colegas Tourinho, Chaves e Santiago
para irem visitar o seu antigo mestre e presentear-lhe protestos de
consideração por parte do corpo acadêmico. [8]
Em 20 abril de 1891 com outros quinze companheiros, Curvello de
Mendonça assina em Caxangá o manifesto “Ao País”, que expunha a sua
insatisfação ao governo do marechal Deodoro da Fonseca, que governou
como presidente provisório e, após eleição indireta, constitucional até
23 de novembro de 1891, quando renunciou. [9]
O sonho Republicano na Corte
Em 1892 Mendonça encontra-se no 5º ano cursando as seguintes
disciplinas na Faculdade de Direito de Pernambuco: Economia,
Administrativo, Processo e Prática. No ano seguinte, Curvello fixa
residência no Rio de Janeiro onde abraça a carreira do magistério e da
imprensa. Muito moço foi nomeado chefe de seção da Intendência Municipal
do Distrito Federal, em seguida é contemplado com uma nomeação em 1894,
lente de direito mercantil e economia política, além de assumir a
direção do Instituto Comercial. [10]
Criado como parte da reforma educacional do início da República o
Pedagogium, importante Museu Pedagógico Nacional fundado no Rio de
Janeiro em 1890/1919, durante a República Velha, atuando como um centro
de modernização educacional que expunha materiais inovadores, métodos de
ensino e até o primeiro laboratório de psicologia experimental do
Brasil. Boa parte do quadro docente do Museu também atuava no Instituto
Comercial do Rio de Janeiro, era o caso dos professores Manoel Curvello
de Mendonça, professor de Economia política no Pedagoguim e diretor e
professor do Instituto Comercial; Sebastião Edmundo Marinho e Silva,
professor de História Natural; Luiz Carlos Zamith, professor de
Matemática; Antônio Tavares da Costa, professor de Escrituração
mercantil; Francolino Cameu, professor de Estenografia; Luiz Pedro
Drago, professor de Matemática e Jasper Lafayett, professor de inglês
(Almanaque Laemmert, 1895).
Sociedade União Agrícola
Em 1901, a Sociedade Agrária da cidade de Laranjeiras, presidida por
Antônio Curvello de Mendonça, pai do jornalista Manoel Curvello de
Mendonça, participa do Congresso de Agricultura no Rio de Janeiro. Em
ofício [11]
dirigido ao presidente do Congresso, louva na patriótica iniciativa dos
seus organizadores, e apresenta como seu delegado o Dr. Manoel Curvello
de Mendonça. Segundo o deputado federal por Sergipe, Fausto Cardoso
(1864-1906), em discurso publicado no Diário Oficial de 8 de outubro de
1901 (Anais da Câmara) afirma ter recebido em 18 de junho, um telegrama
circular da União Agrícola, de Laranjeiras:
Laranjeiras, 18 de junho de 1901, – Deputado Fausto Cardoso –
Rio – Solicitamos representação Sergipe adquira auxilio lavoura Estado
ameaçado ruina afim atravessar crise atual. – Diretoria União Agrícola.
Em 20 do mês, sobre o mesmo assunto O Estado de Sergipe, órgão do
Governo, reconhecendo a crise enfrentada pelos agricultores da região,
diz o seguinte:
A digna diretoria da Sociedade União Agrícola da cidade de
Laranjeiras, não tendo meio para conjugar a crise cruel por que está
passando a depauperada agricultura do Estado, deliberou dirigir-se por
telegrama aos exms. representantes do mesmo, no Senado e na Câmara,
solicitando-lhes adquirissem os auxílios de que urgentemente necessita a
referida agricultura.
Além disso, trouxe o seu alvitre ao conhecimento de S. Ex., o
sr. Presidente do Estado, pedindo-lhe que com a valiosa influência de
que dispõe entre os amigos da capital Federal, nas duas casas do
Congresso, ampare e secundo a sua solicitação, dirigindo-se aos mesmos.
Fazemos os mais calorosos votos para que sejam coroados dos
mais lisonjeiros resultados os intuitos da honrada e patriótica
associação laranjeirense.
Novas Publicações
Em 1896, Curvello publica “A Construção no Brasil” na Revista do
Instituto Didático, nº4, Ano I (publicação mensal), Rio de Janeiro, cujo
redatores eram Duque-Estrada (1870-1927) e Laudelino Freire
(1873-1937). [12]
Em junho de 1904 foi lançado o semanário O Subúrbio, destinado a
defender os interesses do povo, cujo proprietário J. Vigier & C.,
tem como diretor Américo de Albuquerque e um corpo de redação, do qual
fazem parte, entre outros Fábio Luz, Vital Fontenelle, Silva Nunes.
Entre os colaboradores estão Curvello de Mendonça, Guimarães Passos,
Eliza Scheld, Lima Campos. Pedro Couto, Luiz Muriat, Cândido Jucá e
outros. O conteúdo dos artigos do mais palpitante interesse para a zona
suburbana.
Curvello nutria uma grande admiração pelo jornalista
republicano e colaborador do jornal O Republicano, Silva Jardim
(1860-1891), advogado e ativista, orador inflamado nos comícios,
defendia uma republica popular, mas foi marginalizado após sua
proclamação. Motivado por sua retórica, publica nos Anais, nº78, Rio de
Janeiro, em 1906 o ensaio “A Morte de Silva Jardim”.
Em 7 de dezembro de 1907, na qualidade de delegado, emissário do
governo federal encarregado de promover a representação de alguns
Estados do Norte, a Exposição Nacional de 1908, Mendonça realiza
conferência no palacete da Phenix Caxeiral (Ceará), propagando a
realização da futura Exposição no Rio de Janeiro.
Entre os anos de 1906 e 1908, Curvelho de Mendonça publica na Revista
Agrícola, órgão da Sociedade Sergipana de Agricultora, vários artigos:
Aspectos Econômicos (15 de dezembro, 1906); A crise do Açúcar (15 de
setembro, 1906); Notícias Diversas (15. Setembro, 1906); Notícias
Diversas (15, dezembro, 1906) e Notícias Diversas (1º, agosto, 1908).
Em maio de 1909, a Sociedade União dos Empregados no
Comércio do Rio de Janeiro, promoveu algumas conferências públicas,
realizada no Museu Comercial. O título da conferência de Curvello, foi
“O Comércio e a escravidão econômica. Foram muitas as conferências
realizadas por Curvello, durante a sua trajetória de publicista. Dois
anos depois, em 28 de setembro encontra-se em Campos (RJ), realizando
mais uma conferência açucareira. Em outubro desse ano, classifica-se em
1º lugar, para o cargo de Redator dos Debates da Câmara Federal.
A realização da 4ª Conferência Açucareira de setembro de
1911, em Campos (RJ), contou com a presença de Sergipe, com os seguintes
representantes: coronel Antônio Curvello de Mendonça, Antônio do Prado
Franco (1880) e coronel Gonçalo de Faro Rollemberg (1860-1927).
Em 1912, o professor Manoel Curvello de Mendonça foi nomeado
para a cadeira de economia nacional, história da indústria
contemporânea da Escola Normal, registra o Correio da Manhã de 13 de
maio. No início do ano de 1913 a Sociedade Mineira de Agricultura,
promove a realização em sua sede, uma série de conferências públicas,
sobre teses agrícolas, em continuação a série iniciada pelo Dr. Carlos
Botelho. As duas primeiras conferências foram feitas pelo Drs. Assis
Brasil e Curvello de Mendonça. Finalmente, teve seu nome indicado pela
diretoria do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, como sócio
correspondente.
Em 1913 o governo de São Paulo, para comemorar o fato
notável da inauguração das obras de saneamento da cidade de Santos,
publicou um Álbum, cheio de finíssimas gravuras relativas aos
melhoramentos realizados na bela cidade marítima.
No Álbum encontra-se além de outros trabalhos, um primoroso texto de
Curvello de Mendonça, sob o título “Princesa dos Mares”. Este texto,
havia sido publicado em sua coluna d’ O País, (a folha de maior tiragem e
de maior circulação na América do Sul) na edição de nº 10.067, de 29 de
abril de 1912.
[1] Alberto Sales era irmão do presidente Campos Sales (
[2]
Antônio Curvello de Mendonça era delegado do termo de Riachuelo,
registra o Jornal de Aracaju, 23 de março de 1878, em junho de 1890
candidatou-se a uma vaga a Deputado no Congresso de Sergipe. Em 1908 foi
nomeado Subdelegado de Socorro. Faleceu em 31 de outubro de 1914.
[3]
No século XIX, o conceito de engenho no Brasil evoluiu de uma simples
máquina de moer cana para designar toda a unidade produtiva açucareira,
funcionando como uma fazenda complexa que abrangia terras, maquinário e
força de trabalho. Embora tenha mantido raízes coloniais, o engenho
oitocentista sofreu transformações técnicas e econômicas, coexistindo
com a transição do trabalho escravo para o livre.
[4] A República em Sergipe, Baltazar Goes. Aracaju, SEC – Governo do Estado de Sergipe, 2005.
[5] O Republicano. Laranjeiras, nº 88, 28 de abril de 1891. (Correspondência de Pernambuco
[10]
Instituto Comercial do Rio de Janeiro, criado em 1856, foi a
instituição responsável por sistematizar o ensino técnico comercial no
Brasil, durante o século XX.
[11] Ofício assinado pelos membros da Diretoria: Antônio Curvello de Mendonça, Cyro Barreto de Menezes e José Pereira de Magalhães
[12] Joaquim Osório Duque-Estrada, poeta e critico literário, autor da letra do Hino Nacional Brasileiro. ———————————————————————————————————————————- Jornalista,
professor universitário, membro do Instituto Histórico e Geográfico de
Sergipe, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e da Associação
Sergipana de Imprensa – ASI, do Grupo Plena/CNPq/UFS e do
GPCIR/CNPq/UFS. Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de
Sergipe –gilfrancisco.santos@gmail.com
Em 17 de março
de 2026, Aracaju celebra seus 171 anos consolidada como um dos principais polos
tecnológicos e industriais do Nordeste. No entanto, para compreender a
metrópole de hoje, é preciso mergulhar nas águas turvas do Rio Sergipe em
meados do século XIX. A transferência da capital, de São Cristóvão para o
"pântano planejado" da Barra dos Coqueiros, é frequentemente lida
como um triunfo da engenharia civil, mas novos olhares historiográficos revelam
que a cidade teria naufragado antes mesmo de nascer sem o suporte técnico da
Marinha do Brasil.
Enquanto Inácio
Joaquim Barbosa [1] desenhava o futuro político da província, a Capitania dos
Portos de Sergipe (CPSE) preparava o terreno ou melhor, as águas. Reativada
estrategicamente em outubro de 1854, exatos cinco meses antes da fundação
oficial da capital, a Capitania funcionou como o "pilar invisível" do
projeto. Sob o comando do Capitão de Mar e Guerra José Moreira Guerra [2], a
instituição assumiu a missão crítica de domar as barras dos rios sergipanos,
conhecidas por bancos de areia móveis que faziam de cada atracagem um risco de
morte e prejuízo comercial.
Diferente de
cidades que cresceram organicamente ao redor de igrejas, Aracaju nasceu olhando
para o rio. O plano em "tabuleiro de xadrez" de Sebastião Pirro [3]
só se tornou viável porque a Marinha garantiu o fluxo constante de materiais,
alimentos e, principalmente, de uma nova classe social de funcionários e
militares que formariam a elite urbana da capital nascente. O porto não era
apenas um ponto de chegada; era o coração econômico que conectava o açúcar
sergipano ao mundo.
Hoje, ao
observarmos o Distrito Industrial e os centros de inovação tecnológica que
definem a Aracaju de 2026, percebemos que a "cidade do futuro" de
1855 cumpriu seu papel. O esforço de Moreira Guerra no século XIX pavimentou as
estradas líquidas que permitiram a transição de Sergipe para a modernidade. A
história de Aracaju, portanto, não está escrita apenas no asfalto de suas ruas
retas, mas profundamente gravada no leito do Rio Sergipe.
A Capitania dos Portos de Sergipe
(CPSE) desempenhou um papel fundamental e estratégico na consolidação de
Aracaju como a nova capital do estado em 1855. Enquanto a transferência da sede
do governo de São Cristóvão para o litoral foi uma decisão administrativa e
política, a viabilidade prática da nova cidade dependeu diretamente da
organização do tráfego marítimo e fluvial coordenada pela Capitania.
Estes documentos narram a
trajetória histórica da Capitania dos Portos de Sergipe, destacando seu
papel vital na fundação e consolidação de Aracaju como capital
provincial no século XIX. O texto detalha a atuação do primeiro comandante, José
Moreira Guerra, cujos esforços técnicos na navegação e segurança das barras
fluviais permitiram a sobrevivência econômica da nova cidade. A narrativa
abrange a evolução de marcos icônicos, como o Farol de Aracaju e a Ponte
do Imperador, além de registrar visitas reais e a participação da Marinha
em conflitos políticos e ações sanitárias. Também são exploradas
biografias de personalidades ligadas à instituição, como o almirante Amintas
Jorge e o artista Artur Bispo do Rosário. Por fim, as fontes
celebram o legado da autoridade marítima até a atualidade, mencionando
parcerias com a SOAMAR e a modernização da infraestrutura portuária na
região.
[1] Inácio Joaquim Barbosa: Presidente da Província
de Sergipe (1853-1855). Foi o mentor político da transferência da capital,
enfrentando forte oposição da elite agrária de São Cristóvão.
[2] José Moreira Guerra: Oficial da Marinha que
liderou os trabalhos de balizamento e sondagem da barra do Rio Sergipe,
garantindo a segurança necessária para que o porto de Aracaju se tornasse o
principal entreposto comercial da região.
[3] Tabuleiro de Xadrez (Quadrado de Pirro): Modelo
urbanístico aplicado pelo engenheiro Sebastião Basílio Pirro, caracterizado por
ruas que se cruzam em ângulos retos. Foi uma das primeiras experiências de
planejamento urbano sistemático no Brasil imperial.