FÉ, HISTÓRIA, CULTURA
E PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA
( CAXIAS, MARANHÃO )
O Encontro Nacional das Procissões do Fogaréu do Brasil consolidou-se como o mais relevante fórum de articulação, valorização e salvaguarda dessa centenária manifestação cultural e religiosa no país. A celebração, que recria ritualmente os momentos decisivos da perseguição e prisão de Jesus Cristo durante a Semana Santa por meio do emblemático cortejo dos farricocos, ultrapassa as fronteiras de uma prática devocional isolada para se afirmar como um elemento estruturante de identidade, pertencimento e patrimônio imaterial para diversas comunidades brasileiras.
1º Encontro Nacional: O Marco Inicial na Cidade de Goiás (2025)
A trajetória de integração em rede entre os grupos organizadores teve seu ponto de partida no 1º Encontro Nacional das Procissões do Fogaréu, realizado na Cidade de Goiás (GO) no mês de setembro de 2025. O município goiano detém o título de berço secular da manifestação no Brasil, tendo introduzido o ritual ainda no século XVIII mais precisamente em 1745, sob a liderança do religioso espanhol Frei João Calábria.
Na tradição goiana, a procissão ganha vida na transição da Quarta para a Quinta-Feira Santa, pontualmente à meia-noite. Em uma atmosfera de forte impacto sensorial, toda a iluminação pública do centro histórico barroco é desligada, e as ruas de pedra sabão passam a ser iluminadas exclusivamente pela chama das tochas conduzidas pelos 40 farricocos figuras mascaradas com túnicas coloridas e chapéus pontiagudos que simbolizam os soldados romanos. O cortejo avança em ritmo acelerado da Igreja da Boa Morte até a Igreja de São Francisco de Paula, local que representa o Jardim das Oliveiras (Gethsêmani), onde a prisão de Cristo é anunciada com o toque da clarim e o hasteamento do estandarte pintado com a imagem do Salvador.
Sediado nesse cenário histórico, o evento de 2025 foi fundamental para promover o primeiro grande intercâmbio de saberes entre lideranças comunitárias e pesquisadores. Foi nessa ocasião que se constituiu a Comissão Nacional de Salvaguarda das Procissões do Fogaréu, estabelecendo uma agenda conjunta para o reconhecimento das variantes regionais, a preservação da memória e a proposição de políticas públicas de proteção ao patrimônio imaterial.
2º Encontro Nacional: A Afirmação da Rede em Caxias (2026)
Dando continuidade ao fortalecimento dessa articulação nacional, o 2º Encontro Nacional realizou-se entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro de 2026 no município de Caxias, no Maranhão. Promovido pela Comissão Nacional de Salvaguarda em parceria com a Prefeitura Municipal de Caxias onde a Procissão do Fogaréu é oficialmente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado , o evento reuniu mais de 150 participantes diretos e delegações oriundas de 37 cidades, representando nove estados brasileiros.
A celebração caxiense, que conta com mais de duas décadas de organização continuada, desenvolveu uma linguagem própria que combina a penitência religiosa com a expressão teatral de rua. A programação reúne encenações da vida pública de Jesus Cristo, abrangendo desde a vocação dos apóstolos até as horas que antecedem sua captura. O ritual inicia-se no adro da Catedral de Nossa Senhora dos Remédios e percorre as vias do Centro Histórico com fiéis e farricocos conduzindo tochas acesas, atingindo seu ponto alto na Igreja do Rosário, espaço transformado em cenário simbólico para a representação do Horto das Oliveiras e da prisão de Cristo.
A Delegação Sergipana e a Escolha das Próximas Sedes
A participação do estado de Sergipe no encontro em Caxias destacou-se pela presença de uma comitiva representativa de municípios com histórico de profunda religiosidade popular, reunindo integrantes de São Cristóvão, Laranjeiras, Neópolis e Rosário do Catete.
Conforme o estatuto da comissão organizadora nacional, os encontros são projetados para ocorrer bienalmente, cabendo ao plenário da última plenária indicar a cidade-sede do evento subsequente. No pleito realizado em Caxias, apresentaram-se como candidatas as cidades de São Cristóvão (SE) e Ouro Preto (MG). Diante da ausência da comissão mineira durante as deliberações finais, o município sergipano permaneceu como a única postulação formalizada.
Buscando harmonizar os anseios das comunidades integrantes sem comprometer o planejamento das festividades de grande porte, os membros da comissão nacional aprovaram uma flexibilização excepcional na periodicidade bienal. Ficou deliberado que a cidade de Serrinha, na Bahia, sediará uma edição extraordinária do Encontro Nacional em 2027, enquanto a Cidade Histórica de São Cristóvão assumirá a sede oficial do evento em 2028.
Articulação Estadual a Partir de 2027: Sergipe Unido pela Fé
Como parte fundamental desse processo preparatório, São Cristóvão assumirá um papel de liderança regional ao criar, a partir de 2027, uma Comissão Estadual das Procissões do Fogaréu. A iniciativa visa oferecer suporte técnico, institucional e comunitário a todos os municípios sergipanos que tenham interesse em resgatar, organizar ou fortalecer suas manifestações do Fogaréu.
Com essa articulação prévia, todo o estado de Sergipe caminhará unido para construir um encontro estadual e nacional amplamente fortalecido nos pilares da devoção, do intercâmbio de experiências e do apoio mútuo entre as cidades irmãs.
São Cristóvão 2028: Patrimônio, Fé e o Cinquentenário do Grupo G12
A escolha de São Cristóvão para acolher o encontro nacional em 2028 insere-se em um contexto de extraordinária densidade histórica e religiosa. Quarta cidade mais antiga do Brasil e detentora do título de Patrimônio da Humanidade concedido pela UNESCO (à Praça São Francisco), a "cidade mãe" de Sergipe preserva documentos oficiais de sua fundação em 1590 e memórias que recuam a 1575, data da chegada da primeira missão de catequese na região, conduzida pelo Padre Gaspar Lourenço e pelo Irmão João Salônio.

Durante a defesa do pleito em Caxias, a delegação apresentou a sólida infraestrutura e o vasto calendário devocional do município. São Cristóvão é palco de grandes manifestações de fé, como a secular Romaria do Senhor dos Passos, a tradição dos tapetes florais e coloridos no dia de Corpus Christi, a preservação de conventos e ordens terceiras seculares, o monumento ao Cristo Redentor um dos mais antigos erguidos no país , o conjunto histórico da Santa Casa de Misericórdia e o registro da passagem de Santa Dulce dos Pobres, que tomou seus primeiros votos religiosos no Convento do Carmo local.
O ano de 2028 terá um significado ainda mais marcante para a comunidade local, pois coincidirá com as comemorações dos 50 anos de fundação do Grupo G12. Criado em 1978 e dirigido por Daniel Lima Costa, Manoel Muniz e Luiz Carlos, e estando hoje sob a liderança de Valmir Passos, o grupo foi constituído por moradores locais com a missão de reorganizar, proteger e manter viva a realização da Procissão do Fogaréu na cidade. Ao longo de cinco décadas de atuação continuada e compromisso comunitário, a condução desses lideres permitiu ao Grupo G12 estabelecer uma forma singular de realizar o Fogaréu, articulando a caminhada penitencial com a representação teatral da Paixão de Cristo nas ladeiras históricas.
A Procissão do Fogaréu sancristovense apresenta especificidades marcantes em relação às tradições de Goiás e do Maranhão seja no desenho das indumentárias dos farricocos, na escolha dos percursos urbanos ou na integração entre liturgia e dramaturgia local. Essa diversidade de formas expressa a própria riqueza do patrimônio imaterial brasileiro, reforçando o valor de pesquisas documentais e inventários desenvolvidos por entidades como a Confraria de História e Memória de São Cristóvão e o próprio Grupo G12.
O Sentido do Fogaréu: A Chama da Fé
Dessa forma, a Cidade Histórica de São Cristóvão estará com suas portas e seu acervo secular prontos em 2028 para acolher pesquisadores, grupos folclóricos, irmandades e fiéis de todas as regiões do Brasil que mantêm acesa a chama do Fogaréu.
São Cristóvão 2028: Patrimônio, Fé e o Cinquentenário do Grupo G12
A escolha de São Cristóvão para acolher o encontro nacional em 2028 insere-se em um contexto de extraordinária densidade histórica e religiosa. Quarta cidade mais antiga do Brasil e detentora do título de Patrimônio da Humanidade concedido pela UNESCO (à Praça São Francisco), a "cidade mãe" de Sergipe preserva documentos oficiais de sua fundação em 1590 e memórias que recuam a 1575, data da chegada da primeira missão de catequese na região, conduzida pelo Padre Gaspar Lourenço e pelo Irmão João Salônio.
Durante a defesa do pleito em Caxias, a delegação apresentou a sólida infraestrutura e o vasto calendário devocional do município. São Cristóvão é palco de grandes manifestações de fé, como a secular Romaria do Senhor dos Passos, a tradição dos tapetes florais e coloridos no dia de Corpus Christi, a preservação de conventos e ordens terceiras seculares, o monumento ao Cristo Redentor um dos mais antigos erguidos no país , o conjunto histórico da Santa Casa de Misericórdia e o registro da passagem de Santa Dulce dos Pobres, que tomou seus primeiros votos religiosos no Convento do Carmo local.
O ano de 2028 terá um significado ainda mais marcante para a comunidade local, pois coincidirá com as comemorações dos 50 anos de fundação do Grupo G12. Criado em 1978 e dirigido por Daniel Lima Costa, Manoel Muniz e Luiz Carlos, e estando hoje sob a liderança de Valmir Passos, o grupo foi constituído por moradores locais com a missão de reorganizar, proteger e manter viva a realização da Procissão do Fogaréu na cidade. Ao longo de cinco décadas de atuação continuada e compromisso comunitário, a condução desses lideres permitiu ao Grupo G12 estabelecer uma forma singular de realizar o Fogaréu, articulando a caminhada penitencial com a representação teatral da Paixão de Cristo nas ladeiras históricas.
A Procissão do Fogaréu sancristovense apresenta especificidades marcantes em relação às tradições de Goiás e do Maranhão seja no desenho das indumentárias dos farricocos, na escolha dos percursos urbanos ou na integração entre liturgia e dramaturgia local. Essa diversidade de formas expressa a própria riqueza do patrimônio imaterial brasileiro, reforçando o valor de pesquisas documentais e inventários desenvolvidos por entidades como a Confraria de História e Memória de São Cristóvão e o próprio Grupo G12.
O Sentido do Fogaréu: A Chama da Fé
Dessa forma, a Cidade Histórica de São Cristóvão estará com suas portas e seu acervo secular prontos em 2028 para acolher pesquisadores, grupos folclóricos, irmandades e fiéis de todas as regiões do Brasil que mantêm acesa a chama do Fogaréu.
O encontro nacional servirá como espaço privilegiado para a troca de saberes e o fortalecimento de uma rede que teve na Cidade de Goiás a sua primeira luz guia. Acima de qualquer dimensão turística ou valor histórico-cultural que são vastos e inegáveis , a essência da Procissão do Fogaréu reside no ato de fé, na espiritualidade comunitária e na renovação da esperança cristã, lembrando a cada tocha empunhada nas trevas da noite que todo o supremo sacrifício da Paixão e da Crucificação de Jesus Cristo não foi em vão.
Viva a Procissão do Fogaréu! Viva a Cidade Histórica de São Cristóvão!
Agradecimentos
Reconhecendo a grandeza dessa caminhada de integração e salvaguarda, registramos um agradecimento público e solene à Comissão Organizadora Nacional nas pessoas de Guilherme Siqueira e Leonardo Barata.
Por meio deles, estendemos nossa profunda gratidão e saudação a todos os membros da Comissão Nacional de Salvaguarda e da Comissão Local de Caxias pela impecável dedicação, sensibilidade e empenho na realização deste momento histórico: o II Encontro Nacional das Procissões do Fogaréu do Brasil.
O encontro nacional servirá como espaço privilegiado para a troca de saberes e o fortalecimento de uma rede que teve na Cidade de Goiás a sua primeira luz guia. Acima de qualquer dimensão turística ou valor histórico-cultural que são vastos e inegáveis , a essência da Procissão do Fogaréu reside no ato de fé, na espiritualidade comunitária e na renovação da esperança cristã, lembrando a cada tocha empunhada nas trevas da noite que todo o supremo sacrifício da Paixão e da Crucificação de Jesus Cristo não foi em vão.
Viva a Procissão do Fogaréu! Viva a Cidade Histórica de São Cristóvão!
Agradecimentos
Reconhecendo a grandeza dessa caminhada de integração e salvaguarda, registramos um agradecimento público e solene à Comissão Organizadora Nacional nas pessoas de Guilherme Siqueira e Leonardo Barata.
Por meio deles, estendemos nossa profunda gratidão e saudação a todos os membros da Comissão Nacional de Salvaguarda e da Comissão Local de Caxias pela impecável dedicação, sensibilidade e empenho na realização deste momento histórico: o II Encontro Nacional das Procissões do Fogaréu do Brasil.
Viva a Procissão do Fogaréu! Viva a Cidade Histórica de São Cristóvão!








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