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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Instituto Ricardo Brennand


INSTITUTO RICARDO BRENNAND




* Adailton Andrade




Fui a Recife participar do IV Encontro de Cultura e Memória na UFPE onde fui convidado, por minha cunhada Queliane e seu ilustre namorado Bruno, a conhecer o “BRENNAND”, pois bem vamos ao Museu....Encantamento, esta foi a impressão ao chegar ao Instituto Ricardo Brennand, em Recife, no bairro da Várzea. Em uma área aproximada de 100 hectares circundados pela Mata Atlântica, o castelo - que mistura os estilos medieval e gótico - tem jardins rodeados por lagos habitados por cisnes e flamingos, obras de arte e esculturas. Para chegar às dependências do Instituto, deve-se percorrer uma longa alameda ladeada de palmeiras imperiais. A sensação é de estar adentrando em lugar suntuoso, além da nossa realidade, que nos remete à fantasia retratada pelo cinema e em livros.




Bem, Queliane e Bruno, como dois bons cicerones, tiveram o maior cuidado de me mostrar parte por parte o Instituto. Cada sala que visitava mais encantado estava com todo aquele acervo que me transportava para a idade média, para o medievo.

O Instituto ainda é jovem. Nasceu em 2002, quando as portas do Castelo de São João - construído em 1996 - foram abertas à visitação. O museu reúne a mais importante coleção de armas do Brasil. Ricardo Brennand, 82 anos, deu início à sua coleção de armas aos 12 anos, quando o pai lhe presenteou com um canivete. Atualmente, o acervo soma cerca de quatro mil peças, originárias de várias épocas e países. Merece destaque a coleção completa de armaduras, do século XIV. A cada dia chegam novas peças. No museu não há curadoria, cabendo ao próprio Brennand decidir em que espaço as obras devem ficar. Além do museu, integram o instituto uma pinacoteca e uma biblioteca, cujo acervo retrata o período holandês no Brasil. As pinturas estão reunidas em coleções de artistas brasileiros e estrangeiros, com destaque para a maior coleção particular do pintor holandês Frans Post, com 15 telas. A pinacoteca abriga ainda um museu de cera, com peças que mais parecem de verdade, que retratam o julgamento do francês Nicolas Fouquet, ocorrido no século XVII, no reinado do rei Luís XIV. Visitar Recife sem conhecer a Oficina Ricardo Brennand é deixar de apreciar peças únicas, que primam pela originalidade. Situada em uma antiga fábrica de tijolos e telhas construída no início do século XX, a oficina abriga cerca de duas mil peças em cerâmica, idealizadas pelo artista Ricardo Brennand, 82 anos. A oficina surgiu em 1971, quando Brennand herdou de seu pai a olaria, instalada nos Engenhos de São Cosme e Damião, bairro da Várzea, em Recife. As obras impressionam não só pelo tamanho, mas também pelo caráter exótico, o que faz da arte de Ricardo Brennand única no mundo. São cerca de duas mil peças, que unem-se para representar os mais diversos temas, como o subterrâneo, o obscuro, o erótico, o sexual e o religioso. Não é preciso entrar na oficina para se impressionar. Muitas das peças estão espalhadas pelo espaço de 15 mil m², fazendo da oficina um museu a céu aberto. Além de apreciar as obras, o visitante pode ainda fazer um passeio nos belos jardins da oficina e fazer um lanche na lojinha que comercializa algumas obras do artista O preço das peças em cerâmica não assinadas por Brennand varia de R$ 40 a R$ 1.500. São objetos utilitários, como petisqueiras, travessas e fruteiras. Já as obras de arte assinadas pelo ceramista podem ser compradas por preços que variam de R$ 10 mil a cerca de R$ 200 mil.

 


O Julgamento de Fouquet


"O que me chamou mais atenção foi uma sala que eles chamam de Museu de cera."


A novidade conta com 45 perfeitas figuras em cera e fibra de vidro e será aberta ao público durante o Spa das Artes – Nesta sala fiquei encantado com a riqueza de detalhes e expressões dos personagens de cera retratando um julgamento em uma corte Existe a máxima de que "jamais um súdito, por mais prestativo que seja, deve ofuscar o brilho do seu Rei. E Nicolau Fouquet , ministro de finanças, foi julgado e morto sob acusação de corrução na França, em 1653, quando do reinado de Luis XIV, o Rei Sol, eternizado na História pela frase "O Estado sou Eu".


O rei só não mandou prender o seu hospedeiro naquela ocasião visto que Fouquet era também protegido da rainha-mãe, uma das convidadas especiais da festa e que intercedeu a favor dele. Vaidoso e arrogante, um narcisista extremado, era insuportável a Luís ver aquele fausto assombroso ser exibido por alguém que hierarquicamente lhe era inferior e, além disso, um sujeito que pretendia roubar-lhe a amante! O infeliz hospedeiro, querendo exibir-se, levara o rei a visitar suas acomodações privadas. Quando a grande porta do quarto foi aberta, Luís teve que se conter quando viu um enorme quadro da Mademoiselle de Vallière, uma das suas favoritas, pendurado na parede. Era a gota que faltava na taça da desgraça definitiva do superintendente.





Três semanas depois desse episódio, no dia 5 de setembro de 1661, Luís XIV ordenou a que D´Artagnan, o capitão dos mosqueteiros do rei, prendesse Fouquet em Nantes e, de imediato, o levasse perante um corte especial. O processo por malversação dos recursos públicos, iniciado em Vincennes em dezembro de 1661, arrastou-se ainda por três anos, mas o final era previsível, pois o infortúnio de Fouquet já havia sido traçado. A interpretação política do julgamento indicou que quem estava no banco dos réus era o falecido cardeal Mazarino, de quem Fouquet fora o homem de confiança na área financeira (Luís XIV imitou Hamlet, repreendendo o comportamento da mãe expondo o amante dela). Os juizes votaram por 13 x 9 em favor do banimento do ex-superintendente, mais o rei queria uma sentença de morte. Optou-se, por fim, por uma solução intermediária, encarcerando-o no castelo de Pignerol, nos Alpes da Saboia, de onde ele jamais voltou à liberdade , falecendo em 23 de março de 1680, depois de ficar preso por 16 anos (correu a lenda dele ter sido o famoso homem da máscara-de-ferro).

Fouquet foi antes de tudo uma vítima da chamada razão de estado que, entre outras coisas, determina que um súdito , por mais prestativo que seja, não pode querer ofuscar o seu rei. Comentando aquele dia de fausto e infelicidade, quase um século depois, Voltaire escreveu; “As 6 horas da tarde do dia 17 de agosto, Fouquet era o rei da França: às 2 horas da manhã não era mais ninguém”.

O Julgamento de Fouquet como foi denominada a cena a ser exposta reúne 38 figuras masculinas e sete femininas no tamanho real e vestidos à moda da França de 1661. Na exposição, além do réu (Fouquet), sua mulher e mãe, existem ainda o juiz, o Rei Luis XIV e 14 jurados, sem falar em figuras conhecidas da história francesa como o pintor holandês Frans Post que pela vestimenta e indumentária deixa crer que estava em trabalho, registrando o ocorrido, bem como D’Artagnan, um dos três mosqueteiros. Ainda, o autor e comediante Molière, frades, atrizes e outros representantes da sociedade civil. A cena, montada em um amplo espaço, conta ainda com os autos do processo, também em tamanho real. Uma iluminação especial revela a perfeita semelhança dos personagens conhecidos e presentes no julgamento, como o próprio rei Luis XIV e Molière. Em paralelo a essa mostra com a cena histórica do Julgamento de Fouquet, o IRB mantém em sua pinacoteca a exposição permanente de Frans Post, além de objetos do período Brasil Holandês, mostra já vista por milhares de estudantes, turistas e curiosos visitantes. E no Museu Castelo, expõe uma das maiores coleções de armas brancas existente no mundo.


Fouquet, por brilhar muito, construir castelos e realizar banquetes, caiu em desgraça por ser acusado de gastar o dinheiro do Rei. Historiadores, estudiosos e curiosos que quiserem conhecer parte desta história devem aproveitar. O Instituto Ricardo Brennand, na Várzea, abriu pela primeira vez ao público este ano a sala da pinacoteca que acolhe o Julgamento de Fouquet, com 45 figuras de cera e fibras de vidro, em tamanho natural. O Julgamento de Nicolas Fouquet O conjunto das inéditas figuras foram adquiridos pelo empresário e fundador do IRB, o colecionador Ricardo Brennand, num leilão em Paris, há aproximadamente um ano.

 
Nicolas Fouquet


História


LUÍS XIV E A HISTÓRIA DE SEU SUPERINTENDENTE NICOLAS FOUQUET



Luis XIV

Nicolas Fouquet, amigo das artes, das plantas e das letras, andava cercado por artistas e escritores como o poeta e fabulista La Fontaine, o autor e comediante Molière, a escritora Madame de Sèvigné, e os pintores Poussin e Puget. Foi por intermédio do Cardeal Mazarino – ministro todo poderoso do reino – que se tornou em 1653 o Superintendente das Finanças, para desta forma restabelecer a confiança no Tesouro Real abalado por uma insolvência que se arrastava desde 1648. Coisa que rapidamente ele conseguiu, adotando um método bem simples que era emprestar dinheiro à caixa do estado na proporção de dez para um. O sucesso dele de certo modo serviu para ocultar o tremendo patrimônio que ele amealhou naquela função, durante os anos em que foi Superintendente do Tesouro da França (1648-1661). Nicolas Fouquet que já era rico tornou-se bilionário. A fim de verificar a extensão do patrimônio do ministro, o rei Luis XIV manifestou-lhe o desejo de conhecer a bela propriedade que Fouquet erguera em Vaux-le-Vicomte, distante 55 quilômetros a sudeste de Paris. O Palácio era tido como o mais magnífico do reino, situado em meio a 40 hectares cuja construção arrastou-se por 15 anos (1641-1656). Fouquet inocente da fragilidade da sua posição, proporcionou em 17 de agosto de 1661 ao rei e a sua corte a mais estupenda festa ao ar livre da história da França. Os 600 convidados vindos de Paris foram acomodados nas 700 dependências e apartamentos do Palácio e todos presenteados com um ambigu (travessas de manjares exóticos, bandejas de carne de caça, jarras de vinho, espumantes, sucos e licores, pães quentes e cestas de frutas e um sem fim de potes de doces em calda) especialmente preparado por Vatel, um famoso maitre d’hotel da época. Foram sorteados entre os convidados armas para os cavalheiros e diamantes para as damas presentes. Era insuportável para Luis XIV, homem vaidoso e arrogante ver aquele fausto assombroso ser exibido por alguém que hierarquicamente lhe era inferior, portanto três semanas depois, no dia 05 de setembro de 1661, Luiz XIV ordenou a D’Artagnan - Capitão dos Mosqueteiros do Rei – que prendesse Fouquet e o levasse a uma corte especial. Fouquet foi encarcerado no Palácio de Pignerol nos Alpes da Sabóia de onde ele jamais voltou, falecendo em 23 de março de 1680 – correu a lenda dele ter sido o homem da máscara de ferro. Nicolas Fouquet foi antes de tudo uma vítima da chamada razão de estado que, entre outras coisas, determina que um súdito por mais prestativo que seja, não pode querer ofuscar o seu rei.

Ao visitar Recife torna-se obrigatório conhecer os Castelos Medievais e reviver o glamour da Europa do período medieval, foi umas das coisas boas que trago nas lembranças do pouco tempo que lá passei.


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*  Adailton Andrade,Aluno especial no Mestrado em Sociologia na UFS, Licenciado em História. Pós Graduado em Ensino de História. Sócio efetivo do INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SERGIPE (IHGSE) ,Faz parte dos Grupos de Estudo e Pesquisa da UFS: Estudo do Tempo Presente / UFS. Grupo de Estudos e Pesquisas em História das Mulheres (UFS / CNPq )Professor de História,Filosofia, Sociedade e Cultura Sergipana da rede particular de ensino. Contato : adailton.andrade@bol.com.br adailton_andrade@hotmail.com