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domingo, 16 de julho de 2017

ROSÁRIO DO CATETE, NOVAS ABORDAGENS HISTÓRICAS




Parte  interna  do sobrado  meados  do Seculo XIX, (1823) que  pertenceu a Leandro  Maciel.



Rosário do Catete, berço da História Política de Sergipe 


*Adailton Andrade
 Ao trafegar na que corta a BR-101, no sentido de Aracaju a Propriá, logo se ver na entrada da cidade de Rosário do Catete uma grande imagem de nossa Senhora do Rosário, e muitas barras de vendedores de milho, mas só passar não, dar para ter uma ideia do que foi e o que é esse município no contexto histórico nacional, em especial já foi palco da história Política de Sergipe.


As terras ocupadas pela Cidade de Rosário do Catete pertenciam ao antigo engenho Jordão, de propriedade de Jorge de Almeida Campos, que as doou para construção da capela de Nossa Senhora do Rosário, se sabe que foi em Rosário do Catete que nasceu João Gomes de Melo, o Barão de Maruim, esse mesmo foi responsável pela assinada a ata de mudança da capital de São Cristóvão para Aracaju. Engenho esse pertencentes a família de portugueses, sendo assim os primeiros proprietários do “unha de Gato” 

Uma história que tem início 1575, quando da primeira tentativa de conquista de Sergipe por Luiz de Brito, governador da Bahia. É a referência mais antiga. Bem próximo ao local em que a atual cidade se encontra, existia uma aldeia de índios. Eles viviam às margens de um rio e sob o comando do índio Siriry.
A povoação rosarense crescia tanto que, por volta de 1828, a Câmara de Santo Amaro resolveu transferir para Rosário a sede do município de Maruim. Os habitantes de Santo Amaro e Maruim declararam guerra entre si. O Governo da província acabou intervindo e ratificando a decisão da Câmara de Santo Amaro. De uma canetada só, a povoação de Rosário do Catete passava à freguesia, vila e sede de município. Mas isso durou pouco. As reações de Maruim foram fortes. Em 3 de fevereiro de 1831, Rosário volta a pertencer a Santo Amaro, mas não como povoamento, e sim, como Freguesia de Nossa Senhora do Rosário. Cinco anos depois, ela se tornava Vila de Nossa Senhora do Rosário do Catete, a cidade nasce  como a Revolta de  santo Amaro.


Berço   dos intelectuais de Sergipe
 Antônio Garcia  Filho
  Antônio Garcia Filho, Formou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1941. Iniciou suas atividades como médico em Aracaju, transferindo-se depois para a cidade de Laranjeiras/SE. Foi o primeiro Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários desta Universidade e seu primeiro professor de Anestesiologia na Faculdade de Medicina. Foi professor de Nutrição da Faculdade Católica de Ciências Sociais. Foi membro da Academia Sergipana de Letras onde ocupou a Cadeira No. 1, cujo patrono foi o intelectual Tobias Barreto de Menezes. Além de poeta foi compositor de músicas. É o autor da letra do Hino do 28º Batalhão de Caçadores e do Hino da Cidade de Rosário do Catete.
Manuel Cabral Machado 
Rosário tem orgulho de Manuel Cabral Machado o professor, intelectual e homem público Cabral Machado, um dos maiores vultos do século XX, que marcou com sua presença décadas seguidas com atividades inovadoras. Filho do médico Odilon Ferreira Machado que também  foi prefeito em  Rosário em um mandato de dois anos de 1920 a 1922. Publicou diversos livros, destacando-se: Brava gente sergipana e outros bravos (1999), Elegias a Elohim, Poemas à mãe de Deus, Aproximações Críticas (todos de 2002), Baladas de bem-querer à Bahia (2003) e O aprendiz de oboé (2005). Manoel Cabral Machado presidiu a Academia Sergipana de Letras, e frequentou, permanentemente, as suas sessões, como um dos mais atuantes debatedores, também foi membro da Academia Brasileira de Ciências Sociais Criado na Capela, cidade onde seu pai voltou a fixar-se, foi  também , o ex-vice governador de Sergipe na gestão de Lourival Batista, morreu com 92 anos  em 2009, no Hospital São Lucas  por falência múltiplos de órgãos. 

Maximino de Araújo  Maciel, nasceu em Rosário  no dia 20 de abril de 1866, fez os preparatórios em Sergipe e em seguida mudou-se para o Rio de Janeiro onde formou-se em Direito (1890-1894) e Medicina (1896-1901). Foi professor catedrático de língua portuguesa no Colégio Militar, desde 1893. Em 1919, atingiu o posto de Tenente Coronel. Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e outras instituições científicas e culturais do Rio de Janeiro e Sergipe, Gramática Analítica, Filologia Portuguesa, Gramática Descritiva, Taxionomia Social, Lições de Botânica Geral, Noções de Agronomia, Lições Elementares de Língua Portuguesa, Elementos de Botânica Geral e Elementos de Zoologia.

 
 Maximino de Araujo Maciel - Grammatica Descriptiva. Subtítulo: baseada nas doutrinas modernas.

Celeiro de Grandes Políticos


 Conhecido como celeiro político de Sergipe, daí saíram Leandro Ribeiro de Siqueira Maciel foi deputado no Império e senador na República. Mais tarde, seu filho, Leandro Maynard Maciel, seria governador do Estado. Outra figura marcante foi Augusto Maynard Gomes, Edelzio Viera de Melo que foi vice-governador assumido mais tarde o governo, nisso Rosário ofertou a Sergipe quatro nomes a governar o estado. Leandro Maynard Maciel foi em 1960 foi indicado para ser vice-presidente da República na chapa de Jânio Quadros, mas renunciou em favor de Milton Campos. 

Sede de Assembleia Legislativa do estado e Sede  do Governo
Catete foi sede   Assembleia legislativa quando na  eleição para o Senado da República em 1894, não atendeu à orientação do presidente Floriano Peixoto para apoiar a candidatura de Manuel de Oliveira Valadão, preferindo a de Leandro Ribeiro Maciel. Em consequência, teve seu governo hostilizado pelo grupo florianista de Sergipe, no qual se destacava Sílvio Romero, que viera do Rio de Janeiro para fazer a campanha de Valadão para o Senado. Meses depois, a situação política ficaria ainda mais radicalizada em virtude da proximidade das eleições para o Executivo estadual, já que Manuel Valadão novamente se candidatou e venceu a disputa naquele que foi considerado pelos contemporâneos o pleito mais violento e fraudulento da primeira década republicana em Sergipe.
Em meio à contenda, José Calasans transferiu a sede do governo sergipano de Aracaju para a cidade de Rosário do Catete. Esse ato foi visto por seus opositores como de abandono do poder. Sílvio Romero, em praça pública, defendeu então a passagem do governo para o presidente da Assembleia Legislativa, João Vieira Leite, favorável ao grupo valadonista, que foi de fato empossado em 11 de setembro de 1894. A situação de duplicidade de poderes instalada nesse momento levou ao surgimento dos apelidos que iriam identificar as rivalidades da política sergipana na Primeira República: os “pebas”, que ficaram nas areias de Aracaju, e os “cabaús”, reunidos na zona dos engenhos de Rosário Catete. Assembleia funcionou na rua de baixo e o governador  despachava  no Passo  Municipal segundo  a descrição de alguns  documentos.


Rosário do Catete e a  geração dos bacharéis e médicos de Sergipe

Essa geração revolucionou a  Faculdade de Direito do Recife e na Faculdade de Medicina da Bahia, os cânones vigentes, difundindo novas ideias e assim fixando os fundamentos da cultura brasileira.
    Saíram de Rosário, Antônio Dias de Pinna advogado fundador do curso de direto da USP. Estudou na Faculdade de Recife concluindo em 1865. Em Sergipe exerceu os cargos de promotor público da comarca de Laranjeiras, 1866-1869; de inspetor geral das aulas, de novembro de 1869 a 1870; promotor público de Laranjeiras pela segunda vez, removido em maio de 1874 para o Aracaju, cujas funções desempenhou até 1875; deputado provincial nas três legislaturas bienais de 1872-1877.
João Maynard, Desembargador, nasceu no engenho “Saco” município do Rosário do Catete, a 8 de janeiro de 1878. Bacharel em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade Livre do Rio de Janeiro, exerceu os cargos de Juiz Municipal do termo de Itabaianinha, sede da então comarca do Rio Real. Em Aracaju tem uma avenida  com seu nome : Avenida “Desembargador Maynard”.

 
 Desembargador João Maynard
Outro Jurista   importante  foi    Jose Sotero Vieira de Melo ,Desembargador  filho de Francisco Vieira de Melo e de Maria Rosa de São José e Melo, nasceu em Rosário do Catete, em 13 de maio de 1856. Pertenceu a geração dos bacharéis e médicos de Sergipe, que revolucionaram na Faculdade de Direito do Recife e na Faculdade de Medicina da Bahia. Em fevereiro de 1869, com 13 anos, foi levado pelo tio, João Gomes de Melo, o Barão de Maruim, um dos homens mais influentes da Província, para o Rio de Janeiro, onde estudou nos colégios São Salvador e Pinheiro, continuando e concluindo os preparatórios, permanecendo até 1873, quando foi para Recife, Pernambuco, para ingressar na Faculdade de Direito do Recife.




Patrimônio material  de Rosário  do Catete
O patrimônio material é composto por um conjunto de bens culturais tais como igrejas, engenhos, sobrados residências  centenárias  que  fazem parte  do orgulho  maior dos seus moradores     classificados segundo sua natureza, conforme  está sendo inventariado  na gestão do  Prefeito  Etelvino Barreto.


Igreja de Nossa Senhora de Nazaré foi  construída  sua 1ª igreja de 1709 , foi demolida  e construída  outra  no mês o lugar em 1864 fazendo  parte do engenho  Catete Novo  pertencente ao Barão de  Maruim.





Igreja Matriz  Nossa Senhora  do Rosário ,  Construção do século XVIII, início da construção 1746 a irmandade é  criada  em 1779 O convento dos franciscanos citado abrigou a irmandade de São Benedito no século XVIII. Outro lugar que o santo era venerado era na povoação de Rosário do Catete, pois na capela da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos homens pretos e pardos.



 Capela da fazenda Caldas onde foi enterrado  os restos  mortais do  General  Augusto  Maynard Gomes,  com venda da fazenda  foi transladado  para o cemitério  santa Isabel em Aracaju 

Igreja Nossa Senhora do Amparo foi construída no século XIX e restaurada em 1946 por Simeão Machado.
Estação de Trem, inaugurado em 1914 essa mesma está passando pelo processo de tombamento pelo IPHAN chamado de “valoração” será o 1º Tombamento a nível   Nacional da cidade. Alguns  acontecimentos  históricos marcaram  a história  da estação férrea, sendo  palco de  vários  episódios,  em 1924 serviu de embarque de tropas  dos tenentes  na revolta de 24  comandada por Maynard  Gomes, amando vagão  de Trem  com canhão  a combater tropas  legalistas  em Carmópolis.  Década de 1933 desembarca o então Presidente do Brasil o sr. Getúlio Vargas para inauguração da Ponte de Pedra Branca. Serviu como terminação de escoamento de açúcar e mais tarde como terminal de  carga  de Potássio  sendo usada pela vale do Rio Doce, hoje  é sede  da banda  de Música Luís Ferreira Gomes.  

 Visita de do Presidente  Getúlio Vargas  na cidade , por  ocasião da inauguração da Ponte de Pedra Branca (1933)

Grupo Escolar Leandro Maciel construção da década de 1930 por Augusto Maynard Gomes 



Sobrados da rua de baixo Construção segunda metade do século XIX,  por dois  português  que tinham  comercio  em Maruim, Mais  tarde  passa a pertencer  as famílias  de João batista de Moraes  Ribeiro, Manuel  Cabral Machado e o outro  a família  de Leandro Maciel.


Cemitério Paroquial de Rosário do Catete  19 de maio  de 18856, o Presidente  da Província , Dr. Salvador Correia de Sá e Benevides, dirigiu  uma circular  nº 7 às Câmaras incitando-se  a fazerem  Cemitérios, e a de Rosário  foi a  umas das  Primeiras  que tratou do Assunto, marcando lugar  para a sua necrópole  ao sul da Vila. Seria construído, como se fosse pela Câmara, e com auxílio dos particulares, em 1857 já se sepultava  os mortos  rosarenses, mas só se deu  por  pronto em janeiro de 1862, quando  foram feitas  as obras delineadas pelo engenheiro da Província, por ordem governamental. Foi quando lhe deu por pronto seu dirigente 1ª de fevereiro de  1861, o capital  de engenheiros  Francisco Pereira da Silva responsável pela  obra .
 
 19 de maio  de 18856, o Presidente  da Província , Dr. Salvador Correia de Sá e Benevides, dirigiu  uma circular  nº 7 às Câmaras incitando-se  a fazerem  Cemitérios, e a de Rosário  foi a  umas das  Primeiras  que tratou do Assunto, marcando lugar  para a sua necrópole  ao sul da Vila. Seria construído.

Engenho Serra Negra   O Engenho Serra Negra atualmente só existe uma chaminé no local do engenho. O Serra Negra foi uma pequena propriedade, mas de altíssima produção, ele tinha uma casa simples de pedras era mais imponente. Ele foi o engenho mais importante do século XVIII para o XIX, pertenceu ao todo poderoso Leandro Maciel (pai) tinha a visão mais alta sobre os outros o engenho só entra em declínio quando Leandro Maciel (pai) tem a necessidade de aumentar a produção e a necessidade de uma casa maior por causa da família grande e ele o abandona e vai para Japaratuba para o engenho entre rios com uma maior propriedade e na região litorânea.
 Capa do Livro  do Historiador  Ibarê Dantas 

Além  desses engenhos,  Rosário do  Catete   teve outros engenhos   de grande  relevância  para a história econômica do estado Tais como: Santa Barbara, Paty, Bom Nome, Oitocentas, Lagoa Grande, Saco, Sitio Novo, Catete velho  e Novo, Jurema, Piripiri, Várzea, Jordão , Jucurema,  Salobro, Cajá, Marrecas, Bom Sucesso, Capim Assú, Jenipapo, Vazia Grande, Cumbe, Ilha, Campo Redondo.
Hoje existe uma preocupação  da administração e dos  fazedores  de Cultura  da cidade o  desejo expressar esse sentimento  e amor a essa gente, de  despertar  o sentimento de pertencimento e salvaguarda, por parte de muitos que se dizem rosarenses, que  amam e  admiram esta cidade, e nada fazem em prol da manutenção das riquezas materiais e imateriais deste povo, novos  tempos , tempos de conhecer, amar  e proteger nossa memória, nossa história o legado  de sua gente  seu maior  patrimônio. Esperamos que a sociedade e as autoridades competentes caminhem juntos, norteados pelo desejo de uma cidade melhor e mais eficiente na preservação de suas raízes, rumo ao avanço sociocultural e econômico deste povo. E pra frente de que anda.

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Adailton Andrade, Licenciado em História, Pós-graduado em Ensino Superior em História, Pós-graduado em ‘Sergipe Sociedade e Cultura, Membro do IHGSE ( Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe). Associado a ANPUH/SE (Associação Nacional de História) .Associado a Associação  dos Arquivistas  Brasileiros. Membro na qualidade de pesquisador dos Grupos de Estudos e Pesquisas em Memória e Patrimônio Sergipano ( GEMPS/UFS/CNPq ). Membro  fundador  da Academia  Sá Cristovense de Letras, ocupando a cadeira que tem como patrono o Armindo  Guaraná. Biografo  de Augusto Maynard  Gomes.  Recebeu  o Título  de Cidadão Rosarense,  Diretor de Cultura  do município de Rosário de  Catete. Biografo de Augusto Maynard Gomes. adailton.andrade@bol.com.br