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domingo, 18 de agosto de 2013

GABINETE DE LEITURA DE MARUIM




GABINETE DE LEITURA DE MARUIM:
 136 ANOS DE HISTÓRIA


Os Gabinetes de Leitura criados no Brasil pelos portugueses, o do Rio de Janeiro foi o primeiro, mais tarde virão os do Recife (1850) e o da Bahia (1863). Sabe-se ainda da existência de outros Gabinetes fundados normalmente por estrangeiros que residiam no Brasil neste momento. Em Sergipe existiram, o Gabinete Literário Laranjeirense, o Gabinete de Leitura de Riachuelo, Gabinete de Leitura de Tobias Barreto, e o Gabinete de leitura de Maruim que esse ano esta completando 136 nos  de existência  como guardiã  na história e memória  do povo sergipano.



O Gabinete de Leitura de Maruim teve como mentor o cônsul Otto Schramm. As cartas de sua tia Adolphine revelam que em 1860, já possuía em sua residência um rico acervo, que possivelmente, todo ou parcialmente, fora transferido para a biblioteca do Gabinete. Estamos tratando de um espaço de sociabilidade, com um vasto capital cultural, não só para Maruim, mas de referência em Sergipe; tanto enquanto Província do Império, como em Estado da Federação, haja vista a importância deste espaço em ocasião dos acalorados debates liberais republicanos.


 
Dr. Thomaz Rodrigues da Cruz

Primeiro Presidente do Gabinete de Leitura

(1852-1919)

                  

Ultimamente o historiador Denio Azevedo tem pesquisado a fundo a história do Gabinete de leitura, e nesse aniversario dos 136 anos será um dos conferencistas das comemorações, segundo o pesquisador, o alemão  Otto Schramm é o grande responsável pela criação do Gabinete de Leitura de Maruim em 1877, uma instituição privada, veiculadora dos ideais liberais, abolicionistas e republicanos.



De acordo com o catalogo  do Gabinete, no acervo da instituição em Maruim no final do século XIX, constava obras de Voltaire (1860), Rousseau (1857), Júlio Verne (1878), Michelet (1863), Balzac (1863), M. A. Thiers (1862) com a sua “História da Revolução Francesa”, Antônio Feliciano de Castilho (1863) em “Camões: estudo histórico e poético”, Frédéric Soulie (1852) com “Le Veau d’or”, I. F. da Silva e L. A. Rebello da Silva (1853) em “Poesias de Manuel Maria de Barbosa du Bocage”, Sebastião da Rocha Pitta (1880) “História da América Portugueza”, Visconde de Taunay (1896) com “Innocencia”. Obras normalmente editadas em Paris, Bruxelas e Lisboa.


João Rodrigues da Cruz
Patrocinador do Gabinete de Leitura
(1844-1893)
         
 Em 1889 os sócios do Gabinete de Leitura de Maruim inauguram a “Revista Literária”, que circulou durante dois anos. Lembrando que esta instituição tinha a sua própria tipografia.
 O Gabinete era um dos locais onde a nova tendência política seria apresentada, portanto, um grupo que fazia “oposição” ao principal representante político e econômico do município, o Barão de Maruim, decide fundar o Gabinete e difundir os ideais liberais, buscando o reconhecimento por parte da população de um capital simbólico necessário para moldar a sociedade em questão.
 Os liberais republicanos queriam criar uma identidade e a maneira escolhida para tal foi a de criticar a organização política, econômica e cultural do Império A crença de que era possível construir uma imagem de progresso, levar Sergipe rumo à civilização, com os ideais liberais e republicanos que marcavam a realidade nacional neste momento da criação do Gabinete de Leitura de Maruim e participar ativamente no processo de construção desta identidade são os principais fatores que incentivaram a participação desses agentes em instituições culturais como o Gabinete de Leitura de Maruim.
 A base de sustentação dos seus discursos foi os ideais liberais e republicanas, se tornando como instituições de utilidade pública, o que demonstrava a sua relação direta com o estado. Já com relação à necessidade de democratização da cultura, almejavam ampliar a ação instrutiva para os grupos economicamente menos favorecidos da sociedade, fundando escolas, franqueando ao público uma Biblioteca, promovendo conferências literárias e científicas,  colóquios, festejos no período de aniversário das instituições, e  os saraus.
Como advento da República, percebe-se uma mudança significativa nas relações do Gabinete de Leitura de Maruim com os Governantes de Sergipe, que podem ser exemplificados através do reconhecimento de Utilidade Pública através do Deputado Federal, natural de Maruim, Deodato Maia, o Gabinete de  Maruim é reconhecido de Utilidade Pública Federal em 1º de outubro de 1919, através do decreto federal nº 3776 ou de concessão de subvenções. A esfera pública que inicia como particular e literária, sobrevivendo apenas das doações dos seus sócios, passa a ter um auxílio expressivo do Estado.
Na sua inauguração o Gabinete funcionava em uma casa alugada à rua do Cabula, atualmente rua Fausto Cardoso e em 17 de janeiro de 1926, com o auxílio da Prefeitura Municipal, adquiriu um prédio próprio na Praça da Matriz O Gabinete de Leitura de Maruim surge enquanto lugar da sociabilidade, uma esfera pública aonde, atrelada a outras instituições liberais e republicanas, no Brasil.
Ressaltamos que na tribuna do Gabinete passaram grandes conferencistas como, Tobias Barreto, Silvio Romero, Fausto Cardoso, Gumercindo Bessa, Felisbelo Freire, Homero de Oliveira e tantos  outros , temos nos dias atuais  como conferencista, a Prof.ª Verônica Nunes, Aglaé Fontes de Alencar,  prof.ª Lucia Marques e o Prof. Denio  Azevedo.


Nas comemorações de aniversario do gabinete de Leitura se mantei as tradições das grandes conferencias, de trazer para a sociedade temos importantes que vem contribuir para a preservação e memória da cultura local. Denio Azevedo, a bióloga Lúcia Marques e Verônica Nunes são os novos conferencistas, suas temáticas voltada para a  história e memória do Gabinete de leitura de Maruim nos seus 136 anos de tradição, abrindo sua tribuna para os grandes intelectuais da nossa História.





domingo, 7 de julho de 2013

EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE SERGIPE


SERGIPE, 193 ANOS DA EMANCIPAÇÃO.

[1]Adailton Andrade

Em 8 de Julho de 1820, D. João VI,  segundo  alguns historiadores, se sentia grato com a participação da elite sergipana no processo de expansão da revolução pernambucana de 1817, decretava Sergipe independente da Bahia e nomeava Carlos César Burlamaqui  para ser seu primeiro governante. Mas a Bahia não aceitou tão fácil assim tomando outras medidas  prendendo  o senhor  Burlamaqui.  D. Pedro I, que assumiu depois da abdicação de seu pai e proclamou a independência do Brasil, confirmou, por Carta Imperial, em 5 de dezembro de 1822 a Carta Régia de D. João VI, concedendo a autonomia de Sergipe.
O 8 de julho, data considerada o dia da Sergipanidade, por ser a data em que Sergipe conquistou sua emancipação política da Bahia. A data é marcada todos os anos, por diversas comemorações que envolvem o fazer cultural sergipano e a valorização do seu povo, nessa data, Sergipe comemorará 193 anos de emancipação política, mas oficialmente o dia da Sergipanidade ficou  mesmo com a outra data que antes também se comemorava o dia e emancipação do estado o então 24 de outubro.




Uma data que agora tem outro sentido, comemoramos o dia do sentimento, do orgulho de ser sergipano, esse termo sergipanidade foi usado primeiramente por Tobias Barreto, mas somente nas últimas duas décadas que a Sergipanidade começou a ser tratada como um conceito cultural, capaz de inspirar artistas, escritores, pensadores, qualificando compromisso das manifestações da cultura sergipana.
  A Carta Régia que desanexou da Capitania da Bahia o território de Sergipe, emancipando-o politicamente, completa 193 anos, e é, ainda, uma referência, um marco, para a compreensão da história. Por mais que os episódios gerados pela decisão de Dom João VI ainda careçam de melhor interpretação, o 8 de julho de 1820 tem sido convertido no símbolo da liberdade, da independência, da autonomia econômica, da construção da sociedade sergipana.  





Muitos Historiadores compreende que a Emancipação política de Sergipe resultou de uma luta madura, empreendida pela elite produtora local - criadores de gado e senhores de engenho – até então responsáveis pelo abastecimento das grandes Capitanias da Bahia e de Pernambuco.
Mas, antes da emancipação politica tivemos a emancipação jurídica com e criação de suas ouvidorias em terras sergipanas.



Sergipe conquista sua autonomia jurídica em 1696 com a criação da comarca de Sergipe, sendo Diogo Pacheco de Carvalho nomeado como primeiro ouvidor, e logo no ano seguinte em 1697, o governador-geral do Brasil ordenou ao  ouvidor-geral de Sergipe, Diogo Pacheco de Carvalho, a criação de vilas nas povoações de Itabaiana e Lagarto, e outra no Porto da Cotinguiba. Naquele mesmo ano, a Câmara de São Cristóvão instala a sede da Vila de Santo Amaro, em homenagem ao fundador Amaro Aires da Rocha, no Porto da Cotinguiba. Contudo, Martins de Azevedo não queria a vila no porto. Além de prejudicar seu engenho, a localidade sofria com as inundações.
O desenvolvimento da capitania de Sergipe tendo seus moldes dentro de uma politica mercantilista Filipina tem o objetivo de levar grandes lucros ao tesouro Real.



A agricultura e a pecuária foi o que mais  desenvolveu no inicio da colonização e com a doação das sesmarias inicia-se o desenvolvimento da capitania. Em 1694 a câmara de São Cristóvão já solicitava um ouvidor, mas isso só acontece dois anos mais tarde. Sendo assim, a Capitania de Sergipe D’el Rey passou a ter, por definitivo, seu ouvidor  começando uma disputa dos ouvidores pela casa sempre quando saia um Ouvidor.
A reação da Bahia, rejeitando os fatos, criando obstáculos, gerando conflitos, bem demonstra a tutela, para adiar a decisão do Rei. As circunstâncias da Independência do Brasil serviram para que a decisão da Carta Régia de 8 de julho de 1820 fosse confirmada e referendada por Pedro I, que chegou a elevar, novamente, São Cristóvão à condição de cidade, para ser a capital de Sergipe. A Constituição do Império, que é de 1824, colocou Sergipe entre as Províncias do Brasil, consolidando a Emancipação de 8 de julho de 1820.
O Conselho Geral e o Conselho da Província expõem, em suas sessões, os problemas e demandas. Sergipe, então, é um território produtor de gado e de açúcar, com outras atividades econômicas de menor porte, dando os primeiros passos para organizar-se politicamente. Surgem os primeiros grupamentos políticos, começam a circular os jornais, como se fossem preparativos para o que viria com o Ato Adicional de 1834 e suas conseqüências, como a instalação da Assembléia Legislativa Provincial, vitrine que mostrava a expansão política da Província. A partir de 1836, ou em torno desta data, aparece o civismo sergipano em torno da Emancipação. O poeta e professor Oliveira Campos faz a letra do Hino de Sergipe, musicado pelo frade José de Santa Cecília, durante muitos anos residente no Convento Franciscano de São Cristóvão. O dia 24 de outubro, considerado como a data definitiva da Emancipação, passa a simbolizar a liberdade, como um feriado que enchia as ruas de sergipanos em festa, mostrando o que de melhor tinha para celebrar Sergipe.

O Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, fundado em 1912, a Academia Sergipana de Letras, em 1929, que ainda hoje resistem, dentre tantas outras iniciativas no curso do tempo. Essas duas casas estão com uma programação especiais nessas datas de grande importância para Sergipe, este ano o IHGSE, estará com um evento todo especial para comemorar essa data, pois serão abordadas questões importantes, como: história, memória e esquecimento da emancipação de Sergipe, formação da identidade sergipana, dentre outras.
Ainda na programação, além do discurso de Terezinha Oliva (oradora do IHGSE), será lançada a segunda edição do clássico "Sergipe artístico, literário e científico", de Prado Sampaio, e relançado o livro "Através do Brasil" de Claudefranklin Monteiro Santos.
A emancipação política de Sergipe fez nascer e crescer vilas e cidades, ocupando estrategicamente o território, como suporte das atividades econômicas. A crescente produção açucareira nas terras pretas e gordas do massapê fez de Laranjeiras e de Maruim dois centros urbanos destacados na Província, para onde convergiam as atenções. Estância ao sul, Vila Nova, hoje Neópolis, e Propriá, ao norte, Itabaiana e Lagarto, ao oeste, juntamente com a capital, São Cristóvão, davam a Sergipe os ares do progresso.

8 de julho de 2013, Sergipe tem o orgulho de completar seus 193 anos  de muita cultura história e memoria   de um povo ordeiro e feliz


[1] Licenciado em História, pós-graduado em Ensino Superior em História, pós-graduado em Sergipe Sociedade e Cultura, Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Membro na qualidade de pesquisador dos Grupos de Estudo e Pesquisa da UFS: Grupo de Estudos e Pesquisas em Memória e Patrimônio Sergipano. (GEMPS/UFS/CNPq) e o Grupo de Estudos e Pesquisas Culturas, Identidades e Religiosidades (GPCIR/UFS/CNPq) Professor da rede particular e Pública de ensino. adailton.andrade@bol.com.br

domingo, 23 de junho de 2013

HISTÓRIA E GEOGRAFIA DE SERGIPE PARA CONCURSO


HISTÓRIA E GEOGRAFIA  DE SERGIPE PARA CONCURSO


Adailton Andrade
adailton.andrade@bol.com.br


Estado do Sergipe Dados Gerais



O nome Sergipe, originário do tupi si’ri ü pe, quer dizer "no rio dos siris", tendo sido mais tarde adotado Cirizipe ou Cerigipe, que significa "ferrão de siri", nome de um dos cinco caciques que se opuseram ao domínio português. Embora seja o menor do Brasil, o Estado apresenta a melhor renda per capita do nordeste e a décima sétima entre os 27 Estados brasileiros e detém o título de Estado nordestino com melhor nível de desenvolvimento humano, conferido pela Organização das Nações Unidas (ONU), e o prêmio Criança e Paz, da UNICEF, em reconhecimento à redução em 32% do índice de mortalidade infantil. Seus 75 Municípios estão divididos em 13 microrregiões, a de Aracaju, a do Sertão do São Francisco, a de Propriá, a de Nossa Senhora das Dores, a do Agreste de Itabaiana, a do Cotinguiba, a do Agreste do Lagarto, a de Tobias Barreto, a do Boquim, a de Estância, a do Baixo do Cotinguiba, a de Japaratuba e a de Carira.
Localização
Leste da Região Nordeste
Sigla
SE
Área
22.050,3 km²
Limites
Alagoas (N), Oceano Atlântico (L), Bahia (S e O)
Relevo
Planície litorânea e planalto
Vegetação
Mangues, floresta tropical e caatinga
População
1.784.475 habitantes (2000)
Habitante
Sergipano
Densidade populacional
80,92 hab/km²
Municípios
75
Analfabetismo
33,29%
Rios principais
São Francisco, Vaza Barris, Sergipe, Japaratuba, Real e Piauí
Clima
Tropical
Capital
Aracaju
Temperatura média anual
23 e 24ºC
Chuvas
Outono e inverno
Hora local ( relação à Brasília)
A mesma
Cidades mais populosas
Aracaju, Lagarto, Itabaiana e Estância
Atrações
Aracaju, São Cristovão, Laranjeiras e Estância
História
Situado entre duas Capitanias importantes, Pernambuco e Bahia, os portugueses entenderam que era fundamental sua colonização. As terras sergipanas eram então ocupadas apenas por indígenas e por franceses contrabandistas de pau-brasil, o que representava séria ameaça ao domínio português.
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Em 1575, jesuítas chegam ao território numa primeira tentativa , sem resultado, de catequizar os índios. Fundam a aldeia de São Tomé, no povoado de Santa Luzia. Inicia-se, então, uma série de batalhas pela posse da terra, terminando em 1590 com a conquista do território por Cristóvão de Barros que funda a Capitania de Sergipe Del Rey, assim denominada para distinguir de Sergipe do Conde, no Recôncavo Baiano. Constrói um fortim e funda o Arraial de São Cristóvão, próximo ao Rio Poxim, e concede sesmarias a inúmeros companheiros de luta.
Anos depois o arraial torna-se uma vila e passa a ser chamado de Vila de São Cristóvão. Com a saída de Cristóvão de Barros do território, Tomé da Rocha passa a administrá-lo e inicia a criação de gado e a plantação de cana-de-açúcar. O gado passa a dominar o território. Surgem muitos currais de onde saem os bois para o abate na Bahia. O caminho que liga Sergipe à Bahia e por onde passam as boiadas, passa a ser conhecido como a "Estrada da Boiada" e o baixo São Francisco, de "Rio dos Currais". Os ricos de Salvador compram terras na nova Capitania e para lá mandam suas cabeças de gado.
A cana-de-açúcar também se desenvolve, principalmente no Vale do Cotinguiba e chegam negros trazidos da África para trabalhar como escravos pois os índios não estavam acostumados a esse trabalho. Outras vilas foram fundadas nas regiões do Rio Real e do Rio Piauí, ao sul do Estado, e nas terras banhadas pelo Vaza-Barris, Cotinguiba e Rio Sergipe, ao norte do Estado.
Em 1637, os holandeses ocupam e incendeiam a Cidade de São Cristóvão e roubam milhares de cabeças de gado, causando completa desorganização econômica e social.
Em 1645, as terras são recuperadas pelos portugueses. Encontram-na devastada e arrasada. Aos poucos o território volta a povoar-se, e a cultura canavieira e a criação de gado reinicia seu desenvolvimento, porém a desunião política faz com que haja uma grande desorganização com diversos atritos entre os habitantes e constantes reclamações contra a prepotência dos poderosos. Essa desordem contribui para que a Bahia domine as terras sergipanas, o que prejudica sua formação, originando debates sobre as questões de limites entre Sergipe e Bahia até o início da República.
Em 1696 é criada a comarca de Sergipe separada da Capitania da Bahia de Todos os Santos e em 1698, as Vilas de Itabaiana, Lagarto, Santa Luzia, Vila Nova do São Francisco e Santo Amaro das Brotas. Em 1759, os jesuítas são expulsos do território, deixando para trás a base da formação religiosa e do ensino e belos exemplares da arquitetura religiosa.
Em 1763, Sergipe é novamente anexado à Capitania da Bahia de Todos os Santos, tornando-se responsável por um terço da produção açucareira baiana da época, além de fornecer couro, tabaco, algodão e farinha de mandioca. Existem classes sociais bem distintas: a dos senhores de terras e a dos trabalhadores (escravos negros e índios) e homens livres que se dedicavam á produção de subsistência. Em 1820, a Capitania se separa definitivamente da Bahia e após a Independência se torna Província, tendo como Capital a Vila de São Cristóvão. Porém, a situação política de Sergipe continua a mesma, com constantes conflitos, como os de Laranjeiras e Santo Amaro (1836). A prosperidade da classe dominante era cada vez maior, com a produção e exportação do açúcar, principalmente no Vale do Cotinguiba, o que leva à transferência da Capital São Cristóvão para uma região litorânea, o povoado de Santo Antônio de Aracaju. A nova Capital, uma das primeiras Cidades planejadas do Brasil, muito contribui para o desenvolvimento de Sergipe pois é dotada de melhores condições portuárias; sua posição geográfica facilita a vida econômica da região do Cotinguiba; e é melhor localizada, facilitando o embarque do açúcar para a Europa. Esta mudança, estimula o povoamento nesta parte do litoral; faz surgir novas estradas; e aumenta a integração entre Estados próximos. A partir de 1860, o desenvolvimento da cultura do algodão ao lado dos engenhos de açúcar, principalmente em Itabaiana, passa a ter considerável importância na economia da Província, chegando a ser, por muitos anos, o segundo produto de Sergipe, originando o aparecimento das fábricas de tecidos nas Cidades de Aracaju, Estância, Propriá, São Cristóvão, Vila Nova (Neópolis), Maruim e Riachuelo.
Com a Proclamação da República, em 1889, a Província de Sergipe passa a ser um dos Estados da Federação, com sua primeira Constituição promulgada em 1892. Inicia-se uma fase em que os sergipanos sobressaem no cenário nacional devido ao seu prestígio intelectual. A representação de Sergipe no plano federal passou a ser disputada por intelectuais de projeção, e não por provincianos poderosos. Com a revolução de 1930, Sergipe passa a ser governado por Interventores Federais até 1935, quando o País volta à normalidade democrática.
Logo depois volta a intervenção, que se mantém até 1945.
A vida política sergipana durante a República Velha continua a ser um jogo de interesses entre as classes dominantes, especialmente os senhores de terra.
Em 1963, jorra petróleo nos campos de Carmópolis.
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A partir de 1964, com o movimento militar, Sergipe passa a empregar todos os seus esforços na tentativa de superar o subdesenvolvimento, tentando modificar a estrutura agroindustrial da cana-de-açúcar para desenvolver a exploração do subsolo. Começa a exploração do petróleo na plataforma marítima. Em 1975, um terço do território de Sergipe passa a ser considerado de utilidade pública, para efeito de desapropriação pela Petrobrás, visando evitar a especulação imobiliária, que prejudicava o trabalho da
empresa na prospecção de petróleo. A faixa considerada de utilidade pública se estende da foz do Rio São Francisco até o Rio Real, na divisa com a Bahia.
Em 1987, o Governo desenvolve o Projeto Canindé do São Francisco, denominado projeto Califórnia; e, em 1993, o Platô de Neópolis, na margem direita do Rio São Francisco, para o plantio de abacaxi, acerola e manga, com fins industriais, ambos para tornar o Estado auto-suficiente na produção de alimentos, defendendo a agricultura das secas freqüentes e prolongadas. Além disso, em 1990, mudam a legislação tributária estadual, para atrair investidores nacionais e estrangeiros, e a inauguram a Hidrelétrica de Xingó, o Pólo Cloroquímico do Nordeste e o Porto de Sergipe.
Contudo, devemos frisar quanto ao aspecto sócio cultural e artístico que é a partir da segunda fase da colonização portuguesa de Sergipe quando começam a surgir os principais monumentos que marcam a paisagem do Estado.
São Cristóvão centralizara, com sua própria função, os mais representativos exemplares da arquitetura. Convivem ali harmoniosamente conventos como o de São Francisco e sua Ordem Terceira, sede do Museu de Arte Sacra; o do Carmo e sua Ordem Terceira onde se encontra a milagrosa e venerada imagem do Senhor dos Passos, cuja festa no segundo final de semana depois do carnaval, atrai milhares de peregrinos de vários pontos do Nordeste; o despojado hospício dos Capuchinhos, do qual resta apenas a casa conventual, a Santa Casa de Misericórdia, transformada em recolhimento de meninas órfãs; igrejas como a Matriz de Nossa Senhora da Vitória, a do Amparo e do Rosário, onde nas Festas de Reis se apresentavam as Taieiras; e casa residenciais, como a praça de São Frâncico, notabilizada pelas suas sacadas balaústres trabalhados, a do balcão corrido, na praça da Matriz, onde funciona o Centro de Restauração de Obra de Arte, a antiga casa de Câmara e Cadeia, transformada, depois de reforma, em grupo escolar e, mais recentemente, em Centro de Arte da UFS, além de vários outros sobrados, como o antigo Palácio do Presidente da Província.
Templos e conventos, galilés, portadas e claustos silenciosos, ao lado de imagens e telas, constituem um conjunto harmonioso, o mais importante do Estado e, sem dúvida alguma, um dos mais significativos da região, da mesma forma que Laranjeiras, desenvolvida no século passado, está intimamente ligada à agro-indústria do açúcar em terras sergipanas.
Pelo interior, em Santo Amaro das Brotas, ergue-se a elegante igreja matriz de Santo Amaro, com sua bela portada encantaria, além do convento dos Carmelitas, hoje desaparecido (o que restou da construção - uma portada -, está no Museu Histórico de Sergipe), nas terras doadas por Pedro Leal Barbosa, lá pelos idos de 1721. Em Laranjeiras, os jesuítas deixaram o conjunto do Retiro, formado pela capela Santo Antônio, mais tarde completamente modificada, e pela residência anexa, edificada em 1701; além da igreja Comandaroba, com a sua portada de 1734 e os arcos do alpendre que circundam a nave, o que faz com que Silvia Teles a considere uma igreja de peregrinação.
No sentido do sul de Sergipe, destaca-se o conjunto da antiga fazenda Colégio que pertenceu aos jesuítas, sendo confiscada em 1759 (trata-se de uma fazenda na região de Tejupeba, no município de Itaporanga d'Ajuda), em especial a casa com amplas varandas com balcão corrido.
E mais para o sul, nas margens do rio Real, está a igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na antiga aldeia do Geru, hoje sede do município de Thomar do Geru. Construída por volta de 1720, notabiliza-se pela “bela decoração da talha do arco-cruzeiro e dos altares colaterais”, com os seus “putti” com fisionomia de índios. Mas Sergipe, em termos de patrimônio histórico monumental, não tem apenas os monumentos mencionados. Muitos outros merecem uma menção, como a igreja matriz de Divina Pastora, onde está o mais belo teto decorado existente em templo sergipano, devido ao pincel de José Teófilo de Jesus; a igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na cidade do mesmo nome, com um belo arco na capela do Santíssimo e altares laterais separados da nave principal por um balaústitre de madeira; a singela igreja de São Pedro, no município de Porto da Folha, onde os Capuchinhos mantiveram, até o século passado, um aldeamento indígena, ou, ainda, a igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Neópolis, com as sepulturas no piso da nave recoberto de madeira, hoje um monumento tombado pelo Estado.
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E o que dizer das capelas rurais – que na expressão da museóloga Lígia Martins Costa são verdadeiras igrejas – como a do engenho Jesus Maria José, em Laranjeiras, a do Penha, em Riachuelo, a do Poxim, em São Cristóvão, e a do Caieira, em Santo Amaro das Brotas, com o seu alpendre ? São marcas de uma época em que se era “rara a propriedade açucareira, junto da qual não se edificasse um templo. Os interesses da família eram esquecidos por alguns dos chefes que, em verbas testamentárias, deixavam ricos legados às irmandades, às ordens, e às capelas”.
Estância, ativo centro comercial desde o século XVIII, tem a sua arquitetura peculiar. São os sobrados, com dupla função, residência e casa de comércio, da rua Capitão Salomão e as casas do Pernambuquinho, muitos deles com fachadas revestidas de azulejos vindos da Europa.
Se as cidades são ricas em termos de monumentos civis e, sobretudo, religiosos, as propriedades rurais são muito pobres em termos de arquitetura, talvez porque os senhores de engenho preferissem investir seus lucros no próprio negócio com a compra de novas terras, em lugar de constituírem casas onde tivessem com um certo conforto. Isto é observado por Orlando Dantas quando escreveu:
A aristocracia rural não teve brasões, castelos e escadarias de mármore. Os sobrados do Escurial, construído pelo Barão de Estância, o das Pedras imitando o palácio governamental e as casas grande do Castelo, São Félix, Vassouras, São José de Laranjeiras, Lombada, Topo, Junco, marcam o máximo de conforto da aristocracia sergipana. Em algumas casas existem retratos a óleo dos seus antepassados, baixelas de prata, porcelanas finas e móveis de jacarandá
Sergipe é grande pela expressão da sua cultura e pelo contribuição dada ao Brasil. Seus monumentos são expressivos e marcam, com características próprias, uma parte da história com seus heróis anônimos e todo um sistema de vida que se baseou no trabalho escravo, na cana-de-açúcar e no gado.
Quadro Natural
Seu relevo é composto de planície e planalto, e a maior parte, cerca de 86%, com menos de 300 m de altitude. O trecho litorâneo é largo, formado pelas areias e dunas litorâneas. A medida que vai-se indo para o interior, surgem pequenas elevações (em torno dos 100 m), os tabuleiros, até o centro do Estado. Em direção a oeste as altitudes chegam a 742 m formando a Serra Negra (ponto culminante do Estado). Próximo à divisa com a Bahia surgem as Serras Comprida, Palmares, Miaba, Itabaiana, Cajueiro, Capunga, entre outras e a sudoeste, as Serras Aguilhadas, Jabiberi, Boqueirão, Macota, Cajaíba e outras. Margeando o São Francisco encontramos planície que na divisa com Alagoas, junto ao litoral, forma um delta. Como nos outros Estados do Nordeste, também em Sergipe encontramos as unidades físicas regionais: Litoral e Zona da Mata, Agreste e Sertão, mas de forma menos nítida.
• Litoral - encontra-se a vegetação de mangues,cobertos de água salobras, junto a extensas áreas arenosas, onde se espalham os famosos coqueirais sergipanos e campos de dunas.
• Zona da Mata - permanece dominada pela cana-de-açúcar e floresta tropical, atualmente muito devastada, nos topos de algumas colinas e sopé de serras.
• Agreste - abriga duas regiões: a de Itabaiana, essencialmente agrícola com policultura, minifúndio e alta densidade demográfica e a de Lagarto, na qual se desenvolve a lavoura do fumo. A vegetação foi quase toda devastada para a agricultura.
• Sertão - ocupa a parte noroeste do Estado, com a caatinga e a pecuária, predominando as grandes propriedades e as baixas densidades populacionais.
O Estado não apresenta secas importantes pois com o relevo baixo, os ventos úmidos do Oceano penetram facilmente. Abriga uma das maiores concentrações de bacias hidrográficas, a do Rio São Francisco; do Rio Japaratuba; do Rio Sergipe, responsável pelo abastecimento de água de Aracaju através do represamento dos Rios Poxim e Pitanga; do Rio Vaza-Barris; do Rio Piauí; e do Rio Real, que quando deságuam em seu litoral formam imensos manguezais, viveiro natural de várias espécies marinhas, onde se encontram os caranguejos, importantes para a população.
Os mangues vêm sendo arrasados, ou para a fabricação de carvão, aterros (Coroa do Meio) e construção civil, ou para sua utilização como combustível, pelas indústrias.
Conta com várias ilhas, destacando-se as Ilhas da Paz do Paraíso (nos estuários dos Rios Vaza-Barris) e a Ilha de Arambipe (na foz do Rio São Francisco). Na Ilha de Santa Luzia, defronte a Aracaju, está a Cidade de Barra dos Coqueiros. Em São Cristóvão, a Ilha de Patatiba ou Ilha da Veiga; em Porto da Folha, a Ilha de São Pedro. As lagoas existentes são de restinga e de várzea. Cedro é a maior lagoa em Sergipe. O Estado abriga ainda as Lagoas de Catu, em Japaratuba e a da Prata, em Tobias Barreto.
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O clima tropical domina o Estado: o quente úmido, corresponde à faixa litorânea, com um período de seca de apenas 3 meses; quente e semi-úmido entre o litoral e o sertão, com um período de 4 a 5 meses de seca; e quente e semi-árido (seco) no sertão, com um período de 7 a 8 meses de seca.
Divisão do Estado por Regiões
Região
Cidades
01 - Agreste de Itabaiana
Areia Branca, Campo do Brito, Itabaiana, Macambira, Malhador, Moita Bonita, São Domingos
02 - Agreste de Lagarto
Lagarto, Riachão do Dantas
03 - Aracaju
Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão
04 - Baixo Cotinguiba
Carmópolis, General Maynard, Laranjeiras, Maruim, Riachuelo, Rosário do Catete, Santo Amaro das Brotas
05 - Boquim
Boquim, Arauá, Cristinápolis, Itabaianinha, Pedrinhas, Salgado, Tomar do Geru, Umbaúba
06 - Carira
Carira, Frei Paulo, Nossa Senhora Aparecida, Pedra Mole, Pinhão, Ribeirópolis
07 - Cotinguiba
Capela, Divina Pastora, Santa Rosa de Lima, Siriri
08 - Estância
Estância, Indiaroba, Itaporanga d'Ajuda, Santa Luzia do Itanhy
09 - Japaratuba
Japaratuba, Japoatã, Pacatuba, Pirambu, São Francisco
10 - Nossa Senhora das Dores
Nossa Senhora das Dores, Aquidabã, Cumbe, Malhada dos Bois, Muribeca, São Miguel do Aleixo
11 - Propriá
Propriá, Amparo de São Francisco, Brejo Grande, Canhoba, Cedro de São João, Ilha das Flores, Neópolis, Nossa Senhora de Lourdes, Santana do São Francisco, Telha
12 -
Sergipana do Sertão do São Francisco
Canindé de São Francisco, Feira Nova, Gararu, Gracho Cardoso, Itabi, Monte Alegre de Sergipe, Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo, Porto da Folha
13 - Tobias Barreto
Tobias Barreto, Poço Verde, Simão Dias
Infra-Estrutura
A malha rodoviária é a mais utilizada e possui 9.480 km de estradas, sendo cerca de 23% pavimentadas. Duas importantes rodovias federais cortam o Estado, a BR-101, cortando de norte a sul, e a BR-235 no sentido leste/oeste. Ligando o Estado à Bahia, conta com a Linha Verde, uma bela rodovia litorânea, cercada de coqueirais. A malha ferroviária tem extensão de 286 km.
A energia elétrica é fornecida CHESF (Companhia Hidrelétrica do São Francisco), que aproveita a força da Cachoeira de Paulo Afonso e pela Hidrelétrica de Xingó, na divisa com Alagoas, chegando a totalidade de seus Municípios. Aracaju é a Capital nordestina com maior capacidade de energia elétrica disponível. O Aeroporto Santa Maria está capacitado para vôos nacionais e internacionais. 5
As telecomunicações em Sergipe garantem a comunicação por telefone convencional, fax e celular. O Estado conta com uma zona de processamento de exportação onde se estabelecem indústrias voltadas exclusivamente para o mercado externo, implantada em Nossa Senhora do Socorro e com os Distritos Industriais de Aracaju, de Estância e de Nossa Senhora do Socorro.
Conta também com o pólo mineraloquímico com indústrias derivadas principalmente de produtos minerais, localizado em Barra dos Coqueiros.
Abriga diversas adutoras, entre as quais a Sertaneja, a Piauitinga, a do Agreste, a do Baixo São Francisco, com 1.742 km, a maior rede do País.
Sergipe é o único Estado brasileiro a dispor de um moderno Porto Off-Shore, de propriedade do Estado, localizado em Barra dos Coqueiros, fazendo articulação com o Pólo Cloroquímico, a zona de processamento de exportações e os grandes projetos de irrigação, e opera com cargas gerais.
A prioridade do Estado para a área de irrigação é o Platô de Neópolis, destinado a empresários agrícolas e a agro-industriais, para a produção de fruticultura tropical de exportação.
Turismo
O turismo em Sergipe tem atrações para
todos os gostos.
Para quem gosta de praias, o litoral sergipano, com seus 173 km de extensão, oferece algumas das mais belas, com dunas de areia branca, lagoas e coqueirais. Umas já apresentam moderna infra-estrutura, outras ainda primitivas. Destacam-se as de Abaís, Caueira, Saco, Pirambu, onde está instalado o Projeto Tamar e se encontra a maior e a menor tartaruga do mundo, Atalaia e Ponta dos Mangues, entre outras. Para o turismo histórico, Sergipe apresenta muitas Cidades fundadas nos séculos XVI e XVII, algumas tombadas pelo Patrimônio Histórico Nacional, com igrejas e capelas do estilo barroco, como Tomar do Geru, onde os jesuítas deixaram um dos mais belos templos do período de colônia, São Cristóvão, a quarta Cidade mais antiga do Brasil, com seu fabuloso patrimônio histórico e artístico e Laranjeiras, com museus e igrejas antigas. O turismo ecológico faz-se representar pelos rios com seus estuários, desaguando no Atlântico, principalmente o Rio São Francisco, além do Poxim, Real, Vaza Barris e Sergipe, com seus manguezais. O Rio São Francisco, o Rio Real e o Rio Sergipe são cortados por catamarãs em cinco rotas.
A infra-estrutura turística conta com uma rede de hotelaria de primeira, em Aracaju e em vários pontos do interior. O grande agito de Sergipe fica por conta de 2 festas populares que têm levado milhares de turistas a visitar o Estado. São o Carnaval e as Festas Juninas.
Quando se inicia junho, Sergipe transforma-se no maior arraial do País. O Estado fica em festa 30 dias do mês, a mais longa festa do País. Aracaju, Estância, Capela, Muribeca, Areia Branca, e Cristinápolis se destacam na animação. São casamentos e bailes caipiras, missa de vaqueiros, Festa do Mastro, fogos de artifício, barcos de fogo, concursos de quadrilhas e muita zabumba, xaxado, baião, forró, triângulo e sanfona. Estância e Capela apresentam uma grande queima de fogos, um espetáculo inédito no Brasil e no mundo, destacando-se as Guerras de Buscapés, Barcos de Fogo e Espadas, ao som do ritmo quente do Samba de Coco, Pisa Pólvora e do Batalhão de Fogo. Em Areia Branca, o forródromo é palco do S. João de Paz e Amor. O Carnaval em Sergipe tem muita folia e agitação e dura 8 dias. O Pré-Caju, que se inicia uma semana antes do Carnaval, abre as comemorações com os blocos e trios elétricos que fazem a alegria de cerca de 100 mil pessoas.
A diversidade de atrações em Sergipe é surpreendente. Além de agradável, é fácil conhecer o Estado. São 22 mil km² de área que concentram, numa conveniente proximidade, belezas naturais, história, cultura e uma eficiente infra-estrutura para receber seus visitantes. Junte-se a isto hospitalidade e segurança e o seu passeio está completo.
O litoral sergipano, com seus 173 km de extensão, oferece belas praias com dunas de areias brancas, lagoas e coqueirais. Elas concentram-se no sul do Estado e entre as mais visitadas estão Caueira, Abaís e Saco. Na praia do Saco, após cruzar os rios Piquitinga e Real, chega-se à famosa Mangue Seco. Esta região é conhecida como Costa das Dunas e foi o primeiro local visitado pelos jesuítas na colonização do Estado. O ano da chegada, 1575, é lembrado em um marco às margens do rio Real.
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Seguindo para o norte, a partir de Aracaju, encontra-se a Costa dos Manguezais. O roteiro é imperdível para os amantes do ecoturismo. Na área de Pirambu, as atrações são os mangues preservados e o projeto Tamar, de preservação de tartarugas marinhas. Outra área interessante é o Pantanal de Pacatuba, uma área de 40 km² com uma grande diversidade da flora e da fauna, como jacarés, macacos, capivaras e diferentes tipos de pássaros. Na região do rio São Francisco, o turista encontra de tudo um pouco. História, belas paisagens e até esportes radicais. Próximo à Hidrelétrica de Xingó, localizada em Canindé do São Francisco, a formação de canyons de até 50 metros de altura permite passeios de catamarã, visitar a hidrelétrica e ainda explorar a história conhecendo sítios arqueológicos, o Museu Arqueológico de Xingó e a gruta de Angico, onde foram mortos Lampião e Maria Bonita. Por meio do barco é possível conhecer as cidades ribeirinhas de Propriá, Neópolis, Santana do São Francisco, Pacatuba, Ilha das Flores e Brejo Grande.
O lado puramente histórico de Sergipe é representado pelas cidades de São Cristóvão e Laranjeiras, ambas tombadas pelo Patrimônio Histórico. São Cristóvão é a quarta cidade mais antiga do Brasil e abriga um acervo de peças e monumentos dos séculos XVII e XVIII. Possui um dos maiores conjuntos de arte sacra do País. Em Laranjeiras, os museus e igrejas antigas levam o visitante aos períodos da colonização e da escravidão. É a cidade que mais preserva o folclore no Estado, tornando-se o último reduto de manifestações já extintas em outras partes do Brasil.
A cidade de Aracaju, com seus 30 km de praia, revela ao turista que ele pode encontrar belezas naturais, boa infra-estrutura e tranqüilidade ao mesmo tempo. A grande pedida é escolher um dos inúmeros bares e restaurantes da orla e deliciar-se com caranguejos, camarões e caldinhos de frutos do mar. A urbanizada praia de Atalaia é um convite às caminhadas. Diante do calçadão estão quadras poliesportivas, praça de eventos, parquinhos infantis, vendedores de artesanato e comidas típicas. Outro ponto interessante é o Oceanário, onde 20 grandes aquários expõem a fauna e a flora marinha e fluvial de Sergipe. À noite, o agito toma conta de Atalaia. Os bares com música ao vivo, ou que simplesmente oferecem um delicioso caranguejo, são o pretexto para reunir uma porção de gente bonita.
Cultura
O Estado apresenta diversas instituições culturais, como Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, a Sociedade de Cultura Artística de Sergipe e a Academia Sergipana de Letras; diversos museus como o do Instituto Histórico e Geográfico, o de Arte e Tradição e do Convento de São Francisco, em São Cristóvão, um dos mais ricos museus de arte sacra do Brasil; diversas bibliotecas, destacando-se a Biblioteca Pública do Estado de Sergipe, a da Universidade Federal de Sergipe, fundada em 1967, e a do Instituto Histórico e Geográfico; e diversos monumentos tombados pelo Patrimônio Histórico.
As principais festas religiosas de Sergipe são: a Procissão do Bom Jesus dos Navegantes, procissão fluvial que percorre o estuário do Rio Sergipe, em 1º de janeiro; os festejos de Natal, de 25 de dezembro a 6 de janeiro, em que se destaca o Carrossel do Tobias, um boneco preto que toca um grande realejo; e a de Nossa Senhora da Conceição, em 8 de dezembro, todas em Aracajú. No interior, as principais festas populares são a do Senhor do Bonfim, em Estância, que dura três dias; a de Nossa Senhora da Piedade, em Lagarto, em 8 de setembro; e a dos Passos, em São Cristóvão, na Quaresma.
O folclore espalha-se pelo Estado destacando-se a Taieira, em Japaratuba e Laranjeiras; o Reisado; o Guerreiro, em Propriá, Riachuelo, Pacatuba e Aracaju; Bacamarteiros; Lambe-Sujo; Caboclinhos; o Cacumbi, em Laranjeiras; e Parafusos, em Lagarto.
As expressões folclóricas mais populares são o Carnaval, as Festas Juninas, a Corrida de Jegues em Itabi, no mês de setembro e o Encontro Cultural de Laranjeiras, realizado anualmente.
O artesanato do Estado é um dos mais expressivos do País. São peças cuidadosamente trabalhadas em couro, cerâmica, sisal, renda e bordado. No Sertão concentra-se a produção das peças trabalhadas em couro e sisal. A renda, em Tobias Barreto, Nossa Senhora da Glória, Propriá, Santana do São Francisco, Divina Pastora e Cedro de São João. O bordado em Propriá e Tobias Barreto. A cerâmica é o carro-chefe da economia do Município de Santana do São Francisco.
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A culinária típica sergipana tem como prato principal a buchada, feita de sangue e miúdos de carneiro, além dos frutos do mar, carne do sol e milho, indispensável durante os festejos juninos como canjica e pamonhas, mas também no prato diário na mesa dos sergipanos na forma de bolinhos e cuscuz. Um dos acompanhamentos mais tradicionais é o caldo de feijão, peixe, sururu ou ostra. Há doces a base de frutas locais, como o jenipapo. No interior, é famosa a paçoca, prato de carne desfiada com farinha de mandioca. As
bebidas à base de frutas, como as batidas de maracujá, coco e pitanga e os licores de jenipapo, graviola e pitanga são os mais comuns.
Economia
A economia se baseia no extrativismo, na agricultura e na pecuária.
Sergipe é um Estado policultor, com lavouras para cultivos industriais e de subsistência.
Os cultivos industriais que mais se destacam: cana-de-açúcar, cultivada na Zona da Mata; laranja, cultivada para a exportação no Agreste; coco-da-baía, sendo um dos maiores produtores nacionais e o pioneiro na industrialização; fumo, algodão, mandioca, cultivada principalmente no Agreste; maracujá, primeiro produtor nacional; tangerina, limão e milho, em todo o Estado de Sergipe; feijão, arroz, amendoim, inhame, batata-doce, melancia e abóbora.
A maior parte das propriedades com fruticultura de exportação são pequenas e contam com sistemas conjugados de adutoras, barragens, açudes, poços, cacimbas e cisternas (Platô de Neópolis e Projeto Califórnia). O rebanho estadual tem-se ampliado tanto no agreste como nos vales do litoral e nas áreas sertanejas, principalmente devido à existência de um moderno frigorífico na capital. Conta com gado bovino da raça Indubrasil (1 milhão) e ovino (207,2 mil). Nas proximidades das cidades, especialmente de Aracaju, tem-se intensificado a criação de aves destinadas ao abate e à produção de ovos.
Sergipe tem um complexo formado por 7 Distritos Industriais implantados em várias Cidades, como Aracaju, Socorro, Estância, Propriá, Boquim, Itabaiana e Carmópolis. As indústrias têxteis, alimentares petroquímicas são o forte do Estado, porém se destacam também os setores de mobiliário, editorial e gráfico. Aracaju é o mais importante centro industrial, com os produtos alimentícios, têxteis e de confecções, minerais não-metálicos, petrolíferos, de construção civil, de calçados, de laminados, de bebidas, de matéria plástica, de madeira, de couro e outros. Em Laranjeiras está a fábrica de cimento Portland.
Os principais minerais encontrados em Sergipe são: mármore, potássio, calcário, sal-gema, granito, halita, silvinita, carnalita, enxofre, dolomita, cobre, areia, argila, potássio, o petróleo e o gás natural.
O Estado é o quarto maior produtor de Petróleo do País. A exploração se faz tanto no Continente (Campos de Carmópolis, Siririzinho, Riachuelo e outros) como na Plataforma Continental.
O Pólo Cloroquímico do Estado integra as diversas unidades industriais de processamento de matérias-primas minerais. Sergipe tem sólida indústria de sucos e sua produção é exportada para os Estados Unidos, Canadá e Europa.
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