segunda-feira, 2 de novembro de 2026

 

ENTRE AS PÁGINAS DOS LIVROS E O LUGAR ONDE A HISTÓRIA ACONTECEU: UMA VISITA AO MEMORIAL DA BALAIADA – CAXIAS, MARANHÃO





Durante nossa participação no II Encontro Nacional das Procissões do Fogaréu, realizado na cidade de Caxias, no Maranhão, tivemos, nós da comitiva de Sergipe, representada por Allison, Augusto e por mim, Adailton Andrade, a satisfação e a oportunidade de conhecer o Memorial da Balaiada, um importante espaço de preservação da memória histórica maranhense e brasileira.


  
                                                              Créditos  da foto: José Augusto 

Como historiador, confesso que visitar aquele lugar despertou em mim uma emoção especial. A Revolta da Balaiada, seus acontecimentos, suas lideranças, seus conflitos e as lutas de homens e mulheres que marcaram aquele período da história do Brasil Imperial fizeram parte de nossos estudos e chegaram até nós, durante muitos anos, por meio das páginas dos livros didáticos. Aprendemos sobre suas causas, seus personagens, suas consequências e sua importância para a compreensão da sociedade brasileira do século XIX. Entretanto, estar em Caxias e ter a oportunidade de conhecer aquele espaço de memória proporcionou uma experiência completamente diferente.


                                                                ( Créditos das fotos : José Augusto )    

É uma sensação difícil de traduzir em palavras: aquilo que antes habitava nossa imaginação, construído a partir das leituras e dos registros históricos, ganha uma dimensão muito mais próxima quando estamos diante dos lugares que guardam as lembranças daqueles acontecimentos. Os documentos, os objetos, as narrativas e os testemunhos preservados pelo Memorial nos ajudam a compreender que a história não é feita apenas de datas, nomes e acontecimentos registrados nos livros. Ela é construída por pessoas, por suas experiências, suas lutas, seus sofrimentos, suas esperanças e suas transformações sociais.

A Balaiada não foi apenas uma revolta inscrita nos capítulos da história do Maranhão. Foi um movimento marcado por profundas tensões sociais, políticas e econômicas, que envolveu diferentes segmentos da população e deixou marcas na história do Brasil. Conhecer esse passado no próprio território onde os acontecimentos se desenvolveram é uma oportunidade singular de aproximar o conhecimento histórico da memória coletiva.


                                                       

                                                                             ( Créditos das fotos :  José Augusto )    


Para nós, que trabalhamos e nos dedicamos à preservação da história e da memória, essa visita teve um significado ainda maior. Foi um momento de aprendizado, reflexão e reconhecimento da importância dos memoriais, arquivos e instituições de memória como guardiões do patrimônio histórico e cultural de uma sociedade.

Há uma diferença muito grande entre ler a história nos livros e ter a oportunidade de conhecer de perto os lugares onde ela aconteceu. 


Naquele momento, a história deixou de ser apenas uma narrativa estudada e passou a ser uma experiência vivenciada. Como historiador, saio dessa visita com a convicção de que preservar a memória é também permitir que as novas gerações conheçam, compreendam e reconheçam os caminhos percorridos por aqueles que vieram antes de nós.

Durante nossa participação no II Encontro Nacional das Procissões do Fogaréu, realizado na cidade de Caxias, no Maranhão, tivemos a satisfação e a oportunidade de conhecer o Memorial da Balaiada. A comitiva de Sergipe, representada por Allison, Augusto e por mim, Adailton Andrade, vivenciou um momento especial de aprendizado, reflexão e contato direto com um dos capítulos mais marcantes da história brasileira.

Como historiador, confesso que visitar aquele lugar despertou em mim uma emoção muito especial. A Revolta da Balaiada (1838–1841), seus acontecimentos, suas lideranças, seus conflitos e as lutas de homens e mulheres que marcaram aquele período da história do Brasil Imperial fizeram parte de nossos estudos e chegaram até nós, durante tantos anos, por meio das páginas dos livros didáticos. Aprendemos sobre suas causas, seus personagens, suas consequências e sua importância para a compreensão da sociedade brasileira do século XIX. Entretanto, estar em Caxias e ter a oportunidade de conhecer aquele espaço de memória proporcionou uma experiência completamente diferente. Aquilo que antes conhecíamos pela leitura passou a ganhar outra dimensão diante de nossos olhos.

  

      ( Créditos das fotos :   José Augusto )    


Localizado no Morro do Alecrim, em Caxias, o Memorial da Balaiada constitui um importante espaço de preservação, valorização e divulgação da história maranhense e brasileira. Inaugurado em 2004, foi concebido como um ambiente de memória, pesquisa, educação e valorização do patrimônio histórico e cultural. Sua implantação está relacionada aos trabalhos de pesquisa arqueológica e recuperação histórica desenvolvidos na região, especialmente no local onde ocorreram episódios importantes da revolta.

Ao percorrer suas dependências, encontramos referências históricas que nos ajudam a compreender a dimensão daquele movimento social e político ocorrido durante o Período Regencial. Seu acervo reúne objetos, armamentos, peças arqueológicas e documentos que permitem ao visitante aproximar-se do contexto social, político e econômico da época. Entre os personagens que dão significado à narrativa histórica estão Raimundo Gomes, Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, conhecido como Balaio, e Negro Cosme, importante liderança quilombola. Suas trajetórias ajudam a revelar a dimensão popular e social da Balaiada e a compreender os diferentes grupos envolvidos naquele movimento.

      ( Créditos das fotos :  José Augusto )    


As referências ao antigo quartel e às ruínas que integram o conjunto histórico também despertam nossa imaginação e nos convidam a refletir sobre os acontecimentos que marcaram aquele território. É uma sensação difícil de traduzir em palavras: aquilo que antes habitava nossa imaginação, construído a partir das leituras e dos registros históricos, ganha uma dimensão muito mais próxima quando estamos diante dos lugares que guardam as lembranças daqueles acontecimentos.

Há uma diferença muito grande entre ler a história nos livros e ter a oportunidade de conhecer de perto os lugares onde ela aconteceu. É como se as páginas dos livros ganhassem vida diante de nós. Os documentos, os objetos e as narrativas preservadas pelo Memorial nos ajudam a compreender que a história não é feita apenas de datas, nomes e acontecimentos registrados pela historiografia. Ela é construída por pessoas, por suas experiências, suas lutas, seus sofrimentos, suas esperanças e suas transformações sociais.

O Memorial da Balaiada vai além de um espaço expositivo. Sua biblioteca, seu centro de documentação e seus ambientes destinados às atividades educativas e culturais demonstram como a preservação da memória pode estabelecer uma ligação entre patrimônio, pesquisa histórica e sociedade. Trata-se de uma instituição que permite ao visitante conhecer, compreender e valorizar os acontecimentos que constituem a identidade histórica de um povo.





Para nós, que dedicamos parte de nossa trajetória à pesquisa, à história e à preservação documental, essa visita também proporcionou uma reflexão institucional. A experiência do Memorial constitui uma referência importante para pensar novas possibilidades de valorização da memória nos arquivos públicos municipais. Conhecer iniciativas dessa natureza amplia nossos horizontes e fortalece a convicção de que os arquivos não devem ser compreendidos apenas como lugares de guarda de documentos, mas também como espaços de conhecimento, cidadania, pesquisa, educação patrimonial e construção da memória coletiva.



    


Nesse sentido, a experiência vivenciada em Caxias nos leva a olhar ainda mais atentamente para São Cristóvão, nossa querida Cidade Mãe de Sergipe, detentora de um patrimônio histórico, cultural e documental de grande relevância para a história sergipana e brasileira. Assim como Caxias preserva, por meio do Memorial da Balaiada, a memória de um dos movimentos mais significativos de sua trajetória, São Cristóvão também possui uma história que merece ser continuamente pesquisada, valorizada e compartilhada com as novas gerações.

Preservar documentos, valorizar personagens históricos e criar espaços de diálogo entre a sociedade e seu passado são iniciativas fundamentais para fortalecer a identidade cultural, garantir o acesso à informação e transmitir às futuras gerações o conhecimento sobre sua própria história.

Ao final da visita, ficou a certeza de que aquele momento havia sido muito mais do que um passeio cultural durante nossa passagem pelo Maranhão. Foi uma oportunidade de aprendizado, reflexão e reencontro com uma história que, até então, conhecíamos principalmente pelas páginas dos livros. Estar naquele lugar, observar os registros e compreender a importância daquele patrimônio nos fez perceber, mais uma vez, o verdadeiro sentido do nosso compromisso com a história e a memória.

Afinal, participar de um encontro dedicado à preservação de uma tradição cultural como a Procissão do Fogaréu e, ao mesmo tempo, conhecer um espaço tão significativo da história brasileira tornou nossa passagem por Caxias ainda mais enriquecedora.

          
                                                                                    ( Créditos das fotos :José Augusto )    

Porque há histórias que aprendemos a conhecer nos livros, mas existem momentos em que a vida nos oferece a oportunidade de caminhar pelos lugares onde elas aconteceram. E, quando isso acontece, a história deixa de ser apenas uma leitura: torna-se uma experiência, uma emoção e uma memória que levaremos conosco.

Foi, sem dúvida, um dos momentos especiais de nossa passagem por Caxias. Afinal, participar de um encontro dedicado à preservação de uma tradição cultural como a Procissão do Fogaréu e, ao mesmo tempo, conhecer um espaço tão significativo da história brasileira tornou essa viagem ainda mais enriquecedora.


    

Porque a história não está somente nos livros: ela também está nos lugares, nos documentos, nas lembranças e na memória viva de um povo.



                                                      





 

domingo, 15 de março de 2026

JOÃO BEBE ÁGUA - O homem para além da lenda!


João Bebe Água e a Resistência que Marcou Sergipe na Mudança da Capital

 

Adailton Andrade – Pesquisador e Historiador

 




A história de Sergipe é atravessada por um dos episódios mais dramáticos e divisores de águas do século XIX: a transferência da capital da província de São Cristóvão para o então pequeno e pantanoso povoado de Santo Antônio de Aracaju, oficializada em 17 de março de 1855. No epicentro deste turbilhão, entre o choque da modernidade planeada e a dor de uma tradição ferida, surge a figura de João Nepomuceno Borges, que a posteridade imortalizou sob a alcunha de João Bebe Água. Longe de ser apenas o personagem folclórico que a memória popular muitas vezes simplifica, João Bebe Água foi o rosto, a voz e a alma de uma cidade que se recusava a aceitar o declínio imposto pelos interesses económicos e políticos da época.



  

João Nepomuceno Borges não era um homem comum de pouca instrução ou relevância social. Registos históricos indicam que ele nasceu em São Cristóvão por volta de 1818 ou 1822, oriundo de uma família com posses e influência local, sendo filho do Capitão Francisco Borges da Cruz e de Maria Rosa de Lima. Ao contrário da imagem de um simples "bebedor de cachaça" — rótulo que a historiografia oficial por vezes usou para deslegitimar a sua luta —, os documentos de arquivo revelam um cidadão com uma vida pública intensa e respeitável. João foi comerciante, Presidente da Câmara Municipal de São Cristóvão, escrivão de importantes irmandades religiosas, como a de Nossa Senhora do Amparo, e suplente de subdelegado. A sua dedicação à causa social foi tal que chegou a ser elogiado oficialmente pelo governo provincial pela sua atuação voluntária no tratamento de doentes durante a epidemia de cólera que assolou a região em 1863.


  

Contudo, foi o seu fervoroso e quase místico amor por São Cristóvão que o colocou definitivamente nos anais da história sergipana. Quando o presidente da província, Inácio Joaquim Barbosa, decretou a mudança da sede administrativa para as margens do rio Sergipe, visando facilitar o escoamento da produção açucareira através de um porto mais eficiente, a elite e o povo da quarta cidade mais antiga do Brasil sentiram o golpe como uma traição. Para João Bebe Água, a transferência não era uma decisão logística inevitável, mas uma afronta à dignidade de um povo e de um património secular. Ele tornou-se o principal opositor dessa transição, canalizando o sentimento de humilhação e o receio do esvaziamento económico que a perda do estatuto de capital traria para São Cristóvão.


  


A resistência de João Bebe Água fundiu realidade e lenda, criando uma narrativa que atravessou gerações. O episódio mais emblemático do seu protesto envolve a famosa "promessa dos fogos". Conta a tradição oral que João, inconformado com a ascensão de Aracaju, estocou uma quantidade monumental de fogos de artifício na sua residência, jurando solenemente que aqueles artefactos jamais seriam acesos enquanto a capital não retornasse ao seu lugar de direito. Esse silêncio pirotécnico tornou-se o símbolo máximo da resistência sancristovense: uma espera paciente e obstinada por uma reparação histórica que ele, em vida, jamais veria concretizada.


   

João Bebe Água faleceu em São Cristóvão entre 1892 e 1894, numa época em que Aracaju já se consolidava como o novo centro de poder. No entanto, o seu legado de resistência não se extinguiu com a sua morte. A sua figura personificava o luto de uma cidade que via os seus edifícios públicos fecharem e a sua influência minguar. Ele não era apenas um homem apegado ao passado, mas um líder que questionava a legitimidade de um progresso que ignorava a identidade cultural e a história de uma comunidade inteira.

 

O reconhecimento da sua importância histórica e a necessária reparação simbólica ocorreriam apenas em 1972. Durante a realização do I Festival de Arte de São Cristóvão (FASC), o Governo de Sergipe promoveu um ato de grande carga emocional: transferiu simbolicamente a capital de volta para São Cristóvão por alguns dias. Naquela ocasião, os céus da cidade finalmente foram iluminados por uma grandiosa queima de fogos, cumprindo, de forma póstuma e lúdica, o desejo que o velho capitão guardara por décadas.

 

Atualmente, o trabalho de resgate historiográfico busca retirar João Bebe Água do isolamento do anedotário popular para devolvê-lo ao seu lugar como um intelectual orgânico e um defensor intransigente da memória sergipana. A sua trajetória serve como um lembrete permanente de que o desenvolvimento de um estado não deve ser construído sobre o esquecimento das suas fundações. João Bebe Água permanece vivo na memória coletiva, não como um vencido pela história, mas como o guardião eterno da dignidade de São Cristóvão e um exemplo de que a resistência, mesmo quando manifestada num silêncio carregado de pólvora, tem o poder de ecoar através dos séculos.












 



 



Áudio  muito  importante  para a compreenção  da pesquisa histórica 


domingo, 8 de março de 2026

ESCOLA DE APRENDIZES DE MARINHEIROS DE SERGIPE (1868 - 1885 / 1907 - 1931)

 

ESCOLA DE APRENDIZES-MARINHEIROS: INSTRUÇÃO PÚBLICA E FORMAÇÃO PROFISSIONAL MARÍTIMA PARA JOVENS MENOS FAVORECIDOS EM SERGIPE 

 

Por Adailton Andrade


                              No século XIX, a Marinha do Brasil em Sergipe não era apenas uma força de defesa, mas uma das principais instituições de assistência e instrução pública da província. A Companhia de Aprendizes-Marinheiros funcionava como um braço do Estado para acolher, educar e profissionalizar jovens que viviam à margem da sociedade, transformando os chamados "desvalidos" em marinheiros prontos para o serviço da Nação.


                                                          
Acervo  da Biblioteca  Nacional :


                               Entre o rigor militar e o acolhimento social, a Marinha Brasileira em Sergipe tornou-se o destino de órfãos e desvalidos em busca de um ofício e de cidadania no século XIX.


Acervo: Adailton Andrade


                  Em uma província onde as oportunidades de instrução eram escassas para as camadas populares, a Marinha do Brasil ergueu uma estrutura que misturava disciplina férrea e assistência social. A Companhia de Aprendizes-Marinheiros de Sergipe não era apenas uma escola de guerra; era, para muitos jovens em situação de vulnerabilidade, a única porta de entrada para a alfabetização e uma carreira profissional. Aracaju, 1878.


                        O recrutamento para a Companhia revelava a face assistencialista do Império. Conforme os Artigos 10º e 11º do regulamento de 1855, as vagas eram preenchidas por um mosaico da sociedade sergipana da época, 

   No Império do Brasil, as Escolas de Aprendizes-Marinheiros (EAM)  inicialmente chamadas de Companhias de Aprendizes-Marinheiros, surgiram como uma solução estratégica para dois grandes problemas da época: a falta de pessoal qualificado para a Marinha e a necessidade de "dar um destino" aos jovens pobres e órfãos das áreas urbanas.

   De acordo com os Relatórios dos Presidentes de Província, esta Instituição foi pleiteada por alguns Presidentes desde o início da década de 1860, sob a justificativa de que promoveria o atendimento às crianças e jovens órfãos existentes em Sergipe (RELATÓRIO, 1960). Em 20 de junho de 1864, assumia a presidência da Província Cincinato Pinto da Silva, que permaneceu no cargo até 1865.

Assim como o presidente que o antecedeu, Dr. Thomaz Alves Júnior, Cincinato Pinto da Silva também solicitou ao Ministro da Marinha a criação de uma Companhia de Aprendizes Marinheiros para Sergipe. Segundo ele, existia uma quantidade imensa de crianças que, por falta dos pais e de meios de subsistência, vagavam ociosas pelas praias e povoados, deixando de frequentar as escolas e a igreja. Por isso, era necessário educá-las e moralizá-las e, em sua opinião, nenhuma instituição seria mais proveitosa que a de Aprendizes Marinheiros.



Portanto, criada em 29 de fevereiro de 1868, pelo Decreto Imperial nº 4.112, a Companhia de Aprendizes Marinheiros de Sergipe visava o atendimento de crianças abandonadas e carentes. Além da promoção de mão-de-obra especializada, diminuindo os índices de criminalidade favorecendo uma formação básica nas primeiras letras e nos fazeres de marinheiros.

Seu funcionamento era regulado pelas disposições do Decreto nº 1.517 de 04 de janeiro de 1855, que definia o seu público-alvo, condições de acesso, educação oferecida, permanência, dentre outros elementos. Nos Artigos 15, 16 e 17, estão definidas as propostas para a formação dos aprendizes na associação entre instrução e formação para o trabalho. De acordo com o Presidente da Província, em 1875, a Companhia de Aprendizes Marinheiros de Sergipe oferecia instrução militar, técnica e primária às crianças e jovens desamparados, mas, em 1876 foi que se verificou uma maior aceitação da população, nesse período a Companhia Sergipana contava com a matrícula de 81 alunos. Fato que levou a Vice-Presidente da Província a afirmar que a repugnância que ao princípio manifestou o povo em admitir os seus filhos menores na Companhia de Aprendizes vai desaparecendo, tem alcançado que os meninos são bem-tratados, educados com desvelo e adquirem conhecimentos de um meio de vida decente para os futuros dias. 


A Companhia de Aprendizes Marinheiros de Sergipe funcionou até 1885 e seu fechamento aconteceu em decorrência do elevado gasto que onerava aos cofres públicos em função do seu quadro efetivo estar sempre aquém do número desejado. Foi através do Decreto nº 9.371 de 14 de fevereiro de 1885 que as Companhias foram reduzidas, reorganizadas e administradas por um novo regulamento, passando a denominar-se Escolas de Aprendizes Marinheiros, com o fim de educar e preparar marinheiros para os diversos serviços da marinha, sendo reduzidas nacionalmente, de 18 para 12 Escolas.

Decorridos vinte anos do seu fechamento, a instituição volta a funcionar em 1905 com o nome de Escola de Aprendizes Marinheiros, obedecendo à nova organização estabelecida pelo Decreto nº 9. 371 de 14 de fevereiro de 18853 e conforme o Decreto nº 5532 de 05 de maio de 1905. Nesse momento, sua proposta educacional sofreu algumas alterações, dentre elas: a idade do menor foi modificada para 13 a 16 anos, o ensino foi dividido em elementar e profissional e incentivou-se a entrada de aprendizes já alfabetizados.

A criação dessas Companhias (que posteriormente receberam o nome de escolas) foi uma tentativa que a Marinha Brasileira encontrou para oferecer marinheiros qualificados para servir a nação. Porém para formar esse marinheiro eram necessários a disciplinarização e manipulação do corpo, bem como o treinamento desses aprendizes. Sobre esse assunto versará o próximo e último tópico.


A Reforma de 1907 impinge novo regulamento às Escolas de Aprendizes Marinheiros por meio do Decreto N. 6582 de 1 de agosto de 1907 e a disciplina é reforçada através do sistema de recompensas. Nesse sentido, os aprendizes poderiam passar o mês de férias na casa dos pais ou tutores, sendo necessário que os responsáveis solicitassem isso por escrito ao comandante e que não houvesse nenhuma inconveniência registrada por parte dos menores (Art. 79).

Pode-se verificar que ao longo dos regulamentos citados a questão da disciplina nas instituições de aprendizes marinheiros esteve presente, a maneira de exercê-la, porém, muda com o passar dos anos. A disciplina que pune também gratifica, e as recompensas deveriam ser estimuladas em vez do castigo. Muda-se a estratégia, mas a coerção sob os aprendizes em nome da disciplina militar perdurará por toda a existência dessa instituição


Em 1923 Aracaju parou para ver os hidroaviões pousarem nas águas do Rio Sergipe. Naquela época, a aviação era uma fronteira quase mágica, e ver a Marinha do Brasil dominando os céus e os mares era motivo de imenso orgulho cívico. A recepção não foi apenas uma festa, mas um ato de hierarquia militar e civil. O Governador Graccho Cardoso, conhecido por seu espírito progressista, liderou as homenagens, reforçando os laços entre o Governo Estadual e a União (representada pela Marinha)

 A Escola de Aprendizes-Marinheiros representou uma das primeiras tentativas sistemáticas de oferecer instrução pública e profissionalizante em Sergipe. Ao focar em jovens menos favorecidos, a Marinha não apenas garantia seu quadro efetivo, mas oferecia uma trajetória de dignidade através do trabalho e da instrução, deixando um legado profundo na história da educação marítima brasileira.

_____________________________

Fonte  de pesquisas :

                 COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS DE SERGIPE: ALGUMAS                 CONSIDERAÇÕES SOBRE CORPO E GÊNERO -  Solyane Silveira Lima




segunda-feira, 2 de março de 2026

Curvello de Mendonça, um republicano da anarquia rural

 

 GILFRANCISCO 

 

 

Curvello de Mendonça, um republicano da anarquia rural 

 

 Esse nome significa a de um grande intelectual que votou toda a sua vida ao estudo, especializando-se nos assuntos econômicos em que se faz mestre dos mais notáveis. Manoel Curvello de Mendonça (1870-1914), defensor erudito e interessado nos problemas que dizem respeito ao Brasil, apagando-se da vida esse grande espírito, não podemos deixar de tributar a devida homenagem ao eminente publicista sergipano, que abriu enorme vácuo na legião dos abnegados defensores dos interesses nacionais.

Jornalista vigoroso duma ilustração criteriosa e assentada na solidez de profundo estudos, tendo acima de tudo uma finíssima arte de observação e análise. É extraordinário o seu amor e interesse por todos os assuntos nacionais, pelos quais mais se devota a sua incansável atividade de publicista. Trabalhador honesto que nunca descansou na missão de que se achava encarregado.

 

   

O Republicano

O Republicano foi um importante veículo de propaganda durante o período do movimento republicano em Sergipe, no final do século XIX e início do XX, atuando junto ao Clube Republicano local para agitar a ideia da República e influenciar a elite intelectual e política da região: Ano I, nº 1, Laranjeiras, 11 de novembro de 1888 –  órgão do Partido Republicano, distribuição gratuita. Quatro páginas numeradas e três colunas. Impresso na Tipografia do Laranjeirense. Trazia o seguinte aviso na página principal:

Encetamos hoje a publicação do órgão republicano. Até dezembro próximo a distribuição será gratuita, passando de janeiro em diante a fazer-se as assinaturas, quando o jornal aumentará o formato. Prevenimos, pois, aos ilustres cidadãos que aceitarem os números deste jornal até essa data, serão considerados assinantes.


 

A partir da edição de 1º de janeiro de 1889, aparece na primeira página do jornal o corpo redacional:

 Silvio Romero, João Ribeiro, Lima Junior, Martins Junior, José Leandro, Virgílio de Lemos, Moreira Guimarães, Leonidio Porto, Evaristo de Moraes, Josino Menezes, Dr. O. Dantas, Nolasco, Coriolano, Tupy e Ratcliff. Redator Chefe, Felisbello Freire. Proprietário e Diretor: Joaquim Anastácio de Menezes. Da Corte colaboravam vários republicanos, jornalistas e políticos: Lopes Trovão, Silva Jardim, José Bonifácio, Evaristo de Moraes, Virgílio de Lemos, [1]Alberto Sales e outros.

Colaboração de Manoel Curvello de Mendonça, no jornal A República: A República em Sergipe, Ano I, nº3 – 21 de novembro de 1888 (pseudônimo, Luckner); Pela República. Ano I, – 6 de janeiro de 1889. (pseudônimo Luckner); A conferência do dr. Homero Dantas. Ano I, nº 10, 13 de janeiro de 1889 (pseudônimo Luckner); Depois da Abolição a Escravidão. Ano I, nº 13,3 de fevereiro de 1889. (pseudônimo Luckner); Horácio Hora.  nº 151, 1º de junho de 1890. (M. C. de Mendonça); Correspondência de Pernambuco. nº 88, 28 de abril de 1891. (M. C. de Mendonça).

 

 

Manoel Curvello de Mendonça, Filho de Antônio Curvello de Mendonça (1850-1914), agricultor [2] e D. Bárbara,                                                          nasceu a 29 de julho de 1870 no engenho Quintas de propriedade  da família, no povoado de Riachuelo, Sergipe. [3] O casal teve vários filhos, alguns como: Cecília, Anna, Amélia, Débora, Antonina, Abigail e Geonísio (Curvello de Mendonça n. 1877). Criado e educado na próspera cidade de Laranjeiras, distante aproximadamente duas léguas de Riachuelo, fez seus estudos complementares, inclusive os exames preparatórios no Atheneu Sergipense que teve início a partir de 5 de novembro de 1889, nas disciplinas História, Retórica e Filosofia, informa A Reforma, nº159, 7 de novembro de 1889.

Vejamos o que diz sobre o aluno Curvello de Mendonça, o republicano Baltazar de Araújo Goes (1853-1913), diretor do Liceu Laranjeirense:

É de ótima índole ne inteligência bem clara e bem aplica ao cultivo das letras.

Estudou a maior parte de seus preparatórios na cidade de Laranjeiras, no Colégio Liceu Laranjeirense, começando em 1883. Seu grande aproveitamento, provado por seus exames, foi resultado da boa aplicação de sua inteligência. [4]

 


 

O Liceu Laranjeirense fundado em 1882, instituição particular dirigido pelo professor Balthazar de Araújo Goes, figura de destaque no movimento republicano provincial, sendo um dos integrantes da Junta Provisória que assumiu o governo de Sergipe quando da Proclamação da República. Eficiente no ensino secundário, o Liceu Laranjeirense, conseguiu um corpo de excelentes professores, sendo alguns deste, mestres consagrados do Atheneu Sergipense. Sua criação veio suprir a deficiência da Região, para atender aos reclames dos senhores de engenho ou usineiros, desejosos por uma educação primorosa para seus filhos.

         Portanto, o Liceu era considerado o mais importante centro educacional da província, de onde saíram jovens alunos, que se destacaram na vida pública, ingressando em seguida às melhores Faculdades e Academias de Letras, ciências e militares do país. Muitos desses alunos como Laudelino Freire, Arthur Moreira, João Barroso, Antônio Dantas, Samuel de Oliveira e o próprio Manoel Curvello de Mendonça.

 


 

Fundada em 1605, Laranjeiras é a segunda cidade mais antiga de Sergipe. Em 6 de fevereiro de 1835, elevada a freguesia, ficou desmembrada de N. S. do Socorro da Cotiguiba. Laranjeiras no século XIX fazia parte de uma região com grande poder econômico. Era grande produtora de mandioca e coco, mas tinha na indústria açucareira sua principal fonte de renda. Só não se tornou a capital de Sergipe por conta de manobras políticas, dos partidos liberal e conservador.

         É uma das poucas cidades onde se pode ver a força da arquitetura colonial: ruas, casarios, igrejas, tudo respira a mais pura história. Berço da cultura e da propaganda republicana, educação, política e da economia sergipana, a cidade era denominada como a “Atenas Sergipana”

No artigo “Uma fase histórica de Laranjeiras”, escrito por Curvello de Mendonça, publicado no Almanack Sergipano para o ano de 1899, diz o seguinte:

         Era uma cidade afamada. Os médicos buscavam-na para centro de sua clínica, os advogados encontravam nela o foro mais ativo e rendoso da Província; finalmente, as classes industriais ai viam o melhor mercado para os seus produtos, nessa feira laranjeirense dos dias de sábado, notabilíssima pela abundância e variedades de gêneros, pela convivência de pessoas e atividade comercial que desenvolviam.

 

O jovem Curvello de Mendonça segue para Pernambuco e se matricula na Faculdade de Direito do Recife, onde recebe o grau de bacharel em ciências jurídicas e sociais, em dezembro de 1892. No ano seguinte, registra O Republicano de 2 de fevereiro, nº 58, chegada ao porto de Aracaju:

         Na companhia do digno cidadão Manoel Curvello de Mendonça, sra. Ana Curvello Freire, vistosa consorte do governador deste Estado, seus inocentes filhinhos, sua irmã, a exma. Sra. D. Estaquia Curvello e a menina Maria Curvello, filha deste.

         Curvello permanece alguns dias em Aracaju com seus familiares e retorna à Recife no vapor Jacuípe, chegando a esta cidade em 13 de março de 1890. Curvello cursa o primeiro ano na Faculdade de Direito, plenamente. Neste mesmo ano, informa A Província, do Recife de 15 de outubro, que o Círculo dos Estudantes Católicos de Pernambuco, efetuou a eleição de sua diretoria, sendo escolhido como 1º Orador, o acadêmico Manoel Curvello de Mendonça. Em 16 de dezembro do corrente, registra O Republicano nº 310, a chegada em Aracaju, do paquete Jaboatão, procedente do Recife, tendo saído a 10 de dezembro:

         No Jaboatão chegou a esta capital o talentoso moço sergipano Manoel Curvello de Mendonça, filho de nosso prezado amigo Antônio Curvello de Mendonça.

         Estimando-o pelo que mostra de sisudez e revela de inteligência, abraçamo-lo afetuosamente.

         Registra O Republicano de Laranjeiras que:

         Publicamos hoje a primeira correspondência do Recife. Traçou-o o acadêmico Manoel Curvello de Mendonça. Nosso particular amigo, e conterrâneo, que naquela capital vai fazendo com vantagem os seus primeiros ensaios jornalísticos nas colunas da Era Nova, de cuja redação faz parte. [5]

                        O Acadêmico de Direito

A Faculdade de Direito do Recife, foi criada em 11 de agosto de 1817 por decreto de D. Pedro I, originalmente instalada no Mosteiro de São Bento, em Olinda, antes de se transferir para a capital pernambucana em 1854. É uma das instituições de ensino superior mais antiga do Brasil, fundamental para o Direito e berço da “Escola do Recife”.

Entre 1890 e 1892, período em que Manoel Curvello de Mendonça conclui o curso, a Faculdade de Direito do Recife foi um caldeirão de efervescência política logo após a Proclamação da República, marcado por intenso debate intelectual e conflitos ideológicos. Estudantes e professores participaram de agitações ligadas à construção do novo regime, enfrentando tensões entre correntes positivistas, liberais e federalistas, além de participar de debates sobre as lutas operárias na região. Vejamos:

Os estudantes de Direito, reunidos em uma das salas da Faculdade, aprovaram a modificação feita no telegrama expedido ao Presidente da República publicado ontem pelo Jornal do Recife.

O telegrama expedido é conhecido nos seguintes termos:

Presidente Republica. Rio

Mocidade acadêmica reunida protesta demissão Dr. Seabra. Confia vossa dedicação patriotismo conservação dele, pugnando moralidade ensino, boa direção trabalhos Acadêmicos. Aguarda Vossa decisão., – Academia Recife.

Depois trataram da agressão brutal feita a um colega pelo subdelegado e comissário de polícia de Boavista, resolveram esperar dois dias pelo cumprimento das promessas dos cidadãos Governador e Chefe de Polícia, cônscios de que esses representantes do poder público procederão com justiça. [6]

O grave incidente, foi bastante divulgado na impressa, não somente local, alcançou outros estados do nordeste. A Província, publicou o manifesto assinado por 141 alunos da Faculdade de Direito, protestando contra a prisão e demissão do Dr. J. J. Seabra, lente da mesma Faculdade. [7]

A famosa relação dos Ex-alunos notáveis (1832-2007), aqueles que desempenharam papeis fundamentais na história política, intelectual e artística do Brasil, o nome de Manoel Curvello de Mendonça foi excluído. Sinal de que a própria instituição, desconhece totalmente a participação desse arguto republicano socialista que pensava o Brasil em suas grandes dimensões.

   Novos Informes da Imprensa

         Reuniram-se ontem, em uma das salas da Faculdade, muitos alunos dos respectivos cursos com o fim de deliberar sobre uma representação em que se pedisse ao Governo Federal a permanência ao Dr. J. J. Seabra no cargo de diretor da Faculdade.

         Chegando, porém, ao conhecimento dos manifestantes que os jornais da manhã haviam noticiado constar que o Governador manteria os atuais diretores das faculdades jurídicas, foi então nomeada uma comissão, composta dos Srs. Junqueira, Américo Velozo, Cunha Valle, Câncio e Argollo, para inteirar o Dr. Seabra dos intuitos da reunião e felicita-lo pela nova resolução de governo.

         Constando também, por essa ocasião achar-se enfermo, em Caxangá, o lente aposentado Dr. Francisco Pinto Pessoa, resolveram os Srs. Acadêmicos designar os seus colegas Tourinho, Chaves e Santiago para irem visitar o seu antigo mestre e presentear-lhe protestos de consideração por parte do corpo acadêmico. [8]

Em 20 abril de 1891 com outros quinze companheiros, Curvello de Mendonça assina em Caxangá o manifesto “Ao País”, que expunha a sua insatisfação ao governo do marechal Deodoro da Fonseca, que governou como presidente provisório e, após eleição indireta, constitucional até 23 de novembro de 1891, quando renunciou. [9]                         

                            O sonho Republicano na Corte

Em 1892 Mendonça encontra-se no 5º ano cursando as seguintes disciplinas na Faculdade de Direito de Pernambuco: Economia, Administrativo, Processo e Prática. No ano seguinte, Curvello fixa residência no Rio de Janeiro onde abraça a carreira do magistério e da imprensa. Muito moço foi nomeado chefe de seção da Intendência Municipal do Distrito Federal, em seguida é contemplado com uma nomeação em 1894, lente de direito mercantil e economia política, além de assumir a direção do Instituto Comercial. [10]

Criado como parte da reforma educacional do início da República o Pedagogium, importante Museu Pedagógico Nacional fundado no Rio de Janeiro em 1890/1919, durante a República Velha, atuando como um centro de modernização educacional que expunha materiais inovadores, métodos de ensino e até o primeiro laboratório de psicologia experimental do Brasil.  Boa parte do quadro docente do Museu também atuava no Instituto Comercial do Rio de Janeiro, era o caso dos professores Manoel Curvello de Mendonça, professor de Economia política no Pedagoguim e diretor e professor do Instituto Comercial; Sebastião Edmundo Marinho e Silva, professor de História Natural; Luiz Carlos Zamith, professor de Matemática; Antônio Tavares da Costa, professor de Escrituração mercantil; Francolino Cameu, professor de Estenografia; Luiz Pedro Drago, professor de Matemática e Jasper Lafayett, professor de inglês (Almanaque Laemmert, 1895).


 

 


O Republicano

O Republicano foi um importante veículo de propaganda durante o período do movimento republicano em Sergipe, no final do século XIX e início do XX, atuando junto ao Clube Republicano local para agitar a ideia da República e influenciar a elite intelectual e política da região: Ano I, nº 1, Laranjeiras, 11 de novembro de 1888 –  órgão do Partido Republicano, distribuição gratuita. Quatro páginas numeradas e três colunas. Impresso na Tipografia do Laranjeirense. Trazia o seguinte aviso na página principal:

Encetamos hoje a publicação do órgão republicano. Até dezembro próximo a distribuição será gratuita, passando de janeiro em diante a fazer-se as assinaturas, quando o jornal aumentará o formato. Prevenimos, pois, aos ilustres cidadãos que aceitarem os números deste jornal até essa data, serão considerados assinantes.

A partir da edição de 1º de janeiro de 1889, aparece na primeira página do jornal o corpo redacional:

 Silvio Romero, João Ribeiro, Lima Junior, Martins Junior, José Leandro, Virgílio de Lemos, Moreira Guimarães, Leonidio Porto, Evaristo de Moraes, Josino Menezes, Dr. O. Dantas, Nolasco, Coriolano, Tupy e Ratcliff. Redator Chefe, Felisbello Freire. Proprietário e Diretor: Joaquim Anastácio de Menezes. Da Corte colaboravam vários republicanos, jornalistas e políticos: Lopes Trovão, Silva Jardim, José Bonifácio, Evaristo de Moraes, Virgílio de Lemos, [1]Alberto Sales e outros.

Colaboração de Manoel Curvello de Mendonça, no jornal A República: A República em Sergipe, Ano I, nº3 – 21 de novembro de 1888 (pseudônimo, Luckner); Pela República. Ano I, – 6 de janeiro de 1889. (pseudônimo Luckner); A conferência do dr. Homero Dantas. Ano I, nº 10, 13 de janeiro de 1889 (pseudônimo Luckner); Depois da Abolição a Escravidão. Ano I, nº 13,3 de fevereiro de 1889. (pseudônimo Luckner); Horácio Hora.  nº 151, 1º de junho de 1890. (M. C. de Mendonça); Correspondência de Pernambuco. nº 88, 28 de abril de 1891. (M. C. de Mendonça).

Breve trajetória

Manoel Curvello de Mendonça, Filho de Antônio Curvello de Mendonça (1850-1914), agricultor [2] e D. Bárbara,                                                          nasceu a 29 de julho de 1870 no engenho Quintas de propriedade  da família, no povoado de Riachuelo, Sergipe. [3] O casal teve vários filhos, alguns como: Cecília, Anna, Amélia, Débora, Antonina, Abigail e Geonísio (Curvello de Mendonça n. 1877). Criado e educado na próspera cidade de Laranjeiras, distante aproximadamente duas léguas de Riachuelo, fez seus estudos complementares, inclusive os exames preparatórios no Atheneu Sergipense que teve início a partir de 5 de novembro de 1889, nas disciplinas História, Retórica e Filosofia, informa A Reforma, nº159, 7 de novembro de 1889.

Vejamos o que diz sobre o aluno Curvello de Mendonça, o republicano Baltazar de Araújo Goes (1853-1913), diretor do Liceu Laranjeirense:

É de ótima índole ne inteligência bem clara e bem aplica ao cultivo das letras.

Estudou a maior parte de seus preparatórios na cidade de Laranjeiras, no Colégio Liceu Laranjeirense, começando em 1883. Seu grande aproveitamento, provado por seus exames, foi resultado da boa aplicação de sua inteligência. [4]

            O Liceu Laranjeirense fundado em 1882, instituição particular dirigido pelo professor Balthazar de Araújo Goes, figura de destaque no movimento republicano provincial, sendo um dos integrantes da Junta Provisória que assumiu o governo de Sergipe quando da Proclamação da República. Eficiente no ensino secundário, o Liceu Laranjeirense, conseguiu um corpo de excelentes professores, sendo alguns deste, mestres consagrados do Atheneu Sergipense. Sua criação veio suprir a deficiência da Região, para atender aos reclames dos senhores de engenho ou usineiros, desejosos por uma educação primorosa para seus filhos.

         Portanto, o Liceu era considerado o mais importante centro educacional da província, de onde saíram jovens alunos, que se destacaram na vida pública, ingressando em seguida às melhores Faculdades e Academias de Letras, ciências e militares do país. Muitos desses alunos como Laudelino Freire, Arthur Moreira, João Barroso, Antônio Dantas, Samuel de Oliveira e o próprio Manoel Curvello de Mendonça.

                                      ============

Fundada em 1605, Laranjeiras é a segunda cidade mais antiga de Sergipe. Em 6 de fevereiro de 1835, elevada a freguesia, ficou desmembrada de N. S. do Socorro da Cotiguiba. Laranjeiras no século XIX fazia parte de uma região com grande poder econômico. Era grande produtora de mandioca e coco, mas tinha na indústria açucareira sua principal fonte de renda. Só não se tornou a capital de Sergipe por conta de manobras políticas, dos partidos liberal e conservador.

         É uma das poucas cidades onde se pode ver a força da arquitetura colonial: ruas, casarios, igrejas, tudo respira a mais pura história. Berço da cultura e da propaganda republicana, educação, política e da economia sergipana, a cidade era denominada como a “Atenas Sergipana”

No artigo “Uma fase histórica de Laranjeiras”, escrito por Curvello de Mendonça, publicado no Almanack Sergipano para o ano de 1899, diz o seguinte:

         Era uma cidade afamada. Os médicos buscavam-na para centro de sua clínica, os advogados encontravam nela o foro mais ativo e rendoso da Província; finalmente, as classes industriais ai viam o melhor mercado para os seus produtos, nessa feira laranjeirense dos dias de sábado, notabilíssima pela abundância e variedades de gêneros, pela convivência de pessoas e atividade comercial que desenvolviam.

O jovem Curvello de Mendonça segue para Pernambuco e se matricula na Faculdade de Direito do Recife, onde recebe o grau de bacharel em ciências jurídicas e sociais, em dezembro de 1892. No ano seguinte, registra O Republicano de 2 de fevereiro, nº 58, chegada ao porto de Aracaju:

         Na companhia do digno cidadão Manoel Curvello de Mendonça, sra. Ana Curvello Freire, vistosa consorte do governador deste Estado, seus inocentes filhinhos, sua irmã, a exma. Sra. D. Estaquia Curvello e a menina Maria Curvello, filha deste.

         Curvello permanece alguns dias em Aracaju com seus familiares e retorna à Recife no vapor Jacuípe, chegando a esta cidade em 13 de março de 1890. Curvello cursa o primeiro ano na Faculdade de Direito, plenamente. Neste mesmo ano, informa A Província, do Recife de 15 de outubro, que o Círculo dos Estudantes Católicos de Pernambuco, efetuou a eleição de sua diretoria, sendo escolhido como 1º Orador, o acadêmico Manoel Curvello de Mendonça. Em 16 de dezembro do corrente, registra O Republicano nº 310, a chegada em Aracaju, do paquete Jaboatão, procedente do Recife, tendo saído a 10 de dezembro:

         No Jaboatão chegou a esta capital o talentoso moço sergipano Manoel Curvello de Mendonça, filho de nosso prezado amigo Antônio Curvello de Mendonça.

         Estimando-o pelo que mostra de sisudez e revela de inteligência, abraçamo-lo afetuosamente.

         Registra O Republicano de Laranjeiras que:

         Publicamos hoje a primeira correspondência do Recife. Traçou-o o acadêmico Manoel Curvello de Mendonça. Nosso particular amigo, e conterrâneo, que naquela capital vai fazendo com vantagem os seus primeiros ensaios jornalísticos nas colunas da Era Nova, de cuja redação faz parte. [5]

                        O Acadêmico de Direito

A Faculdade de Direito do Recife, foi criada em 11 de agosto de 1817 por decreto de D. Pedro I, originalmente instalada no Mosteiro de São Bento, em Olinda, antes de se transferir para a capital pernambucana em 1854. É uma das instituições de ensino superior mais antiga do Brasil, fundamental para o Direito e berço da “Escola do Recife”.

Entre 1890 e 1892, período em que Manoel Curvello de Mendonça conclui o curso, a Faculdade de Direito do Recife foi um caldeirão de efervescência política logo após a Proclamação da República, marcado por intenso debate intelectual e conflitos ideológicos. Estudantes e professores participaram de agitações ligadas à construção do novo regime, enfrentando tensões entre correntes positivistas, liberais e federalistas, além de participar de debates sobre as lutas operárias na região. Vejamos:

Os estudantes de Direito, reunidos em uma das salas da Faculdade, aprovaram a modificação feita no telegrama expedido ao Presidente da República publicado ontem pelo Jornal do Recife.

O telegrama expedido é conhecido nos seguintes termos:

Presidente Republica. Rio

Mocidade acadêmica reunida protesta demissão Dr. Seabra. Confia vossa dedicação patriotismo conservação dele, pugnando moralidade ensino, boa direção trabalhos Acadêmicos. Aguarda Vossa decisão., – Academia Recife.

Depois trataram da agressão brutal feita a um colega pelo subdelegado e comissário de polícia de Boavista, resolveram esperar dois dias pelo cumprimento das promessas dos cidadãos Governador e Chefe de Polícia, cônscios de que esses representantes do poder público procederão com justiça. [6]

O grave incidente, foi bastante divulgado na impressa, não somente local, alcançou outros estados do nordeste. A Província, publicou o manifesto assinado por 141 alunos da Faculdade de Direito, protestando contra a prisão e demissão do Dr. J. J. Seabra, lente da mesma Faculdade. [7]

A famosa relação dos Ex-alunos notáveis (1832-2007), aqueles que desempenharam papeis fundamentais na história política, intelectual e artística do Brasil, o nome de Manoel Curvello de Mendonça foi excluído. Sinal de que a própria instituição, desconhece totalmente a participação desse arguto republicano socialista que pensava o Brasil em suas grandes dimensões.

   Novos Informes da Imprensa

         Reuniram-se ontem, em uma das salas da Faculdade, muitos alunos dos respectivos cursos com o fim de deliberar sobre uma representação em que se pedisse ao Governo Federal a permanência ao Dr. J. J. Seabra no cargo de diretor da Faculdade.

         Chegando, porém, ao conhecimento dos manifestantes que os jornais da manhã haviam noticiado constar que o Governador manteria os atuais diretores das faculdades jurídicas, foi então nomeada uma comissão, composta dos Srs. Junqueira, Américo Velozo, Cunha Valle, Câncio e Argollo, para inteirar o Dr. Seabra dos intuitos da reunião e felicita-lo pela nova resolução de governo.

         Constando também, por essa ocasião achar-se enfermo, em Caxangá, o lente aposentado Dr. Francisco Pinto Pessoa, resolveram os Srs. Acadêmicos designar os seus colegas Tourinho, Chaves e Santiago para irem visitar o seu antigo mestre e presentear-lhe protestos de consideração por parte do corpo acadêmico. [8]

Em 20 abril de 1891 com outros quinze companheiros, Curvello de Mendonça assina em Caxangá o manifesto “Ao País”, que expunha a sua insatisfação ao governo do marechal Deodoro da Fonseca, que governou como presidente provisório e, após eleição indireta, constitucional até 23 de novembro de 1891, quando renunciou. [9]                         

                            O sonho Republicano na Corte

Em 1892 Mendonça encontra-se no 5º ano cursando as seguintes disciplinas na Faculdade de Direito de Pernambuco: Economia, Administrativo, Processo e Prática. No ano seguinte, Curvello fixa residência no Rio de Janeiro onde abraça a carreira do magistério e da imprensa. Muito moço foi nomeado chefe de seção da Intendência Municipal do Distrito Federal, em seguida é contemplado com uma nomeação em 1894, lente de direito mercantil e economia política, além de assumir a direção do Instituto Comercial. [10]

Criado como parte da reforma educacional do início da República o Pedagogium, importante Museu Pedagógico Nacional fundado no Rio de Janeiro em 1890/1919, durante a República Velha, atuando como um centro de modernização educacional que expunha materiais inovadores, métodos de ensino e até o primeiro laboratório de psicologia experimental do Brasil.  Boa parte do quadro docente do Museu também atuava no Instituto Comercial do Rio de Janeiro, era o caso dos professores Manoel Curvello de Mendonça, professor de Economia política no Pedagoguim e diretor e professor do Instituto Comercial; Sebastião Edmundo Marinho e Silva, professor de História Natural; Luiz Carlos Zamith, professor de Matemática; Antônio Tavares da Costa, professor de Escrituração mercantil; Francolino Cameu, professor de Estenografia; Luiz Pedro Drago, professor de Matemática e Jasper Lafayett, professor de inglês (Almanaque Laemmert, 1895).

                                  Sociedade União Agrícola

 

Em 1901, a Sociedade Agrária da cidade de Laranjeiras, presidida por Antônio Curvello de Mendonça, pai do jornalista Manoel Curvello de Mendonça, participa do Congresso de Agricultura no Rio de Janeiro. Em ofício [11] dirigido ao presidente do Congresso, louva na patriótica iniciativa dos seus organizadores, e apresenta como seu delegado o Dr. Manoel Curvello de Mendonça. Segundo o deputado federal por Sergipe, Fausto Cardoso (1864-1906), em discurso publicado no Diário Oficial de 8 de outubro de 1901 (Anais da Câmara) afirma ter recebido em 18 de junho, um telegrama circular da União Agrícola, de Laranjeiras:

Laranjeiras, 18 de junho de 1901, – Deputado Fausto Cardoso – Rio – Solicitamos representação Sergipe adquira auxilio lavoura Estado ameaçado ruina afim atravessar crise atual. – Diretoria União Agrícola.

Em 20 do mês, sobre o mesmo assunto O Estado de Sergipe, órgão do Governo, reconhecendo a crise enfrentada pelos agricultores da região, diz o seguinte:

A digna diretoria da Sociedade União Agrícola da cidade de Laranjeiras, não tendo meio para conjugar a crise cruel por que está passando a depauperada agricultura do Estado, deliberou dirigir-se por telegrama aos exms. representantes do mesmo, no Senado e na Câmara, solicitando-lhes adquirissem os auxílios de que urgentemente necessita a referida agricultura.

Além disso, trouxe o seu alvitre ao conhecimento de S. Ex., o sr. Presidente do Estado, pedindo-lhe que com a valiosa influência de que dispõe entre os amigos da capital Federal, nas duas casas do Congresso, ampare e secundo a sua solicitação, dirigindo-se aos mesmos.

Fazemos os mais calorosos votos para que sejam coroados dos mais lisonjeiros resultados os intuitos da honrada e patriótica associação laranjeirense.

                                      Novas Publicações

 Em 1896, Curvello publica “A Construção no Brasil” na Revista do Instituto Didático, nº4, Ano I (publicação mensal), Rio de Janeiro, cujo redatores eram Duque-Estrada (1870-1927) e Laudelino Freire (1873-1937). [12] Em junho de 1904 foi lançado o semanário O Subúrbio, destinado a defender os interesses do povo, cujo proprietário J. Vigier & C., tem como diretor Américo de Albuquerque e um corpo de redação, do qual fazem parte, entre outros Fábio Luz, Vital Fontenelle, Silva Nunes. Entre os colaboradores estão Curvello de Mendonça, Guimarães Passos, Eliza Scheld, Lima Campos. Pedro Couto, Luiz Muriat, Cândido Jucá e outros. O conteúdo dos artigos do mais palpitante interesse para a zona suburbana.

         Curvello nutria uma grande admiração pelo jornalista republicano e colaborador do jornal O Republicano, Silva Jardim (1860-1891), advogado e ativista, orador inflamado nos comícios, defendia uma republica popular, mas foi marginalizado após sua proclamação. Motivado por sua retórica, publica nos Anais, nº78, Rio de Janeiro, em 1906 o ensaio “A Morte de Silva Jardim”.

Em 7 de dezembro de 1907, na qualidade de delegado, emissário do governo federal encarregado de promover a representação de alguns Estados do Norte, a Exposição Nacional de 1908, Mendonça realiza conferência no palacete da Phenix Caxeiral (Ceará), propagando a realização da futura Exposição no Rio de Janeiro.

Entre os anos de 1906 e 1908, Curvelho de Mendonça publica na Revista Agrícola, órgão da Sociedade Sergipana de Agricultora, vários artigos:  Aspectos Econômicos (15 de dezembro, 1906); A crise do Açúcar (15 de setembro, 1906); Notícias Diversas (15. Setembro, 1906); Notícias Diversas (15, dezembro, 1906) e Notícias Diversas (1º, agosto, 1908).

         Em maio de 1909, a Sociedade União dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro, promoveu algumas conferências públicas, realizada no Museu Comercial. O título da conferência de Curvello, foi “O Comércio e a escravidão econômica. Foram muitas as conferências realizadas por Curvello, durante a sua trajetória de publicista. Dois anos depois, em 28 de setembro encontra-se em Campos (RJ), realizando mais uma conferência açucareira. Em outubro desse ano, classifica-se em 1º lugar, para o cargo de Redator dos Debates da Câmara Federal.

         A realização da 4ª Conferência Açucareira de setembro de 1911, em Campos (RJ), contou com a presença de Sergipe, com os seguintes representantes: coronel Antônio Curvello de Mendonça, Antônio do Prado Franco (1880) e coronel Gonçalo de Faro Rollemberg (1860-1927).

         Em 1912, o professor Manoel Curvello de Mendonça foi nomeado para a cadeira de economia nacional, história da indústria contemporânea da Escola Normal, registra o Correio da Manhã de 13 de maio. No início do ano de 1913 a Sociedade Mineira de Agricultura, promove a realização em sua sede, uma série de conferências públicas, sobre teses agrícolas, em continuação a série iniciada pelo Dr. Carlos Botelho. As duas primeiras conferências foram feitas pelo Drs. Assis Brasil e Curvello de Mendonça. Finalmente, teve seu nome indicado pela diretoria do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, como sócio correspondente.

         Em 1913 o governo de São Paulo, para comemorar o fato notável da inauguração das obras de saneamento da cidade de Santos, publicou um Álbum, cheio de finíssimas gravuras relativas aos melhoramentos realizados na bela cidade marítima.

No Álbum encontra-se além de outros trabalhos, um primoroso texto de Curvello de Mendonça, sob o título “Princesa dos Mares”. Este texto, havia sido publicado em sua coluna d’ O País, (a folha de maior tiragem e de maior circulação na América do Sul) na edição de nº 10.067, de 29 de abril de 1912.

 


 


[1] Alberto Sales era irmão do presidente Campos Sales (

[2] Antônio Curvello de Mendonça era delegado do termo de Riachuelo, registra o Jornal de Aracaju, 23 de março de 1878, em junho de 1890 candidatou-se a uma vaga a Deputado no Congresso de Sergipe. Em 1908 foi nomeado Subdelegado de Socorro. Faleceu em 31 de outubro de 1914.

[3] No século XIX, o conceito de engenho no Brasil evoluiu de uma simples máquina de moer cana para designar toda a unidade produtiva açucareira, funcionando como uma fazenda complexa que abrangia terras, maquinário e força de trabalho. Embora tenha mantido raízes coloniais, o engenho oitocentista sofreu transformações técnicas e econômicas, coexistindo com a transição do trabalho escravo para o livre.

[4] A República em Sergipe, Baltazar Goes. Aracaju, SEC – Governo do Estado de Sergipe, 2005.

[5] O Republicano. Laranjeiras, nº 88, 28 de abril de 1891. (Correspondência de Pernambuco

Recife, Em 21 de abril de 1891)

[6] Jornal do Recife, nº 95, 29 de abril de 1891. 

[7] Rio Grande do Norte. Natal, nº 112, 26 de abril de 1891.

[8] Jornal do Recife, 26 de abril de 1991.

[9] Jornal do Recife, 21 de abril de 1891.

[10] Instituto Comercial do Rio de Janeiro, criado em 1856, foi a instituição responsável por sistematizar o ensino técnico comercial no Brasil, durante o século XX.

[11] Ofício assinado pelos membros da Diretoria: Antônio Curvello de Mendonça, Cyro Barreto de Menezes e José Pereira de Magalhães

[12] Joaquim Osório Duque-Estrada, poeta e critico literário, autor da letra do Hino Nacional Brasileiro.
———————————————————————————————————————————-
Jornalista, professor universitário, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e da Associação Sergipana de Imprensa – ASI, do Grupo Plena/CNPq/UFS e do GPCIR/CNPq/UFS. Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Sergipe –gilfrancisco.santos@gmail.com