Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

30 ANOS DE UMA EXPLOSÃO QUE TIROU O SONO DOS ARACAJUANOS



Adailton Andrade


Na noite de 13 de abril de 1980, num dia de domingo, já no virar da noite, um galpão clandestino de fabricação de fogos de artifício instalado nos fundos da casa do sub-tenente José Pedro, do Corpo de Bombeiros, explodiu. A partir deste dia, a então avenida Contiguiba, localizada no bairro Suiça, se transformou na avenida da "Explosão". Alguns moradores ainda lembra nos dias de hoje que parecia que o mundo ia se acabar, . Os efeitos da explosão atingiram um raio de quase 10 quilômetros, o que deixou 12 mortos e centenas de feridos.













Os moradores que ainda mora na rua relata que dormia enquanto tudo acontecia toda a vizinhança, seguida de um forte estrondo que quebrou todos os vidros, fez voar portas e cair janelas das casas bem próximo a explosão.

Foto: Jornal da Cidade 1980

Uma multidão correu para a antiga Fábrica de Cimento que se situava na Rua do Acre, imaginando que uma das caldeiras havia explodido. Lá chegando, foram recepcionados pelo vigia que os informou que nada de anormal tinha ocorrido por lá. A explosão de fato ocorreu na Avenida Cotinguiba (Bairro Suissa) atual Edélzio Vieira de Melo, mais conhecida depois dessa tragédia como "Avenida da Explosão".


Foto: Jornal da Cidade 1980

Um depósito clandestino de fogos de artifício e dinamite, que media 6m x 3,5m, estava localizado no porão da residência de um Sub-Tenente do Corpo de Bombeiros. Além de revender os fogos de artifícios, o Sub-Tenente negociava as dinamites com pedreiras e firmas de construção civil. Para tal feito, ele utilizava um veículo Kombi para o transporte dos explosivos, para que ninguém soubesse

Foto: Jornal da Cidade 1980

aproximadamente 10km, destruindo 96 casas, somente nas proximidades do depósito de explosivos. Telhados, portas, vidraças, janelas arrancadas violentamente dos caixilhos e móveis causaram ferimentos a 200 pessoas e deixaram um saldo de 12 mortes (dentre elas um filho e a nora do Sub-Tenente) e 150 famílias ficaram desabrigadas. No Colégio Municipal Freitas Brandão, que fica próximo ao local da tragédia, o telhado de amianto foi inteiramente destruído.

Foto: Jornal da Cidade 1980


No Hospital Cirurgia e na Clínica Santa Helena vidraças foram destruídas, bem como, algumas residências nos Bairros São José, Siqueira Campos e até do Santo Antonio. A residência do Sub-Tenente, que tinha 02 andares) ficou totalmente destruída, bem como os 02 veículos que se encontravam na garagem: uma Kombi e um opala. Ele e a esposa que se encontravam no local, com o impacto, foram jogados para o meio da Avenida bastante feridos. Por um milagre não vieram a falecer. Na noite da explosão, homens do Exército, Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros tentavam resgatar os feridos debaixo dos escombros, contando com a ajuda de populares que conduziam os feridos até as ambulâncias. As Emissoras de Rádio abriram grandes espaços em suas programações para detalhar o ocorrido.


Foto: Jornal da Cidade 1980


Parte dos desabrigados ficaram alojados na Escola Municipal Freitas Brandão e posteriormente foram remanejados pela COHAB, para casas no Conjunto Assis Chateaubriand (Bugio). O Governo do Estado e a Prefeitura ajudaram na reconstrução das casas.





As informações colhidas, bem como todos os aspectos afastam a hipótese de ter ocorrido combustão espontânea do material mencionado, pois ás analises observaram que tal material tem seu ponto de deflagração entre 280ºC e 285ºC.


A conclusão do Instituto Nacional de Criminalística do departamento de Policia Federal, no relatório a respeito da explosão que acordou toda a cidade no final da noite do dia 13 de abril de 1980, causando danos consideráveis em inúmeras residências, num raio de quatro quilômetros. Essa conclusão reforça uma divulgação dias após, a explosão a qual esta foi provocada criminalmente, na explosão, como se sabe, morreram oito pessoas.

O relatório do Instituto de Criminal, assinados pelos dois peritos que aqui estiveram, Joao Dantas de Carvalho e Jethro Oliveira, logo escreveram 7 laudas e informaram que a análise encontrou a presença de nitrato de potássio (salitro), Cloreto de potássio, enxofre, elementos são componentes utilizados na manufatura de pólvora para fogos de estampido. Portanto ,o explosivo existente em deposito naquele local pelos vestígios encontrados, foi identificados como sendo pólvora.



As características físico-quimicas do explosivos referido “(Pólvora)” continua o relatório demonstrando que embora o mesmo não esteja agrupados nos explosivos denominados de “alta força” ou “alto explosivo” possuem uma deflagração considerada de boa intensidade, atingido uma velocidade de decomposição (combustão )de cerca de 500 a 1000 m/s. Portanto, dependendo das condições do local e da forma ou maneira de estocagem, sua “explosão” pode causar perfeitamente danos constatados no local em pauta.



Os peritos executaram seu trabalho quatro dias após a explosão, são quando a área já estava limpa. A limpeza da área (remoção ) de escombros e aterros) Já estava praticamente completado o que trouxe muita dificuldade a realização dos trabalhos técnico periciais.


Quanto ao inicio dos exames do local e o seu aspecto já não mais de mostrava semelhança com ás características apresentadas pelas fotos tomadas após a explosão, os peritos diziam que a escavação foi feita com a ajuda do irmão do proprietário do deposito clandestino de fogos. Os peritos esclareceram ainda que a pólvora preparada em casa geralmente é mais potente que a pólvora negra comum, pois sofre alteração na sua formula com a adição de outros componentes. Em razão de possuírem outras características em relação a sua potencia são tais pólvoras conhecidas comumente entre os denominados fogueteiros e consumidores, erroneamente, de dinamites.



Por fim, o relatório dos peritos, fornece um dado a mais:

No local, ou seja no deposito do sub--tenente José Pedro, fabricava-se fogo de artifício, eis o que os dois peritos,os peritos efetuaram cuidadosamente raspagem no interior de um pilão de madeira do tipo utilizado normalmente para pilar cereais e que foi encontrados no local tendo os exames de nitrato de potássio , substancia esta também utilizada para a preparação de pólvoras.

Também foi encontrados no local serragens de madeiras, e material que é usado comumente na fabricação de fogos de artifícios. Os cones de papelão de vários tamanhos ali encontrados e recolhidos sem vestígios de uso são especialmente usados a confecção de fogos de artifícios conhecido como vulcão. Os restos de bastões ou canudos de papel resistente também encontrados pelos peritos , reunião dos elementos expostos configuraram tecnicamente que no local existia a pratica de pirotecnia.



A "avenida da Explosão" completa 30 anos e os moradores preferem esquecer o fatídico dia 13 de abril de 1980. "O que é ruim a gente esquece rápido, mas se pudesse voltar atrás e impedir o que aconteceu, eu faria. Agora é seguir em frente e deixar as lembranças ruins para trás", concluiu Terezinha.

Após o acidente o subtenente Pedro e sua esposa Natália se mudaram para o conjunto Médici. Pedro morreu há alguns meses levando consigo o trauma de provocar um acidente que marcou a história de Aracaju.

_____________________________________

Fonte

Postagem de José de Oliveira Brito Filho em seu blog

Reportagem da reporte Alice Nou

Jornal gazeta de Sergipe

Jornal Diário de Aracaju

Entrevista a moradores da rua do acontecimento.