domingo, 22 de fevereiro de 2026

ARACAJU 171 ANOS DE HISTÓRIA - CAPITANIA DOS PORTOS DE SERGIPE NA CONSOLIDAÇÃO DA CONSTRUÇÃO DA CIDADE PLANEJADA

 

 ARACAJU 171 ANOS  DE HISTÓRIA  

 CAPITANIA  DOS PORTOS  DE SERGIPE NA CONSOLIDAÇÃO DA CONSTRUÇÃO DA CIDADE  PLANEJADA  


  Adailton Andrade -  Historiador Soamarino

 

 


 O texto de Adailton Andrade traz uma perspectiva fascinante e necessária sobre os 171 anos de Aracaju (considerando o marco de 2026). Ele desloca o olhar do "planejamento no papel" para a "execução na prática", destacando que uma cidade planejada como um tabuleiro de xadrez não sobreviveria sem uma conexão real com o mundo.

 

Apresentamos  uma perspectiva fascinante e necessária sobre os 171 anos de Aracaju (considerando o marco de 2026). Ele desloca o olhar do "planejamento no papel" para a "execução na prática", destacando que uma cidade planejada como um tabuleiro de xadrez não sobreviveria sem uma conexão real com o mundo."Decisões, sozinhas, não constroem cidades." O texto nos lembra que Aracaju é fruto de uma combinação entre a visão política (Barbosa) e a competência técnica (Guerra). A transferência da capital de Sergipe, de São Cristóvão para Aracaju em 1855, é frequentemente narrada como um triunfo da engenharia civil e do planejamento urbano (o famoso "tabuleiro de xadrez"). No entanto, o texto do historiador Adailton Andrade revela que a Marinha do Brasil, através da Capitania dos Portos, foi o pilar invisível que impediu que o projeto de Inácio Joaquim Barbosa colapsasse, naufragasse.


A transferência da capital de Sergipe, de São Cristóvão para Aracaju em 1855, é frequentemente narrada como um triunfo da engenharia civil e do planejamento urbano (o famoso "tabuleiro de xadrez"). No entanto, o texto do historiador Adailton Andrade revela que a Marinha do Brasil, através da Capitania dos Portos, foi o pilar invisível que impediu que o projeto de Inácio Joaquim Barbosa colapsasse.

 



 Abaixo, destaco os pontos fundamentais que explicam por que a Marinha foi o motor da consolidação de Aracaju:

 

1. A Viabilização Logística (O Rio como Estrada)

No século XIX, Sergipe não possuía estradas de rodagem eficientes. A economia e a administração dependiam do fluxo de navios.

  • O Problema: As barras dos rios sergipanos (Sergipe, Vaza Barris e Real) eram extremamente perigosas, com bancos de areia que mudavam de lugar constantemente.

  • A Solução da Marinha: Sob o comando de José Moreira Guerra, a Marinha realizou sondagens, medições e balizamentos. Sem esse trabalho técnico, os navios com materiais de construção, alimentos e novos moradores simplesmente não conseguiriam atracar na "cidade de papel" que estava sendo erguida.

 


2. A Precedência Estratégica

É um fato histórico crucial: a Capitania dos Portos de Sergipe foi restabelecida definitivamente em 18 de outubro de 1854, exatos cinco meses antes da assinatura do decreto de mudança da capital.

Isso demonstra que o Governo Imperial e a Província sabiam que, para Aracaju existir, a autoridade marítima precisava estar instalada primeiro. A Marinha preparou o terreno (ou melhor, as águas) para a fundação da cidade.

 

 

 
A criação e a consolidação de Aracaju como capital de Sergipe, em 1855, estão intrinsecamente ligadas à atuação da Capitania dos Portos de Sergipe (CPSE), que serviu como o suporte técnico e logístico indispensável para que o projeto político de Inácio Joaquim Barbosa se tornasse uma realidade funcional. Diferente de outras cidades brasileiras que cresceram organicamente ao redor de igrejas ou engenhos, Aracaju foi planejada para ocupar uma área de restingas e manguezais, e sua viabilidade dependia inteiramente da capacidade de se comunicar com o mundo exterior através da navegação.
 

 
 
Nesse cenário, a reativação da Capitania pelo Decreto Imperial nº 1481, em outubro de 1854, foi um passo estratégico que antecedeu em poucos meses a transferência oficial da sede do governo. Sob o comando do Capitão de Mar e Guerra José Moreira Guerra, a instituição assumiu a tarefa crítica de dominar as águas difíceis da região. As barras dos rios sergipanos, como o Sergipe, o Vaza Barris e o Real, eram extremamente perigosas devido ao constante deslocamento de bancos de areia e correntes imprevisíveis, o que tornava encalhes um risco permanente.
 
 
 

 
 
A atuação de Moreira Guerra foi técnica e minuciosa, envolvendo inspeções, medições e a organização de rotas seguras que garantiram o fluxo de embarcações comerciais e oficiais. Sem esse controle, a capital nascente teria fracassado, pois o transporte marítimo era o único meio para a chegada de materiais de construção, alimentos, funcionários públicos e comerciantes necessários para estruturar a vida urbana. Assim, a Capitania atuou como o agente que impediu o isolamento de Aracaju, transformando "caminhos de água" em verdadeiras estradas para o desenvolvimento.
 
 
 

 
 
Além da dimensão logística, a presença da Capitania ajudou a estruturar a nova sociedade aracajuana, atraindo militares, funcionários e profissionais liberais que formaram uma elite urbana ligada às atividades administrativas do Estado. A instalação de sua sede na margem direita do rio Sergipe simbolizava essa ligação profunda entre a cidade e o rio, estabelecendo um marco de autoridade e segurança que persiste há mais de um século e meio. Em suma, enquanto os decretos criavam a capital no papel, foi a Capitania dos Portos que, através do domínio técnico da navegação, garantiu a sobrevivência física e econômica de Aracaju em seus anos primordiais
 
 
 
 

3. Estruturação Social e Urbana

A presença da Marinha ajudou a desenhar a nova demografia de Aracaju:

  • Nova Elite: Enquanto a antiga elite agrária resistia em São Cristóvão, a Marinha trouxe militares, técnicos e funcionários que formaram a base da nova sociedade urbana.

  • O Porto como Centro: A instalação da Capitania às margens do Rio Sergipe (onde funcionou a Escola de Aprendizes Marinheiros) definiu o eixo de crescimento da cidade. Aracaju não cresceu em torno de uma praça central de igreja, mas sim olhando para o rio.

 

A presença da Marinha ajudou a desenhar a nova demografia de Aracaju: Enquanto a antiga elite agrária resistia em São Cristóvão, a Marinha trouxe militares, técnicos e funcionários que formaram a base da nova sociedade urbana, A instalação da Capitania às margens do Rio Sergipe (onde funcionou a Escola de Aprendizes Marinheiros) definiu o eixo de crescimento da cidade. Aracaju não cresceu em torno de uma praça central de igreja, mas sim olhando para o rio.A Marinha não foi apenas uma instituição de defesa em Sergipe; ela foi uma agência de desenvolvimento urbano e econômico. Ao garantir a navegabilidade e a segurança do porto, ela transformou o que era um "pântano planejado" em um entreposto comercial viável. Como bem define o texto, a capital só se tornou cidade porque alguém cuidou para que ela estivesse conectada ao resto do mundo.

 

 


Conclusão

A Marinha não foi apenas uma instituição de defesa em Sergipe; ela foi uma agência de desenvolvimento urbano e econômico. Ao garantir a navegabilidade e a segurança do porto, ela transformou o que era um "pântano planejado" em um entreposto comercial viável. Como bem define o texto, a capital só se tornou cidade porque alguém cuidou para que ela estivesse conectada ao resto do mundo.

 

 Todos  os direitos  autorais registrados. 

 

 Adailton Andrade historiador, sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, sócio correspondente do Instituto do Ceará (Histórico, geográfico e Antropológico, sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana, presidente fundador da Confraria Sancristovernse de História e Memória, membro acadêmico do Movimento Cultural Antônio Garcia Filho (MAC) da Academia Sergipana de Letras, diretor do Arquivo Municipal de São Cristóvão.