domingo, 8 de março de 2026

ESCOLA DE APRENDIZES DE MARINHEIROS DE SERGIPE (1868 - 1885 / 1907 - 1931)

 

ESCOLA DE APRENDIZES-MARINHEIROS: INSTRUÇÃO PÚBLICA E FORMAÇÃO PROFISSIONAL MARÍTIMA PARA JOVENS MENOS FAVORECIDOS EM SERGIPE 

 

Por Adailton Andrade


                              No século XIX, a Marinha do Brasil em Sergipe não era apenas uma força de defesa, mas uma das principais instituições de assistência e instrução pública da província. A Companhia de Aprendizes-Marinheiros funcionava como um braço do Estado para acolher, educar e profissionalizar jovens que viviam à margem da sociedade, transformando os chamados "desvalidos" em marinheiros prontos para o serviço da Nação.


                                                          
Acervo  da Biblioteca  Nacional :


                               Entre o rigor militar e o acolhimento social, a Marinha Brasileira em Sergipe tornou-se o destino de órfãos e desvalidos em busca de um ofício e de cidadania no século XIX.


Acervo: Adailton Andrade


                  Em uma província onde as oportunidades de instrução eram escassas para as camadas populares, a Marinha do Brasil ergueu uma estrutura que misturava disciplina férrea e assistência social. A Companhia de Aprendizes-Marinheiros de Sergipe não era apenas uma escola de guerra; era, para muitos jovens em situação de vulnerabilidade, a única porta de entrada para a alfabetização e uma carreira profissional. Aracaju, 1878.


                        O recrutamento para a Companhia revelava a face assistencialista do Império. Conforme os Artigos 10º e 11º do regulamento de 1855, as vagas eram preenchidas por um mosaico da sociedade sergipana da época, 

   No Império do Brasil, as Escolas de Aprendizes-Marinheiros (EAM)  inicialmente chamadas de Companhias de Aprendizes-Marinheiros, surgiram como uma solução estratégica para dois grandes problemas da época: a falta de pessoal qualificado para a Marinha e a necessidade de "dar um destino" aos jovens pobres e órfãos das áreas urbanas.

   De acordo com os Relatórios dos Presidentes de Província, esta Instituição foi pleiteada por alguns Presidentes desde o início da década de 1860, sob a justificativa de que promoveria o atendimento às crianças e jovens órfãos existentes em Sergipe (RELATÓRIO, 1960). Em 20 de junho de 1864, assumia a presidência da Província Cincinato Pinto da Silva, que permaneceu no cargo até 1865.

Assim como o presidente que o antecedeu, Dr. Thomaz Alves Júnior, Cincinato Pinto da Silva também solicitou ao Ministro da Marinha a criação de uma Companhia de Aprendizes Marinheiros para Sergipe. Segundo ele, existia uma quantidade imensa de crianças que, por falta dos pais e de meios de subsistência, vagavam ociosas pelas praias e povoados, deixando de frequentar as escolas e a igreja. Por isso, era necessário educá-las e moralizá-las e, em sua opinião, nenhuma instituição seria mais proveitosa que a de Aprendizes Marinheiros.



Portanto, criada em 29 de fevereiro de 1868, pelo Decreto Imperial nº 4.112, a Companhia de Aprendizes Marinheiros de Sergipe visava o atendimento de crianças abandonadas e carentes. Além da promoção de mão-de-obra especializada, diminuindo os índices de criminalidade favorecendo uma formação básica nas primeiras letras e nos fazeres de marinheiros.

Seu funcionamento era regulado pelas disposições do Decreto nº 1.517 de 04 de janeiro de 1855, que definia o seu público-alvo, condições de acesso, educação oferecida, permanência, dentre outros elementos. Nos Artigos 15, 16 e 17, estão definidas as propostas para a formação dos aprendizes na associação entre instrução e formação para o trabalho. De acordo com o Presidente da Província, em 1875, a Companhia de Aprendizes Marinheiros de Sergipe oferecia instrução militar, técnica e primária às crianças e jovens desamparados, mas, em 1876 foi que se verificou uma maior aceitação da população, nesse período a Companhia Sergipana contava com a matrícula de 81 alunos. Fato que levou a Vice-Presidente da Província a afirmar que a repugnância que ao princípio manifestou o povo em admitir os seus filhos menores na Companhia de Aprendizes vai desaparecendo, tem alcançado que os meninos são bem-tratados, educados com desvelo e adquirem conhecimentos de um meio de vida decente para os futuros dias. 


A Companhia de Aprendizes Marinheiros de Sergipe funcionou até 1885 e seu fechamento aconteceu em decorrência do elevado gasto que onerava aos cofres públicos em função do seu quadro efetivo estar sempre aquém do número desejado. Foi através do Decreto nº 9.371 de 14 de fevereiro de 1885 que as Companhias foram reduzidas, reorganizadas e administradas por um novo regulamento, passando a denominar-se Escolas de Aprendizes Marinheiros, com o fim de educar e preparar marinheiros para os diversos serviços da marinha, sendo reduzidas nacionalmente, de 18 para 12 Escolas.

Decorridos vinte anos do seu fechamento, a instituição volta a funcionar em 1905 com o nome de Escola de Aprendizes Marinheiros, obedecendo à nova organização estabelecida pelo Decreto nº 9. 371 de 14 de fevereiro de 18853 e conforme o Decreto nº 5532 de 05 de maio de 1905. Nesse momento, sua proposta educacional sofreu algumas alterações, dentre elas: a idade do menor foi modificada para 13 a 16 anos, o ensino foi dividido em elementar e profissional e incentivou-se a entrada de aprendizes já alfabetizados.

A criação dessas Companhias (que posteriormente receberam o nome de escolas) foi uma tentativa que a Marinha Brasileira encontrou para oferecer marinheiros qualificados para servir a nação. Porém para formar esse marinheiro eram necessários a disciplinarização e manipulação do corpo, bem como o treinamento desses aprendizes. Sobre esse assunto versará o próximo e último tópico.


A Reforma de 1907 impinge novo regulamento às Escolas de Aprendizes Marinheiros por meio do Decreto N. 6582 de 1 de agosto de 1907 e a disciplina é reforçada através do sistema de recompensas. Nesse sentido, os aprendizes poderiam passar o mês de férias na casa dos pais ou tutores, sendo necessário que os responsáveis solicitassem isso por escrito ao comandante e que não houvesse nenhuma inconveniência registrada por parte dos menores (Art. 79).

Pode-se verificar que ao longo dos regulamentos citados a questão da disciplina nas instituições de aprendizes marinheiros esteve presente, a maneira de exercê-la, porém, muda com o passar dos anos. A disciplina que pune também gratifica, e as recompensas deveriam ser estimuladas em vez do castigo. Muda-se a estratégia, mas a coerção sob os aprendizes em nome da disciplina militar perdurará por toda a existência dessa instituição


Em 1923 Aracaju parou para ver os hidroaviões pousarem nas águas do Rio Sergipe. Naquela época, a aviação era uma fronteira quase mágica, e ver a Marinha do Brasil dominando os céus e os mares era motivo de imenso orgulho cívico. A recepção não foi apenas uma festa, mas um ato de hierarquia militar e civil. O Governador Graccho Cardoso, conhecido por seu espírito progressista, liderou as homenagens, reforçando os laços entre o Governo Estadual e a União (representada pela Marinha)

 A Escola de Aprendizes-Marinheiros representou uma das primeiras tentativas sistemáticas de oferecer instrução pública e profissionalizante em Sergipe. Ao focar em jovens menos favorecidos, a Marinha não apenas garantia seu quadro efetivo, mas oferecia uma trajetória de dignidade através do trabalho e da instrução, deixando um legado profundo na história da educação marítima brasileira.

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Fonte  de pesquisas :

                 COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS DE SERGIPE: ALGUMAS                 CONSIDERAÇÕES SOBRE CORPO E GÊNERO -  Solyane Silveira Lima




segunda-feira, 2 de março de 2026

Curvello de Mendonça, um republicano da anarquia rural

 

 GILFRANCISCO 

 

 

Curvello de Mendonça, um republicano da anarquia rural 

 

 Esse nome significa a de um grande intelectual que votou toda a sua vida ao estudo, especializando-se nos assuntos econômicos em que se faz mestre dos mais notáveis. Manoel Curvello de Mendonça (1870-1914), defensor erudito e interessado nos problemas que dizem respeito ao Brasil, apagando-se da vida esse grande espírito, não podemos deixar de tributar a devida homenagem ao eminente publicista sergipano, que abriu enorme vácuo na legião dos abnegados defensores dos interesses nacionais.

Jornalista vigoroso duma ilustração criteriosa e assentada na solidez de profundo estudos, tendo acima de tudo uma finíssima arte de observação e análise. É extraordinário o seu amor e interesse por todos os assuntos nacionais, pelos quais mais se devota a sua incansável atividade de publicista. Trabalhador honesto que nunca descansou na missão de que se achava encarregado.

 

   

O Republicano

O Republicano foi um importante veículo de propaganda durante o período do movimento republicano em Sergipe, no final do século XIX e início do XX, atuando junto ao Clube Republicano local para agitar a ideia da República e influenciar a elite intelectual e política da região: Ano I, nº 1, Laranjeiras, 11 de novembro de 1888 –  órgão do Partido Republicano, distribuição gratuita. Quatro páginas numeradas e três colunas. Impresso na Tipografia do Laranjeirense. Trazia o seguinte aviso na página principal:

Encetamos hoje a publicação do órgão republicano. Até dezembro próximo a distribuição será gratuita, passando de janeiro em diante a fazer-se as assinaturas, quando o jornal aumentará o formato. Prevenimos, pois, aos ilustres cidadãos que aceitarem os números deste jornal até essa data, serão considerados assinantes.


 

A partir da edição de 1º de janeiro de 1889, aparece na primeira página do jornal o corpo redacional:

 Silvio Romero, João Ribeiro, Lima Junior, Martins Junior, José Leandro, Virgílio de Lemos, Moreira Guimarães, Leonidio Porto, Evaristo de Moraes, Josino Menezes, Dr. O. Dantas, Nolasco, Coriolano, Tupy e Ratcliff. Redator Chefe, Felisbello Freire. Proprietário e Diretor: Joaquim Anastácio de Menezes. Da Corte colaboravam vários republicanos, jornalistas e políticos: Lopes Trovão, Silva Jardim, José Bonifácio, Evaristo de Moraes, Virgílio de Lemos, [1]Alberto Sales e outros.

Colaboração de Manoel Curvello de Mendonça, no jornal A República: A República em Sergipe, Ano I, nº3 – 21 de novembro de 1888 (pseudônimo, Luckner); Pela República. Ano I, – 6 de janeiro de 1889. (pseudônimo Luckner); A conferência do dr. Homero Dantas. Ano I, nº 10, 13 de janeiro de 1889 (pseudônimo Luckner); Depois da Abolição a Escravidão. Ano I, nº 13,3 de fevereiro de 1889. (pseudônimo Luckner); Horácio Hora.  nº 151, 1º de junho de 1890. (M. C. de Mendonça); Correspondência de Pernambuco. nº 88, 28 de abril de 1891. (M. C. de Mendonça).

 

 

Manoel Curvello de Mendonça, Filho de Antônio Curvello de Mendonça (1850-1914), agricultor [2] e D. Bárbara,                                                          nasceu a 29 de julho de 1870 no engenho Quintas de propriedade  da família, no povoado de Riachuelo, Sergipe. [3] O casal teve vários filhos, alguns como: Cecília, Anna, Amélia, Débora, Antonina, Abigail e Geonísio (Curvello de Mendonça n. 1877). Criado e educado na próspera cidade de Laranjeiras, distante aproximadamente duas léguas de Riachuelo, fez seus estudos complementares, inclusive os exames preparatórios no Atheneu Sergipense que teve início a partir de 5 de novembro de 1889, nas disciplinas História, Retórica e Filosofia, informa A Reforma, nº159, 7 de novembro de 1889.

Vejamos o que diz sobre o aluno Curvello de Mendonça, o republicano Baltazar de Araújo Goes (1853-1913), diretor do Liceu Laranjeirense:

É de ótima índole ne inteligência bem clara e bem aplica ao cultivo das letras.

Estudou a maior parte de seus preparatórios na cidade de Laranjeiras, no Colégio Liceu Laranjeirense, começando em 1883. Seu grande aproveitamento, provado por seus exames, foi resultado da boa aplicação de sua inteligência. [4]

 


 

O Liceu Laranjeirense fundado em 1882, instituição particular dirigido pelo professor Balthazar de Araújo Goes, figura de destaque no movimento republicano provincial, sendo um dos integrantes da Junta Provisória que assumiu o governo de Sergipe quando da Proclamação da República. Eficiente no ensino secundário, o Liceu Laranjeirense, conseguiu um corpo de excelentes professores, sendo alguns deste, mestres consagrados do Atheneu Sergipense. Sua criação veio suprir a deficiência da Região, para atender aos reclames dos senhores de engenho ou usineiros, desejosos por uma educação primorosa para seus filhos.

         Portanto, o Liceu era considerado o mais importante centro educacional da província, de onde saíram jovens alunos, que se destacaram na vida pública, ingressando em seguida às melhores Faculdades e Academias de Letras, ciências e militares do país. Muitos desses alunos como Laudelino Freire, Arthur Moreira, João Barroso, Antônio Dantas, Samuel de Oliveira e o próprio Manoel Curvello de Mendonça.

 


 

Fundada em 1605, Laranjeiras é a segunda cidade mais antiga de Sergipe. Em 6 de fevereiro de 1835, elevada a freguesia, ficou desmembrada de N. S. do Socorro da Cotiguiba. Laranjeiras no século XIX fazia parte de uma região com grande poder econômico. Era grande produtora de mandioca e coco, mas tinha na indústria açucareira sua principal fonte de renda. Só não se tornou a capital de Sergipe por conta de manobras políticas, dos partidos liberal e conservador.

         É uma das poucas cidades onde se pode ver a força da arquitetura colonial: ruas, casarios, igrejas, tudo respira a mais pura história. Berço da cultura e da propaganda republicana, educação, política e da economia sergipana, a cidade era denominada como a “Atenas Sergipana”

No artigo “Uma fase histórica de Laranjeiras”, escrito por Curvello de Mendonça, publicado no Almanack Sergipano para o ano de 1899, diz o seguinte:

         Era uma cidade afamada. Os médicos buscavam-na para centro de sua clínica, os advogados encontravam nela o foro mais ativo e rendoso da Província; finalmente, as classes industriais ai viam o melhor mercado para os seus produtos, nessa feira laranjeirense dos dias de sábado, notabilíssima pela abundância e variedades de gêneros, pela convivência de pessoas e atividade comercial que desenvolviam.

 

O jovem Curvello de Mendonça segue para Pernambuco e se matricula na Faculdade de Direito do Recife, onde recebe o grau de bacharel em ciências jurídicas e sociais, em dezembro de 1892. No ano seguinte, registra O Republicano de 2 de fevereiro, nº 58, chegada ao porto de Aracaju:

         Na companhia do digno cidadão Manoel Curvello de Mendonça, sra. Ana Curvello Freire, vistosa consorte do governador deste Estado, seus inocentes filhinhos, sua irmã, a exma. Sra. D. Estaquia Curvello e a menina Maria Curvello, filha deste.

         Curvello permanece alguns dias em Aracaju com seus familiares e retorna à Recife no vapor Jacuípe, chegando a esta cidade em 13 de março de 1890. Curvello cursa o primeiro ano na Faculdade de Direito, plenamente. Neste mesmo ano, informa A Província, do Recife de 15 de outubro, que o Círculo dos Estudantes Católicos de Pernambuco, efetuou a eleição de sua diretoria, sendo escolhido como 1º Orador, o acadêmico Manoel Curvello de Mendonça. Em 16 de dezembro do corrente, registra O Republicano nº 310, a chegada em Aracaju, do paquete Jaboatão, procedente do Recife, tendo saído a 10 de dezembro:

         No Jaboatão chegou a esta capital o talentoso moço sergipano Manoel Curvello de Mendonça, filho de nosso prezado amigo Antônio Curvello de Mendonça.

         Estimando-o pelo que mostra de sisudez e revela de inteligência, abraçamo-lo afetuosamente.

         Registra O Republicano de Laranjeiras que:

         Publicamos hoje a primeira correspondência do Recife. Traçou-o o acadêmico Manoel Curvello de Mendonça. Nosso particular amigo, e conterrâneo, que naquela capital vai fazendo com vantagem os seus primeiros ensaios jornalísticos nas colunas da Era Nova, de cuja redação faz parte. [5]

                        O Acadêmico de Direito

A Faculdade de Direito do Recife, foi criada em 11 de agosto de 1817 por decreto de D. Pedro I, originalmente instalada no Mosteiro de São Bento, em Olinda, antes de se transferir para a capital pernambucana em 1854. É uma das instituições de ensino superior mais antiga do Brasil, fundamental para o Direito e berço da “Escola do Recife”.

Entre 1890 e 1892, período em que Manoel Curvello de Mendonça conclui o curso, a Faculdade de Direito do Recife foi um caldeirão de efervescência política logo após a Proclamação da República, marcado por intenso debate intelectual e conflitos ideológicos. Estudantes e professores participaram de agitações ligadas à construção do novo regime, enfrentando tensões entre correntes positivistas, liberais e federalistas, além de participar de debates sobre as lutas operárias na região. Vejamos:

Os estudantes de Direito, reunidos em uma das salas da Faculdade, aprovaram a modificação feita no telegrama expedido ao Presidente da República publicado ontem pelo Jornal do Recife.

O telegrama expedido é conhecido nos seguintes termos:

Presidente Republica. Rio

Mocidade acadêmica reunida protesta demissão Dr. Seabra. Confia vossa dedicação patriotismo conservação dele, pugnando moralidade ensino, boa direção trabalhos Acadêmicos. Aguarda Vossa decisão., – Academia Recife.

Depois trataram da agressão brutal feita a um colega pelo subdelegado e comissário de polícia de Boavista, resolveram esperar dois dias pelo cumprimento das promessas dos cidadãos Governador e Chefe de Polícia, cônscios de que esses representantes do poder público procederão com justiça. [6]

O grave incidente, foi bastante divulgado na impressa, não somente local, alcançou outros estados do nordeste. A Província, publicou o manifesto assinado por 141 alunos da Faculdade de Direito, protestando contra a prisão e demissão do Dr. J. J. Seabra, lente da mesma Faculdade. [7]

A famosa relação dos Ex-alunos notáveis (1832-2007), aqueles que desempenharam papeis fundamentais na história política, intelectual e artística do Brasil, o nome de Manoel Curvello de Mendonça foi excluído. Sinal de que a própria instituição, desconhece totalmente a participação desse arguto republicano socialista que pensava o Brasil em suas grandes dimensões.

   Novos Informes da Imprensa

         Reuniram-se ontem, em uma das salas da Faculdade, muitos alunos dos respectivos cursos com o fim de deliberar sobre uma representação em que se pedisse ao Governo Federal a permanência ao Dr. J. J. Seabra no cargo de diretor da Faculdade.

         Chegando, porém, ao conhecimento dos manifestantes que os jornais da manhã haviam noticiado constar que o Governador manteria os atuais diretores das faculdades jurídicas, foi então nomeada uma comissão, composta dos Srs. Junqueira, Américo Velozo, Cunha Valle, Câncio e Argollo, para inteirar o Dr. Seabra dos intuitos da reunião e felicita-lo pela nova resolução de governo.

         Constando também, por essa ocasião achar-se enfermo, em Caxangá, o lente aposentado Dr. Francisco Pinto Pessoa, resolveram os Srs. Acadêmicos designar os seus colegas Tourinho, Chaves e Santiago para irem visitar o seu antigo mestre e presentear-lhe protestos de consideração por parte do corpo acadêmico. [8]

Em 20 abril de 1891 com outros quinze companheiros, Curvello de Mendonça assina em Caxangá o manifesto “Ao País”, que expunha a sua insatisfação ao governo do marechal Deodoro da Fonseca, que governou como presidente provisório e, após eleição indireta, constitucional até 23 de novembro de 1891, quando renunciou. [9]                         

                            O sonho Republicano na Corte

Em 1892 Mendonça encontra-se no 5º ano cursando as seguintes disciplinas na Faculdade de Direito de Pernambuco: Economia, Administrativo, Processo e Prática. No ano seguinte, Curvello fixa residência no Rio de Janeiro onde abraça a carreira do magistério e da imprensa. Muito moço foi nomeado chefe de seção da Intendência Municipal do Distrito Federal, em seguida é contemplado com uma nomeação em 1894, lente de direito mercantil e economia política, além de assumir a direção do Instituto Comercial. [10]

Criado como parte da reforma educacional do início da República o Pedagogium, importante Museu Pedagógico Nacional fundado no Rio de Janeiro em 1890/1919, durante a República Velha, atuando como um centro de modernização educacional que expunha materiais inovadores, métodos de ensino e até o primeiro laboratório de psicologia experimental do Brasil.  Boa parte do quadro docente do Museu também atuava no Instituto Comercial do Rio de Janeiro, era o caso dos professores Manoel Curvello de Mendonça, professor de Economia política no Pedagoguim e diretor e professor do Instituto Comercial; Sebastião Edmundo Marinho e Silva, professor de História Natural; Luiz Carlos Zamith, professor de Matemática; Antônio Tavares da Costa, professor de Escrituração mercantil; Francolino Cameu, professor de Estenografia; Luiz Pedro Drago, professor de Matemática e Jasper Lafayett, professor de inglês (Almanaque Laemmert, 1895).


 

 


O Republicano

O Republicano foi um importante veículo de propaganda durante o período do movimento republicano em Sergipe, no final do século XIX e início do XX, atuando junto ao Clube Republicano local para agitar a ideia da República e influenciar a elite intelectual e política da região: Ano I, nº 1, Laranjeiras, 11 de novembro de 1888 –  órgão do Partido Republicano, distribuição gratuita. Quatro páginas numeradas e três colunas. Impresso na Tipografia do Laranjeirense. Trazia o seguinte aviso na página principal:

Encetamos hoje a publicação do órgão republicano. Até dezembro próximo a distribuição será gratuita, passando de janeiro em diante a fazer-se as assinaturas, quando o jornal aumentará o formato. Prevenimos, pois, aos ilustres cidadãos que aceitarem os números deste jornal até essa data, serão considerados assinantes.

A partir da edição de 1º de janeiro de 1889, aparece na primeira página do jornal o corpo redacional:

 Silvio Romero, João Ribeiro, Lima Junior, Martins Junior, José Leandro, Virgílio de Lemos, Moreira Guimarães, Leonidio Porto, Evaristo de Moraes, Josino Menezes, Dr. O. Dantas, Nolasco, Coriolano, Tupy e Ratcliff. Redator Chefe, Felisbello Freire. Proprietário e Diretor: Joaquim Anastácio de Menezes. Da Corte colaboravam vários republicanos, jornalistas e políticos: Lopes Trovão, Silva Jardim, José Bonifácio, Evaristo de Moraes, Virgílio de Lemos, [1]Alberto Sales e outros.

Colaboração de Manoel Curvello de Mendonça, no jornal A República: A República em Sergipe, Ano I, nº3 – 21 de novembro de 1888 (pseudônimo, Luckner); Pela República. Ano I, – 6 de janeiro de 1889. (pseudônimo Luckner); A conferência do dr. Homero Dantas. Ano I, nº 10, 13 de janeiro de 1889 (pseudônimo Luckner); Depois da Abolição a Escravidão. Ano I, nº 13,3 de fevereiro de 1889. (pseudônimo Luckner); Horácio Hora.  nº 151, 1º de junho de 1890. (M. C. de Mendonça); Correspondência de Pernambuco. nº 88, 28 de abril de 1891. (M. C. de Mendonça).

Breve trajetória

Manoel Curvello de Mendonça, Filho de Antônio Curvello de Mendonça (1850-1914), agricultor [2] e D. Bárbara,                                                          nasceu a 29 de julho de 1870 no engenho Quintas de propriedade  da família, no povoado de Riachuelo, Sergipe. [3] O casal teve vários filhos, alguns como: Cecília, Anna, Amélia, Débora, Antonina, Abigail e Geonísio (Curvello de Mendonça n. 1877). Criado e educado na próspera cidade de Laranjeiras, distante aproximadamente duas léguas de Riachuelo, fez seus estudos complementares, inclusive os exames preparatórios no Atheneu Sergipense que teve início a partir de 5 de novembro de 1889, nas disciplinas História, Retórica e Filosofia, informa A Reforma, nº159, 7 de novembro de 1889.

Vejamos o que diz sobre o aluno Curvello de Mendonça, o republicano Baltazar de Araújo Goes (1853-1913), diretor do Liceu Laranjeirense:

É de ótima índole ne inteligência bem clara e bem aplica ao cultivo das letras.

Estudou a maior parte de seus preparatórios na cidade de Laranjeiras, no Colégio Liceu Laranjeirense, começando em 1883. Seu grande aproveitamento, provado por seus exames, foi resultado da boa aplicação de sua inteligência. [4]

            O Liceu Laranjeirense fundado em 1882, instituição particular dirigido pelo professor Balthazar de Araújo Goes, figura de destaque no movimento republicano provincial, sendo um dos integrantes da Junta Provisória que assumiu o governo de Sergipe quando da Proclamação da República. Eficiente no ensino secundário, o Liceu Laranjeirense, conseguiu um corpo de excelentes professores, sendo alguns deste, mestres consagrados do Atheneu Sergipense. Sua criação veio suprir a deficiência da Região, para atender aos reclames dos senhores de engenho ou usineiros, desejosos por uma educação primorosa para seus filhos.

         Portanto, o Liceu era considerado o mais importante centro educacional da província, de onde saíram jovens alunos, que se destacaram na vida pública, ingressando em seguida às melhores Faculdades e Academias de Letras, ciências e militares do país. Muitos desses alunos como Laudelino Freire, Arthur Moreira, João Barroso, Antônio Dantas, Samuel de Oliveira e o próprio Manoel Curvello de Mendonça.

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Fundada em 1605, Laranjeiras é a segunda cidade mais antiga de Sergipe. Em 6 de fevereiro de 1835, elevada a freguesia, ficou desmembrada de N. S. do Socorro da Cotiguiba. Laranjeiras no século XIX fazia parte de uma região com grande poder econômico. Era grande produtora de mandioca e coco, mas tinha na indústria açucareira sua principal fonte de renda. Só não se tornou a capital de Sergipe por conta de manobras políticas, dos partidos liberal e conservador.

         É uma das poucas cidades onde se pode ver a força da arquitetura colonial: ruas, casarios, igrejas, tudo respira a mais pura história. Berço da cultura e da propaganda republicana, educação, política e da economia sergipana, a cidade era denominada como a “Atenas Sergipana”

No artigo “Uma fase histórica de Laranjeiras”, escrito por Curvello de Mendonça, publicado no Almanack Sergipano para o ano de 1899, diz o seguinte:

         Era uma cidade afamada. Os médicos buscavam-na para centro de sua clínica, os advogados encontravam nela o foro mais ativo e rendoso da Província; finalmente, as classes industriais ai viam o melhor mercado para os seus produtos, nessa feira laranjeirense dos dias de sábado, notabilíssima pela abundância e variedades de gêneros, pela convivência de pessoas e atividade comercial que desenvolviam.

O jovem Curvello de Mendonça segue para Pernambuco e se matricula na Faculdade de Direito do Recife, onde recebe o grau de bacharel em ciências jurídicas e sociais, em dezembro de 1892. No ano seguinte, registra O Republicano de 2 de fevereiro, nº 58, chegada ao porto de Aracaju:

         Na companhia do digno cidadão Manoel Curvello de Mendonça, sra. Ana Curvello Freire, vistosa consorte do governador deste Estado, seus inocentes filhinhos, sua irmã, a exma. Sra. D. Estaquia Curvello e a menina Maria Curvello, filha deste.

         Curvello permanece alguns dias em Aracaju com seus familiares e retorna à Recife no vapor Jacuípe, chegando a esta cidade em 13 de março de 1890. Curvello cursa o primeiro ano na Faculdade de Direito, plenamente. Neste mesmo ano, informa A Província, do Recife de 15 de outubro, que o Círculo dos Estudantes Católicos de Pernambuco, efetuou a eleição de sua diretoria, sendo escolhido como 1º Orador, o acadêmico Manoel Curvello de Mendonça. Em 16 de dezembro do corrente, registra O Republicano nº 310, a chegada em Aracaju, do paquete Jaboatão, procedente do Recife, tendo saído a 10 de dezembro:

         No Jaboatão chegou a esta capital o talentoso moço sergipano Manoel Curvello de Mendonça, filho de nosso prezado amigo Antônio Curvello de Mendonça.

         Estimando-o pelo que mostra de sisudez e revela de inteligência, abraçamo-lo afetuosamente.

         Registra O Republicano de Laranjeiras que:

         Publicamos hoje a primeira correspondência do Recife. Traçou-o o acadêmico Manoel Curvello de Mendonça. Nosso particular amigo, e conterrâneo, que naquela capital vai fazendo com vantagem os seus primeiros ensaios jornalísticos nas colunas da Era Nova, de cuja redação faz parte. [5]

                        O Acadêmico de Direito

A Faculdade de Direito do Recife, foi criada em 11 de agosto de 1817 por decreto de D. Pedro I, originalmente instalada no Mosteiro de São Bento, em Olinda, antes de se transferir para a capital pernambucana em 1854. É uma das instituições de ensino superior mais antiga do Brasil, fundamental para o Direito e berço da “Escola do Recife”.

Entre 1890 e 1892, período em que Manoel Curvello de Mendonça conclui o curso, a Faculdade de Direito do Recife foi um caldeirão de efervescência política logo após a Proclamação da República, marcado por intenso debate intelectual e conflitos ideológicos. Estudantes e professores participaram de agitações ligadas à construção do novo regime, enfrentando tensões entre correntes positivistas, liberais e federalistas, além de participar de debates sobre as lutas operárias na região. Vejamos:

Os estudantes de Direito, reunidos em uma das salas da Faculdade, aprovaram a modificação feita no telegrama expedido ao Presidente da República publicado ontem pelo Jornal do Recife.

O telegrama expedido é conhecido nos seguintes termos:

Presidente Republica. Rio

Mocidade acadêmica reunida protesta demissão Dr. Seabra. Confia vossa dedicação patriotismo conservação dele, pugnando moralidade ensino, boa direção trabalhos Acadêmicos. Aguarda Vossa decisão., – Academia Recife.

Depois trataram da agressão brutal feita a um colega pelo subdelegado e comissário de polícia de Boavista, resolveram esperar dois dias pelo cumprimento das promessas dos cidadãos Governador e Chefe de Polícia, cônscios de que esses representantes do poder público procederão com justiça. [6]

O grave incidente, foi bastante divulgado na impressa, não somente local, alcançou outros estados do nordeste. A Província, publicou o manifesto assinado por 141 alunos da Faculdade de Direito, protestando contra a prisão e demissão do Dr. J. J. Seabra, lente da mesma Faculdade. [7]

A famosa relação dos Ex-alunos notáveis (1832-2007), aqueles que desempenharam papeis fundamentais na história política, intelectual e artística do Brasil, o nome de Manoel Curvello de Mendonça foi excluído. Sinal de que a própria instituição, desconhece totalmente a participação desse arguto republicano socialista que pensava o Brasil em suas grandes dimensões.

   Novos Informes da Imprensa

         Reuniram-se ontem, em uma das salas da Faculdade, muitos alunos dos respectivos cursos com o fim de deliberar sobre uma representação em que se pedisse ao Governo Federal a permanência ao Dr. J. J. Seabra no cargo de diretor da Faculdade.

         Chegando, porém, ao conhecimento dos manifestantes que os jornais da manhã haviam noticiado constar que o Governador manteria os atuais diretores das faculdades jurídicas, foi então nomeada uma comissão, composta dos Srs. Junqueira, Américo Velozo, Cunha Valle, Câncio e Argollo, para inteirar o Dr. Seabra dos intuitos da reunião e felicita-lo pela nova resolução de governo.

         Constando também, por essa ocasião achar-se enfermo, em Caxangá, o lente aposentado Dr. Francisco Pinto Pessoa, resolveram os Srs. Acadêmicos designar os seus colegas Tourinho, Chaves e Santiago para irem visitar o seu antigo mestre e presentear-lhe protestos de consideração por parte do corpo acadêmico. [8]

Em 20 abril de 1891 com outros quinze companheiros, Curvello de Mendonça assina em Caxangá o manifesto “Ao País”, que expunha a sua insatisfação ao governo do marechal Deodoro da Fonseca, que governou como presidente provisório e, após eleição indireta, constitucional até 23 de novembro de 1891, quando renunciou. [9]                         

                            O sonho Republicano na Corte

Em 1892 Mendonça encontra-se no 5º ano cursando as seguintes disciplinas na Faculdade de Direito de Pernambuco: Economia, Administrativo, Processo e Prática. No ano seguinte, Curvello fixa residência no Rio de Janeiro onde abraça a carreira do magistério e da imprensa. Muito moço foi nomeado chefe de seção da Intendência Municipal do Distrito Federal, em seguida é contemplado com uma nomeação em 1894, lente de direito mercantil e economia política, além de assumir a direção do Instituto Comercial. [10]

Criado como parte da reforma educacional do início da República o Pedagogium, importante Museu Pedagógico Nacional fundado no Rio de Janeiro em 1890/1919, durante a República Velha, atuando como um centro de modernização educacional que expunha materiais inovadores, métodos de ensino e até o primeiro laboratório de psicologia experimental do Brasil.  Boa parte do quadro docente do Museu também atuava no Instituto Comercial do Rio de Janeiro, era o caso dos professores Manoel Curvello de Mendonça, professor de Economia política no Pedagoguim e diretor e professor do Instituto Comercial; Sebastião Edmundo Marinho e Silva, professor de História Natural; Luiz Carlos Zamith, professor de Matemática; Antônio Tavares da Costa, professor de Escrituração mercantil; Francolino Cameu, professor de Estenografia; Luiz Pedro Drago, professor de Matemática e Jasper Lafayett, professor de inglês (Almanaque Laemmert, 1895).

                                  Sociedade União Agrícola

 

Em 1901, a Sociedade Agrária da cidade de Laranjeiras, presidida por Antônio Curvello de Mendonça, pai do jornalista Manoel Curvello de Mendonça, participa do Congresso de Agricultura no Rio de Janeiro. Em ofício [11] dirigido ao presidente do Congresso, louva na patriótica iniciativa dos seus organizadores, e apresenta como seu delegado o Dr. Manoel Curvello de Mendonça. Segundo o deputado federal por Sergipe, Fausto Cardoso (1864-1906), em discurso publicado no Diário Oficial de 8 de outubro de 1901 (Anais da Câmara) afirma ter recebido em 18 de junho, um telegrama circular da União Agrícola, de Laranjeiras:

Laranjeiras, 18 de junho de 1901, – Deputado Fausto Cardoso – Rio – Solicitamos representação Sergipe adquira auxilio lavoura Estado ameaçado ruina afim atravessar crise atual. – Diretoria União Agrícola.

Em 20 do mês, sobre o mesmo assunto O Estado de Sergipe, órgão do Governo, reconhecendo a crise enfrentada pelos agricultores da região, diz o seguinte:

A digna diretoria da Sociedade União Agrícola da cidade de Laranjeiras, não tendo meio para conjugar a crise cruel por que está passando a depauperada agricultura do Estado, deliberou dirigir-se por telegrama aos exms. representantes do mesmo, no Senado e na Câmara, solicitando-lhes adquirissem os auxílios de que urgentemente necessita a referida agricultura.

Além disso, trouxe o seu alvitre ao conhecimento de S. Ex., o sr. Presidente do Estado, pedindo-lhe que com a valiosa influência de que dispõe entre os amigos da capital Federal, nas duas casas do Congresso, ampare e secundo a sua solicitação, dirigindo-se aos mesmos.

Fazemos os mais calorosos votos para que sejam coroados dos mais lisonjeiros resultados os intuitos da honrada e patriótica associação laranjeirense.

                                      Novas Publicações

 Em 1896, Curvello publica “A Construção no Brasil” na Revista do Instituto Didático, nº4, Ano I (publicação mensal), Rio de Janeiro, cujo redatores eram Duque-Estrada (1870-1927) e Laudelino Freire (1873-1937). [12] Em junho de 1904 foi lançado o semanário O Subúrbio, destinado a defender os interesses do povo, cujo proprietário J. Vigier & C., tem como diretor Américo de Albuquerque e um corpo de redação, do qual fazem parte, entre outros Fábio Luz, Vital Fontenelle, Silva Nunes. Entre os colaboradores estão Curvello de Mendonça, Guimarães Passos, Eliza Scheld, Lima Campos. Pedro Couto, Luiz Muriat, Cândido Jucá e outros. O conteúdo dos artigos do mais palpitante interesse para a zona suburbana.

         Curvello nutria uma grande admiração pelo jornalista republicano e colaborador do jornal O Republicano, Silva Jardim (1860-1891), advogado e ativista, orador inflamado nos comícios, defendia uma republica popular, mas foi marginalizado após sua proclamação. Motivado por sua retórica, publica nos Anais, nº78, Rio de Janeiro, em 1906 o ensaio “A Morte de Silva Jardim”.

Em 7 de dezembro de 1907, na qualidade de delegado, emissário do governo federal encarregado de promover a representação de alguns Estados do Norte, a Exposição Nacional de 1908, Mendonça realiza conferência no palacete da Phenix Caxeiral (Ceará), propagando a realização da futura Exposição no Rio de Janeiro.

Entre os anos de 1906 e 1908, Curvelho de Mendonça publica na Revista Agrícola, órgão da Sociedade Sergipana de Agricultora, vários artigos:  Aspectos Econômicos (15 de dezembro, 1906); A crise do Açúcar (15 de setembro, 1906); Notícias Diversas (15. Setembro, 1906); Notícias Diversas (15, dezembro, 1906) e Notícias Diversas (1º, agosto, 1908).

         Em maio de 1909, a Sociedade União dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro, promoveu algumas conferências públicas, realizada no Museu Comercial. O título da conferência de Curvello, foi “O Comércio e a escravidão econômica. Foram muitas as conferências realizadas por Curvello, durante a sua trajetória de publicista. Dois anos depois, em 28 de setembro encontra-se em Campos (RJ), realizando mais uma conferência açucareira. Em outubro desse ano, classifica-se em 1º lugar, para o cargo de Redator dos Debates da Câmara Federal.

         A realização da 4ª Conferência Açucareira de setembro de 1911, em Campos (RJ), contou com a presença de Sergipe, com os seguintes representantes: coronel Antônio Curvello de Mendonça, Antônio do Prado Franco (1880) e coronel Gonçalo de Faro Rollemberg (1860-1927).

         Em 1912, o professor Manoel Curvello de Mendonça foi nomeado para a cadeira de economia nacional, história da indústria contemporânea da Escola Normal, registra o Correio da Manhã de 13 de maio. No início do ano de 1913 a Sociedade Mineira de Agricultura, promove a realização em sua sede, uma série de conferências públicas, sobre teses agrícolas, em continuação a série iniciada pelo Dr. Carlos Botelho. As duas primeiras conferências foram feitas pelo Drs. Assis Brasil e Curvello de Mendonça. Finalmente, teve seu nome indicado pela diretoria do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, como sócio correspondente.

         Em 1913 o governo de São Paulo, para comemorar o fato notável da inauguração das obras de saneamento da cidade de Santos, publicou um Álbum, cheio de finíssimas gravuras relativas aos melhoramentos realizados na bela cidade marítima.

No Álbum encontra-se além de outros trabalhos, um primoroso texto de Curvello de Mendonça, sob o título “Princesa dos Mares”. Este texto, havia sido publicado em sua coluna d’ O País, (a folha de maior tiragem e de maior circulação na América do Sul) na edição de nº 10.067, de 29 de abril de 1912.

 


 


[1] Alberto Sales era irmão do presidente Campos Sales (

[2] Antônio Curvello de Mendonça era delegado do termo de Riachuelo, registra o Jornal de Aracaju, 23 de março de 1878, em junho de 1890 candidatou-se a uma vaga a Deputado no Congresso de Sergipe. Em 1908 foi nomeado Subdelegado de Socorro. Faleceu em 31 de outubro de 1914.

[3] No século XIX, o conceito de engenho no Brasil evoluiu de uma simples máquina de moer cana para designar toda a unidade produtiva açucareira, funcionando como uma fazenda complexa que abrangia terras, maquinário e força de trabalho. Embora tenha mantido raízes coloniais, o engenho oitocentista sofreu transformações técnicas e econômicas, coexistindo com a transição do trabalho escravo para o livre.

[4] A República em Sergipe, Baltazar Goes. Aracaju, SEC – Governo do Estado de Sergipe, 2005.

[5] O Republicano. Laranjeiras, nº 88, 28 de abril de 1891. (Correspondência de Pernambuco

Recife, Em 21 de abril de 1891)

[6] Jornal do Recife, nº 95, 29 de abril de 1891. 

[7] Rio Grande do Norte. Natal, nº 112, 26 de abril de 1891.

[8] Jornal do Recife, 26 de abril de 1991.

[9] Jornal do Recife, 21 de abril de 1891.

[10] Instituto Comercial do Rio de Janeiro, criado em 1856, foi a instituição responsável por sistematizar o ensino técnico comercial no Brasil, durante o século XX.

[11] Ofício assinado pelos membros da Diretoria: Antônio Curvello de Mendonça, Cyro Barreto de Menezes e José Pereira de Magalhães

[12] Joaquim Osório Duque-Estrada, poeta e critico literário, autor da letra do Hino Nacional Brasileiro.
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Jornalista, professor universitário, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e da Associação Sergipana de Imprensa – ASI, do Grupo Plena/CNPq/UFS e do GPCIR/CNPq/UFS. Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Sergipe –gilfrancisco.santos@gmail.com   

 

 

 

 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

ARACAJU 171 ANOS: O RIO QUE DEU VIDA AO TABULEIRO DE XADREZ

 

 

ARACAJU 171 ANOS: O RIO QUE DEU VIDA AO TABULEIRO

 DE XADREZ

 

 

 Por Adailton Andrade -Historiador  

    

Em 17 de março de 2026, Aracaju celebra seus 171 anos consolidada como um dos principais polos tecnológicos e industriais do Nordeste. No entanto, para compreender a metrópole de hoje, é preciso mergulhar nas águas turvas do Rio Sergipe em meados do século XIX. A transferência da capital, de São Cristóvão para o "pântano planejado" da Barra dos Coqueiros, é frequentemente lida como um triunfo da engenharia civil, mas novos olhares historiográficos revelam que a cidade teria naufragado antes mesmo de nascer sem o suporte técnico da Marinha do Brasil.

 


Enquanto Inácio Joaquim Barbosa [1] desenhava o futuro político da província, a Capitania dos Portos de Sergipe (CPSE) preparava o terreno ou melhor, as águas. Reativada estrategicamente em outubro de 1854, exatos cinco meses antes da fundação oficial da capital, a Capitania funcionou como o "pilar invisível" do projeto. Sob o comando do Capitão de Mar e Guerra José Moreira Guerra [2], a instituição assumiu a missão crítica de domar as barras dos rios sergipanos, conhecidas por bancos de areia móveis que faziam de cada atracagem um risco de morte e prejuízo comercial.

 

Diferente de cidades que cresceram organicamente ao redor de igrejas, Aracaju nasceu olhando para o rio. O plano em "tabuleiro de xadrez" de Sebastião Pirro [3] só se tornou viável porque a Marinha garantiu o fluxo constante de materiais, alimentos e, principalmente, de uma nova classe social de funcionários e militares que formariam a elite urbana da capital nascente. O porto não era apenas um ponto de chegada; era o coração econômico que conectava o açúcar sergipano ao mundo.



Hoje, ao observarmos o Distrito Industrial e os centros de inovação tecnológica que definem a Aracaju de 2026, percebemos que a "cidade do futuro" de 1855 cumpriu seu papel. O esforço de Moreira Guerra no século XIX pavimentou as estradas líquidas que permitiram a transição de Sergipe para a modernidade. A história de Aracaju, portanto, não está escrita apenas no asfalto de suas ruas retas, mas profundamente gravada no leito do Rio Sergipe.



 
 





A Capitania dos Portos de Sergipe (CPSE) desempenhou um papel fundamental e estratégico na consolidação de Aracaju como a nova capital do estado em 1855. Enquanto a transferência da sede do governo de São Cristóvão para o litoral foi uma decisão administrativa e política, a viabilidade prática da nova cidade dependeu diretamente da organização do tráfego marítimo e fluvial coordenada pela Capitania.


Estes documentos narram a trajetória histórica da Capitania dos Portos de Sergipe, destacando seu papel vital na fundação e consolidação de Aracaju como capital provincial no século XIX. O texto detalha a atuação do primeiro comandante, José Moreira Guerra, cujos esforços técnicos na navegação e segurança das barras fluviais permitiram a sobrevivência econômica da nova cidade. A narrativa abrange a evolução de marcos icônicos, como o Farol de Aracaju e a Ponte do Imperador, além de registrar visitas reais e a participação da Marinha em conflitos políticos e ações sanitárias. Também são exploradas biografias de personalidades ligadas à instituição, como o almirante Amintas Jorge e o artista Artur Bispo do Rosário. Por fim, as fontes celebram o legado da autoridade marítima até a atualidade, mencionando parcerias com a SOAMAR e a modernização da infraestrutura portuária na região.





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Notas de Rodapé

[1] Inácio Joaquim Barbosa: Presidente da Província de Sergipe (1853-1855). Foi o mentor político da transferência da capital, enfrentando forte oposição da elite agrária de São Cristóvão.

[2] José Moreira Guerra: Oficial da Marinha que liderou os trabalhos de balizamento e sondagem da barra do Rio Sergipe, garantindo a segurança necessária para que o porto de Aracaju se tornasse o principal entreposto comercial da região.

[3] Tabuleiro de Xadrez (Quadrado de Pirro): Modelo urbanístico aplicado pelo engenheiro Sebastião Basílio Pirro, caracterizado por ruas que se cruzam em ângulos retos. Foi uma das primeiras experiências de planejamento urbano sistemático no Brasil imperial.