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sábado, 28 de abril de 2012



João Ribeiro - 
um sábio que completa 15I anos

 
Por Luiz Antônio Barreto



Nascido do útero de Laranjeiras, no dia 24 de junho de 1860, João Ribeiro de Andrade Fernandes, conhecido em todo o Brasil como João Ribeiro, mestre da língua, da história e do folclore, foi um dos mais ilustres filhos de Sergipe, formando ao lado dos grandes como Tobias Barreto, Silvio Romero, Fausto Cardoso, Gumercindo Bessa, Felisbelo Freire, Laudelino Freire, Jackson de Figueiredo, Justiniano de Melo e Silva, Manoel Bonfim, e outros que elevaram a terra sergipana a ser reconhecida como “pátria de filósofos.” Sergipe foi, na segunda metade do século XIX, também, “pátria de poetas”, “pátria de juristas”, numa consagração que se fez o maior dos bens que a terra pode ter.




João Ribeiro não fez o caminho recifense dos demais, na sua formação de professor e de bacharel em Direito. Sua convivência maior foi com o Rio de Janeiro, bacharelando-se em 1894, na Faculdade Livre de Direito,onde Silvio Romero foi professor. Alternando atividades na cátedra  e nos jornais, João Ribeiro produziu uma vasta obra, que se tornou referência essencial aos estudos da história, da filologia e do folclore, sempre mantendo a categoria de mestre, que o tempo foi tornando sábio. Em 1895 foi para a Alemanha, estudando as novas teorias em discussão sobre o folclore. Iniciou uma série de publicações, em jornais, vulgarizando a ciência, que então mudava a compreensão do mundo e da vida. E com suas Cartas, mandadas da Alemanha, fez estudos de literatura comparada, lamentavelmente sem convertê-los em livro.
Sobre o Folclore, João Ribeiro deu um Curso na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em 1913, dando suporte científico às pesquisas pioneiras de Silvio Romero e de outros coletores das coisas do povo. Valendo-se das teorias alemãs, do folclore étnico, fazendo a exegese dos autores solaristas, o curso dedo foi publicado nos Anais da BN e, em 1919, com alguns poucos acréscimos foi editado pela casa impressora de Jacinto Ribeiro dos Santos.
Mesmo vivendo 15 anos após a edição de O Folclore, João Ribeiro não conseguiu complementar seu texto, com anotações importantes, que ficaram de fora da edição de 1919. Somente em 1963, graças as iniciativas de Edson Carneiro, Joaquim Ribeiro (intelectual, filho e curador da obra de João Ribeiro, foi pensada a reedição, que esbarrou no patrulhamento feito pelos militares que tomaram o Poder. Anos depois, quando a Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro era dirigida pelo diplomata e folclorista Renato Almeida, contando com a colaboração de Vicente Sales, o livro saiu, em co-edição com a Organização Simões Editora.
O Brasil das universidades e centros de pesquisas e estudos passou a contar com um livro bem ordenado e fundamentado, atualizado, e que servia de roteiro interpretativo da cultura popular brasileira, fundamental como estudo da psicologia coletiva. O Folclore de João Ribeiro é, hoje, um livro raro, inacessível ao grande público interessado, de todo o País. É importante registrar que Sergipe é berço de Silvio Romero, que iniciou as coletas folclóricas do Brasil, em parte interpretadas pelo sergipano João Ribeiro e,posteriormente, por Clodomir Silva, José Calasans, Mário Cabral, e mais recentemente, por Jackson da Silva Lima. No campo do estudo da língua portuguesa no Brasil, os lvros de João Ribeiro serviram de teoria aos cursos médios e universitários, e o mesmo se pode dizer dos estudos de história.
João Ribeiro escreveu, com seu patrício e amigo Silvio Romero, o Compêndio da História da Literatura Brasileira, editado em 1906, reeditado em 2001, pela Editora IMAGO, do Rio de Janeiro. A edição coincidiu com as homenagens prestadas a Romero, quando o Brasil celebrava os seus 150 anos de nascimento. O Sesquicentenário de João Ribeiro não teve, lamentavelmente, a repercussão merecida. Suas obras raream nos sebos, embora o saber que nelas circula é um doas capítulos mais relevantes da cultura brasileira. Dois eventos, talvez apenas estes – uma conferência no Palácio Museu Olimpio Campos e um Seminário na UNIT, bem coordenado pelo professor Antonio Bitencourt – “salvaram a Pátria”, rompendo com o silêncio constrangedor da indiferença.
Sábio, autor de grande obra, João Ribeiro tem um enorme crédito em Sergipe e precisa ser quitado, principalmente junto a massa estudantil, onde sua magnífica obra é referência sem precedentes na cultura brasileira.
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FONTE:
http://iaracaju.infonet.com.br/serigysite/ler.asp?id=450&titulo=Gente_Sergipana





João Batista Ribeiro de Andrade Fernandes


Infância
Órfão de pai muito cedo, foi residir na casa do avô, que era de espírito liberal, admirador de Alexandre Herculano. Depois de ter concluído na cidade natal os primeiros estudos, transferiu-se para o Ateneu de Sergipe, em Aracaju, onde concluiu os estudos secundários. Foi então para a Bahia e matriculou-se no primeiro ano da Faculdade de Medicina de Salvador. Constatando a falta de vocação, abandonou o curso e embarcou para o Rio de Janeiro, para matricular-se na Escola Politécnica. Simultaneamente continuava a estudar arquitetura, pintura e música, os vários ramos da literatura e sobretudo filologia.
Jornalismo
Desde 1881, dedicou-se ao jornalismo e fez amizade com os grandes jornalistas do momento, como Quintino Bocaiúva, José do Patrocínio e Alcindo Guanabara. Ao chegar ao Rio, trazia os originais de uma coletânea de poesias, os Idílios modernos. Seu amigo e conterrâneo Sílvio Romero leu esses versos e publicou sobre eles um artigo na Revista Brasileira. Mesmo assim, João Ribeiro decidiu não publicá-los. Trabalhou, a princípio, no jornal Época (1887-1888), multiplicando-se por várias seções, sob diversos pseudônimos: Xico-Late, Y., N., Nereu. Em fins de 1888, estava no Correio do Povo, com o seu "Através da Semana", onde assinava com as suas iniciais e também com o pseudônimo "Rhizophoro".
Magistério
Apaixonado pelos assuntos da filologia e da história, João Ribeiro desde cedo dedicou-se ao magistério. Professor de colégios particulares desde 1881, em 1887 submeteu-se a concurso no Colégio Pedro II, para a cadeira de Língua Portuguesa. Contudo só foi nomeado três anos depois, para a cadeira de História Universal. Foi também professor da Escola Dramática do Distrito Federal, cargo em que ainda estava em exercício quando faleceu. Nesta época, escrevia para A Semana, de Valentim de Magalhães, ao lado de Machado de Assis, Lúcio de Mendonça e Rodrigo Octavio, entre outros. Ali publicou os artigos que irão constituir os seus Estudos filológicos (1902).
A partir de 1895 fez inúmeras viagens à Europa, ora por motivos particulares, ora em missões oficiais. Representou o Brasil no Congresso de Propriedade Literária, reunido em Dresden, bem como na Sociedade de Geografia de Londres. Mantinha-se em contato com seus leitores brasileiros através de colaborações no Jornal do Commercio, nO Dia e no Jornal do Comércio de São Paulo. A última fase de atividade na imprensa foi no Jornal do Brasil, desde 1925 até a morte. Ali escreveu crônicas, ensaios e crítica.
Obras
  • Dicionário gramatical (1889)
  • História do Brasil (1901)
  • Versos (1890)
  • Estudos filológicos (1902)
  • Páginas de estética, ensaios (1905)
  • Frases feitas, filologia (1908)
  • Compêndio de história da literatura brasileira, história literária (1909)
  • O fabordão, filologia (1910)
  • Colméia, ensaios (1923)
  • Cartas devolvidas (1926)
  • Curiosidades verbais, filologia (1927)
  • Floresta de exemplos, contos (1931)
  • Goethe (1932)
  • A língua nacional, filologia (1933)
  • Crítica (org. Múcio Leão)
Os modernos (1952)
Clássicos e românticos brasileiros (1952)
Poetas, Parnasianismo e Simbolismo (1957)
Autores de ficção (1959)
Lorbeerkranz.pngAcademia Brasileira de Letras
Segundo ocupante da cadeira 31, eleito em 8 de agosto de 1898, na sucessão de Luís Guimarães Júnior e recebido pelo Acadêmico José Veríssimo em 30 de novembro de 1898.
Em 1897, ao criar-se a Academia, estava ausente do Brasil e por isso não foi incluído no quadro dos fundadores. Em 1898, de volta, ocorreu o falecimento de Luís Guimarães Júnior. A Academia o escolheu para essa primeira vaga.
Foi um dos principais promotores da reforma ortográfica de 1907. Seu nome foi apresentado diversas vezes como o de um possível presidente da instituição, mas ele declinou sistematicamente de aceitar. Em 22 de dezembro de 1927, porém, a Academia o elegeu presidente. João Ribeiro apresentou, imediatamente, sua renúncia ao cargo.



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FONTE:
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Batista_Ribeiro_de_Andrade_Fernandes

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